A buzina tocava pela quarta vez. Era Frank, o motorista. Alice já havia ouvido. Quatro vezes. Frank era muito impaciente. Desceu as escadas feito um trovão (isso, claro, se um trovão descesse escadas...). Saiu pela a porta da casa, correu para o carro, abriu a porta do carona e adentrou:

– Bom dia, Frank.

Fechou a porta. Frank a encarou:

– Pronta?

Alice confirmou com a cabeça:

– Sim...

Frank saiu em disparada com o carro. “Sutil, como sempre”, pensou Alice. Ela brincou:

– Pra que leis de velocidade quando se é a filha do prefeito, hein?

Ele riu:

– Bom, tem suas virtudes, né?

Frank estava com Alice desde que ela nascera, ou seja, 20 anos. Começou a trabalhar pra família Cordeiro quando era novo e possuía cabelo. Agora, estava calvo e com marcas de expressão em seu rosto. Nunca tivera a oportunidade de ter filhos. Era ele e a esposa Laura. Laura trabalhava como Governanta na “Mansão Cordeiro”. Dedicaram toda sua vida a essa família, logo, se tornaram parte dela.

Os minutos voavam enquanto percorriam o caminho até a Universidade. Frank cruzou a esquina da instituição quando Alice lhe disse:

– Frank, por favor, não pare em frente. Não precisa... – ela passou o olhar pelo Volvo – disso.

– Alice, são ordens do seu pai...

Ela suspirou e optou por fazer a cara de cachorro que caiu da mudança:

– Por favor...

Frank riu:

– Okay – desligou o motor do carro e o estacionou na esquina- Boa aula!

– Obrigada, Frank.