Beauty and the Beast

6 A Lenda das Noivas Perdidas


O clima no castelo de Fenrithia era tenso. O Rei Samuel estava furioso, sua raiva evidente enquanto gritava com os soldados reunidos diante dele.

— Como é possível que a nova esposa do meu irmão não esteja morta? Samuel vociferou, seu rosto vermelho de ira. — Preciso de uma prova da morte da Condessa para mostrar ao povo de Fenrithia!

Reginald, sempre o conselheiro cauteloso, manteve uma expressão serena enquanto se aproximava do trono. Internamente, estava satisfeito em saber que Renesmee havia sobrevivido até então, mas sabia que precisava jogar com cuidado para manter sua posição e continuar protegendo Jacob secretamente.

— Majestade- Reginald começou com uma voz calma e controlada, — Entendo sua frustração. No entanto, a floresta de Umbra é implacável. É improvável que uma jovem como a Condessa tenha conseguido sobreviver por muito tempo. Talvez fosse prudente enviar os soldados novamente para garantir que ela não esteja viva.

Samuel respirou fundo, tentando controlar sua raiva. Ele sabia que Reginald estava certo, mas a ideia de Renesmee ainda estar viva o incomodava profundamente. Finalmente, ele assentiu, concordando com o conselheiro. — Envie os soldados de volta à floresta de Umbra- Ordenou ele. — Não retornem até que tenham uma prova concreta da morte da Condessa.

Os soldados, cientes da urgência e do perigo da missão, assentiram e se prepararam para partir. A tensão no salão real era palpável enquanto eles se retiravam para cumprir a ordem do rei. Reginald observava, mantendo sua expressão neutra, mas por dentro esperava que seu plano pudesse ter dado certo.

— Reginald, você está dispensado — Disse Samuel com um aceno impaciente.

Reginald fez uma reverência e saiu do salão, deixando o rei a sós com Olivia. Quando a porta se fechou, o Rei Samuel demonstrou sua frustração de forma mais evidente. Ele socou a mesa ao lado do trono, fazendo com que alguns pergaminhos caíssem no chão. Olivia, que estava observando com um sorriso calculado, aproximou-se mais.

— Vejo que está irritado, Samuel- Ela provocou, cruzando os braços. — Será que sua falha em matar Renesmee tem algo a ver com o fato de estar interessado nela?

Samuel girou rapidamente para encará-la, seus olhos brilhando de raiva. — Não estou com paciência para suas bobagens, Olivia — Ele esbravejou, tentando manter a compostura.

Olivia não recuou. — Você pode tentar me intimidar, mas sei que deseja se livrar de mim. Só que você não conseguirá, porque alguém além de mim conhece seu segredo sujo.

Samuel avançou um passo, a fúria crescendo em seu rosto. — Você deveria estar torcendo para que a nova Condessa esteja morta, com as queimaduras causadas por Drako. Do contrário, meu irmão descobrirá toda a verdade e retornará. E saiba que você será a primeira a ser punida por traição.

Olivia manteve-se firme, o sorriso desafiador nunca deixando seu rosto. — Veremos, Samuel. Veremos quem realmente será punido.

Do lado de fora do salão, Reginald ouviu cada palavra da discussão. Ele sabia que Samuel escondia algo obscuro, algo que poderia mudar o curso dos eventos em Fenrithia. A confirmação de suas suspeitas o fez sentir um misto de esperança e apreensão. Com passos silenciosos, ele se afastou da porta, determinado a descobrir a verdade por trás dos segredos de Samuel e a proteger o príncipe a qualquer custo.

Reginald caminhou pelo castelo até seus aposentos, a mente fervilhando com as revelações que acabara de ouvir. As palavras de Olivia ecoavam em sua cabeça, e ele se perguntava qual seria o segredo obscuro que ela conhecia. O som de uma batida na porta o despertou de seus pensamentos. Ao abri-la, encontrou um dos soldados do rei.

— O Rei deseja vê-lo novamente, senhor- Anunciou o soldado.

Reginald suspirou, o peso da responsabilidade aumentando. Imediatamente, seguiu o soldado pelos corredores até a sala do trono. Ao entrar, reverenciou profundamente Samuel.

— Reginald — Começou Samuel, com um tom frio e calculado — Preciso que execute uma tarefa para mim.

— Estou à disposição, Majestade — Respondeu Reginald, tentando manter a voz firme.

— Você deve encontrar uma moça ruiva e vesti-la com roupas de noiva idênticas às de Renesmee — Ordenou o rei, seus olhos cravados nos de Reginald. — Depois, seu corpo será mostrado ao povo e à família dela, como prova da morte da Condessa.

Horrorizado, mas ciente de que não tinha outra alternativa, Reginald assentiu com a cabeça. — Entendido, Majestade. Vou executar seu pedido.

Enquanto se retirava da sala do trono, o coração de Reginald pesava com a gravidade da tarefa que lhe fora imposta. Ele sabia que essa ação poderia condenar uma inocente e perpetuar a tirania de Samuel. Com passos lentos, retornou aos seus aposentos, pedindo perdão a Deus pelo que estava prestes a fazer.

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Jacob, acompanhado de Sam e Embry, deixou Eirondel em direção à sombria floresta de Umbra. Enquanto caminhavam, trocavam palavras em voz baixa, atentos aos perigos que aquele lugar representava, mesmo para eles, que conheciam Umbra melhor do que qualquer habitante de Fenrithia.

— Então, Jake, — Começou Sam, quebrando o silêncio tenso — Essa garota que você encontrou... Ela está mesmo casada com você?

Jacob suspirou, sentindo o peso da verdade. — Sim, pelo que Reginald escreveu, parece que ela é minha esposa. Estou tão surpreso quanto vocês.

Embry balançou a cabeça, intrigado. — E ela não é a primeira? O que isso significa?

— Se Reginald estiver falando a verdade — Respondeu Jacob — Há outras garotas que também foram vítimas de Samuel. Elas nunca sobreviveram.

— E o que pretende fazer? Perguntou Sam – Tem uma pessoa que não vai gostar muito de saber disso.

O príncipe olhou para Sam compreendendo a quem o amigo estava se referindo, ele sabia que sua decisão com relação a jovem com quem agora estava casado afetaria a pessoa que havia estado com ele nos últimos dez anos. Sam compreendeu pelo silêncio de Jacob que ele já havia tomado uma decisão.

Enquanto caminhavam, os três se afastaram, buscando vestígios humanos. A voz de Embry chamou a atenção de Jacob. — Jake! Vem aqui!

Jacob correu até ele e encontrou restos de trajes femininos espalhados pelo chão. Ao se abaixar, reconheceu o símbolo do lobo, o mesmo presente nos trajes de Renesmee. Ele sentiu uma onda de culpa pela morte das moças inocentes. Porém, antes que pudesse processar completamente seus sentimentos, o som de passos os colocou em alerta.

Os três rapidamente se esconderam entre as árvores, observando os soldados do Rei procurando algo no meio da escuridão. Permaneceram imóveis, segurando a respiração, até que os homens desapareceram na floresta.

Jacob olhou para os amigos e sinalizou para que pegassem o caminho que apenas eles conheciam, o fato de ter soldados na escuridão da floresta significava que eles ainda procuravam por Renesmee.

Jacob, Sam e Embry retornaram a Eirondel após quatro dias na escuridão de Umbra. Durante todo o caminho de volta, apagaram cuidadosamente seus rastros, garantindo que o caminho para a floresta protegida por eles permanecesse secreto.

O sol começava a se por quando chegarem na pequena vila, Sam foi recebido por sua esposa Leah e Aria, sua irmã mais nova, Aria que ao ver o príncipe, manteve uma expressão neutra, Jacob percebeu que ela sabia algo sobre Renesmee.

Sam trocou um olhar com Jacob, já sabendo que o príncipe não escolheria sua irmã. Jacob se aproximou de Aria, e ela imediatamente disse: — Precisamos conversar, Jacob.

Jacob concordou e a seguiu até a casa da jovem. A casa era pequena, mas acolhedora, com o cheiro de ervas secas e madeira queimando na lareira. Quando ambos entraram, Aria cruzou os braços e começou a falar sem rodeios.

— Eu soube que você encontrou uma jovem na floresta- Ela disse, tentando manter a voz firme.

Jacob assentiu. — Ela está se recuperando. Claire e Leah cuidaram dos ferimentos dela.

Aria suspirou, mas havia uma tristeza em seus olhos – Eu sei. Mas há algo mais que eu preciso saber?

Jacob refletiu sobre as palavras de Aria- Samuel manipula as leis do Reino para seus próprios fins. Ele realiza casamentos com jovens mulheres, e por alguma razão ele sabe que elas não sobreviverão. Mas Renesmee sobreviveu. Isso significa que, pelas leis sagradas, ela é minha esposa e Condessa de Fenrithia.

Aria ficou em silêncio, assimilando a informação, mas seus olhos estavam cheios de tristeza. — E quanto a nós, Jacob? Eu sei que as leis do reino são importantes para você, mas, e os nossos sentimentos?

Jacob olhou para Aria, sentindo um peso no coração. — Aria, você é muito importante para mim, mas eu não posso ir contra as regras do reino de Fenrithia.

Aria o confrontou, sua voz embargada pela tristeza. — Como você pode ser leal a um reino que o lançou ao exílio? Que destruiu sua vida?

Jacob a beijou, tentando silenciar sua dor e a dele. — Esta noite será a última noite nossa, Aria. Amanhã, tudo mudará.

A tristeza de Aria se intensificou, mas ela sabia que não havia como mudar o destino que os aguardava. Abraçaram-se, compartilhando um momento que sabiam ser efêmero, enquanto o mundo ao redor deles se preparava para a tempestade que estava por vir.

Jacob beijou Aria com intensidade, pegando-a no colo e a deitando gentilmente sobre a cama. O quarto estava silencioso, exceto pelos suspiros suaves de Aria e o som de suas respirações entrelaçadas. Sabiam que aquele seria o último momento íntimo que partilhariam, e cada toque, cada carícia, estava impregnado de uma mistura de paixão e tristeza.

Os dedos de Jacob deslizavam pelos cabelos longos e escuros de Aria, enquanto seus lábios exploravam cada contorno de seu rosto e pescoço. Aria fechou os olhos, permitindo-se ser envolvida pela sensação de segurança e desejo que Jacob sempre lhe proporcionara. Sentiu as mãos dele se moverem lentamente, removendo suas roupas, enquanto ela fazia o mesmo, revelando a pele quente e macia que tanto amava.

Cada movimento era lento e deliberado, uma dança silenciosa de amor e despedida. Jacob olhou nos olhos de Aria, que estavam cheios de lágrimas não derramadas. — Eu nunca quis te magoar — Ele murmurou, com a voz cheia de culpa.

— Eu sei — Ela respondeu suavemente, puxando-o para mais perto. — Vamos apenas aproveitar este momento, sem pensar no amanhã.

E assim, se entregaram completamente um ao outro, deixando que a paixão os envolvesse. Os corpos se uniram em perfeita harmonia, cada toque, cada beijo, uma promessa não dita de amor eterno. O mundo exterior desapareceu, e por aquele breve instante, nada mais importava além deles dois.

Após o que pareceu uma eternidade e ao mesmo tempo um segundo, Jacob e Aria ficaram deitados juntos, abraçados, enquanto o luar entrava pela janela, banhando-os com uma luz suave. Nenhuma palavra foi dita, pois ambas sabiam que qualquer coisa dita poderia quebrar o frágil encanto daquele momento.

Finalmente, Jacob se levantou, vestindo-se lentamente. Olhou para Aria uma última vez, memorando cada detalhe de seu rosto, antes de sair silenciosamente do quarto. Caminhou até a porta e, ao abrir, sentiu o frio da noite tocar seu rosto.

— Eu sempre amarei você, Aria — Ele sussurrou, sem se virar, deixando as palavras flutuarem no ar.

Aria permaneceu deitada, lágrimas silenciosas rolando por suas bochechas. Ela sabia que o destino de Jacob estava entrelaçado com o de Renesmee e que ele tinha um dever a cumprir. A noite havia acabado, e o amanhecer traria novas batalhas, novas esperanças e, possivelmente, um novo futuro para todos.

Jacob saiu da casa, determinado e com um propósito claro em sua mente. Agora, mais do que nunca, ele sabia que precisava proteger Renesmee e reivindicar seu lugar legítimo, não apenas por ele, mas por todos que haviam sofrido sob o reinado de Samuel. E, de alguma forma, ele também sabia que Aria sempre estaria em seu coração, como uma lembrança boa de um momento em que o mundo parecia ter lhe dado as costas.