Isabel nunca tinha visto um confronto tão feroz. Lutas em Summoner’s Rift normalmente eram regidas por habilidades especiais. É claro que os invocadores usavam ataques automáticos, mas, naquele mundo artificial, eles não eram reais o bastante para assustar. Ali, no mundo real, as coisas eram diferentes. Ela sentia as correntes de ar que seus socos geravam, via as faíscas que suas lâminas espirravam ao contato. Ouvia o ranger e os passos, os socos. Sentia o cheiro de sangue. Isso porque estava na distância segura que o perímetro de contenção marcava, fora do palácio onde as duas feras lutavam. Aquilo a fazia entender, mais do que nunca, porque alguém queria acabar com o horror das guerras. Aquilo a fazia entender Brandon Beck.

Ele estava lá, a propósito.

O cara que estava sumido há cinco anos estava lá. Vivo. Contrariando todos os rumores. Nos quais ela totalmente não acreditava, uma vez que ele tinha uns cinco tipos diferentes de imortalidade. Supostamente. Ela tentava não surtar com o fato de vê-lo ali, com cabelos brancos e uma barba meio esquisita. Cerrou os punhos, enfiando as unhas cuidadosamente decoradas para a festa agora destruída na palma da mão, dividindo a sua atenção entre a luta e o cientista. A luta ganhava, mas por pouco.

Ele comandava os nobres ali, enquanto conduzia o resgate daqueles que não tinham habilidades especiais para fora do palácio, em meio à floresta. Sua voz, firme como da vez em que se conheceram, comandava cada elemento ali. Como peões em um tabuleiro. A ideia lhe daria calafrios fosse qualquer outro naquele papel, mas ela confiava em Brandon. Todos confiavam em Brandon. Um homem que tinha feito de tudo para erradicar as guerras. Até mesmo morrido. Supostamente.

Quando Tryndamere soltou um grito de guerra, ela percebeu que o combate acabaria. Não sabia como, mas sabia isso. Os dois avançaram com suas espadas e olhares curiosamente espelhados: Os dois tinham os mesmos olhos, tomados pelo frenesi da batalha, mas expressavam sensações incrivelmente distintas. Ela sabia e entendia do ódio que Tryndamere carregava por Aartrox, mas o orgulho do mesmo pelo bárbaro simplesmente não fazia sentido. Ainda assim, ela o via, reforçado pelo sorriso que o Darkin carregava antes de ser atingido pela espada demoníaca do bárbaro.

— Há! – Ele disse, com sua voz de trovão. – Esplêndido!

Tryndamere continuou golpeando o guerreiro cambaleante, girando e cortando com sua espada. A espada de Aartrox caiu pesadamente no chão, levantando poeira enquanto quebrava o piso de mosaico dourado brilhante. O Darkin tropeçou em uma das pedras enquanto recuava em passos desajeitados, tombando como sua espada há pouco tinha feito.

— Por que você não me matou? – Ele gritou para o guerreiro caído.

— Minha maior criação… – Aartrox murmurava, quase inconsciente. – Eu não sou o último…

Ele fechou os olhos. Ofegante, Tryndamere caiu de joelhos no chão. Sua fúria do guerreiro passava lentamente. Ele mal conseguia respirar. A fumaça e o fogo cobriam o lugar e o suor, o seu rosto.

— Por que… Por que… eu queria ter morrido com eles. – Lamentou, antes de desmaiar.

Os guerreiros noxianos que assistiam correram para retirar ambos do palácio, que ameaçava desabar sobre eles, mas Braum foi mais rápido. Imediatamente, meia dúzia de curandeiros de amontoou ao redor do bárbaro. Uma quantidade mais modesta, e menos covarde, se pôs a serviço da saúde do Darkin, no qual Jarvan IV colocava algemas e comandava um tipo de transporte, sob a supervisão atenta de Brandon, que discutia algo sério com ele.

Savon, o outro penetra que a tinha acompanhado e, com uma cumplicidade sinistra, ajudado a libertar o lendário Darkin que Tryndamere tinha derrotado, segurou o braço de Isabel, que assista àquilo tudo imersa, despertando-a para a realidade:

— Nós deveríamos sair enquanto podemos. – Ele cochichou, indicando que ninguém prestava atenção neles.

— Não podemos. – Ela protestou, se virando para ele, que ergueu as sobrancelhas.

— É claro que podemos. É só… andar.

— Não, não podemos! E eu não vou ficar discutindo modalidades epistêmicas e deônticas com você! – Devolveu, e saiu correndo na direção do cientista.

— Ainda bem! – Ele gritou para ela, enquanto a mesma se afastava. – Porque eu não sei o que isso quer dizer!

— Brandon! – Isabel chamou, pela segunda vez naquela noite, embora dessa vez tivesse muito mais convicção.

Ele se virou para ela com um pequeno sorriso e não se surpreendeu ao ser abraçado, devolvendo o carinho.

— Eu sabia que você estava vivo! Todo mundo falou que não, mas eu sabia! Eu sabia! – Ela comemorou, umedecendo o ombro dele com uma nova fornada de lágrimas que não conseguia evitar.

— Bem, você é um gênio. – Ele disse, gentilmente. – É claro que estaria certa.

— Mas por quê? Por que você se escondeu? Por que está aqui? O que aconteceu? O que você tem feito? Seu cabelo…

— Ei. – Ele interrompeu. – Vamos falar sobre isso no momento certo, tá? Agora, eu tenho uma coisa mais importante para fazer. E preciso de você.

— O quê? – Ela perguntou, com um brilho nos olho. Tinham sido quase parceiros no passado. Ela se orgulhava de ter salvado a vida dele com suas invenções umas duas vezes, no mínimo. Isso a colocava praticamente no patamar de Doran, o inventor, quando se tratava de inventar coisas legais para ele.

Claro, Doran tinha inventado coisas legais para toda a Liga, mas ela chegaria lá. Era a sua chance. Ia brilhar ao lado de Brandon, iam derrotar todos os inimigos quando ele dissesse que ia…

— Te prender. – “Oi?” ela pensou. – Você se passou por um membro da família Laurent, invadiu um baile da realeza Noxiana e libertou um guerreiro Darkin no meio dessas pessoas, inadvertidamente. Isso não foi só irresponsável, foi idiota. Você está presa. Sinto muito. Não tente fugir.

— …Oi?

Oi?

Notas finais
Ok, eu voltei! Isso é bom, enquanto eu conseguir manter. Muita coisa mudou desde que eu comecei essa história, então o meu estilo mudou um pouquinho também. Espero que ninguém se importe. Espero também que quem acompanhava (alguém? haha) tenha uma memória afiada, porque eu precisei reler muita coisa para poder voltar a escrever. Espero, enfim, poder concluir essa trilogia. Eu misturei um pouco a trama dessa com uma outra coisa que eu tinha em mente, então a história vai numa direção completamente oposta ao que eu pretendia antes. Espero que gostem.