Before You Go
5 Freedom II
Sara havia acordado mais tarde naquele dia, era o seu dia de folga e aproveitaria para repor o seu sono. Grissom já havia ido trabalhar e do alto do mezanino, ela pode ver a mesa posta por ele. Às vezes questionava se tudo aquilo era real.
Era o oitavo mês ao lado dele. E todo dia quando se encontravam, sentia o coração bater mais rápido com a presença dele. Durante esse tempo, ela aprendeu a torcer pelo o time de coração dele e ele aprendeu a jogar xadrez por causa dela.
Ambos tinham reduzido as suas horas extras, passavam mais tempo juntos em casa ou viajando. Grissom conseguiu uma pequena folga para acompanhar sua namorada em uma conferência em Miami. Outra vez, foi a vez de Sara acompanhar seu namorado em uma reunião de negócios em Washigton.
Assim eles viviam. A vida era ótima na companhia um do outro.
Ela levantou e sentiu o enjoo começar novamente. Nos últimos dias os enjoos matinais eram frequentes e os remédios não auxiliavam em nada. Suas idas ao banheiro não tinham passado despercebidas por Gilbert.
Instintivamente, ela levou a mão ao ventre liso e imaginou que uma gravidez seria o motivo do seus desconfortos matinais. Havia comprado um teste de gravidez mas ele ainda pousava em sua bolsa, não tinha coragem de confirmar a sua tese.
Desceu as escadas e sorriu quando viu a mesa de café de manhã preparada por seu namorado. Suco de laranja, uma pequena variedade de pães e geleias. Ela lambuzou um pão com geleia de amora e deliciou o prato como uma criança faminta.
O seu celular começou a tocar e o nome de Grissom aparecia no visor.
— Bom dia, Bela Adormecida. Como você está ?
— Descansada, porém ainda com sono.
— Amor, você não acha estranho esses sintomas ?
— Não vamos criar expectativas, Arthur. Isso pode ser só o resultado de uma imunidade baixa ou um mal estar repentino.
— Tudo bem, Sidle. Mas adoraria ver uma cópia nossa correndo por aí.
Eles conversaram por mais um tempo. A ligação inicialmente seria apenas para ele informar que hoje chegaria tarde. Tinha diversas reuniões durante o dia e não poderia se ausentar de nenhuma delas. Ele desligou sobre o protesto dela, queria poder aproveitar a folga ao lado dele.
Sara terminou o seu café da manhã pensativa. Nunca teve a pretensão em iniciar uma família mas aquela ideia estava rondando a sua cabeça nos últimos dias. O seu ciclo estava atrasado e somado a outros sintomas, uma gravidez seria possível.
Foi até a sua bolsa e retirou o teste. Leu as instruções e foi em direção ao banheiro. O seu coração parecia querer romper dentro do seu peito. Com o teste em mãos, ela aguardava o resultado. Os minutos pareciam infindáveis, sentada na cama, ela batia os pés no chão.
Quando as duas faixas apareceram no teste, ela perdeu a conta de quantas vezes leu as instruções.
Ela estava grávida.
Teve vontade de gritar mas se conteve e apenas abriu um largo sorriso. Queria compartilhar a novidade com alguém. Grissom estava incomunicável, sua irmã estava em aula e seus pais… bem, seus pais nem sabiam do seu relacionamento e soltar uma bomba no colo deles por telefone não seria prudente.
Deitou na cama espaçosa e permitiu chorar em silêncio. Estava muito feliz mas sentia-se insegura sobre o futuro. Um filho ou uma filha, não estava em seus planos e ela não sabia muito como reagir com a novidade. Seu contato com crianças era reduzido e não sabia se seria capaz de ser o que a sua mãe era para ela.
Queria muito poder compartilhar a notícia com Laura. Com certeza ela teria os melhores conselhos e iria enchê-la de ânimo. Queria ouvir os conselhos sobre o futuro de Jeffrey, sabia que os seus olhos brilhariam com a notícia de um bebê.
Sentia saudades deles.
Procurou afastar qualquer pensamento negativo. Ligou o pequeno aparelho de som que ficava ao lado da cama. Sorriu quando a música que tocou em seu baile de formatura começou a tocar. Phil Collins ainda era integrante da banda Genesis e sua voz marcante embalava a música Follow You, Follow Me.
Ela tinha dançando aquela canção com Gilbert e não imaginava o que o destino reservava para ela.
Passou o restante do dia buscando informações sobre ser mãe. Leu diversos artigos e divertiu-se procurando na internet objetos infantis. Quando as estrelas começaram a brilhar no céu, ela percebeu que tinha passado o dia na frente do notebook. Sabia que seu namorado chegaria a qualquer momento.
Correu para debaixo do chuveiro e se refrescou em uma ducha morna. Penteou os cabelos molhados e colocou uma roupa confortável. Estava ansiosa pela chegada do empresário e poder compartilhar a novidade.
— Cheguei, Sidle ! — Grissom entrou e chamou por sua namorada. A casa estava silenciosa e apenas a luz do quarto estava acesa. Imaginou que ela estivesse tendo uma nova crise de enjoos. Se isso se confirmasse, iria marcar um médico urgente para ela. — Sidle ?
— Estou aqui em cima, amor ! — Estava saindo do banheiro. Tinha acabado de dar descarga em seu jantar. Terminava de escovar os dentes.
Grissom livrou-se de uma parte de sua roupa social e foi em direção de Sara. Ela estava deslumbrante com os cabelos molhados e uma roupa simples. Amava ela em toda a sua essência. Trocaram um rápido beijo e ela acariciou a sua barba sedosa.
— Estava pensando em tirar a barba. — Ele coçou os pelos em sua face. Havia adotado a barba maior a pouco tempo.
— Nem pensar. Só eu sei das maravilhas que essa barba provoca. — Adorava os pelos macios tocando em sua pele. Ele conseguia ficar ainda mais bonito e másculo ostentando a barba bem aparada.
Sara segurou a sua mão e conduziu o seu namorado até a cama. O teste de gravidez estava pousando sobre o criado mudo atrás dele. Não tinha preparado uma grande surpresa, sabia que ele não era apegado a esses detalhes. Ela só não sabia como iniciar o assunto.
Novamente sem palavras.
— Hoje o meu dia foi cansativo. Eu tive três reuniões e um problema gigante com o contrato do nosso novo empreendimento. Meu pai me ligou estressado me cobrando alguns contratos que eu ainda não assinei. — Toda vez que ele falava sobre o seu emprego, ficava eufórico. Sara assistia tudo quieta e admirando ele.
— Você vai precisar pedir para Ally reorganizar a sua agenda, Arthur. — Ela tentou interromper e queria que ele a questionasse mas não havia surtido o efeito.
— Minha agenda não tem espaço para mais nenhum evento, Sidle. Ela sempre faz o melhor que ela pode.
— Amor, isso não é uma sugestão. Estou afirmando que Ally vai ter que reorganizar a sua agenda.
Ele ergueu uma sobrancelha, não estava entendendo a fala de sua namorada. Sara sempre se manteve afastada dos assuntos empresariais, a única coisa que ela fazia era apoiá-lo ou ajudá-lo em algum dos seus problemas.
Sara apontou o queixo para o móvel atrás deles. Grissom lentamente virou o pescoço e viu o teste de gravidez. Ele segurou o objeto e não conseguiu esboçar uma reação. Ela observava se divertindo com a atitude dele. Gilbert dividia o olhar entre ela e o teste.
— Duas listras significa gravidez. Gravidez significa mudança de planos e agendas.
Ele nunca tinha visto o sorriso de Sara tão iluminado como naquele momento. Ele não cabia de felicidade. Ter um filho era um sonho velado, não se lembrava de ter compartilhado com alguém. Iniciar uma família ao lado da pessoa mais incrível que ele conhecia, era um presente que ele não sabia se era merecedor de receber.
— Teremos um Sidle Grissom correndo por aí ? — Seus olhos estavam lacrimejando. Nunca tinha sentido tamanha emoção. Levou a mão esquerda até a barriga lisa de sua namorada e fez um carinho gostoso no local.
— Em breve. Bonito como o pai e geniosa como a mãe.
♦♦♦
Era véspera de Natal e depois de muitas discussões, todos aceitaram comemorar a data na casa de inverno da família Sidle. Laura e Beth pediram para que todos estivessem dispostos a virar a página do ano anterior e não deixar que aquela situação pudesse abalar um relacionamento que durava quase 20 anos.
Grissom terminava de colocar as malas em seu carro. Sara e Diana já estavam no interior do veículo protegidas do frio e da neve. Certificou que tudo estava fechado e com segurança, antes de dar partida no carro.
A gravidez de Sara ainda era um segredo, eles acharam melhor dar a notícia para todos durante a noite de Natal. Iriam confessar que já estavam em um relacionamento a quase 1 ano e torciam para que a notícia da chegada de um bebê pudesse amenizar qualquer conflito entre eles.
A viagem transcorreu tranquila. Diana e Gilbert iam fazendo um karaokê dentro do carro. Diana era a mais empolgada e ele apenas acompanhava a cunhada em alguns momentos. Sara escutava tudo e limitava-se a criticar a voz estridente de sua irmã.
Foram recebidos pelos abraços calorosos de Laura e Elizabeth. As duas estavam ansiosas pela chegada deles e só então conseguiriam medir a temperatura do encontro. Lindy veio da cozinha para poder recepcionar o trio também.
— Agora a casa está completa ! Você está deslumbrante, Sara. — A governanta reparou que existia uma aura diferente sobre ela.
— Obrigada, Lindy. Acho que esse semestre os meus alunos me irritaram menos.
Thomas e Jeffrey apareceram na sala. Thomas deu um abraço afetuoso em seu filho e depois em Sara, admirava a menina como se fosse sua filha. Conversaram rapidamente sobre a viagem, enquanto Jeffrey os encarava de longe.
— Oi Sara. Como você está ?
— Oi pai. Estou bem e você ?
Ele limitou em balançar a cabeça em afirmativo. Na realidade, ele morria de saudades de sua filha e não via a hora certa para encerrar todo aquele conflito entre eles. Mas a presença de Gilbert fazia com que as memórias daquele último Natal viessem com força em sua mente.
— Agora já para os seus quartos. Daqui a pouco vamos servir a ceia de Natal e vocês sabem que odiamos atrasos. — Laura estava os dispersando para os seus respectivos aposentos.
— Pontualidade e chatice sempre foram o nosso forte. — Beth completou a frase de sua amiga.
Diana e Sara ficaram em seus antigos quartos, ainda tinham que manter as aparências para os seus pais. Sara havia confidenciado para sua irmã que eles iriam revelar sobre o relacionamento deles naquela noite. Diana sentia-se aliviada por sua irmã mas preocupada com a reação de todo mundo.
— Vocês dois estão passando muito tempo juntos. — Elas encontraram Gilbert no corredor aguardando as duas. Ele usava uma calça jeans clara e um suéter vermelho e Sara utilizava uma calça jeans escuro e também um suéter vermelho.
— Deve ser porque moramos juntos, Dy. Compatibilidade de guarda roupa. — Sara piscou para a irmã. Desceram as escadas e encontraram todos reunidos próxima a árvore de Natal. Laura e Elizabeth tinham mais uma vez superado na decoração.
Grissom segurava um envelope pardo, o que despertou a curiosidade de todos. Parecia ser um documento bem importante. Diana tentou arrancar alguma informação de Sara mas ela disse que desconhecia o que era.
— Vindo do Gilbert eu já imaginava o básico para a nossa foto de Natal. — Elizabeth reprovou novamente o look do seu filho mas sabia que era impossível fazer ele mudar de idéia. — Mas me surpreendi com você, Sara.
— Beth, estou prezando apenas pelo o conforto. — Ela sorriu divertida para a sua sogra (secreta).
Na realidade, ela queria esconder a sua barriga. A principal evidência de sua gravidez estava ficando cada vez maior e ela não queria despertar nenhuma curiosidade fora do tempo. O suéter largo atendia bem a função e não deixava a sua barriga em amostra.
— Poderia ter a atenção de vocês por um breve momento ? — Grissom elevou o tom de voz, todos os rostos viraram-se para ele. Sara estava sentada em uma poltrona próxima a ele, sentiu a espinha gelar.
— Está acontecendo alguma coisa, Gil ? — Elizabeth interpelou seu filho. O semblante dele sério estava causando preocupação em sua mãe.
— Eu e Sara estamos juntos. — Ele tinha preparado um discurso mas tudo caiu por Terra. Estava diante das pessoas que ele mais amava na vida e não precisava criar desculpas para ser sincero com eles. — Na realidade estamos juntos a quase 1 ano.
O burburinho foi imenso na sala, apenas Diana observava a cena se divertindo. Laura e Elizabeth tentavam entender como eles tiveram coragem de manter o relacionamento em segredo por tanto tempo. Thomas ainda tentava processar a informação, sempre soube que seu filho era apaixonado pela filha mais velha do seu sócio.
Lindy sorriu orgulhosa para os dois. Ficou feliz em saber que a conversa entre ela e Gilbert tinha surtido efeito. Eles mereciam a felicidade.
Jeffrey observava tudo calado e isso era o que mais preocupava os dois. Ele estava impassível e parecia não ter entendido a fala do namorado de sua filha. Sua respiração pesada cortava o ambiente e Sara temia que qualquer coisa que fosse falada naquele momento fosse o suficiente para uma briga.
— Hoje decidimos oficializar para vocês e esperamos que vocês nos apoiem. — Sara levantou-se e parou ao lado de Gilbert.
— Na realidade, precisamos de três pessoas para oficializar isso. — O empresário completou.
Agora foi o momento de Diana ficar atônita. Grissom retirou uma folha A4 do envelope e colocou sobre a mesa. Ela conseguiu ler o que estava em caixa alta no papel
ATA DE CASAMENTO
Dy segurou um grito na garganta quando entendeu o que estava acontecendo. Eles iriam se casar naquele momento e não apenas revelar o romance entre eles. Olhou para a sua irmã que sorriu tranquilamente para ela.
Nunca tinha visto Sara tão feliz em toda a sua vida.
O pedido de casamento tinha vindo logo após a descoberta da gravidez. Deitados na cama após comemorarem a novidade, Grissom tinha pedido em casamento, ali mesmo nus após uma noite tórrida. Não tinha um anel que simbolizasse o pedido, apenas juras de um amor eterno e a certeza que eram um para o outro.
— Como assim, Gil e Sara ? Vocês estão se casando ? — Thomas interpelou o casal. Estava muito feliz por eles, mas não esperava que eles estivessem prontos para dar um passo tão grande. — Alguns minutos atrás vocês eram apenas amigos passando por aquela porta.
— Sim, pai. Lembra em como você sempre me disse que na vida nós não devemos deixar grandes oportunidades escorrerem pelos nossos dedos da mão. É isso mesmo que estamos fazendo agora.
Thomas ficou emocionado com a resposta de seu filho. Gilbert era um grande homem. Era honesto e íntegro, possuía todos os atributos para ser um grande marido e um grande líder. Tratava sua mãe como uma rainha e com Sara não seria diferente.
— Eu vou puxar a fila. Me dê logo essa caneta. — Diana foi até o papel e assinou no lugar indicado por Sara. — Pelo poder à mim investido, eu os declaro quase casados. — Ela sorriu e virou-se para o restante dos presentes. — Quem vai ser o próximo ?
Trocou um abraço apertado com sua irmã e também com seu cunhado. Jurou ao pé do ouvido do empresário que poderia ser mil vezes mais intimidadora que seu pai se algo acontecesse com sua irmã.
— Isso pode me custar o emprego, mas eu jamais deixaria de apoiar vocês dois. — Lindy pegou a caneta das mãos de Diana e assinou logo abaixo da caçula. Recebeu um abraço afetuoso do casal e um agradecimento especial de Gilbert.
Laura e Beth se entreolharam. Ainda estavam surpresas com toda aquela revelação mas não cabiam de felicidades por eles. Sempre souberam que esse dia chegaria e torciam para que eles não se perdessem durante o trajeto.
— Se um dia eu souber que a Sara derramou uma lágrima por você ou souber que ela está sofrendo. Eu juro que vou atrás de você até no inferno e só saio de lá quando me certificar que você esteja bem longe da minha filha. — Jeffrey aproximou-se dele e encarou sério Gilbert. Ele não concordava com a atitude dele, mas se Sara estava feliz ao seu lado, ele seria o primeiro a apoiar o relacionamento.
— Não se preocupe, Jeff. Eu não assumiria um compromisso tão sério com Sara se eu não fosse capaz de fazê-la feliz. Espero que confie em mim e principalmente confie na decisão de sua filha. Sara ama muito você e eu vejo de perto o quanto essa história a deixa abalada. Assumo total responsabilidade da besteira que fiz no ano passado e se existe alguém que você deva estar irritado sou eu.
Sara estava com os olhos marejados e o seu pai também. Ele queria muito deixar toda aquela história de lado. Ver a felicidade de sua filha não tinha preço que o mundo pudesse pagar, se aquela era a sua decisão e o principal, se ela estava feliz, ele também ficaria.
— Podemos deixar tudo isso de lado ? — Gilbert esticou a sua mão em direção ao seu sogro. O aperto foi firme e seguido de um abraço apertado.
— Mas a minha ameaça ainda está de pé.
Jeffrey foi a última testemunha que eles precisavam. Agora era apenas levar a ata no cartório e confirmar a união entre eles. Sara deu um abraço cheio de saudades em seu pai e sentiu toda a tristeza ser varrida para fora do seu corpo.
Todos estavam emocionados com a cena. Tudo tinha ocorrido muito rápido e eles ainda estavam processando tudo o que estava ocorrendo. Grissom retirou do bolso uma caixa de veludo preta contendo dois pares de aliança. Trocaram as alianças e seus olhares falavam tudo o que eles precisavam saber.
Não precisavam trocar juras de amor em público.
Eles sabiam a dimensão do que sentiam.
— Não vai ter um beijo ? — Diana perguntou indignada. Até agora tentava entender como Sara e Gilbert tinham tido a capacidade de esconder aquela informação.
Grissom e Sara trocaram um tímido beijo sob as palmas discretas dos presentes.
— Não estamos nos esquecendo do principal, Arthur ? — Ela sussurrou sobre os lábios dele.
— Verdade, Sidle ! — Ele separou as suas bocas e sorriu. — Temos mais uma notícia para vocês.
— Em breve teremos uma Sidle Grissom na mesa de jantar.
Sara colocou a mão em sua barriga e sorriu. O coral de “ahns” havia sido uníssono e tinham sido pegos de surpresa mais uma vez naquela noite. Jeffrey e Thomas estavam sentados no sofá incrédulos com a revelação. Laura e Beth estavam abraçando Sara e alisando a sua barriga de 3 meses.
— Espera aí. Vocês disseram que seria uma Sidle Grissom. Vocês estão esperando uma menina ?
— Melissa Sidle Grissom. — Grissom emocionou-se em dizer o nome da filha em voz alta. — Descobrimos o sexo na última consulta.
— Eu deveria estar muito irritada com vocês dois. — Beth revelou. — Mas estou surpresa demais para ter tido qualquer outra reação.
Diana olhava surpresa para Grissom que balançava os ombros para a cunhada. Ally os observava de longe, orgulhosa.
— Ei Jeff, agora S & G não vai ser apenas contratual. Vamos ter uma neta em comum.
— Um elo para além da vida, Tom. Espero que a Melissa não puxe a rebeldia do outro avô.
— Deixe de bobeira, Jeff. A minha neta só não pode puxar a sua teimosia.
Todos riram da discussão dos dois. Sara e Grissom tinham certeza que ela seria muito amada por todos e que com certeza teriam trabalho para não deixar os avós mimarem a neta além do necessário. Com Diana eles quase ofereciam o mundo para caçula, agora com a neta iriam oferecer o universo e mais os braços da galáxia.
— Eu amo você, Sidle.
— Eu amo você, Arthur.
♦♦♦
Melissa Sidle Grissom nasceu em uma manhã de primavera. Chegou ao mundo a plenos pulmões, o parto havia sido tranquilo e Sara havia novamente se mostrado uma grande guerreira. Grissom não saiu do seu lado um minuto sequer. Assistiram juntos sua filha chegar ao mundo.
— Preciso reforçar o quanto eu amo você, Sidle. — Já no quarto, Grissom embalava a pequena Melissa em seu colo. A enfermeira havia deixado a recém nascida com os seus pais e parabenizou o casal pela bela filha.
— Ela é linda. Jamais imaginei que pudesse amar alguém dessa forma.
Grissom sentou no leito em que Sara estava deitada. Repousando suas costas nos travesseiros, os dois olhavam encantados para a menina que dormia profundamente.
— Vou amar e proteger vocês duas pelo resto da minha vida. Prometo a vocês.
— Nós amamos você, Arthur.
A porta do quarto foi aberta e eles puderam ver todos os seus familiares entrarem curiosos para verem o rostinho da nova integrante. Grissom ergueu um pouco o braço para que todos pudessem vê-la melhor.
— Ela é perfeita minha filha. — Jeffrey estava do outro lado da cama abraçado a sua filha. — Ainda bem que puxou a família Sidle. — Sussurrou em tom de brincadeira.
— Não deixe os outros escutarem isso.
Diana estava feliz. Ela tinha tomado a decisão acertada quando decidiu deixar o presente original para Grissom. Semana antes tinha visto Sara escrevendo a dedicatória no livro e aproveitou um momento de distração se sua irmã para saber sobre o que se tratava.
Quando ela viu que Sara tinha desistido de entregar o livro para Grissom, ela não pensou duas vezes antes de deixar o presente sobre a mala dele. Ele merecia saber que os sentimentos de sua irmã eram recíprocos e eles mereciam ser felizes.
Ela só não esperava toda a confusão que tinha ocorrido, mas ao ver a sua sobrinha cercada de tanto amor, somente confirmou que ela tinha agido de forma correta. Talvez nunca revelasse para Sara que ela era a culpada por ele ler aquela dedicatória, eles agora tinham a Melissa e isso bastava.
— Vocês sabem que podem ligar a qualquer hora do dia. Essas criaturas lindas não vem com nenhum manual de instruções.
— Obrigado, mãe. Com certeza vamos precisar de muitos conselhos nesse começo e principalmente vamos contar com vocês para nos ajudar a repor nossas horas de sono.
— Gil, avós são para isso. Vamos estragar a nossa netinha com muito prazer. — Beth fez um delicado carinho na testa de Melissa que dormia profundamente enquanto os visitantes estavam encantados por ela.
— Todos na empresa pediram para enviar os parabéns para os novos papais e disseram que não veem a hora da Melissa estar correndo por toda a empresa. — Thomas repassou as felicitações para o casal. — Não vejo a hora dela estar no meu escritório bagunçando toda a minha mesa.
— Arthur, acho que vamos ter mais trabalho em educar os nossos pais que propriamente educar Melissa.
— Na idade que eles estão não existe mais cadeira da disciplina, Sidle.
Todos riram e ainda ficaram um bom tempo velando o sono de Melissa. Foram embora com a promessa que retornariam com qualquer ligação. Quando Sara caiu no sono, Grissom acomodou-se na poltrona ao lado e ficou velando o sono das duas mulheres de sua vida.
O amor que sentia por elas ultrapassava qualquer sentimento que ele já havia experimentado.
…
Os meses estavam passando de uma forma rápida e a esperta Melissa explorava o mundo através de seus olhos azuis. A menina de cabelos castanhos e bochechas fartas, preenchia todo o ambiente quando ela chegava.
Pelo menos uma vez na semana, ela estava na empresa acompanhando seus avós Jeffrey e Thomas. Os dois amavam passear com ela pelos corredores da empresa e os funcionários ficavam admirados com a simpatia da pequena.
Laura e Elizabeth amavam levar a neta para passear nos parques ou no shopping. Tinham um hobbie em comum que era fotografar Melissa em todos os momentos. Sara e Gilbert desconfiavam que Melissa já tinha mais fotos que os dois juntos.
Diana era responsável por ensinar algumas travessuras para a sobrinha. Ela ensinou Melissa a brincar com a língua e fazer alguns barulhos engraçados. E nos momentos mais peculiares a menina fazia o que tinha aprendido com a tia.
— Querida, sua irmã ainda vai estragar a nossa filha ! — Grissom estava deitado no sofá com Melissa sentada em seu peito. A menina brincava com a língua, empurrando para fora da boca e fazendo barulhos. — Ela não consegue mais guardar a língua dentro da boca.
— Você ainda tem alguma dúvida que ela vai fazer isso ? — Sara sentou em uma poltrona próxima. Grissom também imitava os gestos de sua filha que parecia se divertir com a brincadeira do seu pai. — Sua mãe me enviou uma foto da Melissa vestida de gato. Onde sua mãe arrumou essa fantasia ?
— Amor. Hoje mesmo ela me enviou uma foto da Melissa vestida de professora e com a legenda: “Inteligente como a mamãe”. Eu acho que ela tem um estoque de fantasias.
— Melissa é a boneca das nossas mães. — A menina deu um gritinho despertando a atenção de seus pais, parecia concordar com a fala de sua mãe. Grissom levou o seu rosto até a barriga desnuda da bebê e brincou com a barba no local. — Ela adora quando você faz isso.
— Agora vamos parar com o agito porque está na hora de irmos dormir. Papai vai colocar a Melissa para dormir e em seguida vai fazer o mesmo com a Sidle. Porque a mamãe ficou o dia inteiro cuidando de você, enquanto eu tive que enfrentar um monte de reunião chata.
— Griss, você está cansando. Pode deixar que eu a faço dormir.
Grissom sabia que Sara estava visivelmente cansada. Melissa demandava muito do seu tempo e naquela semana ele precisou viajar por conta da empresa. Ele precisava retribuir sua esposa de alguma forma, em momento algum ela tinha feito objeção sobre a viagem dele.
— Não, amor. Suba, ligue a banheira e tome um banho relaxante. Coloque uma roupa confortável e deite. Assim que eu conseguir desligar o nosso pequeno furacão, eu vou para o nosso quarto te fazer uma massagem para você descansar.
Eles trocaram um rápido beijo e Sara aceitou a oferta. Precisava mesmo de algum tempo de descanso. Grissom deitou Melissa em seus braços e apagou a luz da sala, deixando apenas um abajur e as luzes coloridas do centro de Las Vegas iluminarem o ambiente. Embalou sua filha o tempo suficiente para ela cair em um sono profundo.
Beijou-lhe o topo da cabeça e ainda ficou curtindo ela alguns minutos em seu braço. Sentia que segurava o bem mais valioso da face da Terra em seus braços. Ela suspirou fundo e regularizou a respiração.
Caminhou a passos lentos até o seu berço e depositou o corpo frágil no berço. Ficou mais alguns minutos ali, velando o sono dela. Pegou a babá eletrônica e rumou para o seu quarto.
Encontrou Sara dormindo espalhada na cama. A promessa da massagem ficaria para um outro dia. Sentou na cama e acariciou os cabelos de sua esposa. Era eternamente grato por ter uma pessoa sensacional em sua vida.
— Amor, venha cá.
Sara ainda no automático levantou-se e logo foi aninhar no corpo de seu marido. Ele a abraçou e acariciou o seu corpo. Ela merecia todo carinho do mundo, havia renunciado uma parte de sua vida e não pedia nada em troca. Grissom amava todos os detalhes nela.
Em sua prece interna, ele agradecia pela a vida da pessoa maravilhosa que dormia em seu braço. Agradecia pela sua filha e pela capacidade que as duas tinham de restaurar a sua fé na humanidade. Ele se sentia invencível ao lado das duas.
Quem acreditava que o crescimento só poderia ocorrer sozinhos, com certeza não conheciam os dois. Eles eram a prova viva que as mudanças poderiam ocorrer juntos. Talvez eles nunca entendessem o porquê não estavam juntos por mais tempo, mas eles precisavam ir devagar.
Precisavam estar maduros o suficiente para chegarem naquela posição
Eles cresceram juntos e ainda tinham muito mais para crescer.
— Te amo, Sidle.
Antes que eu soubesse, já estava com você
Quando eu te vi, não foi fácil entender
Demorou pra ver, demorou pra ser
Mas agora (mas agora)
É
FIM
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