Beauty and the Beast
4 O Exílio do Príncipe
Notas iniciais
No grande salão do castelo, a festa estava em pleno andamento. As paredes ecoavam com risos, música e o som de copos brindando. As tochas nas paredes lançavam uma luz dourada sobre os rostos dos convidados, que se moviam com alegria ao ritmo da música.
No centro de tudo estava Jacob, o príncipe herdeiro, cercado por amigos e soldados. Ele estava de pé sobre uma mesa, um sorriso largo no rosto enquanto observava a celebração. Seu coração estava leve, cheio de antecipação para a coroação que aconteceria no dia seguinte.
— Para o futuro rei! — Gritou um dos soldados, levantando sua taça. — Que seu reinado seja próspero e justo!
— Jacob, meu amigo — Disse outro, um de seus companheiros mais próximos. — Você será um rei magnífico. Estaremos todos a seu lado.
Jacob riu, tocando os copos com os deles. — Obrigado, meus amigos. Prometo ser um rei digno de sua lealdade e amizade. Esta festa é apenas o começo das boas novas que virão para nosso reino!
A conversa fluía facilmente, cheia de camaradagem e esperança. No entanto, o momento foi interrompido pela chegada de Olivia, a noiva de Jacob. Ela se movia graciosamente pelo salão, seu vestido brilhando à luz das tochas. Com um sorriso suave, ela se aproximou de Jacob, segurando uma taça de vinho.
— Para você, meu amado-Disse Olivia, seus olhos brilhando com ternura. — Uma bebida para celebrar a véspera de sua coroação."
Jacob olhou para ela com amor e gratidão, aceitando a taça com um sorriso. — Obrigado, minha querida Olivia. Que este seja o início de uma vida longa e feliz juntos.
Olivia retribuiu o sorriso e, enquanto a festa continuava ao redor deles, Jacob a abraçou, puxando-a para mais perto. Ele levantou a taça, fazendo um brinde silencioso antes de beber todo o conteúdo. O vinho era doce e intenso, uma combinação perfeita para o momento de celebração.
Os amigos e soldados aplaudiram, rindo e brindando novamente enquanto a festa continuava. Jacob segurava Olivia nos braços, sentindo-se verdadeiramente abençoado por ter uma noiva tão maravilhosa ao seu lado. Ele não poderia imaginar que aquela noite de alegria e felicidade estava prestes a se transformar em um pesadelo.
Enquanto a música tocava e os convidados dançavam, Jacob sentiu uma estranha lassidão começar a tomar conta de seu corpo. Ele tentou ignorar, pensando que era apenas o efeito do vinho e da excitação, mas a sensação só se intensificou. Momentos depois, tudo ao seu redor começou a se distorcer, e a última coisa que viu antes de desmaiar foi o rosto de Olivia, olhando para ele com uma expressão que ele não conseguiu decifrar.
Jacob acordou sentindo uma dor latejante na cabeça, os sentidos embotados e a visão turva. Ele piscou várias vezes, tentando clarear a mente, mas o que viu ao seu redor o deixou confuso e desorientado. Estava deitado no chão frio do quarto de seu pai, o Rei de Fenrithia. Ele tentou se levantar, mas seus músculos estavam fracos e trêmulos.
— Como cheguei aqui?" Murmurou para si mesmo, esfregando as têmporas enquanto tentava se lembrar dos acontecimentos da noite anterior. A última coisa que conseguia recordar era estar na festa, cercado por amigos e soldados, com Olivia ao seu lado. — Olivia... onde está Olivia?
Ao olhar ao redor, ele percebeu que estava completamente nu. O quarto, antes majestoso, estava agora em desordem, com móveis quebrados espalhados pelo chão. O coração de Jacob começou a bater mais rápido quando viu algo ao longe, algo que fez seu sangue gelar.
Ali, deitado no chão, estava seu pai. O Rei de Fenrithia, inerte, com olhos vidrados voltados para o teto. Um grito de desespero escapou dos lábios de Jacob enquanto ele se arrastava até o corpo. Havia um golpe mortal no pescoço do rei, feito por algo como um animal. Tremendo, ele pegou o corpo de seu pai nos braços, lágrimas rolando por seu rosto.
— Pai... não, pai, por favor, acorde!- Jacob chorava, abraçando o corpo frio e sem vida. O desespero tomou conta dele, um sentimento esmagador de perda e culpa. — O que aconteceu? Como isso aconteceu?
A porta do quarto se abriu com um estrondo, e Samuel entrou acompanhado de vários guardas. Ao ver a cena diante de si, Samuel parou, os olhos arregalados de horror. — Irmão... o que você fez?
Jacob levantou o olhar, ainda segurando o corpo de seu pai, incrédulo com a acusação. — Eu? Samuel, eu não sei o que aconteceu! Eu acordei aqui e o encontrei assim. Eu juro, eu não fiz nada!
Os guardas avançaram, mas hesitaram ao ver o príncipe abraçando o corpo do rei. Samuel, com o rosto contorcido de raiva e dor, apontou para Jacob. — Guardas, prendam-no! Ele deve ser julgado por este crime hediondo!
Jacob soltou um grito de protesto enquanto os guardas o puxavam para longe do corpo de seu pai. — Samuel, você tem que acreditar em mim! Eu não fiz isso! Eu amava nosso pai!
Samuel se aproximou, olhando nos olhos do irmão com uma mistura de desdém e tristeza. — Eu sempre soube que você tinha um lado sombrio, Jacob. Mas nunca pensei que chegaria a este ponto.
Jacob se debatia, tentando se soltar, mas os guardas o seguravam firmemente. — Samuel, por favor, ouça-me! Eu não me lembro de nada depois da festa! Tem que haver uma explicação!
Samuel virou-se, ignorando os apelos do irmão. — Levem-no. Ele enfrentará a justiça por seus atos." Enquanto Jacob era arrastado para fora do quarto, seu coração estava cheio de dor e confusão. Ele não entendia como tudo havia dado tão errado e temia pelo que o futuro lhe reservava.
Jacob passou os dias seguintes na prisão real, envolto em escuridão e dor. A perda de seu pai era uma ferida profunda em seu coração, uma dor que parecia impossível de suportar. Ele se via constantemente em lembranças felizes com seu pai, agora manchadas pela tragédia e pela traição.
Depois do velório do Rei, Jacob foi levado ao salão real para enfrentar a corte. O grande salão estava cheio, com nobres e conselheiros murmurando entre si, suas expressões uma mistura de dúvida e acusação. Samuel estava presente, seu olhar fixo e severo. Ele havia conseguido reunir uma quantidade considerável de apoio, mas havia também aqueles que duvidavam da culpa de Jacob.
— Senhores e senhoras da corte- Começou Samuel, levantando-se para falar. — Estamos aqui para julgar um crime horrendo. Nosso pai, o grande Rei Billy Black, foi assassinado em seu próprio quarto. E o único encontrado ao lado de seu corpo foi meu irmão, Jacob.
Os murmúrios aumentaram, e Samuel continuou. — Eu sei que é difícil acreditar, mas a evidência é clara. Jacob foi encontrado com o sangue de nosso pai em suas mãos. Ele deve responder por este crime.
O homem de confiança do Rei, Sir Reginald, um conselheiro velho e sábio, levantou-se para falar. — Majestade, não podemos condenar um homem à morte sem provas conclusivas. Não há testemunhas que viram Jacob cometer o crime, e ele afirma não lembrar de nada. Precisamos de mais do que suposições para tirar a vida de um príncipe.
A corte murmurou em concordância, e Samuel, embora visivelmente irritado, sabia que não poderia ignorar a voz da razão. — Muito bem-Disse ele, relutante. — Não o condenaremos à morte. Mas não podemos deixá-lo impune. Jacob será condenado ao exílio. Ele será enviado à floresta de Umbra, onde passará o resto de seus dias.
Jacob, algemado e escoltado por guardas, olhou para a corte com um misto de alívio e desespero. Embora não fosse a morte, o exílio na floresta de Umbra era uma sentença quase tão cruel. Ele sabia das histórias sobre a floresta, um lugar de escuridão e perigos inomináveis.
Após a sentença ser anunciada, Jacob foi levado de volta à sua cela para aguardar a partida. Enquanto isso, Samuel se retirou para seus aposentos, onde Olivia o esperava. Ela estava sentada à janela, olhando para a lua.
— Está feito — Disse Samuel, fechando a porta atrás de si. – Meu irmão foi condenado ao exílio. Nosso caminho está livre agora.
Olivia se virou para ele, um sorriso de satisfação nos lábios. — Finalmente, estamos livres daquela sombra. Agora podemos governar juntos, como sempre planejamos.
Samuel aproximou-se dela, tomando-a nos braços. — Sim, minha rainha. Juntos, traremos uma nova era para Fenrithia. E ninguém ficará no nosso caminho.
Eles brindaram à sua nova aliança, um pacto selado em traição e ambição. Enquanto isso, no coração do castelo, Jacob aguardava seu destino sombrio, uma vítima de intrigas e mentiras, condenado a uma vida de solidão e dor.
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A floresta de Eirondel, um lugar mágico ocultado pela sombra da floresta de Umbra e protegida por aqueles que até então eram conhecidos por lendas. Naquela manhã tranquila, Jacob caminhava pela trilha conhecida, seguindo na direção da pequena cachoeira. Era um ritual que ele realizava todas as manhãs desde que chegou àquele lugar, buscando paz e tranquilidade em meio à natureza selvagem. O exílio o havia moldado de uma maneira que ele nunca teria imaginado aos dezoito anos. Agora, aos vinte e oito anos, ele era um homem marcado pela dor, mas também pela resiliência e sabedoria que só o tempo e a adversidade poderiam trazer.
Ele pisava cuidadosamente, como se tentasse não perturbar a harmonia do ambiente, até que algo inesperado aconteceu. De repente, um pequeno corpo saltou sobre ele vindo de uma das árvores próximas. Jacob riu ao reconhecer o garoto de cabelos bagunçados e olhos curiosos. — Seth, você me pegou de surpresa desta vez! — Exclamou Jacob, fingindo estar derrotado.
Seth, o menino de aparentemente cinco anos, sorriu amplamente e mostrou uma pequena adaga de madeira. — Eu sou o guerreiro mais forte da floresta! — Afirmou ele com orgulho.
Jacob riu novamente e bagunçou os cabelos do menino. — Claro que é, Seth. E onde está sua irmã, Sophia?
Antes que Seth pudesse responder, um grito ecoou pela floresta, cortando o ar tranquilo da manhã. Era a voz da pequena Sophia, chamando por seu tio Jacob e pedindo socorro. Preocupado, Jacob correu na direção do som e logo encontrou a menina ao lado de uma jovem desacordada de cabelos ruivos.
Ele se ajoelhou ao lado delas, verificando se estavam bem. Sophia estava agitada e preocupada, enquanto a jovem desconhecida parecia ter desmaiado. Jacob olhou ao redor, buscando por algum sinal de perigo, mas tudo parecia tranquilo na clareira onde estavam.
Ao examina-la com mais atenção, percebeu os detalhes em suas vestes. Ela estava vestida com roupas reais, e um símbolo bordado chamou sua atenção imediatamente: O escudo de Fenrithia e um lobo, o mesmo símbolo que representava sua própria linhagem real. Uma sensação de confusão e incredulidade tomou conta de Jacob. Quem era aquela garota? E porque usava o símbolo real do príncipe exilado?
Enquanto continuava a examiná-la, o príncipe notou um detalhe ainda mais surpreendente. Em seu dedo polegar direito, a jovem usava um anel. Um anel que ele conhecia muito bem. Era idêntico ao que seu pai lhe deu dias antes de morrer, quando anunciou que Jacob seria seu sucessor como rei. Esse anel era uma marca de poder e autoridade na linhagem real de Fenrithia.
A perplexidade de Jacob aumentou. Como a garota desconhecida tinha esse anel? Ele não conseguia entender o que estava acontecendo, mas uma coisa era certa: ela precisava de ajuda urgente.
— Meninos- Jacob chamou Seth e Sophia, com sua voz carregada de seriedade. — Voltem para casa imediatamente. Digam à sua mãe que eu preciso de ajuda no castelo. Não demorem.
Seth e Sophia, olhos arregalados de preocupação, assentiram e rapidamente partiram correndo pela floresta em direção à segurança de sua casa. Enquanto isso, Jacob pegou a garota desconhecida em seus braços, sentindo toda a confusão se misturar a dúvida de que estaria fazendo a coisa certa. Sem hesitação, ele começou a correr pela floresta, tinha pressa para a chegar ao castelo e descobrir o mistério por trás da presença da jovem naquelas circunstâncias desconcertantes.
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