Beauty and the Beast
37 O filho do Alpha
Algumas semanas se passaram e Ferinthia continuava sua reconstrução. As fadas, a pedido de Edward, permaneceram no reino até a recuperação total de Renesmee. O conselho se reuniu na sala do trono, onde Samuel seria julgado. Todos os membros, incluindo Reginald, estavam presentes. Reginald se levantou, segurando um pergaminho, e começou a ler as acusações contra Samuel.
— Samuel, você é acusado de traição ao reino de Ferinthia, do assassinato do rei legítimo, de usurpação do trono e de tentar eliminar a linha de sucessão ao trono ao sequestrar Renesmee. Como responde a essas acusações?
Samuel, com algemas protegidas por magia de Alice, não podia tomar a forma de lobo-dragão. Ele olhou com desprezo para Reginald, mas não disse nada. Após as acusações serem lidas, Jacob se levantou de seu trono. Ele olhou carinhosamente para Renesmee, sentada no trono ao seu lado, e caminhou até Samuel.
— Apesar de você ter sangue de Drakonia, metade de você ainda é meu irmão, e não desejo sua morte. — Jacob olhou ao redor, encontrando os olhos dos conselheiros. — Sugiro que Samuel seja condenado ao exílio em Drakoria, que sucumbiu após a morte de Tharion.
O conselho murmurou em concordância, mas um dos conselheiros levantou a voz.
— Aceitamos o pedido do Rei Jacob, mas devemos encontrar uma forma de garantir que o lobo-dragão não retorne.
Jacob olhou para Renesmee, que se levantou devagar e se aproximou de Samuel. Ela fechou os olhos e começou a sussurrar palavras antigas no idioma das fadas. De suas mãos, uma luz suave emanou, e um colar de aço começou a se formar, cintilando com um brilho mágico. Quando o colar estava completo, ela o segurou firmemente e se aproximou de Samuel.
— Este é o Colar de Aeron — disse Renesmee, colocando o colar no pescoço de Samuel. — Enquanto você usar este colar, jamais poderá tomar sua forma de besta novamente.
Ela fez uma pausa, olhando para cada um dos conselheiros antes de continuar.
— Este colar só poderá ser retirado se as palavras que usei forem ditas por um descendente direto de Jacob, e de todos os descendentes de seus descendentes.
Samuel olhou para Jacob com fúria nos olhos.
— Isso não ficará assim — rosnou ele.
Jacob manteve a calma, olhando firme para Samuel.
— Você queria um trono, Samuel. Agora terá um. Exílio em Drakoria será seu reino.
O conselho aprovou a sentença, e os guardas levaram Samuel para longe. O julgamento chegou ao fim, e Ferinthia começou a se preparar para um futuro mais brilhante e seguro.
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Tempos após o exílio de Samuel, Ferinthia era agora um reino justo e pacífico. As fadas, antes de partirem, ajudaram Renesmee na restauração da floresta de Umbra, transformando-a em uma floresta cheia de vida. Contudo, Eirondel permaneceu um lugar restrito, acessível somente aos guerreiros lobos e seus descendentes.
Renesmee estava nas últimas semanas de sua gestação, e Jacob, assim como todo o reino de Ferinthia e Heliodor, estava ansioso pela chegada de seu herdeiro. Ele cumpria suas obrigações reais quando recebeu a visita de Sam. Jacob abraçou o amigo calorosamente.
— Como está Eirondel? — perguntou Jacob.
— Está tudo tranquilo e em paz — respondeu Sam, com um sorriso, mas logo seu rosto ficou sério. — Mas não foi isso que me trouxe aqui.
Jacob franziu a testa, preocupado.
— Em que posso ajudá-lo, Sam?
— Preciso que você receba minha irmã.
Jacob hesitou, lembrando-se da traição de Aria.
— Sam, você sabe que ela nos traiu. Não posso fazer isso.
Sam segurou o ombro de Jacob, olhando-o nos olhos.
— Depois de vê-la, você poderá tomar uma decisão justa. Só peço que a veja.
Com relutância, Jacob assentiu e ordenou que deixassem Aria entrar. Quando ela apareceu na porta, Jacob ficou paralisado ao vê-la com um bebê nos braços. Seus olhos se arregalaram, e ele não conseguia encontrar palavras.
Aria deu um passo à frente, olhando Jacob diretamente nos olhos.
— Ele é seu filho.
O salão ficou em silêncio enquanto Jacob processava a informação. Ele observou Aria, tentando encontrar traços de mentira em seu rosto, mas tudo que viu foi sinceridade e um cansaço profundo.
— Como isso é possivel?— perguntou Jacob, tentando manter a calma.
Aria suspirou, segurando o bebê mais perto de seu peito.
— Pensei que lobas não procriassem, mas como eu sou uma loba e você um lobo, aconteceu. Lobas só procriam de lobos.
Jacob sentiu o peso de suas ações passadas. Ele lembrou dos momentos que passou com Aria no dia em que Renesmee chegou a Eirondel. As lembranças eram vivas, repletas de paixão e arrependimento.
— Nosso filho tem direito a um pai, assim como o da Rainha — disse Aria com firmeza.
Nesse momento, Jacob ouviu um ruído e olhou para a entrada da sala do trono. Paralizou ao ver Renesmee em silêncio, observando a cena.
Ela se aproximou devagar, os olhos fixos em Jacob.
— O que ouvi é verdade? Aria teve um filho seu? — perguntou Renesmee, sua voz tremendo.
Jacob olhou para Aria e depois para Renesmee, sentindo o coração apertar.
— Sim, o filho de Aria é meu filho — admitiu, com a voz pesada de culpa.
O chão pareceu se abrir sob os pés da rainha das Fadas. Ela olhou para o bebê nos braços de Aria, depois para Jacob, sem conseguir esconder a dor em seus olhos. Renesmee deu um passo para trás, as lágrimas começando a brotar.
— QuQuando cês? — perguntou, a voz carregada de mágoa.
— No dia em que você chegou a Eirondel— respondeu Jacob, a dor evidente em seu rosto.
Renesmee respirou fundo, tentando manter a compostura.
— Você precisa resolver isso. — Ela se virou para Aria, o rosto determinado. — Seu filho terá um lugar aqui, mas precisamos entender o que isso significa para todos .
Renesmee ficou parada por um momento, o peso da revelação caindo sobre seus ombros. A dor de saber que Jacob e Aria tinham um filho a atravessou como uma lâmina afiada. Embora soubesse que o coração de Jacob pertencia a Aria antes de sua chegada, a confirmação da existência do filho deles foi um golpe inesperado. Seu coração justo estava dividido entre o ciúme do homem que amava e o senso de justiça.
Ela virou-se lentamente, as lágrimas já começando a rolar por seu rosto, e saiu da sala do trono sem olhar para trás. Jacob deu um passo à frente, querendo segui-la, mas algo o impediu. Ele sabia que ela precisava de um momento sozinha.
Renesmee caminhou apressada pelos corredores do castelo, os olhos marejados tornando difícil ver claramente. Os criados e guardas que cruzavam seu caminho abaixavam a cabeça respeitosamente, mas ela mal os notava. Tudo que sentia era a dor crescente em seu peito e a confusão em sua mente.
Finalmente, ela chegou ao seu quarto, fechando a porta atrás de si com um baque. O peso da situação parecia dobrar seus joelhos, e ela se deixou cair na cama, soluçando. As paredes de pedra do quarto pareciam apertar-se ao seu redor, ecoando seus lamentos silenciosos.
— Como vou lidar com isso? — sussurrou para si mesma, a voz embargada pelo choro. — Como posso ser justa e ainda assim lidar com a dor?
A mente de Renesmee girava, lembrando-se de todas as promessas e momentos que compartilhara com Jacob. E agora, diante da realidade do filho que ele tinha com Aria, ela sentia-se traída, mesmo sabendo que a culpa não era completamente dele.
Ela chorou até não ter mais lágrimas, o corpo tremendo com os soluços. Lentamente, sua respiração começou a se acalmar, e ela se obrigou a pensar com clareza. Sabia que, como rainha, precisava tomar decisões justas e sábias, mas como mulher, seu coração estava em pedaços.
— Eu preciso ser forte — disse para si mesma, enxugando as lágrimas com a manga do vestido. — Para o bem do reino, para o bem de nosso filho.
Ela sabia que teria que confrontar Jacob novamente, que precisavam encontrar uma maneira de lidar com essa nova realidade juntos. Mas, por agora, ela precisava de um momento para processar tudo, para encontrar a força dentro de si mesma para enfrentar o que estava por vir.
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