Before You Go
4 Freedom I
Notas iniciais
Sara tinha encerrado a sua última aula do dia. Alguns alunos rodeavam a sua espaçosa mesa com a esperança de receber algumas explicações antes da prova. Atenciosa, ela ajudava cada aluno individualmente antes de ser liberada pelos os jovens ansiosos.
— Vocês vão se sair bem na prova. Eu prometo para vocês.
— Sua provas sempre são as mais difíceis, Sara. Quando meus pais encontram a porta do meu quarto trancada já sabem que eu estou estudando feito um louco para as suas avaliações.
— Fico feliz em saber que obrigo vocês a estudarem.
George, que acompanhava sua professora até o pátio, riu da observação da morena. Sara era uma professora muito querida por seus alunos e os tratava com muito respeito. O rapaz loiro despediu da professora com a promessa que iria dedicar o fim de semana a sua matéria.
Em posse da chave do seu carro, Sara caminhou até o estacionamento privativo dos professores. Sua mente fervilhava muito nos últimos dias. Desde o desastre do Natal, ela não teve mais contato com Grissom. Ele estava cumprindo a promessa de respeitar o espaço dela e se manteve distante durante os últimos cinco meses.
No entanto, na semana passada ela teve um breve encontro com Gilbert. Ela estava jantando em seu restaurante predileto quando ele apareceu sozinho no local. Seus olhares se cruzaram por alguns instantes e quando ele passou ao lado dela, limitou-se em dizer um tranquilo “boa noite”.
Sara passou o restante do jantar inquieta. Sabia que os olhos pesados de Grissom estavam em suas costas mas ela não ousava virar para trás. Terminou a sua refeição sozinha, levantou-se para ir embora e observou ele sozinho aproveitando o som que o grupo de Jazz fazia.
Naquela noite pensou em ligar para ele, mas não teve coragem.
Porém, agora ela estava na entrada do centro comercial Delano. O prédio monumental ficava no coração de Las Vegas e a empresa do seu pai era dona dos últimos três andares. Quando a porta do elevador abriu, o nome S&G Construction destacava na parede branca.
— Boa tarde, senhorita Sidle. Quanto tempo não a vejo. — Ally era uma antiga recepcionista da empresa. Esteve com Jeffrey e Thomas desde o início. — Espero que tenha vindo me fazer uma visita, do contrário a sua viagem foi perdida.
— Ally, não estou aqui para ver o meu pai. — Ela sorriu e ficou aliviada em saber que seu pai não estava no prédio. — Por acaso, o Gilbert está ?
— Claro ! Que cabeça a minha. — A senhora levou a mão à testa e balançou a cabeça. — Ele está em reunião mas acredito que deve terminar em breve. Se quiser aguardar na sala do seu pai, aqui estão as chaves. — Ela ergueu um chaveiro mas Sara educadamente recusou.
— Obrigada, eu prefiro ficar aqui. Você pode me atualizar sobre as novidades.
Ally estranhou a atitude da morena, mas achou melhor não questionar. As duas conversaram animadamente sobre a família da secretária. O seu filho mais velho iria se formar naquele ano e já havia enviado a sua carta de admissão para diversas faculdades. Sara prometeu para a senhora que iria fazer uma carta de indicação a próprio punho para o rapaz.
— Senhorita Sidle, eu não sei como agradecê-la. — Com os olhos marejados, ela segurava as mãos de Sara entre as suas. — Sei que as suas palavras vão ter um peso importantíssimo.
Grissom abriu a porta pesada da sala de reuniões e deu mais algumas ordens para os funcionários antes deles dispersarem entre os corredores. Ele não tinha reparado na presença de Sara junto a sua secretária e rumou direto para a sua sala.
— Venha, eu te acompanho até a sala do Dr. Gilbert.
— Não será necessário. Pode deixar que eu mesmo entrego esses papéis para ele. — Ally entregou uma pasta parda para Sara. Sua intenção era anunciar a presença da filha do sócio, sabia que Gil detestava ser interrompido e receber pessoas fora de sua agenda. — Ele não vai se irritar com isso.
Ally apenas assentiu e viu a morena sumir até a porta da sala do seu chefe. Sara deu duas batidas na porta, mas isso não despertou a atenção de Grissom. Ele estava de costas para a entrada e falava ao telefone, parecia estar irritado com a pessoa do outro lado da linha.
Grissom sentiu o rosto iluminar-se quando ele deparou com Sara parada da porta do seu escritório. Parecia uma menina tímida segurando a pasta e acenando brevemente em sua direção. Ele pediu para que ele se aproximasse enquanto ele ainda estava na ligação.
— Posso voltar outra hora. — Sara sussurrou enquanto entregava os papéis para ele.
— Não será necessário. — Ele colocou a mão no alto-falante e foi até a porta, girou a chave para ter um pouco mais de privacidade. — Eddie, eu preciso desligar. Quero que solucione esse problema até o fim desta semana. Confio em seu potencial.
Click
Sara estava admirando a paisagem. O prédio alto tinha uma vista panorâmica do centro turístico e também das montanhas quentes de Nevada. Do alto, as pessoas pareciam formigas apressadas em curtir suas férias na cidade do pecado ou moradores desesperados para desviarem dos turistas entusiasmados.
— Você tem uma bela vista daqui. Espero que tenha tempo para apreciar todos os dias.
— Essa é a hora mais bonita. — Ele caminhou até o lado dela. Com as mãos no bolso da sua calça social, observava em silêncio o crepúsculo. Os raios solares acariciavam a pele de ambos e aqueciam sua face. Sara fechou os olhos para aproveitar o calor solar e Grissom a analisava em silêncio.
— Desculpe aparecer sem avisar. Não brigue com Ally por não me anunciar. — Ela abriu os olhos e se deparou com a imensidão azul dos olhos dele.
— Vou acatar o seu pedido. Ela sabe que não gosto de ser interrompido durante o dia.
— Será que podemos conversar? — Ela tinha ignorado completamente o fato dele ainda estar em horário de trabalho. Precisava falar com ele urgentemente, tinha passado o dia inteiro pensando naquele momento.
— Só um instante. — Ele tirou o telefone do gancho e digitou os números da recepção. — Ally, desmarque qualquer compromisso que eu tenho nos próximos vinte minutos… — Sara balançou a cabeça em negativa, queria ter tempo o suficiente para conversar com ele. — Desmarque a minha agenda para o restante do dia e peça que ninguém me interrompa até o final do expediente.
A senhora do outro lado da linha apenas concordou e desligou o telefone.
— S&G Collegiate ? Estão querendo tirar os meus alunos do dormitório do campus ? — Sara pegou um panfleto que estava sobre a mesa de carvalho. O novo empreendimento consistia em quartos pequenos para os universitários. — O reitor vai enlouquecer quando souber disso.
Grissom apenas sorriu e permaneceu em silêncio. Estava curioso para saber o motivo da visita de Sara e a morena parecia escolher as melhores palavras para iniciar o assunto. Ela sempre foi assim, quando precisava conversar, se perdia em seus pensamentos.
— Sente-se. — Ele indicou a sua cadeira presidencial. Sara sentiu a cadeira abraçá-la, era muito confortável e bem diferente da sua. Grissom deu a volta na mesa e sentou-se na cadeira vaga.
— Eu precisava conversar com você. Só me responde se sim ou não. — Ela respirou fundo. — Você está com alguém ?
— Não. — Foi incisivo na resposta. Ele sustentava o olhar e ela parecia estar bastante perdida. Grissom tentava entender o rumo da conversa.
— Ok ! Ok ! — Balançou as mãos próximas ao rosto. Fazia um esforço para não se perder em sua tese e no emaranhado de idéias. — Ahn, isso já é um bom começo.
— Você está bem, Sara ? Não me parece muito confortável. — Grissom levantou-se de sua cadeira mas Sara estendeu a mão indicando que ele voltasse ao seu lugar inicial.
— Só me deixe falar, tudo bem ? — Ele anuiu e sentou com a postura ereta novamente. — Eu me sinto muito perdida em relação a gente e imagino que você sinta o mesmo, certo ? — Ele apenas concordou, tinha receio de interrompê-la novamente e ser repreendido por ela. — Ótimo ! Há mais de um ano que eu me sinto perdida em relação a nós dois.
Grissom remexeu inquieto na cadeira, não queria ter aquela conversa com ela ali. Sentia-se vulnerável e sabia que estava andando em um terreno minado. Ele havia dado um passo — de forma errada — e tinha sido repelido por ela imediatamente.
— Eu também me sinto assim, Sidle. — Ele ensaiou um sorriso tímido. — Mas aprendi a respeitar os nossos espaços.
— Quando você me disse que me amava da primeira vez, um filme passou na minha cabeça. Eu me lembrei de todas as vezes que eu ensaiei para falar com você e me lembrei dos motivos pelo o qual eu nunca fui franca. — Ela fechou os olhos e levou as mãos ao rosto. — Sempre tive medo de te perder.
— Você não precisava sentir medo em relação a isso. Por qual motivo você me perderia ?
— Você sempre esteve ao lado de mulheres incríveis e se entediava fácil. E fui tendo certeza cada vez mais que o meu lugar não era ao seu lado. Eu me apegava a nossa amizade e sentia que isso era o máximo que eu poderia receber de você.
— Sara, você é a pessoa mais incrível que eu conheço. — Levantou-se e começou a andar pela a extensão da sala. — Eu sou cheio de imperfeições, tenho milhares de manias e sou inseguro. Essa é a minha realidade.
— Você carrega aquele bilhete por 8 anos. Por que só agora ?
— Eu estava desesperado. Os nossos abraços já não eram mais suficientes. Toda vez que você se levantava para ir embora, eu sentia uma necessidade enorme em pedir para você ficar e cada vez que eu achava que eu poderia perder você, eu entrava em desespero. Eu sou um homem de 30 anos mas os meus sentimentos por você estão aflorados como um adolescente de 16 anos.
— Eu tento me apegar a tudo isso, eu juro. Mas eu tenho tanto medo de me machucar com tudo isso, Arthur. — Sara sentiu a voz embargar por um instante. — Por que é difícil ter você do meu lado ?
— Sidle ! Eu poderia elaborar milhares de teses ou tentar usar o meu charme ao extremo. — Piscou para ela e aproximou-se. Sentou na mesa próximo a ela e segurou sua mão. — Mas se você escolher ficar, isso nos basta.
— Se a gente der uma chance para essa loucura ? — Levantou o olhar para encontrar com o dele. Ele estava sereno como ela nunca tinha visto antes.
— Vai ser a única chance que precisamos. Já rodamos o mundo, mas sabemos muito bem aonde queremos estar, Sidle.
Grissom ergueu e Sara sorriu e caminhou em direção dele. Ele estava impecavelmente lindo naquele terno preto, a sua cabeça pendendo sobre o ombro como uma criança querendo um afago. As mãos saíram do bolso, chamando ela para um abraço. Era tudo o que ela precisava.
O abraço quente parecia ter remontando os dois. O calor entre eles parecia ter consertado cada pedaço quebrado dentro deles. Os corpos já não gritavam pela separação e os corações não batiam desesperados.
A certeza que tudo ficaria bem, era acalentador. Se acreditasse no destino, teriam certeza que seus pais se encontraram para que pudessem estar juntos. A vida era um emaranhado de escolhas, mas suas vidas estavam traçadas para se reencontrarem naquele momento.
Se houvesse outras vidas. Eles se encontrariam em todas elas.
Eles ouviram dois toques na porta. Sara ergueu a cabeça e tentou dar um passo para trás, mas os braços fortes de Grissom a impediram. Um sorriso travesso surgiu nos lábios dele e ele levou o indicador em riste até os lábios.
— Pode ser algo urgente, Gil. Não queremos maiores problemas.
— Só pode ser o Eddie, ele nunca respeita às minhas ordens. — Ele jogou a cabeça para trás resignado. Não queria ter que desfazer o abraço e muito menos ter que se afastar Sara naquele momento. — Você pode aguardar aqui, eu já dispenso ele.
— Não ! Eu vou embora e nos falamos outro momento.
— Espere ! — Ele foi até a sua gaveta e retirou uma chave. Pegou um papel de rascunho e anotou o seu novo endereço. — Me espere no meu apartamento, nossa conversa ainda não terminou. E por favor, esteja lá. Essa é a única cópia que eu tenho.
Sara entendeu a jogada dele. Questionou se ele usava aquela tática com todas as mulheres que ele conhecia. Ignorou o pensamento assim que recebeu um rápido beijo em seus lábios.
— Chego em 20 minutos, Sidle ! — Ele abriu a porta e Eddie estava do outro lado impaciente. O analista segurava uma pilha de papéis que pareciam querer desequilibrar a qualquer momento.
— Sempre teve dificuldades em acatar ordens, Ed. Acho que devemos te encaminhar para um neurologista para averiguar o seu problema. Venha, entre !
Grissom piscou para ela e auxiliou Eddie com a pilha de papel. Os dois sumiram para dentro do escritório e ela foi em direção ao estacionamento. Sua cabeça ainda parecia trabalhar em um ritmo acelerado, tentava entender tudo o que estava acontecendo desde que tinha colocado os pés na empresa de seu pai.
Dirigiu alguns minutos até chegar ao loft que ele morava. O imóvel era um espaço aberto, dividido em dois andares. O pé direito duplo, trazia muita luminosidade para o interior. As paredes com cores cruas, ornamentavam com os detalhes em madeira escura. Diversos quadros de fotos em preto e branco estavam perfeitamente alinhados ao lado da escada que dava acesso para a cama de casal.
Os poucos móveis eram em cores neutras, um amplo sofá e uma poltrona ficam dispostos na frente da enorme televisão. Um livreiro preto estava recheado de grandes clássicos da literatura e uma mesa quadrada com quatro cadeiras compunha o loft.
Simples e prático. Assim como Gilbert.
Nunca tinha estado ali, soube através de sua irmã que ele tinha se mudado recentemente. Sara preferiu sentar no sofá e relaxar. Sentia-se mais leve depois da conversa e finalmente tinha se livrado da angústia que carregava no seu peito.
Não soube mensurar quanto tempo ficou sentada em silêncio. Foi despertada do seu veraneio pelo o barulho da campainha que ecoou no ambiente. Realmente, ele parecia ter apenas aquela cópia para entrar em seu apartamento.
— Que bom que cumpriu com a sua palavra ! — Ele sorriu e adentrou. Com o paletó empunhado em seu ombro, fechou a porta atrás de si. — Espero que não tenha esperado muito.
— O suficiente para reorganizar as minhas idéias.
— Espero que não seja o suficiente para desistir de tudo e ir embora. — Andou na direção dela e a encarou, ela parecia atônita com a resposta direta.
— Apenas se meu pai aparecer agora exigindo alguma explicação. — Ela riu.
Sara sentiu sua pele arrepiar quando os lábios macios de Grissom encostaram o seu. Daquela vez era sem nenhum tipo de urgência, eles teriam uma eternidade para estarem juntos. A mão firme do empresário pousou na nuca dela e isso aproximou ainda mais os corpos. O contato das línguas era absurdamente sensual, o beijo parecia correr em câmera lenta.
Grissom queria respeitar toda e qualquer etapa que Sara estivesse disposta a seguir. Sentiu as unhas bem aparadas cravar em suas costas e aquilo o excitou ainda mais. Abriu os olhos e viu a luxúria no olhar dela. As mãos dela trabalhavam freneticamente para conseguir abrir os botões da camisa social dele.
Com o auxílio de Grissom, ela se livrou da primeira peça de roupa dele. Suas bocas se uniram novamente, porém dessa vez com muito mais desejo. Sara livrou-se da blusa que usava, a peça ganhou o mesmo destino da peça branca do empresário.
Subiram apressados para o segundo andar onde se encontrava a larga cama. Grissom pegou o controle e abaixou as persianas, com certeza eles precisariam de privacidade. As mãos ansiosas deslizavam por toda a extensão de seus corpos. Livraram-se do restante de suas peças de roupa, a visão do corpo de Sara deixou Grissom inebriado.
Sentia sua boca seca.
Seus corpos se amavam como se fossem conectados de vidas passadas. Grissom sabia explorar cada canto de prazer de Sara, que sempre a retribuía à altura. O gemido rouco do empresário fazia o seu corpo estremecer a cada nova investida. Entregavam-se um ao outro como se o mundo estivesse acabando sobre os seus pés.
Ela gemeu alto quando sentiu que ele estava dentro dela. Grissom era de longe o melhor homem nas preliminares que ela tinha conhecido. Sara fez um esforço para não atingir o ápice precocemente. Ela implorava por ele a cada toque em sua pele.
Grissom sentiu uma onda de tesão percorrer por todo o seu corpo quando sentiu o quão deliciosa ela era. Buscou sua boca enquanto deslizava lentamente dentro dela. Segurou um gemido quando ela pediu para ele não parar.
Sua voz arfante era música em seu ouvido.
Não existia nada além deles. Isso bastava. Quando pela a segunda vez, ela pediu para ele continuar. Ele parou e sussurrou lentamente em seu ouvido:
— Eu não nasci para ser dominado.
Sara mordeu o lábio inferior e despertou o seu lado selvagem. Conseguiu sentar sobre ele e espalmou as mãos em seu peito. Ela ditaria a velocidade e o ritmo. Grissom sorriu vitorioso, era isso que ele queria provocar nela. O jogo tinha virado e ele estava pirando com isso.
Se entregaram um ao outro de forma intensa. Chegaram em seu ápice e Grissom ainda insinuou arrancando dela um último gemido em seu nome. Caíram cansados um ao lado do outro. Em silêncio, esperavam o seu corpo recuperar a frequência cardíaca e a respiração descompassada.
O empresário convidou Sara para um banho, antes de descansarem. No chuveiro, os dois aproveitaram para namorar um pouco mais. Sara ignorou o shampoo feminino que ele tinha guardado, se ela fosse se ater ao passado dele, nunca conseguiria viver o presente com ele.
— Essa camisa ficou gigante em você ! Mas está extremamente sexy dessa forma. — Ele havia emprestado uma camisa simples de malha para ela, queria que ela ficasse à vontade para dormir.
— Posso aderir essa peça no dia a dia. — Respondeu provocante.
— Nem pensar ! Eu faço ideia o alvoroço que seria para conseguir uma cadeira para assistir as suas aulas.
Segurou a sua mão e a puxou para deitar ao lado dele. Sara aninhou em seu peito e ficou recebendo um carinho gostoso na cabeça. Ela deslizava sua mão em seu braço quando notou um pequeno desenho de uma caveira mexicana na parte interna de seu antebraço.
— Não posso acreditar que você tem uma tatuagem. — Ele ergueu o braço e ela pode visualizar melhor a arte. Era uma discreta caveira com algumas flores. Nunca tinha reparado, pois a camisa escondia.
— Resultado de uma aposta que eu fiz bêbado com os meus amigos em Londres. Ainda bem que estava lúcido o suficiente para fazer em lugar discreto. — Disse saudoso enquanto encarava a sua pequena “loucura”.
— O que mais eu não sei sobre você, Arthur ? — Ela colocou as duas mãos em seu peito e apoiou o queixo em cima.
— Muita coisa, Sidle. Mas se você passar o resto da vida ao meu lado, eu consigo te mostrar.
♦♦♦
Sara já percebia que os seus alunos estavam ficando inquietos, sabia que o horário de sua aula já estava chegando ao fim. Ela precisava vencer somente o final da matéria antes de liberar a turma para o intervalo. Reparou que um grupo pequeno de suas alunas começou a olhar pelo o vidro da porta e cochicharem entre elas.
Desviou o olhar para a porta e viu o seu namorado falando ao telefone. Só aí entendeu o motivo da euforia das meninas. Acabou perdendo a concentração com a cena engraçada e achou melhor dispersar os alunos.
Como presos após a sentença de soltura, os alunos saíram em polvorosa. Grissom quando viu que a aula tinha se encerrado, acenou para a sua namorada que retribuiu o gesto.
— Você conhece esse gato, professora ?
— Conheço sim, Mandy. — Omitiu a informação que ele era o seu namorado para saber até onde a sua aluna iria.
— Será que ele gostaria de conhecer o meu dormitório ? Nunca levei um homem de terno lá.
— Mandy, você já levou todos os homens imaginários no seu quarto. Tenho certeza que já levou algum homem de social. — Anitta repreendeu a amiga que não desgrudava o olhar do homem. Grissom notou o olhar saliente da estudante e encarou Sara que permanecia impassível como a Monalisa.
— Eu só compartilho conhecimento, Mandy. Me desculpe.
As duas amigas sentiram o sangue parar de correr no corpo quando entenderam que o homem em questão era namorado da professora de física. Mandy pediu desculpas envergonhadas e Sara aceitou cordialmente.
— O que você falou para elas saírem como um furacão ? — Grissom andava ao lado de Sara em direção ao campus.
— Nada demais. Eu apenas alertei as duas sobre a prova. Sabe como são os universitários, sempre deixam as responsabilidades para última hora. — Grissom não se convenceu da resposta mas decidiu não questionar.
Eles estavam em um relacionamento a 6 meses e apenas Diana sabia sobre eles dois. Eles preferiram manter em segredo para os seus pais. O relacionamento de Sara e Jeffrey não andava muito bem desde o ocorrido no Natal e eles não queriam que a novidade fosse um estopim entre eles.
— O que faz aqui ? Me esqueci de algum compromisso ?
— Diana me enviou uma mensagem e disse que o almoço hoje é macarrão com queijo. Não resisti a oferta de ingerir sódio em altas quantidades.
Ela riu do bom humor dele. Sempre que tinham tempo almoçavam juntos na universidade ou em algum encontro de negócios de Grissom. Avistaram Diana sentada em uma mesa debaixo de uma árvore que tinha uma sombra agradável, ela estava acompanhada pelo o seu grupo de estudos.
— Oi Dy. Olá, meninas. — Gilbert cumprimentou as outras três meninas que estavam com sua cunhada.
— Oi, Gil. Veio ver outra apresentação nossa ? — Brenda perguntou animada.
— Vim apenas almoçar com a minha namorada e Diana. Se tivessem me falado que tinham alguma apresentação, eu poderia ter me programado. — Disse sorrindo para o grupo que parecia estar bem encantada pela cordialidade dele.
O grupo de amigas de Diana se despediram e foram para o refeitório. Sara ficou observando as universitárias sendo tragadas pelo campus. Estava morrendo de curiosidade para saber qual era o elo comum entre as amigas de sua irmã e o seu namorado.
— Gilbert veio assistir o nosso júri simulado. Ninguém podia vir nos assistir e ele se ofereceu. Por isso que ele conhece as minhas amigas.
— Não questionei nada. — Sara deu uma garfada no macarrão e sua boca torceu em uma careta. Aquilo estava horrível.
— Nem precisa, maninha. Você quase fuzilou a Brenda quando ela cumprimentou o Gil. — Sorriu irônica.
— Não sabia desse lado ciumento de sua irmã, Dy. Eu apenas vim apoiar você e é assim que Sara retribui.
— Eu não conhecia o seu lado bom samaritano, Arthur. Devemos dar Hosanas na sua presença.
Grissom beijou a sua bochecha e Sara não conseguiu fingir o seu descontentamento por muito tempo. Sabia que Diana e Gilbert tinham uma ótima amizade e muitas vezes, os dois faziam planos sem contar com a presença dela.
— Como o nosso pai está ? Falei com a nossa mãe ontem mas não tive tempo de perguntar sobre ele.
— Ele está bem. Contínua cabeça dura, assim como você.
Sara ficou quieta. Desde o ocorrido no Natal eles não tinham um bom convívio. Os encontros eram reduzidos para algum evento em família e as palavras limitadas para não existir um novo embate. Grissom sentia-se incomodado com a situação pois sabia que era um dos motivos da distância entre eles.
— Sara já sabe que vai precisar me ajudar com a mudança em breve ? — Diana mastigava o macarrão e achava uma delícia a comida do campus. Encarava o empresário aguardando a resposta dele.
— Você vai para outro apartamento, Dy ? Aquele apartamento é tão grande que quase não nos encontramos.
— Na realidade é você quem vai se mudar. — Ela apontou com o garfo em direção a professora. — Eu vou ficar no nosso apartamento, ou melhor, no meu apartamento.
— Como assim ? O que você estão falando ?
Grissom retirou de seu bolso uma chave e esticou em direção de Sara. Tinha um sorriso sincero estampado em seu rosto, tinha ensaiado dar aquele passo diversas vezes e sua cunhada tinha dado muito apoio.
— O que acha de morar comigo ?
Diana olhava empolgada para sua irmã. Torcia para que ela aceitasse tomar aquela decisão. Ficava muito feliz em ver o relacionamento entre ela e Gilbert crescer a cada dia. Desde o início do namoro, os dois tinham se transformado em outra pessoa. Sara estava mais leve e Grissom estava mais centrado.
Tinham projetado um futuro, e a única certeza era que queriam a companhia um do outro.
— Isso é um grande passo, Arthur. — Ela pegou o objeto metálico da palma da mão e sentiu o metal frio entre os seus dedos. — Você tem certeza ?
— Absoluta. Quero você por todo o canto do meu apartamento.
Ele piscou e recebeu um doce beijo em forma de “sim”. Sara ainda estava surpresa com a atitude dele. Sabia que era recente mas estar ao lado dele não existia nenhuma excitação.
— Ufa ! Se você não tivesse aceitado, você teria que procurar um novo lugar para morar.
— Por qual motivo, Dy ?
— Aluguei o seu quarto para Brenda. Ela se muda semana que vem.
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