Before My Other Life - Dio's Diary

2 Capítulo 2 - Two years, where are you...?


O garoto olhava incansável a paisagem afrente, a mesma estrada que sua irmã havia usado ao sair do vilarejo, uma brisa balançava-lhe os cabelos cheios, estava agora maior e não usava mais as roupas infantis de costume de antes, seu olho azul claro e o outro amarelado estavam com a expressão mais cerrada mostrando-se mais maduro, sua irmã sempre lhe disse que olhos de cores diferentes traziam boa sorte e era uma das coisas que a sua mãe mais gostava nele.

Já haviam se passado dois anos... ela disse que voltaria uns dias depois mas se passaram dois anos inteiros, o que poderia ter acontecido? Ele se perguntava isso toda hora, sua vontade era de ir atrás dela mas quem iria cuidar do campo de flores? Era a última lembrança que lhes restara da mãe, ela adorava aquele campo e o loiro tinha um dom com plantas como ninguém, parecia que tudo o que tocava era instantaneamente curado, não mataria uma mosca, muito pelo contrario, precisava cuidar sempre de tudo e de todos, nunca mudara, como havia prometido.

- ... "cadê você...? Onde você está...? Você prometeu voltar logo lembra...?"

O garoto nada falava, só contemplava o sol se pondo no horizonte, os amarelos e alaranjados... Ele sempre gostou daquelas cores, esperava quase todos os dias só pra ver o espetáculo natural junto a sua mãe que na época lhe acariciava os cabelos, foi de fato ao pôr do sol que ele nascera, esse definitivamente era um cenário que lhe definia.

Ele ainda tinha a flauta de pan que sua mãe disse ter sido de seu pai que morreu antes dele nascer, sentou-se abaixo da grande árvore na colina de frente ao campo tocando, calmo, bonito mas um tanto triste.

Parou por algum tempo ainda contemplando a flauta em suas mãos e a estrada a sua frente logo em seguida.

- *depois de uma pausa* ... chega. *levanta calmo retirando o pó de suas calças compridas. — "espere por mim, eu vou atrás de você"

O garoto entra na casa simples de madeira e palha colocando suas coisas dentro de uma sacola de pano simples e meio surrada, sai despedindo-se de tudo o que amava, as colinas altas, os montes verdejantes, o lago de águas transparentes e em especial o jardim de sua mãe que ele se separa com alguma dificuldade o contemplando por muito tempo pra só depois ir embora saltando numa carroça que por pouco ele não cai para fora, só consegue entrar com a ajuda de duas mãos, uma pequena e uma maior.

- a-ah... arigatou.

- não tem de que jovenzinho, eu sou Michele e essa é minha filha, Collina.

- ah, obrigado a você também por me salvar — Sorri calmo e lindo.

- n-não foi nada... — Diz a garotinha loira um tanto vermelha por causa do sorriso.

- então... o que leva um rapazinho como você a ir numa viagem longa sozinho?

- minha irmã, estou procurando por ela, diz que foi num casarão grande nas montanhas, uma mansão creio eu... eu nunca vi uma mansão tão de perto na minha vida...

- ah, que sorte a sua, estamos indo na mesma direção então, é a mansão do doutor Drevis, eu vou pra cidade perto de lá, você pode vir conosco mas depois terá que subir as montanhas sozinho, os carros não podem passar o campo que tem lá sabe, é propriedade particular.

- campos?

- gosta de campos meu jovem?

- a-ah, sim g-gosto muito, minha mãe tem um campo desses.

- que bom, um... soube que o doutor Drevis sempre anda trabalhando muito, quem sabe você não consiga um emprego de jardineiro por lá até que encontre sua irmã, seria uma boa desculpa pra ter onde ficar.

- é... me parece ser uma boa ideia, obrigado senhora.

- não tem de quê e pode me chamar de dona Michele.

- hai...

Eles seguem por uma estrada esburacada e cheia de pedras e só param quando chegam a cidade, Dio ajuda a garotinha a descer da carroça e depois pega sua sacola de pano e pendura num de seus ombros se dirigindo a estrada de terra que dava pra uma casa um tanto distante.

- boa sorte com sua irmã rapazinho e tome cuidado com o sereno, tem certeza de que não quer passar a noite conosco? está muito frio...

O garoto nega com a cabeça com um leve sorriso, a última coisa que queria era que se preocupassem com ele, não queria ser mais uma boca pra alimentar, além disso a mansão estava bem próxima e eram ricos, não quer gostasse de se aproveitar disso mas seu estômago estava revirando e ele estava por saborear o último pedaço de pão que tinha e era partido pela metade já que dividiu-o com Collina e sua mãe que também pareciam estar com muita fome antes, ele se dirige até a mansão, um sussurro feminino atrás de si, um preocupado.

"por favor não se aproxime..."

O garoto olha pros lados e não vê nada, até acha estranho um pouco mas pensando ser algo de sua imaginação continua sua trajetória.

" por favor vá embora..."

Novamente aquele sussurro, já estava começando a assustar um pouco.

- *murmurando* fiquei sem comer tanto tempo assim?

Ele finalmente fica frente a frente a imensa porta sem nem ter se dado conta disso, aproxima sua mão para bater até que vê algo que não esperava.

- EU PENSEI TER MANDADO VOCÊ IR EMBORA NÃO FOI?! VÁ EMBORA GAROTO, AGOOOORA!!!

Era o fantasma de uma mulher assustadora e toda ensanguentada de longos cabelos avermelhados e vestido parcialmente rasgado, o susto fez o garoto cair pra trás e engatinhar na mesma direção, sua mente racional estava completamente embaralhada agora para formular se aquilo era ou não real e seus instintos diziam-lhe pra fugir de lá o mais rápido possível.

Uma voz corta-lhe os pensamentos.

- quem está ai? *voz doce*

O fantasma some assim que a voz aparece, uma mulher com candelabro, tinha roupas brancas e um avental verde, meias e sapatos pretos e chapéu de enfermeira, seus olhos eram grandes e verdes e seus lábios pequenos e avermelhados, era realmente bela mas na visão de Dio, também era desconfiável, sua beleza era algo quase que sobrenatural e ela apareceu do nada e vinda do que possivelmente eram os fundos da casa, além do mais, se era uma empregada como parecia ser por que usava tanta maquiagem e vivia tão produzida? Achou melhor ignorar o fato, sua mente agora estava ocupada demais pra isso.

- ah, um garoto.

- trabalha nesta casa madame?

- assim, sou uma humilde empregada. Tem materiais de jardinagem convosco, veio procurar emprego eu suponho.

- hai, nos jardins madame.

- hum, creio que será de grande ajuda, eu mesma o apresentarei ao doutor, meu nome é Maria.

- Dio...

- venha comigo Dio, por favor.

-am...

Agora sim ele estava desconfiado, ir pelos fundos da casa?

- rs, você não vai querer acordar o resto da mansão vai? A senhora desta casa e sua filha não vão querer ser incomodadas.

- a-ah, hai, vamos.

- rs, bom garoto.

Dio acompanha a mulher aos fundos da casa ainda desconfiado.

- "nossa... você tem belos olhos de cores diferentes... me pergunto o quão interessantes o doutor os achará"

Notas finais
http://www.youtube.com/watch?v=kSqG83uRE1w

*acima, o que Dio tocou, é curto relaxem.