Beauty and the Beast

33 O cantar das Fadas


Os navios de Heliodor cortavam as águas escuras do oceano sob a luz pálida da lua, seus mastros altos e velas infladas projetando sombras longas sobre o mar. Os exércitos estavam em silêncio, cada soldado sabendo o peso da missão que os aguardava. O príncipe Alec, firme e resoluto, comandava a frota do navio principal, suas ordens claras e precisas mantendo todos em prontidão.

Jacob estava em um dos navios, ao lado de Edward. Sentia o frio da noite, mas o gelo em seu coração era mais intenso, alimentado pela determinação de salvar Renesmee e derrubar Samuel. Ele observava os soldados a bordo – arqueiros prontos com suas flechas, espadachins afiados, todos preparados para o combate que viria.

— Amanheceremos em Ferinthia — disse Edward, interrompendo os pensamentos de Jacob. — Precisamos estar prontos.

Jacob assentiu, sua mente voltando ao plano.

— Lembre-se, primeiro evacuamos os civis. Não quero mais sangue inocente derramado por causa de Samuel.

Edward acenou em concordância.

— O esquadrão de frente liderado por mim derrubará a guarda de Samuel, abrindo caminho para você. Precisa enfrentar seu irmão sozinho. É a única maneira de recuperar o trono e tirar o reino das mãos de Tharion.

Jacob olhou para o horizonte, o sol começando a traçar uma linha dourada no céu. Seus pensamentos voltaram-se para Renesmee, imaginando-a sozinha e assustada, mas também forte e resiliente.

— Escolha um dos homens em quem confia para ir a Umbra — disse Jacob, voltando-se para Edward. — Jasper estará lá aguardando o sinal para que ele e Emmett se unam a nós.

Edward sorriu, um lampejo de confiança em seus olhos.

— Tenho o homem certo para isso.

Os navios balançavam levemente com as ondas, o som da água batendo contra o casco um lembrete constante da jornada que estavam empreendendo. O príncipe de Ferinthia, agora aliado a Heliodor, estava pronto para o confronto final. Jacob sentia o peso da responsabilidade em seus ombros, mas também encontrava força naqueles que ainda acreditavam em Ferinthia.

Enquanto observava o mar, seus pensamentos vagavam para Renesmee. Ele podia quase sentir sua presença, como se o vínculo entre eles fosse inquebrável, mesmo a grandes distâncias.

— Aguente firme, meu amor— murmurou, o vento levando suas palavras. — Estou chegando.

O horizonte começava a clarear, a primeira luz do amanhecer tocando as velas dos navios. O momento estava próximo, e com ele, a promessa de uma batalha que decidiria o destino de Ferinthia e das pessoas que amava.

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Renesmee olhou pela janela do quarto, agora sua prisão, e fechou os olhos, sentindo o cheiro fresco da manhã trazido pela brisa. A natureza próxima ao reino de Ferinthia parecia tentar alcançá-la, oferecendo um breve consolo. Ela ouviu o som da porta se abrindo e virou-se, vendo a mulher entrar. Em silêncio, Renesmee encarou Olivia, reconhecendo-a do dia em que Samuel a casou com Jacob e a enviou a Umbra. Seus olhos caíram sobre a barriga de Olivia, claramente demonstrando sua gravidez, antes de tocar sua própria barriga.

— O que você deseja? — perguntou Renesmee, sua voz firme apesar do medo latente.

Olivia sorriu, mas era um sorriso frio, calculista.

— Por enquanto, nada. Mas em breve, ficarei com a criança.

Nessie sorriu de volta, um sorriso que não alcançou seus olhos, e caminhou até Olivia, encarando-a diretamente.

— Você não ficará com meu bebê — disse Renesmee com convicção.

Olivia ergueu uma sobrancelha, desdenhosa.

— Não me assusta. Este quarto tem proteção contra magia de feiticeira.

Renesmee sorriu novamente, mais ampla desta vez. Ela levantou uma das mãos, e os galhos da árvore próxima à janela começaram a entrar pela mesma, serpenteando pelo quarto. Olivia recuou, surpresa e assustada.

— Que bom que não sou uma feiticeira. Sou uma fada — Renesmee declarou.

Olivia chamou pelos guardas, a voz trêmula de pavor. No instante seguinte, os guardas que atravessaram a porta foram chicoteados para fora do quarto pelos galhos controlados pela magia de Renesmee. Olivia correu em fuga, seu coração batendo freneticamente, e se assustou ao ver o corredor do castelo cheio de galhos, como serpentes de madeira prontas para atacá-la.

Renesmee observou a cena com uma mistura de satisfação e determinação. Sentia-se mais forte, ppr alguma razão deecomhecida a magia das fadas estava fluindo livremente através dela, conectando-se com a natureza ao seu redor. Sabia que tinha que ser cuidadosa, mas naquele momento, saboreou o poder que possuía e a esperança de que logo estaria livre e de volta aos braços de Jacob.

Renesmee saiu do quarto, os corredores do castelo eram um labirinto de pedras antigas e tapestries decadentes. Os galhos que a protegiam chicoteavam qualquer um que se aproximasse, afastando guardas e servos com precisão e força. Ela sentia a adrenalina pulsando em suas veias, uma combinação de medo e determinação. Enquanto caminhava, um som suave e doce ecoou pelo castelo. Era uma melodia que ela nunca tinha ouvido antes, mas que parecia familiar, como um sussurro dos seus antepassados.

Enquanto isso, na sala do trono, a rainha entrou, visivelmente assustada, gritando por Samuel. Ele levantou do trono olhando para Tharion que estava sentado ao seu lado com seus olhos estreitos e focados nela.

— O que houve, Olivia? — perguntou ele, sua voz carregada de impaciência.

— Renesmee fugiu! — respondeu a rainha, o pânico evidente em sua voz.

Antes que Samuel pudesse responder, um dos chefes da guarda entrou, seguido por Olivia, que estava pálida e trêmula.

— Estamos sob ataque, Majestade — avisou o chefe da guarda, sua voz urgente.

— Impossível- Disse Tharion- O exército Drakoniano está protegendo o castelo.

— Quem ousa a atacar Ferinthia?— perguntou Samuel, o rosto se contorcendo em uma mistura de raiva e incredulidade.

— O principe Jacob— respondeu o soldado, o medo se insinuando em suas palavras.

Samuel cerrou os punhos, seu olhar se endurecendo. Ele olhou para Olivia, que desviou o olhar, e depois para seu pai e sorriu, finalmente seu irmão havia mordido a isca.

— Preparem-se para defender o castelo. — Ordenou Samuel, sua voz um comando de aço e em seguida olhou para Tharion- Não toquem no príncipe pois eu mesmo cuidarei dele.

Samuel lançou um olhar mortal ao soldado e começou a caminhar pela sala. Enquanto avançava, seu corpo começou a se transformar, seus músculos se expandindo e ossos estalando. Em questão de segundos, ele se metamorfoseou em um imponente lobo-dragão, uma criatura de puro terror. Olivia, ao ver a transformação, caiu sentada no chão, paralisada de medo.

Tharion olhou para o soldado antes que o mesmo partisse- Quantos ?

— Muitos- Respondeu o soldado.

Renesmee continuava a seguir a música, que parecia guiá-la pelo labirinto de corredores do castelo. A melodia era doce e hipnotizante, cantada em um idioma que ela não reconhecia, mas que parecia ressoar em seu coração. As palavras soavam como um encantamento antigo:

— "Loria caelis, regina fadae, Loria caelis, salve regina!"

Embora ela nunca tivesse ouvido aquelas palavras, uma parte dela sabia o que a música dizia:

"As fadas reverenciam a rainha, salve a rainha das Fadas."

Ela sorriu ao perceber que aquela melodia estava deixando sua magia mais forte.

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As primeiras luzes da manhã revelavam uma frota imponente ancorada na costa. Os soldados desembarcam em fileiras bem organizadas, armados e prontos para a batalha que se aproxima. Jacob, montado em seu cavalo, observa com um misto de ansiedade e cautela. Ele sabe que este é o momento decisivo.

Enquanto os soldados marcham para a praia, Jacob nota um grupo de mulheres descendo de um dos navios. Elas caminham lentamente, formando uma fila graciosa. De repente, começam a cantarolar uma música suave em um dialeto antigo, suas vozes se entrelaçando em uma harmonia etérea. A melodia é ao mesmo tempo serena e poderosa, ecoando por todo o reino como um feitiço.

Jacob sente um calafrio percorrer sua espinha. Ele vira-se para Edward, que está ao seu lado, e pergunta:

— O que elas estão fazendo?

Edward sorri, um brilho de reconhecimento em seus olhos.

— São as fadas — responde ele. — Estão aclamando sua futura Rainha.

A revelação faz o coração de Jacob bater mais rápido. Ele olha novamente para as mulheres, cujas vozes agora parecem ressoar em cada canto de Ferinthia. As notas da canção parecem infundir coragem e esperança em todos que as ouvem.

A música das fadas carrega um poder antigo, algo que transcende o tempo e o espaço. As palavras, mesmo que incompreensíveis para muitos, têm um impacto profundo. Jacob sente a tensão em seus músculos relaxar um pouco, como se a canção estivesse limpando sua mente das dúvidas e medos. Ele sabe que Renesmee estava em algum lugar dentro daquele castelo e que esta melodia era um sinal de que ela também estava sendo protegida, de certa forma, pela magia ancestral das fadas.

O exército de Heliodor avançou, com as fadas liderando o caminho, suas vozes guiando-os como uma estrela na noite escura. Jacob, com o coração cheio de amor e coragem, segue em frente, determinado a salvar sua amada e assegurar um futuro brilhante para todos em Ferinthia.