Before You Go

2 Last Christmas


Notas iniciais
E aí pessoal ! Vocês devem estar achando que eu cai de cabeça ou fui substituída por uma versão 2.0 da Molly, por estar postando um capítulo em menos de 1 mês ! :D Brincadeiras a parte. Essa fic já está escrita e eu queria ainda aproveitar esse clima de fim de ano e festas para postar. Aproveitar já que a história é ambientada nessa época. Curiosidade 1: O capítulo é o nome de uma música da banda Wham! Uma banda que eu curto bastante. Curiosidade 2: O nome Angela (namorada de Griss) foi baseada em outra música que eu gosto. Angela, da cantora Flower Face. Recomendo que escutem as duas :D Sem delongas. Boa leitura.

Grissom acompanhou Diana e Angela até a cozinha. O cheiro suave de chocolate percorria toda a extensão da casa. Lindy estava preparando a bebida enquanto conversava animadamente com Jeffrey. Os dois eram responsáveis por alguns pratos do jantar naquela noite e trocavam algumas experiências no comando do fogão.

— Pelo visto nada mudou, Jeff. Continua entusiasmado quando se trata de culinária. — Os três se acomodaram em uma grande mesa rústica. As cadeiras com estofado carmesim eram extremamente confortáveis e macias, um dos pequenos luxos espalhados pela casa. — Ainda continua ensinando Lindy a cozinhar ?

— Os anos se passam e Gilbert continua o mesmo piadista. Ainda bem que você não investiu neste lado. — A senhora aproximou-se da mesa empunhando duas canecas com o chocolate quente e entregou para Diana e Angela. — O engraçadinho, se quiser, pode levantar e ir buscar.

Grissom levantou-se e abraçou Lindy.

A senhora adorava toda a família Grissom mas nutria por Gilbert um amor maternal. Desde o primeiro contato, tinham desenvolvido uma bela amizade. Gilbert chegou na vida de Lindy quando ela tinha perdido o seu filho mais velho em um acidente de carro e de uma forma indireta, ele ajudou a preencher o vazio.

— O conhaque está da segunda porta debaixo do armário. — Lindy sussurrou para Grissom enquanto ele servia de uma generosa xícara. — Se perguntarem como você achou, você diz que foi uma inspiração celestial.

— Dúvido que os céus enviem uma mensagem como essa e duvido mais ainda que você seria escolhida como o anjo mensageiro.

Os dois gargalharam baixo. De costas para todos os outros presentes na cozinha, eles secavam os olhos úmidos devido às risadas. Grissom colocou uma pequena dose da bebida em seu chocolate quente e acrescentou também no copo da governanta.

— Se você me entregar, eu te entrego também.

— Nosso segredo. — Ela piscou para ele e levou o indicador aos lábios.

Ele retornou para o seu lugar de origem, ao lado de Angela. Passou um dos braços sobre o ombro dela e a trouxe para aconchegar em seu peito, pegou uma de suas mãos livres e beijou o dorso. Com a ponta dos dedos, ele acariciava o ombro coberto por um pesado casaco de lã.

Enquanto o grupo reunido na cozinha estava animado em uma conversa, ele desviou o pensamento para a atitude de Sara. Ficou remoendo a cena que tinha ocorrido no quarto dela. Sara tinha sido extremamente discreta em relação a sua nova namorada. No entanto, ele conhecia cada linha de expressão no rosto dela.

Sara tinha feito sua escolha e ele tinha respeitado. Ele fez de tudo para poder manter uma boa amizade com ela, não queria perder os bons momentos. Foi franco ao falar que nada mudaria entre eles e esperava que da parte dela também fosse verdadeiro.

— Beth, você precisa entender que eu tenho que resolver alguns problemas do trabalho. O mundo não vai parar para ver o Papai Noel descer a chaminé. — Thomas entrou na cozinha com Beth em seu encalço. Ela estava irritada com a atitude de seu marido, eles estavam perdendo o tempo para ficarem reunidos enquanto ele estava preso no telefone conversando com algum gerente. — Não fique irritada, querida.

— Thomas, você não muda nunca.

— Como prova do meu amor… — Ele pegou o celular dentro do bolso da calça e desligou. Mostrou o visor apagado para a esposa e sorriu. — Sem mais serviço por hoje. Vou deixar os meus gerentes quebrarem a cabeça.

Thomas abraçou Beth que relutou contra um sorriso nos lábios, mas foi vencida rapidamente. Eram casados a mais de 35 anos e sempre foram felizes juntos. Nunca tiveram uma briga séria e tinham o compromisso de nunca dormirem brigados.

Thomas era dono de um par de olhos azuis mais profundos que os do seu filho. Na realidade, Grissom era uma cópia quase fiel de seu pai na juventude.

— Sua mãe sabe que aquele não é o celular da empresa ? — Angela sussurrou próximo ao ouvido de Grissom.

— Não faz ideia. — Ele sussurrou de volta. — Acho que a minha mãe até hoje não sabe o nome da empresa. — Beth era professora de ensino médio de uma escola. Sempre apoiou as empreitadas de sua família mas nunca quis entrar a fundo nos negócios.

Grissom levantou-se e deu um abraço em Beth. A mulher de cabelos castanhos e os olhos cor de mel, cabia perfeitamente dentro dos braços de seu filho. Ela tomou a bebida da mão do filho e deu uma considerável golada no chocolate.

— Daqui a pouco você vai ficar bem relaxada, Betty Grissom.

Elizabeth contorceu o rosto em uma careta engraçada. Tinha se esquecido do hábito do seu filho em misturar conhaque. Abanou as duas mãos próximas à boca, com certeza daqui alguns minutos a bebida ia esquentar o seu corpo.

— Angela, dê um jeito em Gilbert. Eu já desisti desse projeto quando ele completou 21 anos.

— Eu tento, Elizabeth. Mas o Gil é indomável. — Grissom virou o olhar para a namorada e sorriu malicioso com o comentário dela.

— Então é teimoso como o pai. Me lembre de buscar o manual de como llidar com homens da família Grissom.

Sara chegou na cozinha acompanhada de sua mãe. As duas estavam em seu quarto conversando sobre algumas trivialidades do dia a dia. Ela procurou uma cadeira próxima ao seu pai. O homem estava “vigiando” a sua torta de maçã no forno.

— O cheiro está delicioso. Essa torta é uma das minhas prediletas.

— O primeiro pedaço será seu, querida. — Jeffrey apertou o nariz de Sara. Era um velho hábito que ele trazia desde a infância.

Ela começou a observar em silêncio a nova namorada de Grissom. Angela tinha belos cabelos pretos modelados, as maçãs altas do rosto deixava a sua pele rosada contrastar com os olhos verdes, tinha o nariz fino e levemente pontudo e seus lábios eram perfeitamente desenhados.

“Gil sempre teve bom gosto para escolher as suas namoradas”.

Encontrou o olhar assustado de sua irmã em meio ao grupo animado na cozinha. Diana a encarava e apontou discretamente para direção de Angela. A caçula pegou o seu celular no bolso do casaco e digitou rapidamente para irmã:

Você está comendo a rival com os olhos. O Gil já reparou.

Leu a mensagem e sentiu uma pequena fisgada no peito. Ainda ficou um tempo focada no celular, não queria ter que levantar os olhos e encarar com Grissom.

— Gil, você reassume o seu cargo em Las Vegas após o feriado ?

— Sim, Jeff. Eu retorno para Califórnia apenas para levar Angela e assinar alguns documentos.

— Vocês devem ter um prazer quase sexual em falar de trabalho. — Dessa vez foi Laura quem se manifestou. Ela e Elizabeth detestavam quando eles traziam assuntos da empresa para dentro de casa. Elas sabiam que poderiam iniciar uma reunião fora de hora a qualquer momento.

— Grissom é ligado no serviço o tempo todo. Já são seis meses morando com ele e tendo que dividir a minha atenção com a empresa. Trabalhamos juntos e no final do dia continuamos trabalhando remotamente.

Sara teve certeza que a sua boca estava aberta de espanto. Tinha nove meses que ele estava na Califórnia e seis meses que eles moravam juntos. Aquele relacionamento era muito mais sério do que ela imaginava. Ele nunca tinha morado com nenhuma de suas namoradas ou muito menos cogitado essa ideia.

— Parece que conseguimos mais uma mulher para engrossar o coro das reclamações. — Gil concluiu

Angela era gerente administrativa da empresa. Ela era um dos elos de confiança dos sócios. Quando Grissom estava na Califórnia, eles eram responsáveis por angariar novos investidores, portanto sempre estavam juntos em almoços e jantares corporativos.

— Para o bem das mulheres e pelo bem dos nossos relacionamentos, vamos encerrar o assunto. — Thomas sugeriu e logo viu os olhares femininos brilharem. — O que acham de uma partida de Blackjack valendo a louça do jantar ?

— Eu estou fora ! — Sara foi a primeira manifestar.

— Medo de perder ? — Thomas a provocou.

— Se eu não participar, as minhas chances de lavar a louça são nulas. — Ela piscou vitoriosa.

Jeffrey, Laura, Elizabeth e Lindy aceitaram a oferta. Thomas convidou os não participantes para se juntarem a eles na sala. Todos acataram a sugestão e foram para o cômodo. O grupo que iria jogar sentou-se em uma mesa redonda e os outros se acomodaram no espaçoso sofá. A lareira acesa trazia um calor gostoso e eles pareciam sentir os músculos relaxarem.

— Finalmente conheci vocês. — Angela apontou para Sara e Diana. — Sempre ouvi muito a respeito de vocês.

— O Gil é tão sem assunto assim ? — Diana ficou atônita mas conseguiu disfarçar, ela que estava sentada ao lado da irmã não pensou duas vezes antes de beliscar o seu braço.

— Eu conheço vocês através de Jeffrey. Sempre ficava emocionada quando ele falava orgulhoso sobre vocês. — Ela sorriu sem graça com a pergunta. Imaginou que aquilo não era a resposta que a morena queria ouvir. — Gilbert nunca mencionou que conhecia vocês.

Que mancada, Sara” — Diana pensou tão alto que teve medo de alguém ler os seus pensamentos.

Grissom desviou o seu olhar para a grande janela da sala. Não queria ter que encarar novamente o olhar decepcionado de Sara. Ela tinha um espaço muito especial em sua vida, ele tentou uma aproximação com ela, ou melhor, ele tentou entregar o seu coração mas ela parecia decidida demais em não aceitar. A vida era feita de ciclos, e o ciclo de Sara havia se encerrado.

— Vocês nunca tiveram interesse em participarem da empresa ?

— Eu tentei a vaga de estágio na filial de Las Vegas. Ainda estou aguardando a resposta. — Diana disse simpaticamente. Queria quebrar o gelo com a novata. Angela parecia ser uma pessoa muito agradável e não merecia passar por nenhum tipo de constrangimento. — Não quero nenhuma vantagem por ser filha de um dos donos.

O processo de seleção de estágio da S&G Construction era estritamente rigoroso. Existiam diversos critérios a serem avaliados e cada um desses tinha um valor atribuído. O candidato mais bem avaliado ficava com a vaga. Após o processo seletivo, o resultado era divulgado após uma auditoria interna contra possíveis fraudes e registrado.

Diana só tentou aquela vaga porque era impossível ser favorecida por ser filha de Jeffrey.

— A única relação que eu tenho com os negócios da família é o sobrenome. — Sara disse tranquilamente. Precisava controlar o seu humor. — Sou professora universitária e a decepção da família.

— Até hoje não sabemos onde erramos com essa menina — Jeffrey gritou da mesa. Ele estava também atento à conversa.

— Gosto de pessoas rebeldes. — Angela disse animada. Ela queria manter um bom relacionamento com todos que estavam na casa.

Eles conversaram sobre mais alguns assuntos. Diana e Angela se acertaram logo de cara. As duas amavam viajar e trocaram diversas experiências das cidades espalhadas pelo o mundo. Todos riram quando Thomas e Jeffrey começaram uma discussão por conta do jogo, o pai de Grissom acredita fielmente que o seu amigo/sócio tinha trapaceado no jogo.

— As vezes eu acho que essa casa tem algum botão de replay. Todos os anos são sempre as mesmas confusões. — Grissom disse enquanto os dois tentavam argumentar e mostrar que o outro estava errado.

— Vocês estão perdendo o tempo discutindo. — Lindy interviu. — Os dois são os que têm o menor número de vitórias. Eu acho que para encerrar, os dois deviam lavar a louça. De preferência na água gelada.

— Nem adianta vocês quererem argumentar. Lindy está coberta de razão.

— Concordo com a Laura. Os dois perderam. — Elizabeth apoiou a amiga.

Os homens se encararam derrotados e aceitaram a imposição. Sabia que estavam em desvantagem em relação ao restante da casa. Laura que era a única advogada não iria postular na causa eles.

Diana convidou Angela para ir no seu cômodo predileto da casa: a biblioteca. Queria mostrar para ela alguns souvenirs que ela colecionava de suas viagens e também as fotografias que ela tirava enquanto viajava. Diana e Angela gostavam de fazer viagens sozinhas e levando o mínimo possível, gostavam de fugir do óbvio quando estavam fora de casa.

— Diana, não vá sequestra-la pelo restante da noite. — Grissom apontou para ela e depois levou dois dedos abaixo dos olhos. — Estou de olho em vocês.

— Você consegue sobreviver alguns minutos sem a minha presença.

Grissom riu com a resposta da sua namorada. Angela era espontanea e sincera demais. A facilidade que ela tinha de ler os pequenos detalhes nele, era fascinante. Ele ficava leve quando estava ao lado dela, sentia-se um sortudo.

— Parece que é realmente sério o relacionamento entre vocês. — Thomas apareceu atrás de Sara, levou as mãos ao ombro dela e fez uma breve massagem.

— Meus 30 anos chegaram e eu decidi colocar um rumo na minha vida. — Suspirou fundo. — E Angela é uma pessoa sensacional.

— Cuide muito bem dela. Porque ela está fazendo muito bem para você. — Ele concordou com a fala do seu pai. O homem foi para cozinha para auxiliar o seu sócio com o restante da louça.

Grissom levantou-se e sentou ao lado de Sara. Queria poder abraçá-la mas preferiu não fazer, ele ainda estava na defensiva em relação a ele.

— Você não está cumprindo a sua promessa.

— Qual seria ? — Ela virou para poder encará-lo, mas ele permanecia com o olhar fixo em algum objeto aleatório da sala.

— Que não iria me tratar com indiferença. — Ele finalmente virou e olhou para ela. Estava sério, seu rosto estava franzido e olhos azuis pareciam ter perdido um pouco do brilho. — Ainda somos amigos, certo ?

— Cla..Claro. — Ela gaguejou e se odiou por isso. Não queria ter aquele tipo de conversa com ele e muito menos agir daquela forma. — Não tem o que questionar sobre isso, Arthur.

— Ótimo, Sidle. Ficaria muito triste em saber que algo tinha mudado. — Ele segurou a mão dela entre as suas. — Eu queria ter te contado tudo antes. Você não sabe como esses últimos meses foram intensos. Minhas folgas eram escassas e os meus problemas em excesso.

— Por isso que você foi morar com a Angela. — Concluiu- Única maneira de manter o relacionamento em meio a tanto caos.

— Exatamente, Sidle. — Ele soltou a mão dela e levou a mão aos cabelos bem cortados. — Angela é uma pessoa extraordinária e eu senti que não deveria errar com ela. Quando me dei por conta já estava com ela e na casa dela. — Ele deu uma risada tímida.

— Fico feliz por vocês, Arthur. — Ela buscou os olhos dele e pode perceber que ele não acreditava nas palavras dela. — Falo de coração.

Ele apenas assentiu com a resposta dela. Sua mente estava confortável com a resposta dela mas ainda não sentia o peso do coração ficar leve. Sua mente afirmava que o ciclo Sara Sidle havia encerrado, mas o seu coração ainda o colocava em ‘xeque’ .

— Quando eu regressar para Vegas, o nosso almoço semanal no restaurante chique e refinado do campus estará de pé ?

— Não quero me indispor com a Angela. Ela não se importa ?

— Não vou abrir mão de uma amizade por causa de um relacionamento. As outras passam mas a Sidle sempre fica.

Eles riram juntos. Era muito bom sentir o ar mais leve depois da conversa. Sara conseguiu disfarçar muito bem a sua decepção. Eram nove meses sem notícias de Grissom, nove meses que ela teve muito tempo para pensar sobre ele.

— Você se lembra do dia dessa foto ? — Grissom estava parado em frente a lareira. Uma infinidade de porta-retratos estava disposta em uma prateleira. Diversos eventos estavam eternizados nas fotografias. Entre aniversários, formaturas, eventos corporativos. Tinha uma foto dos dois.

Com os rostos colados e sorrisos resplandecentes, estavam juntos comemorando os 21 anos recém chegados de Sara. Grissom tinha a “sequestrado” no meio da sua própria festa de aniversário para irem a um pub que ficava isolado da cidade. Eles beberam juntos por algumas horas e curtiram o show de uma banda local.

— Eu tenho alguns flashes desse dia. — Ela pegou o retrato e ficou admirando a fotografia. Eles irradiavam juventude e despreocupação. — Fiquei muito bêbada.

— Tive que levar você para casa. Eu tomei uma bronca enorme do seu pai.

Sara ficou em silêncio analisando a foto. Sempre soube que amava ele desde aquela época, mas nunca quis arriscar em conta-lo. Reprimiu o sentimento quando ele foi embora da sua vida e quando ele regressou, se conteve apenas com a incrível amizade entre eles.

Estava feliz com o relacionamento que eles tinham.

Até ouvir da boca dele que ele a amava.

— Griss, eu vou precisar sair. — Ela colocou o objeto de volta ao lugar original. — Vou aproveitar esse tempo antes do jantar e comprar algumas coisas que eu esqueci de trazer.

— Eu te acompanho. Tenho nove meses de assunto para colocar em dia. — Diana e Angela retornaram para a sala. Angela se aproximou de Grissom e abraçou o seu corpo. — O que acha de sairmos, honey?

“Honey?”

— Se você não se importasse, eu gostaria de ficar. Ainda estou um pouco cansada da viagem e gostaria de descansar um pouco antes do jantar.

— Claro. Teremos outras oportunidades de sairmos juntos.

Sara agradeceu internamente pela recusa do convite. Queria mesmo era ficar um pouco sozinha para colocar os seus pensamentos no lugar. Grissom se retirou em direção ao seu quarto, aproveitaria para fazer o mesmo que a sua namorada.

— Você quer ficar um pouco sozinha, certo ? — Diana procurou o abraço de Sara. Apesar de ser a caçula sempre sentia a necessidade de protegê-la. Amava a sua irmã com todas as suas forças e passaria por cima de qualquer coisa para vê-la feliz.

— Só por um tempinho, Dy. Será que você pode segurar as pontas com a Dona Laura e o papai ?

— Claro. Vá logo antes que eles deem a sua falta.

Sara pegou as chaves do carro dentro do seu sobretudo aveludado e foi em direção a garagem. Com um cachecol preto enrolado no pescoço e um gorro cobrindo as suas orelhas, estava bem preparada para encarar o frio exterior.

A casa de seus pais era afastada do pequeno centro comercial da cidade. Por se tratar de uma localização que muitas pessoas procuravam apenas para passar uma pequena temporada, o comércio era administrado pelos moradores locais. Não existiam grandes marcas ou grandes lojas, apenas produção própria.

Sara estacionou em frente a uma pequena cafeteria. Ela conhecia os donos desde a sua infância. Donna e Sam a receberam com um forte abraço e conversaram por alguns minutos. Ela saiu satisfeita com um generoso copo de capuccino e um donut que havia ganhado dos donos.

Caminhou alguns minutos até chegar em uma aconchegante livraria. James, o único dono do estabelecimento, veio recebê-la na entrada. O senhor era dono de uma vasta cabeleira branca e um rosto bem fino, com as bochechas rosadas devido ao frio e o corpo encolhido, reforçava mais ainda a imagem de “bom velhinho”.

— Que bons ventos a trazem aqui, Sara ?

— Preciso comprar um presente de última hora, James. E livros sempre são as melhores opções.

— Você está coberta de razão. Venha ! Vamos escolher um bom exemplar.

Eles caminharam entre as prateleiras. O cheiro de uma livraria era algo viciante para Sara. Em alguns momentos, enquanto James fazia um breve resumo sobre os livros, ela permitia fechar os olhos e aspirar o aroma inebriante.

— Sorrisos como o seu são o motivo desse lugar ainda permanecer aberto. — Sara abriu os olhos e encontrou James com os olhos marejados.

— O que seria dessa cidade sem essa livraria? — Ela sorriu e limpou uma lágrima teimosa que deslizava o rosto enrugado dele.

Depois de algum tempo de conversa ela decidiu quais exemplares ela levaria. Pediu para embrulhar um de presente e os demais ela decidiu que devia se auto presentear. Trocaram um breve abraço e uma promessa de que ela retornaria mais vezes para poderem conversar.

Sara encontrou um deck coberto totalmente vazio. Olhou no relógio e viu que ainda tinha alguns bons minutos antes de retornar para a sua casa. Sentou em um banco próximo a janela e ficou observando a movimentação da cidade.

Confessou para si a sua frustração. Sentia-se uma completa idiota por ter deixado Grissom escapar daquela forma. O seu medo de ter um relacionamento fracassado com ele, impediu que ela ao menos desse uma chance para tudo dar certo.

Não culpava ele pela atitude de seguir em frente, no lugar dele faria a mesma coisa. Angela parecia ser uma pessoa incrível e estava a altura da companhia dele. Ela realmente sentia-se feliz por ele, mas isso não impedia que o coração dela partisse um pouco quando os via juntos.

Grissom não devia ser uma página virada em sua vida, mas sim uma página arrancada. Para não ter perigo dela querer reler em algum momento.

Dirigiu para casa em silêncio e permitiu-se chorar. Não era um choro desesperado, mas sim algo para lavar dentro da sua alma. Algo para fazer aliviar os seus ombros cansados. Se recompôs antes de chegar em casa e garantiu que não houvesse nenhuma evidência do seu abatimento.

— Onde você estava, Sara ? — Laura deu um pulo do sofá quando viu sua filha mais velha entrando. — Sabe que horas são ?

— Eu apenas precisei sair para resolver algumas coisas. Mãe, não se preocupe.

— Não se atrase para o jantar. Você sabe como obedecemos religiosamente cada horário.

— Vocês duas que são assim. — Ela apontou para sua mãe e Elizabeth. — Vocês são mais ansiosas que as renas do Papai Noel.

— Pensamento rápido sempre foi o seu forte. — Laura estreitou o olhar enquanto encarava Sara. Enquanto Sara subia a escada, ela ainda conseguiu acertar um leve tapa em sua nádega. — Não se atrase.

— Sim senhora. Só volto quando estiver linda e impecável. — Sara gritou enquanto subia as escadas.

— Então já pode voltar. — Grissom passou apressado ao seu lado enquanto descia as escadas. Piscou para ela e foi em direção a sala.

Sara tentou ignorar o comentário e foi para o seu quarto. Precisaria tomar um bom banho e se arrumar para a ceia. Deixou as sacolas sobre a mesa e rumou em direção ao banheiro. Tomou um banho bem quente e demorado. Secou os cabelos e modelou alguns cachos na ponta. Fez uma maquiagem suave e optou por um batom vermelho.

— Sarinha, está mais tranquila ? — Diana entrou no quarto e trancou a porta. Já estava pronta e só aguardava a sua irmã. Usava uma saia lápis com estampa discreta xadrez cinza e uma blusa branca com gola alta.

— Você está linda, Dy. — Sua irmã piscou em retribuição ao comentário. — Estou sim. Precisava de só de algum tempo longe para enxergar o problema de fora.

— Eu acho que depois desses dias, você deveria tirar umas férias. Ir para o apartamento dos nossos pais em Nova York, curtir o ano novo na Times Square e conhecer pessoas novas. Ficar perto dele não vai te fazer bem.

— Eu prometi a ele que não iria tratá-lo com indiferença, Dy.

— Coloque-se em primeiro lugar. Ele é o seu amigo e não a sua prioridade.

Sara colocou o seu vestido de manga comprida com o auxilio de sua irmã. A peça aveludada cor de vinho desenhava bem o seu busto e era mais largo abaixo da cintura. Colocou um pouco do seu perfume e gostou do que via no espelho.

— Vamos ! Não quero outra bronca da mamãe.

Diana e Sara foram para a sala onde a maioria já estava presente. Todos estavam muito bem vestidos e aguardavam a troca de presentes e o momento “gratidão” de Laura.

— Vocês estão lindas, meninas. Tenho muito orgulho de vocês. — Jeffrey sentou no meio de suas filhas e passou o braço por cima do ombro delas, trazendo elas para se confortarem em seu peito.

— Curtindo as crias, Jeff ?

— Sempre que posso, Tom. Essas criaturas crescem tão rápido. Outro dia estavam ansiosas sentadas próxima a árvore de Natal aguardando o momento.

— Concordo com você. Quando eu vejo o Gilbert, eu fico assustado com a velocidade do tempo.

Grissom descia as escadas acompanhado de Angela. Ela estava deslumbrante com uma saia plissada na altura do joelho preta e uma blusa justa de mangas compridas na cor vermelho marsala. Havia prendido o cabelo em um coque e deixado alguns fios pender sobre o rosto.

— Você está deslumbrante, Angela. — Elizabeth os recepcionou no primeiro degrau da escada. — Será o destaque na foto de Natal.

— Obrigada pelo elogio, Elizabeth. — Disse tímida com o comentário inesperado de sua sogra. — Você também está linda.

— Me chame de Beth se preferir. — Ela sorriu. — Agora você Gilbert. Camisa flanelada e calça jeans ? — Ela disse decepcionada com o filho.

— Esse ano a nossa ceia será televisionada? David Letterman vai nos entrevistar ? — Disse olhando por cima do ombro da mãe.

— Angela, por favor. Eu te imploro ! Dê um jeito nesse menino por mim.

O casal sorriu e foram em direção aos outros que os aguardavam. Angela sentou-se em uma poltrona e Grissom sentou-se no braço da móvel. Trocaram alguns olhares apaixonados enquanto Laura falava algumas palavras aos presentes, ela reforçava a importância da união entre eles e como era feliz por tê-los em sua vida.

Sara olhava de relance para o casal mas Diana sempre a repreendia quando a via fazendo. Segurou a mão de sua irmã e começou acariciar o dorso da mão. Thomas foi o primeiro a falar os motivos de ser grato naquele ano. Agradeceu por todo o seu crescimento pessoal, agradeceu pela companheira maravilhosa que tinha ao seu lado, agradeceu por sua família e seus amigos.

— Agora vamos deixar a novata falar. — Laura chamou Angela para perto da árvore. — O momento é seu.

— Gilbert, você devia ter me avisado desse momento. Eu poderia ter preparado alguma coisa bonita para falar. — Ela arrancou risada de todos. Estava um pouco tímida. — Eu não sou muito boa no improviso.

— Seja você mesmo, honey.

— Bem. — Ela esticou as mãos e mostrou que estava um pouco trêmula. — Eu sou grata pelo o meu emprego — Ela apontou para Thomas e Jeffrey que riram no comentário e meneneram a cabeça. — Sou grata por todas as conquistas que tive até agora. Sou grata pela forma como o destino conduz as nossas vidas. — Sorriu e olhou para Grissom. — E claro, sou grata por ter uma pessoa incrível ao meu lado.

Todos ficaram encantados com a fala dela. Grissom a recebeu de volta no lugar com um breve beijo e uma fala rápida ao pé do ouvido. Sara torcia que ninguém tivesse reparado no seu sorriso melancólico e parecia que ninguém ao menos tinha dirigido o olhar para ela. Tinha saído ilesa.

— Sua vez agora, Gil.

— Certo, Dona Laura. — Ele parou na frente da árvore de Natal e colocou as mãos no bolso da calça. Não era muito bom em expor os seus sentimentos. — Sou grato por todo o crescimento que tive durante esse ano. Grato pela a minha família incrível e também pelos puxões de orelha. — Sua mãe sorriu orgulhosa. — Sou grato por ter encontrado uma pessoa que é capaz de me ler a quilômetros de distância e mesmo me conhecendo tão bem, é maluca o suficiente para continuar ao meu lado.

— O amor é tão lindo. — Lindy iniciou um coro de “onws” quando os dois novamente trocaram um beijo, porém um pouco mais apaixonado.

— Sarinha, agora é com você !

— Tudo bem, Thomas. — Sara ficou de pé e tentou organizar o seu pensamento, o que ultimamente estava sendo bem difícil. — Bem, sou grata pela minha família e amigos. Um resumo genérico de tudo. — Ela deu de ombros e viu os rostos murchos das pessoas que esperavam mais.

Na realidade ela não tinha muito o que falar. Queria mesmo era ter que evitar toda aquela cena que tinha presenciado. Enquanto as outras pessoas iam se pondo de pé e agradecendo pelo o ano, ela mal prestava a atenção. Apenas seguia o fluxo quando era o momento das risadas ou aplausos.

Sara estava parada ali, vendo os dois mundos de Angela e Grissom se colidirem e ela não faria nada para separar.

Notas finais
Last Christmas I gave you my hear but the very next day you gave it away ♫ HAHAHA. É Sara minha querida. A fila andou mas andou com vontade. A roleta girou e travou na vez da Angela. Grissom está caidinho por ela. Pessoal. Gostaria de aproveitar e perguntar para vocês. Estou pensando em postar domingo e quarta. Esses dias na semana estão ok's para vocês? Sei que fim de ano é momento família e amigos, por isso a pergunta. Além de Sim, Senhor (que agradeço logo os comentários e por não terem desistido de uma fic que está sendo escrita desde 2017), em breve devo postar uma nova história. Preciso só organizar a vida da Molly para não apertar para nenhum lado. Obrigada pelos comentários e visualizações. Beijo na alma. Fiquem bem e cuidem-se ♥