Before everything
17 Homem-Rato
A base de seus pés tremiam como um terremoto. Porém só um terremoto de medos sacudiam a mente dos três garotos, com a adrenalina no lugar de neurônios, para que achem um plano de fuga de 5 minutos. A única coisa que agora podia piorar, era as paredes começarem a se aproximar para esmagá-los.
“Tem que haver uma saída”, pensa Thomas. Vasculha o lugar dando voltas de 360 graus, vendo agora o extenso retângulo de aço rodopiar. Suas pernas, daqui a alguns segundos, não irá aguentar e sair voando — é o que ele pensa. Thomas avista várias barras de ferro enfileiradas, subindo ao longo do enorme corredor.
–Ali! — diz, apontando o dedo. Os três correm em direção a escada.
Thomas oscila.
– O quê houve? — pergunta Minho, já com um dos pés apoiados na barra de ferro.
– Estão ouvindo?
A conversa abaixo deles entra com um estalo para a cabeça de Thomas, contudo, ela é enchida de medo, angústia e frio na barriga, quando o garoto reconhece a voz pálida do homem. Vira a cabeça para o lado para obter certeza confirmação e acaba identificando uma nova voz masculina, a qual ele nunca vai esquecer.
– O homem-rato e o chanceler. — sussurra Thomas.
– Homem-Rato? — pergunta Brenda, se agachando e encostando o ouvido no chão de ferro.
– Aquele cara pálido que nós vimos passando em frente ao quarto de Teresa.
– Não temos tempo para isso. Vamos. — adverte Brenda.
Minho retorna com a sua escalada e doa espaço para a de Brenda. Os dois começam a subir pé por pé, com o frio da barriga aumentando. Thomas bota o primeiro pé na barra de ferro, aquilo foi incrível para ele, como se fosse a sustentação de sua vida e como se tivesse livre dos problemas que estão sofrendo no momento, mas…
O elevador se move. O rangido dele se arrastando pelas paredes, ecoou na alma dos garotos. Ainda bem, que só durou por alguns segundos. Todavia, a alma deles está medrosa, muito mais medrosa, agora que foi subtraído uns 2 minutos da fuga dos 5. Por isso, entregam o corpo para controle total da adrenalina. Então, iniciam uma escalada inimaginável, a velocidade é incrível, em relação à eles, não em relação ao elevador.
Alcançam a última porta. Mas um problema, eles estão no lado contrário a ela. Brenda calcula a distância entre eles e a escada do outro lado. Dá mais que dois dela, porém, de qualquer jeito, terá que dar, se não serão esmagados teto acima. A imagem desse acontecimento fica voltando toda hora na cabeça dos três, deixando a faísca da desistência crescer. Não, não podem desistir!
– Minho! — chama ela. — Consegue pular?
Ele olha para a única saída do lugar e a escada.
– Talvez.
– Mas tem que conseguir. Conte até três e vá. — sugere Brenda.
– Não muito longe? — pergunta Thomas, olhando para baixo.
– Sim, mas quando pular não vai cair onde desejado, irá ter que se pendurar na escada quando alcançá-la, pois ele vai cair um pouco abaixo da porta. — explica.
– Tudo bem. Vamos. — diz Minho, respirando fundo e fechando os olhos. Vê seu corpo caindo e se segurando na barra metálica, mas também vê ele caindo e colidindo no elevador se elevando. Para conter o medo, constrói uma bolha mental em volta de tudo que sente, até mesmo da coragem, pois, naquele momento, precisa-se de seus sentimentos às escuras. Sem nada.
Thomas e Brenda observam o elevador subindo lá no fim. Torcem que Minho pule e consiga, ou que pelo menos pule, porque o elevador irá alcançá-los daqui a poucos instantes. Olham para ele.
Minho salta com um grito. O vento adormece sua barriga, na verdade, adormece todos os nervos do seu corpo. Ele está livre naquele exato momento, contudo, também tem a liberdade da morte o pegar se não agarrar a barra. Minho está caindo sem fim, sem mesmo estar sentindo isso. O nervosismo não deixa. Quando chega à uma distancia de 4 metros, enrosca a mão na barra. Seu corpo bate contra as outras abaixo dela. Solta um gemido de dor. A gravidade e a velocidade que caiu faz seus pulsos doerem.
– Isso! — comemora Thomas. — Suba rápido para pularmos.
Minho escala mais uns metros, e, em seguida, um atrás do outro, Brenda e Thomas. Ele quase sente seu pé encostar no teto do elevador. Foi por um fio.
– Ei, Minho, enfie seus dedos entre a fresta para o sensor detectar. — guia Brenda, enquanto Minho olhava para a porta trancada.
– Vai rápido. — sussurra Thomas, praticamente, sentindo o teto empurrá-lo para cima. O elevador aumenta de velocidade. Cada metro passado, a máquina acelera, ou seja, se estivessem esperado até que o próprio elevador os levassem para cima, poderiam passar direto ou um deles ficaria para trás. A única chance seria o último andar que é do térreo, mas não arriscariam a isso.
Minho esmaga seus dedos nas frestas e as duas portas se abrem rapidamente, dando à luz liberdade de que entre nos olhos dos garotos. Um por um, foram subindo, botando suas pernas fora do ambiente mortal. E, finalmente, saíram de forma que parecia que sobreviveram a uma guerra — o que foi mais ou menos. Uma câmera captando três crianças de treze anos saindo das engrenagens de um elevador.
– Vamos. — diz Thomas.
– Agora nos conte. Isso tudo foi para ir para o dormitório? — pergunta Brenda.
– Não. — responde. — Eles são dois andares abaixo. Iríamos para lá, mas como já estamos aqui, vamos prosseguir.
– Prosseguir com o que? — profere.
– Olhem. — diz Thomas, empurrando os dois para o canto da parede. Ele gira a cabeça para os dois lados e confirma a ausência de flagra possíveis. — Nós precisamos salvar Teresa.
– Ela já está salva lá. É só não mexermos em nada, porque, toda vez que tentamos fazer algo, sempre acaba errado. — fala Minho.
– Vocês acham que ela teve uma infecção de forma natural? Não! Eles têm centenas de soros, para todos os tipos. Vocês não acham que poderiam ter injetado nela para aprendermos a lição? — supõe. — Brenda matou três deles!
Ela desfaz a testa franzida, como se tivesse acordado para o mundo.
– É… Pode ser. — rende Minho, mas ainda desconfiando da linha de pensamento de Thomas.
– E você, Brenda?
Ela morde o lábio inferior, refletindo em consequências no que será feito. Mas a amizade é maior? É uma decisão difícil. Principalmente a ela que pode ser descartada a qualquer momento do CRUEL. Também não tem uma reputação muito boa no campus. O que pode perder? Já se foi tudo de mais importante para ela.
– Tudo bem. — diz, erguendo as palmas das mãos. — Por onde começamos?
– A sala de comando é bem aqui neste andar. Cada prédio tem a sua, ou seja, tudo que estiver neste edifício, é controlado em algum lugar daqui. É só procurarmos.
– Então você ainda não sabe onde fica essa suposta sala? — Brenda pergunta retoricamente. — Entendi.
– Vamos logo.
Eles começam a dar longos passos, virando corredores, olhando cada piso no chão, cada quina de parede. Estavam ficando quase sem equilíbrio de tantas voltas dadas por aquele lugar, mas não que repetiram o caminho — algumas vezes -, mas porque o lugar era imenso. Um imenso labirinto. Suas visões cansam de receber, praticamente, a mesma imagem. Até pensam que é um erro de projeto de não ter nenhuma planta nos corredores para guiá-los, só que os funcionários sabem de cor quase todos os lugares de todos os prédios — em primeiro lugar, eles nem deveriam estar ali.
Passos; marchas; corrida. Essas coisas são reconhecidas pelos garotos, e uma coisa é resultada. Soldados.
– Mas que droga! — sussurra Brenda. — E agora? Não conhecemos um centímetro desse lugar! Isso é um labirinto completo!
– Vamos! Pensem! — pede Minho.
– Esquece. Vamos nos esconder. — diz Thomas, observando o teto acima. — Ali! — exclama, quando avista uma entrada de tubulação.
– Não. Estou cansada de lugares apertados. — reclama Brenda.
– O elevador não era tão apertado. — retruca Minho.
***
Os três subiram, fazendo o mesmo processo do levador: dois sobem primeiro e o último é puxado pelo jeito estratégico de Brenda. Se apertaram enfileirados — não tinha como ser de outro jeito -, sentindo o próprio gás carbônico exalado de seus pulmões. O ar lá dentro estava ficando sufocante; o clima estava ficando consideravelmente quente, que eles sabiam que daqui a poucos minutos tudo pioraria de forma extrema.
– Quando vamos sair daqui? — pergunta Brenda.
Um exército de médicos passou por baixo da abertura da tubulação. Médicos. Sim, eles deveriam ter fugido de qualquer jeito, mas com médicos poderiam enrolar inventando alguma desculpa, pois eles nem se preocupariam, já que estariam ocupados de outra coisa. Mas… Não há nenhuma sala de cirurgia ou de coma no andar.
Thomas cerra os olhos e vê algo estranho nas macas, quando atravessam sua visão rapidamente. Elas são diferentes; elas lembram algo assustador. As macas carregadas parecem com aquelas que carregam um cadáver. Há um pano verde, amostrando o contorno de um corpo, com um tablet deitado em cima da barriga. Ele representa uma imagem azul, mas Thomas não identifica.
– O quê é isso? — pergunta Thomas, franzindo a testa. — São médicos.
– Médicos? Não pode ter médicos aqui. — adverte Minho.
O homem-rato passa pela abertura e permanece em linha reta à visão de Thomas. “Não olhe para cima”, torce Thomas, mentalmente, enquanto observa o corpo do cara pálido bem embaixo de seu corpo. Ele segura uma prancheta e assiná-la algo nela. Uma mulher de jaleco branco aparace em seu encalço, e sai, depois de falar algo, pulando como uma criancinha. Thomas franze a testa, mas se liga, novamente, nos pensamentos sobre o homem-rato.
Então, o homem de rosto da cor da neve, chama um homem com um gesto de mão. Ele tem a pele escura e é careca; sua cabeça chega a brilhar na luz.
– Onde os corpos estão sendo levados? — pergunta Homem-Rato.
– Agora, estão sendo levados para a sala de nivelação do vírus. — ele pausa.
– E?
– Ah, desculpe… Depois, vão ser carregados para o subterrâneo para a sala de cirurgia.
– Tudo bem, podem voltar ao processo…
“Senhor, elas estão bem àcima de você”, diz uma voz, quase inaudível, na escuta do homem-rato.
– Ah! Que curiosos! — surpreende-se — Potencialize o ar-condicionado.
“Não prefere guardas, senhor?”
– Para quê? Eles podem poupar nosso tempo.
“Tudo certo, senhor”
– O quê eles estão dizendo? — pergunta Brenda.
– O mesmo de: saiam agora daqui.
O Homem-Rato continua seu caminho fora do alcance da visão de Thomas. Seus passos são os de maníaco psicopata, o qual, neste exato momento, está cantarolando, mentalmente, algo do tipo: “Cadê vocês criancinhas?” e “É melhor andarem rápido, mas vou achar vocês de qualquer jeito”. Esses cantigas se grudam nele com tanta força, que sua expressão enquanto anda, já está mudada. Então, ele acabou sendo renomeado, novamente, por Thomas para: Homem-Rato-obstinado-e-alucinado.
O ar fica totalmente asfixiante; seu frio é asfixiante. As pontas dos dedos deles já estão completamente imperceptíveis e indiferentes, como se tirasse-as dali não iria fazer nenhuma diferença. A dormência vai se arrastando até seus narizes e os deixa insensíveis, como quase todo resto do corpo. Sua rota de fuga é a de sempre planejada: eles seguem em frente até encontrar alguma chance de salvação. Se não conseguirem sair dali, serão, simplesmente, três cadáveres imprestáveis em uma tubulação, os quais serão encontrados e jogados fora sem nenhuma saudação de dispensa ou algo do tipo, somente jogados fora igual lixo.
A base de Thomas despenca.
Ele bate forte no chão e sua visão fica rodando sem parar. Olha para cima e avista o rosto de Brenda, turvo e assustado. Alguns segundos depois, vê um par de tênis sem graça, ficando cada vez mais nítido enquanto se aproxima. Thomas sabe que tem que desistir — pelo menos naquele momento -, e adivinha? Ele desiste.
Memorando CRUEL
229.5.15, hora: 22:00
De: Ava Paige
Para: Associados
Assunto: Thomas, Minho e Brenda.
Hoje fui certificada sobre o fato dos objetos Thomas, Minho e Brenda. Já venho acompanhando os mesmos a um bom tempo, principalmente Minho, já que poderá ser um grande candidato. Porém, de acordo com outros acontecimentos, eles já passaram dos limites. Como não conseguimos controlá-los de forma pacífica os indivíduos, agora temos que partir para outro tipo de cautela. O Dissipador. Pode até ser uma decisão meio perigosa, pois poderemos perder toda a pesquisa, mas também não podemos perdê-los por completo. Minho, ele é um garoto especial nos campus, pode ser melhor que Thomas sobre a questão do candidato final, por isso devemos salvá-lo, de preferência. Já Brenda, ela é uma garota prestável à nós, apesar de ser nova. Uma coisa boa foi sua imunidade, mas, como é tarde para inserí-la no projeto, vamos usá-la na segunda fase. O caso dos três podem ser resolvidos com a perda de memória.
Já mandei uma ordem à Jason. Após de colocarem-nos no Dissipador, Jason irá levá-los para conhecer o grande labirinto e a segunda fase, o Deserto.
Minha hora está chegando. Daqui alguns anos, estarei sobre o controle da Sede.
Obrigada, boa noite.
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