As fotos já haviam sido impressas e colocadas no envelope pardo. Marina caminhava com ele em sua mão como se nada pudesse destruí-la. Os óculos escuros lhe cabiam perfeitamente, a camisa xadrez de Saulo e o short rasgado também. Não havia um ser humano que não a encarava. Ela era uma daquelas pessoas que nasciam lindas e ponto. E isso lhe trazia muitos benefícios, lhe trouxera até um emprego. Enquanto andava – ou desfilava- estava presa em sua utopia. Nunca se dava ao trabalho de olhar para o lado, sempre olhava o horizonte. Afinal, poderia ter pessoas feias ao seu lado, e a feiúra alheia lhe irritava. O único momento que saiu do seu devaneio foi quando um ser esbarrou nela e derrubou seu envelope. Marina entrou em desespero. O envelope havia caído no chão. Se as fotos saíssem do envelope e fossem vistas, estava t u d o acabado. Imediatamente, virou para o lado e viu o ser que provocara o esbarrão. Uma jovem loira. Não pôde conter a raiva:

– Porra! Você não olha pra onde anda? – encarou a loira por uns segundos esperando alguma reação, mas ela estava completamente pasma-.

Marina estava com tanta raiva da cara de sonsa da tal garota que esqueceu totalmente do envelope e, agora, focava toda sua atenção e encará-la.

A menina pegou o envelope e gaguejou:

– Des...des...des...Desculpa. Eu sou meio distraída... – entregou o envelope à Marina-.

Marina ficou analisando-a. Conhecia-a. Aquele rosto. O cabelo. Era muito familiar. “Espera”, pensou e continuou a analisar. “É A FILHA DO PREFEITO!!! A tal Cordeiro... Qual o nome dela mesmo? Amanda? Analice? Começa com A?!”. Saiu de seus pensamentos e respondeu seca:

– Tudo bem. – pegou o envelope da mão da tal- Seu nome?

A Cordeiro ficou encarando-a. Até que, enfim, disse, insegura:

– Alice...

– Hum... – “ISSO! ALICE!” – Está perdoada... – “O pai dela deve valer uma nota...” Não poderia deixar de pensar nisso. Imagina? Todos querem um escândalo com o prefeito.

Marina sorriu confiante. Porém, bem no fundo de seu sorriso, podia-se ver a malícia por detrás dele:

– Você vem sempre aqui, Alice? – “É agora que fico milionária!