Beauty and the Beast
7 A Jornada para o Destino
Notas iniciais
10 anos antes do encontro do príncipe e Renesmee.
Sete dias após o funeral do Rei Billy Black, um ar sombrio pairava sobre o castelo. O luto ainda era forte, mas a tensão causada pela acusação de Jacob havia tornado a atmosfera ainda mais pesada. Nos corredores onde apenas os empregados tinham acesso, Reginald encontrou-se com Morgana, a jovem feiticeira cujo dons eram ocultados pela coroa. Ela havia sido encontrada ainda bebê por Billy ao retornar de uma das batalhas contra o reino de Drakoria. Mesmo não sabendo sua descendência, o Rei foi piedoso e a criou como uma sobrinha distante.
Morgana havia crescido ao lado de Jacob e Samuel. A proximidade com Jacob fez com que ele se apaixonasse por ela, mas Jacob era prometido a Olivia e sempre respeitou o desejo de seu pai.
Reginald caminhava rapidamente pelos corredores escuros quando avistou Morgana. Ela estava parada perto de uma janela, o luar iluminando seus traços delicados e os longos cabelos negros. Seus olhos se voltaram para Reginald quando ele se aproximou, cheios de uma mistura de preocupação e determinação.
— Morgana- Ele começou, a voz baixa- Jacob será julgado na manhã do dia seguinte.
Os olhos de Morgana se arregalaram e seu coração se dilacerou com a notícia. — Você o viu? Perguntou, com a voz tensa.
Reginald balançou a cabeça. — Não, ele está sob custódia de soldados leais a Samuel. Não consegui acesso a ele.
Morgana respirou fundo, tentando controlar suas emoções. Ela sabia qual seria o seu destino, mas o de Jacob ainda era incerto, tudo dependia de Reginald, ele era a peça chave para que tudo acontecesse como estava destinado – Você precisa ajuda-lo! Sua voz era suplicante.
Reginald olhou para ela com olhos cansados. -Samuel está pressionando para que ele seja executado, acusado de traição e regicídio.
Morgana mordeu o lábio, seus pensamentos correndo. — Você deve impedir que o matem, Reginald. Somente você pode fazer isso.
Reginald franziu a testa. — Como? Samuel já manipulou a corte a seu favor. Mesmo aqueles que duvidam da culpa de Jacob temem as consequências de se oporem a Samuel.
Morgana deu um passo à frente, a urgência em seus olhos. — Você deve encontrar uma maneira. Jacob é inocente, e você sabe disso. Ele não pode ser sacrificado por um crime que não cometeu.
Reginald suspirou, a responsabilidade pesando em seus ombros. — Eu farei o que puder — Prometeu, sua voz firme apesar do medo que sentia. — Mas preciso de sua ajuda, Morgana. Seus dons...
Morgana manteve o olhar fixo nos de Reginald – Eu serei executada em breve- Disse ela, sua voz firme.
Reginald a olhou assustado – Olivia? Ele murmurou. Reginald sempre soubera do amor do pupilo com a jovem feiticeira, só então as peças começaram a se encaixar – Samuel se uniu a Olivia – Ele segurou os ombros da jovem com um semblante de desespero – Precisa fugir, Jacob não suportará perde-la também.
— Não diga nada a ele – Ela sussurrou com a voz embargada – Não aparece nenhuma outra opção para mim, mas eu não o abandonarei, meu coração sempre será de Jacob, em qualquer corpo que me pertença.
Morgana se despediu de Reginald com um abraço apertado, transmitindo-lhe coragem e esperança. O homem gravou o último olhar da jovem feiticeira enquanto ela se afastava, desaparecendo nos corredores escuros do castelo. Quando ela sumiu de vista, um sorriso surgiu nos lábios de Reginald. Algo nas antigas leis do reino havia surgido em sua mente, uma brecha que talvez pudesse salvar Jacob. Ele agradeceu a Morgana em silêncio pela magia da sabedoria que ela havia lhe passado, iluminando seu caminho em meio à escuridão.
Enquanto isso, Morgana avançava com dificuldade, determinada a sair do castelo sem ser vista. Com o rosto oculto sob uma capa negra, ela se movia silenciosamente pelas sombras, evitando os guardas que patrulhavam os corredores.
Horas depois, Morgana avançava pela floresta, seguindo o caminho em direção às montanhas e aos vilarejos de camponeses. Conforme se aproximava de um dos vilarejos, observou um grupo de crianças brincando entre as plantações de trigo. Elas riam e corriam, despreocupadas, mas uma menina, afastada das demais, chamou sua atenção.
A menina tinha lindos cachos ruivos e estava sentada sozinha, segurando um passarinho em suas mãos. A tristeza nos olhos da criança era palpável, e Morgana, curiosa e compassiva, desceu do cavalo e se aproximou lentamente.
— O que houve, pequena? Perguntou Morgana, com a voz suave.
A menina levantou o olhar e, com uma expressão de preocupação, respondeu: — O passarinho está machucado. Não sei como curá-lo.
Morgana sentiu uma onda de empatia ao ver a pureza no coração da menina. Era raro encontrar alguém com um coração tão inocente e bondoso. A feiticeira sorriu gentilmente e se abaixou, colocando suas mãos sobre o passarinho.
— Deixe-me ajudar — Disse ela.
Com um leve brilho em suas mãos, Morgana canalizou sua magia curativa para o pequeno pássaro. Em poucos segundos, o passarinho abriu as asas e piou, recuperado. A menina soltou o passarinho, que voou para longe, e olhou para Morgana encantada, seus olhos brilhando de gratidão.
— Obrigada, senhora! Exclamou a menina, maravilhada.
Morgana tocou os cachos ruivos da menina com carinho e, em um tom quase solene, disse: — Você tem um coração puro, minha querida. Em dez anos, encontrará seu verdadeiro amor e será a rainha mais justa que Fenrithia já teve.
A menina sorriu timidamente, sem compreender completamente o que aquelas palavras significavam, mas sentindo a bondade e o poder nelas. A feiticeira soprou suavemente sobre a menina e sorriu tocando suas bochechas – Quando ele olhar dentro de seus olhos pela primeira vez, ele a amará e não existirá nenhuma outra mulher para ele.
Morgana beijou a testa da menina e montou novamente em seu cavalo. Olhou pela última vez para a criança que acenava docemente, e um sorriso tocou seus lábios enquanto tentava conter as lágrimas. Pensou em Jacob, o príncipe injustamente exilado, e suspirou profundamente antes de seguir em direção ao seu destino.
Enquanto cavalgava pelas montanhas, refletia sobre o caminho que a levara até ali e lamentou por todas as vezes que se negou a se entregar a Jacob, agora ele estava preso, condenado a um destino incerto até para ela, enquanto o seu próprio destino estava diante de seus olhos. Ao olhar para frente subitamente, avistou um grupo de soldados. Entre eles, estava Olivia, acompanhada por sua escolta pessoal.
Morgana franziu o cenho e desceu do cavalo, caminhando firme na direção deles. Olivia sorriu de maneira fria, uma expressão de superioridade estampada em seu rosto.
— Morgana, achou mesmo que conseguiria fugir? Provocou Olivia, com um tom de desdém.
Morgana manteve seu coração calmo, mesmo sabendo que aqueles eram seus últimos momentos de vida. — Não estou fugindo, Olivia. Estou cumprindo meu destino.
Olivia soltou uma risada sarcástica. "Seu destino? Você sempre teve uma imaginação fértil. Mas seu destino sou eu quem decido.
— Meu destino é proteger Fenrithia — Respondeu Morgana, a voz firme e resoluta. — E farei o que for necessário para garantir que o verdadeiro herdeiro retorne ao trono.
Os soldados ao redor delas observavam a troca, incertos sobre o que fazer. Olivia deu um passo à frente, seu olhar frio e calculista fixo em Morgana.
— Samuel será o novo rei e eu sua rainha – Disse Olivia – Você não sabe sobre o futuro? Deveria saber disso.
Morgana sorriu – Por isso traiu o reino, para se tornar Rainha.
— Sim- Disse Olivia – Jacob contou seus planos a Samuel, inocente acreditou que seu irmão era confiável, ele pretendia toma-la como esposa e não a mim, assim que fosse coroado.
Morgana sorriu apesar da dor por seu amado – Você será a rainha de Fenrithia, porém depois de algum tempo, o rei perceberá que não poderá lhe dar herdeiros, e ele escolherá outra...
— Cale-se- Disse Olivia em um tom de fúria –eu não acredito em suas maldições. Levem-na! — Ordenou aos soldados.
Antes que os soldados pudessem reagir, Morgana ergueu as mãos e murmurou um feitiço. Uma luz brilhante emanou de suas palmas, cegando temporariamente os homens ao redor. Aproveitando a distração, Morgana recuou e saltou de volta para seu cavalo, que relinchou ansioso para partir.
— Eu cumprirei o meu destino — Murmurou Morgana, olhando para Olivia uma última vez antes de puxar as rédeas e galopar pela trilha das montanhas.
Os soldados, ainda atordoados pela luz, tentaram se recompor, mas Morgana já estava distante, sua figura desaparecendo rapidamente entre as árvores e rochedos. Olivia, furiosa e frustrada, jurou que aquela não seria a última vez que confrontaria Morgana.
Enquanto cavalgava, Morgana pensou em Jacob. Sabia que o mesmo que fugisse por agora, em algum momento Olivia a encontraria, por isso estava determinada a seguir adiante. Seu destino, afinal, era maior do que ela mesma. E, com Jacob em seus pensamentos, cavalgou sem descanso até alcançar a entrada da floresta de Umbra. A escuridão das árvores altas e densas envolveu-a, proporcionando um esconderijo seguro dos perseguidores. Ela sabia que Olivia queria matá-la para realizar um ritual de sacrifício, tomando para si os dons mágicos que Morgana possuía.
Após quatro luas de esconderijo e preparação, Morgana finalmente estava pronta para realizar o sacrifício que garantiria a proteção do verdadeiro herdeiro e a transformação de Umbra. Com um último olhar para o mundo que conhecia, ela começou a entoar as palavras sagradas em um dialeto antigo:
"Lux et Tenebrae, Fatum meum impletur, Anima mea ad lucem ascendit."
Assim que pronunciou as últimas palavras, uma luz intensa começou a emanar de seu corpo. Morgana sentiu uma paz profunda enquanto seu corpo se transformava em pura energia. A luz espalhou-se pela floresta, tocando cada árvore e folha, transformando a parte mais oculta de Umbra em um lugar mágico e protegido.
Antes de desaparecer totalmente, um sorriso de satisfação iluminou o rosto de Morgana. Sabia que seu sacrifício não seria em vão e que um dia, de alguma forma, estaria de volta para continuar a luta contra a tirania de Samuel.
Uma parte da floresta de Umbra, agora banhada pela luz mágica de Morgana, tornou-se um santuário impenetrável para aqueles que buscavam harmonia e proteção. E assim, o legado de Morgana viveu, aguardando o momento em que Jacob e ela se reencontrariam para juntos reclamar seu trono e trazer justiça a Fenrithia.
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Atualmente....
Renesmee estava acordada há três dias naquele lugar desconhecido, durante os quais teve a companhia constante de Claire. A jovem cuidava dela com uma bondade genuína, mas Renesmee ainda não havia conhecido o príncipe Jacob. A incerteza a respeito do príncipe lhe causava preocupação; e se ele não fosse o homem bom e generoso das histórias que ouvira em Ferinthia?
Na manhã daquele terceiro dia, Renesmee acordou um pouco mais cedo do que de costume. Embora a queimadura ainda lhe causasse dor, ela conseguia andar melhor. Levantou-se da cama e foi até a janela do quarto, abrindo-a para deixar entrar a brisa fresca da manhã. Sorriu ao ver o jardim encantador, cheio de rosas vermelhas e pássaros cantando alegremente.
Decidida a explorar um pouco mais, Renesmee saiu do quarto e caminhou até o grande jardim da casa. Ao pisar no jardim, foi imediatamente cercada por pássaros e borboletas, que pareciam atraídos por sua presença. Ela respirou profundamente, sentindo o ar mais puro que já havia respirado. Por um breve momento, suas preocupações com sua família e seu futuro desapareceram, e ela se sentiu em casa.
Dentro da casa, Jacob acordou após seu retorno de Umbra, sentando-se na cama com um sentimento de culpa avassalador. O que havia acontecido na noite anterior com Aria fora um erro, um desvio dos princípios que ele tentava desesperadamente manter. Com um gesto de arrependimento, levou uma das mãos ao rosto e suspirou profundamente.
Ele se levantou e caminhou pelo quarto até a banheira redonda de madeira. Ao imergir na água fria, tentou relaxar, fechando os olhos e deixando que a água aliviasse um pouco da tensão em seus músculos. Seus pensamentos, no entanto, não paravam. Ele pensou na jovem que estava no quarto ao lado, em Renesmee, e no complexo futuro que tinham pela frente. As descobertas recentes ainda o assombravam, e ele sabia que suas decisões seriam cruciais para o futuro de Ferinthia.
Após algum tempo, Jacob saiu da banheira e vestiu roupas limpas, observando através da janela a jovem ruiva no jardim. A visão de Renesmee entre as rosas, rodeada por pássaros e borboletas, trouxe-lhe uma estranha sensação de paz.
Decidido, ele saiu do quarto e caminhou em direção ao jardim. Ao se aproximar, viu Renesmee de costas, imersa na beleza das flores. Com um toque de hesitação na voz, perguntou: — Você gosta de rosas?
Ao ouvir sua voz, Renesmee virou lentamente, ficando de frente para ele. Seus olhos se encontraram, e naquele instante, o mundo ao redor pareceu parar. Os olhos de Jacob, carregados de mistério e confusão, encontraram os de Renesmee, cheios de vulnerabilidade e docura. Era como se, naquele momento, uma força invisível e poderosa os atraísse um para o outro, conectando suas almas de uma maneira que nenhum deles podia explicar.
Jacob sentiu uma onda de emoções conflitantes: culpa pelo seu erro com Aria, responsabilidade por Renesmee, e um inexplicável desejo de protegê-la. Renesmee, por sua vez, sentiu seu coração acelerar. A presença do homem desconhecido, tão próxima e tão intensa, despertava nela uma mistura de medo e fascinação.
Eles ficaram assim, olhando um para o outro, por alguns segundos que pareceram eternos. Em seus olhares, havia uma promessa silenciosa de que, independentemente do que o futuro trouxesse, enfrentariam juntos. Naquele instante, ambos souberam que estavam ligados por algo muito maior do que qualquer um deles poderia compreender.
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