Beauty and the Beast

5 A Condessa de Fenrithia


Jacob correu pela floresta com a jovem em seus braços, sentindo cada batida acelerada de seu coração. A paisagem familiar da floresta deu lugar à clareira onde seu chalé estava localizado, um refúgio isolado à beira de uma nascente cristalina, rodeado por rosas vermelhas que floresciam abundantemente. Ao chegar, ele abriu a porta e entrou, tomando cuidado para não machucar ainda mais a jovem desconhecida.

Com delicadeza, ele a deitou na cama e se permitiu um momento para admirar sua beleza. Os longos cabelos ruivos emolduravam seu rosto de feições suaves, quase infantis, mas seu corpo tinha a graça e a maturidade de uma mulher. As vestes reais e o símbolo do lobo bordado nelas o intrigavam profundamente. A marca era exclusiva do príncipe Jacob Black, o que tornava a situação ainda mais confusa.

Sentindo um misto de curiosidade e ansiedade, Jacob retirou o anel do dedo da garota e o examinou. A marca no anel era inconfundível, confirmando que aquele era o anel que seu pai havia lhe dado. O peso da situação começou a se aprofundar em sua mente. Quem era essa garota? Como ela conseguiu seu anel? E por que estava vestida com o símbolo real?

Enquanto essas perguntas circulavam em sua mente, Jacob não podia deixar de sentir uma conexão inexplicável com a jovem. Algo nela parecia familiar, mas ele não conseguia definir exatamente o que. Decidido a descobrir mais, ele deixou o anel de lado e começou a cuidar dos ferimentos da garota. Enquanto observava a ferida se perguntava como aquela garota havia chegado a Eirondel.

Os pensamentos de Jacob foram interrompidos pela entrada de uma mulher morena de longos cabelos escuros e lisos, acompanhada de uma das crianças. Ele a chamou pelo nome:

— Leah — disse Jacob, olhando para ela com um misto de alívio e preocupação.

Leah olhou para a jovem desacordada na cama e arregalou os olhos, visivelmente assustada. — Quem é ela? Perguntou, aproximando-se rapidamente.

— As crianças e eu a encontramos na floresta. Ela está ferida — Respondeu Jacob, tentando manter a calma.

Leah começou a examinar a jovem, notando os ferimentos espalhados pelo corpo. — São queimaduras? Disse ela, confusa. — Como ela se queimou assim?

Jacob balançou a cabeça, ainda tentando entender a situação. — Não sei. Mas precisamos ajudá-la.

Leah olhou para o filho e disse: — Seth, vá chamar Claire. Ela entende melhor de ervas para curar queimaduras.

O menino assentiu e correu para fora do chalé. Leah voltou sua atenção para Jacob. — Vou precisar tirar essas roupas para tratar melhor dos ferimentos. Você pode sair por um momento?

Jacob hesitou, ainda intrigado e preocupado, mas assentiu. – Claro- Disse ele, saindo do quarto e fechando a porta atrás de si.

Na sala, ele se sentou, ainda segurando o anel em sua mão. O peso do objeto parecia carregar todas as suas dúvidas e preocupações. Como essa jovem havia chegado até ele com o símbolo de sua família? Por que ela estava em tão mau estado?

Enquanto esperava, Jacob não conseguia afastar a imagem da jovem de sua mente. Ele sabia que ela era mais do que parecia ser e que sua presença trazia consigo uma história profunda e complicada. O anel, com a marca inconfundível de sua linhagem, era um lembrete constante de seu passado e das perguntas sem respostas que agora o assombravam.

Ele ouviu passos rápidos do lado de fora e levantou a cabeça. Seth retornou com Claire, uma jovem que apesar da pouca idade tinha uma vasta experiência em ervas medicinais. Jacob acenou para ela quando entrou no chalé e foi direto para o quarto onde Leah estava tratando a jovem.

O príncipe ficou sozinho na sala, olhando para o anel, esperando que Claire pudesse trazer alguma clareza para a situação. Cada momento que passava parecia aumentar a tensão e a curiosidade dentro dele. Sabia que respostas viriam em breve, mas por enquanto, tudo o que podia fazer era esperar e tentar entender o que o destino tinha reservado para ele e para a misteriosa jovem que havia encontrado na floresta.

Alguns minutos depois, Claire e Leah aparecem na sala, trazendo consigo uma aura de tranquilidade. Jacob, ainda preocupado, olha para elas com expectativa.- Como está a garota?" Pergunta ele, sua voz carregada de ansiedade.

Leah sorriu levemente. — Ela ficará bem. Os ferimentos são graves, mas nada que não possamos tratar. Ela vai precisar de tempo para se recuperar.

O príncipe soltou um suspiro de alívio, mas sua curiosidade ainda está intensa. Leah estende a mão, entregando-lhe uma adaga.

— Ela estava com isso – Disse Leah.

Curioso o príncipe pegou a adaga prateada e ao examina-la percebeu que nela havia um símbolo, uma águia, aquele símbolo era inconfundível, seus olhos piscaram enquanto ele buscava em sua mente a certeza de que realmente era de quem ele imaginava. Ele segurou a adaga com força, os olhos fixos no símbolo da águia. O reconheceu imediatamente, era emblema de Reginald, seu antigo treinador real. Reginald havia sido mais do que um mentor; ele havia sido um salvador, um protetor, especialmente naquela fatídica noite. Era graças a Reginald que Jacob estava vivo, e ele sabia que a única maneira de salvar sua vida tinha sido sugerir seu exílio.

— Reginald – O príncipe murmurou, sentindo um calafrio percorrer sua espinha.

— Jake, há algo mais que precisamos saber sobre essa garota?" perguntou Leah, em um tom de curiosidade.

Jacob balançou a cabeça, ainda olhando para a adaga. — Não sei, Leah. Mas algo me diz que sua chegada aqui não é coincidência.

Movido por uma mistura de tensão e curiosidade, Jacob saiu da sala e dirigiu-se de volta ao quarto onde a jovem descansava. Ao entrar, ele observou a ruiva, agora vestida com roupas limpas e adequadas. Ela estava deitada, ainda inconsciente, mas sua respiração parecia mais regular. Jacob sentou-se em uma cadeira próxima à cama, seu olhar fixo na adaga.

Em silêncio ele se concentrou na arma, suavemente passava a ponta dos dedos pelo cabo da adaga, deslizando para cima e para baixo quando algo peculiar chamou sua atenção. O cabo tinha uma pequena fenda, como se pudesse ser aberto. Movido por um impulso, ele forçou a fenda e puxou. Para sua surpresa, o cabo se abriu, revelando um compartimento oculto. Dentro dele, havia uma carta.

Jacob retirou a carta com cuidado e desdobrou o papel. A caligrafia era familiar, firme e decidida. Era de Reginald.

—--

Meu estimado príncipe.

Se esta carta chegou até você, então minhas esperanças não foram em vão. Imagino que você esteja confuso com a chegada da jovem misteriosa, então permita-me explicar. A jovem que está agora sob sua proteção se chama Renesmee. Assim que a vi, soube que havia algo diferente nela, algo que a distinguia das demais garotas.

Nestes últimos dez anos, Fenrithia caiu em desgraça. Samuel, para manter a mentira de que você assassinou nosso rei, seu pai, criou um ritual macabro. Todo ano, ele realiza o casamento de uma jovem com você, usando as leis sagradas de nosso reino. Essas jovens, por alguma razão, nunca sobrevivem. Samuel perpetua essa farsa para manter o controle, garantindo que nenhuma verdade venha à tona.

Se você está lendo esta carta, significa que sua última esposa sobreviveu. Sim, Renesmee é a Condessa de Fenrithia, sua esposa abençoada pelas leis. Este fato muda tudo. Renesmee não é apenas uma vítima; ela é uma peça crucial no jogo de poder que Samuel tenta dominar.

Você, é a única esperança de salvar Fenrithia do caos e de tantas mortes inocentes a mando de Samuel. Proteja Renesmee a todo custo. A verdade que ela carrega pode libertar nosso reino da tirania. Juntos, vocês têm o poder de restaurar a honra e a justiça que uma vez prevaleceram em nossa terra.

Lembre-se do que eu sempre te ensinei: a verdadeira força não está na espada, mas no coração de quem a empunha.

Com toda a minha fé em você,

Reginald

—--

Jacob sentou-se, absorvendo as informações que acabara de ler. A revelação de que Renesmee era sua esposa, diante das leis sagradas, o deixou surpreso. Ele olhou para o anel em sua mão, agora entendendo seu significado, e depois para Renesmee, deitada na cama. As vestes reais com o símbolo do lobo, o anel que carregava, e o ferimento grave em sua perna agora faziam sentido. Ela havia sobrevivido ao que parecia ser uma sentença de morte certa, algo que nenhuma das outras jovens havia conseguido.

Se Reginald, um homem que ele confiava com sua vida, tinha confiança e fé em Renesmee, então Jacob não tinha o que temer. Ele sentiu o peso que carregava desaparecer de seu corpo. Depois de tantos anos no exílio, agora ele tinha uma chance real de provar sua inocência e de descobrir quem havia assassinado o seu pai, mas não sábia se ele ainda desejava isso.

Ele se aproximou da cama, observando a jovem adormecida. Seu rosto, apesar de machucado, era de uma beleza serena. Seus longos cabelos ruivos estavam espalhados pelo travesseiro, suas feições ainda possuíam um toque de inocência, mas seu corpo mostrava a força de uma mulher que tinha sobrevivido a uma provação terrível. Ele sentiu uma mistura de respeito e responsabilidade. Eles estavam ligados um ao outro, não apenas por circunstâncias, mas por um vínculo sagrado até a morte.

— Renesmee- Ele sussurrou, sentindo o peso do nome em seus lábios.

Jacob, apesar da surpresa e do peso da revelação sentiu raiva por mais uma vez ter seu destino decidido por seu irmão mais novo, mas apesar de toda raiva jamais desrespeitaria as leis sagradas do Reino, aquela era a única forma que tinha de honrar seu pai, o Rei Billy Black, depois de sua morte cruel o príncipe viu nos princípios ensinados por ele uma forma de honra-lo. Se as escrituras haviam feito de Renesmee sua esposa, ele a aceitaria como tal. Ele a protegeria e cuidaria dela, cumprindo seu papel de marido com honra e dedicação. Mas, mesmo com a possibilidade de reivindicar seu trono e limpar seu nome, Jacob não tinha o desejo de retornar a Fenrithia. Ele havia feito de Einondel o seu reino, um lugar de paz e crescimento pessoal. Agora, Renesmee fazia parte desse novo lar.

O sol começava a se por quando Jacob saiu de casa, deixando Renesmee aos cuidados atentos de Claire. Ele precisava de respostas e de uma melhor compreensão sobre a carta que havia recebido. A única forma de fazer isso era ver com seus próprios olhos aquilo que Reginald havia lhe dito na carta. Com passos firmes, ele se dirigiu à pequena vila de casas que formava o centro de Einondel, onde encontraria Sam, um aliado de confiança.

Ao chegar, Jacob viu Sam cortando madeira com vigor. A cada golpe do machado, pedaços de lenha voavam, mostrando a força e a habilidade do homem. Jacob esperou que Sam terminasse uma sequência antes de chamá-lo.

— Sam — Jacob do chamou. Sam olhou para cima, enxugando o suor da testa com o dorso da mão. — Precisamos ir. Temos uma missão importante.

Sam deixou o machado de lado e se aproximou, seu semblante sério. – Ir para onde?

Jacob olhou ao redor, certificando-se de que ninguém mais estivesse por perto. — Vamos à floresta de Umbra.