Before - League of Legends III
3 Savon
Quando se é um aventureiro, uma de suas qualidades supostamente envolve detectar e evitar uma armadilha. Savon sabia disso. Se houvesse algum manual do aventureiro de Runeterra, aquela provavelmente seria a regra número um. Mas Savon não era bom em seguir regras. Contrariando seu bom senso, tinha arriscado tudo ao jogar o jogo de Aatrox. E tinha perdido como se fosse um amador.
Sua mente, ou uma parte dela, gritava para que ele corresse enquanto o darkin se recuperava do longo tempo encarcerado, mas ele não podia. Isabel ainda estava ali. A garota que, por algum motivo, tinha trazido com ele. Aquele não tinha sido o seu dia mais esperto, mas ele tentaria fazer com que, pelo menos, não fosse o seu último dia.
— Corra. – Ele se virou para Isabel, que o olhou assustada. Aatrox riu baixinho. As asas vermelhas começando a se mover no pouco espaço que o túnel fornecia, como não tinham feito em décadas.
Quando a espada vermelha do darkin se colocou entre os dois, levantando poeira e pedaços de pedra, Isabel despertou do seu medo. Ele podia ver pelos olhos da garota que ela nunca tinha estado em uma luta de verdade. Era brava e determinada, mas Savon sabia que aquilo não bastava. Principalmente quando se enfrentava alguém como Aatrox.
O aventureiro a empurrou pelo caminho oposto, por onde tinham chegado na cripta do darkin. Aatrox já recolhia a espada novamente, pronto para usá-la enquanto ria. Era aquilo que ele era e Savon sabia. Conhecia as histórias. Aatrox vivia pela guerra e se alimentava do desespero dos exércitos derrotados. Era a própria encarnação do fulgor da batalha. E ele o tinha libertado.
— Ele vai nos alcançar! – Savon exclamou, ouvindo os passos pesados de Aatrox atrás dos seus e de Isabel, cada vez mais audíveis.
— E de quem é a culpa?! – Ela gritou, exasperada. Ele não podia negar que achava aquilo bastante atraente.
— Se sobrevivermos a isso, talvez a gente possa beber alguma coisa? Você e eu? – Perguntou, puxando o florete que ela possuía e girando na direção oposta encarando Aatrox com a ponta que bloqueou a espada serrada do darkin que ameaçava cortá-los em dois. A onda de choque arranhou as paredes de pedra antiga em várias direções, mas o florete mal se curvou. Savon olhou espantado para a fina arma, que balançava com a energia restante. – Do que isso é feito? Adamantium?
— Ada o quê? – Isabel perguntou, recuando para trás dele, que agora empunhava o florete diante do guerreiro. – Você é louco.
— Criaturinhas! – Aatrox rugiu, recuando a espada. Savon não saberia dizer naquele escuro e sob o chifre do darkin, mas ele parecia sorrir. – Matá-los aqui seria apenas misericórdia. Não conseguem sentir o fim de tudo que se aproxima?
— Isso é um pouco ambíguo. – Savon comentou, descontraído, embora estivesse tão tenso que seu corpo parecia ser feito de metal. – É o fim de tudo que está se aproximando ou um fim está se aproximando, porque tem uma diferenç…! – Aatrox tentou golpeá-los novamente. E novamente. E novamente. Todo o seu corpo rubro era uma máquina de guerra. Os golpes desciam pesadamente sobre o florete que Savon tentava com muito custo manter firme diante daquela investida.
Mesmo que Savon não cedesse, o que ele achava particularmente improvável, a estrutura cederia, derrubando toneladas de uma consideravelmente bela arquitetura sob suas frágeis cabeças. Existiam mortes menos estilosas, mas Savon preferia não ter nenhuma morte. O próprio chão do corredor estreito tremia enquanto Aatrox avançava brandindo sua espada.
Isabel podia ter corrido até a saída naqueles momentos e Savon sabia disso, mas ela continuava recuando no mesmo ritmo que ele. Ela não o abandonaria, mesmo que aquela fosse uma escolha estúpida. Ele não podia julgar ninguém por escolhas estúpidas. A moral conduzia as dela, a ganância as dele. Ainda assim, estavam na mesma posição, prestes a morrer. Não fosse a flecha encantada de gelo que voou no ombro do darkin.
— O que…? – Savon se virou para trás na janela de tempo que ganharam enquanto Aatrox gritava de dor. O aventureiro fez uma expressão de sofrimento quando viu que a passagem secreta estava descoberta e, no final dela, se encontrava Ashe, a rainha de Freljord e sua guarda real. – Ah, eles não. Não podemos voltar para a máquina de guerra ambulante?
— Não seja assim, pequenino. – Braum, o escudeiro real, pulou em sua frente, usando sua porta revestida de magia gélida para defender o golpe seguinte de Aatrox. Com a mão livre, ele deu tapas suaves na cabeça de Savon, que revirava os olhos. – Estivemos te procurando.
— Você é… Ela é… Ah, ah. – Isabel balbuciava de emoção, olhando do gigante para a rainha.
— Tire eles daqui, bigodes. – Uma voz quase animalesca falou. A figura vestia uma armadura de combate da cintura para baixo. Do seu ombro direito, cresciam pavorosos espinhos roxos e seu braço era ligado à sua espada de lâminas irregulares através de tentáculos que pareciam estar em chamas, envolvendo o seu braço e tronco. – Esse daqui é meu.
— Marc! – Isabel gritou, quando Braum fez menção de removê-la. – É você?
Savon não fazia ideia do que ela estava falando, mas Tryndamere a fitou com seus olhos extremamente azuis e brilhantes, tomados pela surpresa por um milésimo de segundo, então se virou para Aatrox. Ambos rugindo como feras enquanto investiam um sobre o outro.
Braum tirou Savon e Isabel dali antes que o corredor secreto desabasse, protegendo-os dos escombros e da poeira que o desabamento libertava. Poucos segundos se passaram até que os dois submergissem das toneladas de pedra como se aquilo mal os incomodasse e continuarem sua batalha.
— Tem certeza de que não precisamos interferir? – Garen perguntou, preocupado.
— Só retirem todos daqui e formem um perímetro de isolamento. – Uma voz respondeu. – Marc cuida disso.
Tanto Isabel quanto Savon a reconheceram, mas quando o aventureiro olhou para a companheira, ela parecia em choque, embora um sorriso se formasse entre as lágrimas que caíam de seus olhos:
— Brandon?
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