Notas iniciais
;)

–Mack-ouvi alguém sussurrar, eu sabia de quem era aquela voz.

–Gabe- falei olhando a minha volta, mas estava escuro de mais pra enxergar qualquer coisa- Gabe?

Sentia o vento batendo no meu rosto, era frustrante não ver nada, senti alguma coisa pegar o meu pescoço.

–Mack- ele gritou, me estrangulando- agora somos só nós dois....

Acordei suando. A luz entrava pela janela, podia ouvir os pássaros cantando lá fora, tudo parecia normal.

–Normal?-ri de mim mesma.

Levantei e tomei um banho. Depois de me arrumar, fiquei parada encarando a porta, estava em duvida se saia ou não.

–Você não tem nada a perder- sussurrei, peguei meu bloco de desenhos e sai. A sala estava limpa encontrei Ana saindo, do que eu achei ser a cozinha.

–Ãn, bom dia- falei meio em duvida, aquele olhar vazio dela me perturbava.

–Bom dia- ela disse- Senhor Mikaelson disse que a espera no jantar de hoje á noite. O café esta servido.

–Ok- assenti. Tomará que eu não seja o jantar, pensei.

Fui até a cozinha e, apesar de parecer um delicia, meu estomago revirava só de pensar em comer. Peguei uma maçã e sai pela porta dos fundos.

O jardim precisava de cuidados, mas ainda era lindo. Olhei para os portões ao fundo. Se eu sair daqui eles provavelmente vão me matar, se eu ficar aqui ele provavelmente vai me matar.

Entre morrer por lobos raivosos ou pelas mãos de Klaus Mikaelson, fico tentada a escolher a segunda.

Fui até um pequeno lago, que ficava bem no meio do jardim e me sentei na beirada. Olhei pro meu reflexo, olhos claros, cabelos castanhos, ainda era eu mas...eu sentia como se fosse diferente. Comecei a rabiscar no meu bloco de desenhos.

Por que será que eu ainda estou viva?

Mas eu tipo de pergunta é essa? Você esta viva, é isso que importa, disse minha consciência.

Não foi isso que eu quis dizer, por que será que ele ainda não me matou? Quer dizer, ontem ele teve a chance, então porque?

Vocês conversaram, talvez ele tenha gostado da sua companhia.

Qual é, você acredita mesmo nisso?

Talvez, mas você tem explicação melhor?

A gente parece ter algo em comum, digo, todo aquele lance em lidar com os demônios.

Então você admiti que vocês tem algo em comum, hein?

Talvez, mas ele ainda é um monstro.

Todos temos um lado monstro, mas ele ainda é atraente, você não acha?

De que lado você esta, afinal? Ele pode até ser atraente, mas é um louco.

Olha quem fala, a garota que esta discutindo com a própria consciência.

Olhei irritada pro papel, e me surpreendi com meu desenho. Eu desenhei ele, Klaus.

–Droga de consciência- falei me levantando.

Senti como se estivesse sendo observada, olhei em volta, mas não vi ninguém. Talvez eu estivesse mesmo louca.

Entrei na cozinha, apesar de ser hora do almoço, eu ainda não estava com fome.

–O almoço logo será servido- Ana disse atrás de mim, me fazendo levar um susto.

–Ah, não precisa se incomodar- falei me afastando- eu não vou almoçar, não estou com fome.

Ela apenas assentiu, enquanto eu saía dali. Fui andando pela casa, acabei encontrando uma biblioteca.

O que eu mais gostava de fazer, além de desenhar, era ler. Passei os dedos por vários livros, na maioria clássicos, mas acho que tinha de tudo um pouco. Num canto estavam alguns discos de vinil.

–Por não me surpreende você gostar de opera-falei pra mim mesma, levando um susto com sua resposta.

–Ah, eu sempre tive uma pequena queda pelos clássicos- ele disse se escorando no batente da porta, sorrindo.

Eu meio que paralisei, olhei pra ele, depois tentei agir normalmente.

–Esse em especial- ele disse apontando pro disco em minhas mãos- eu gosto da história.

–Qual a história?- perguntei, guardando o disco de volta, sem o olhar nos olhos.

– Era um conto de amor proibido, tipo Romeu e Julieta. No dia em que se casariam, a família e um ódio antigo intervêm, milhares são massacrados, um pai ate mata um filho no ato final-ele sorriu de lado- eu quase aprecio a ironia.

–Parece ter muita morte pro meu gosto- falei sem jeito, ele parecia tão...humano.

–Bem- ele percebeu que eu o avaliava- vou te deixar com sua leitura.

Ele saiu, mas meu coração continuava acelerado, só não entendi por qual motivo.

Me sentei com um livro antigo de poemas, mas minha mente não estava concentrada o suficiente pra ler alguma coisa.

Foi impressão minha ou ele estava tentando ser...legal?

Passei a tarde tentando ler, quando eu percebi que o dia já estava acabando fui me arrumar para o jantar.