Clarice Cordeiro caminhava pela orla de Ipanema. Caminhava não, voava. Seus pensamentos não estavam ali. Eles estavam na sua vingança. Estava chegando perto. “Só mais alguns dias, Clarice”, acalmou a si mesma. Já havia passado e re-passado todos os detalhes na sua cabeça. Estava tudo pronto. Agora lhe restava à pior parte: esperar. Esperar para dar o bote. Apenas despertou-se de seu plano, quando sentiu algo vibrar em seu bolso. Era o celular. Este lhe trouxe para sua atual realidade: Marcelo Cordeiro, seu marido.

– Bom dia, Marcelo – ela parou de andar e assentou-se em um banco

– Clarice, meu amor, está tudo certo para o jantar de hoje, né? O Governador vai...

Clarice interrompeu:

– Quando ele não vai, Marcelo? – a ansiedade havia lhe deixado impaciente. “Droga... Clarice... Se recomponha!”.

Ela suspirou:

– Desculpe você sabe que não gosto muito dele. Mas, ele é seu amigo...

Marcelo respondeu em um tom inabalável:

– Tudo bem... Então... Tudo certo?

– Sim, Marcelo, tudo certo – boa parte das vezes, ele a irritava.

– Eu amo quando você consegue acertar tudo... – brincou o Sr.Cordeiro-

Clarice se permitiu a dar uma pequena risada:

– Tenha um bom dia, Sr. Prefeito... –dessa vez, foi ela quem brincou-

Agora, ele também se permitiu a dar uma pequena risada:

– E desde quando prefeitos têm um bom dia?