Beauty and the Beast

8 O encontro das almas


Renesmee, um pouco tímida, respondeu: — Sim, eu gosto de rosas vermelhas — Seus olhos curiosos observaram Jacob atentamente, enquanto ele a admirava, ouvindo sua resposta.

Finalmente, o príncipe se apresentou: — Sou o Príncipe Jacob de Fenrithia, ou melhor, seu esposo.

Renesmee o olhou surpresa. O príncipe era muito diferente do que ela havia imaginado. Esperava ver um homem maduro, marcado pelo exílio, mas diante dela estava um homem bonito, o mais bonito que ela já havia visto. Suas bochechas coraram e, gaguejando, ela se apresentou, especialmente quando chegou à parte de dizer que era sua esposa. Reverenciou-o e o chamou de "Alteza."

Jacob sorriu, achando a atitude da moça encantadora. — Não há necessidade de tanta cordialidade — Lembrou gentilmente. — Somos casados, afinal.

Renesmee assentiu, ainda um pouco tímida, mas com um sorriso tímido nos lábios. Jacob continuou: — Há muito o que precisamos conversar, mas antes, vamos comer alguma coisa. Estou faminto.

Ele estendeu a mão para ela, e Renesmee, hesitante por um momento, colocou a mão sobre a dele. Juntos, caminharam pelo jardim e seguiram em direção à casa, Jacob sentia uma mistura de proteção e uma novo sentimento o qual não conseguia descrever. A jovem ruiva, por outro lado, sentia-se atraída pela presença forte e segura de Jacob, e uma pequena faísca de confiança começava a se acender em seu coração.

Ao entrarem na casa, Jacob lembrou que não havia preparado nada para o desjejum. Renesmee sorriu, oferecendo-se para preparar algo para os dois. — Eu posso fazer algo para nós. Todas as manhãs, eu ajudava minha mãe a preparar o café da manhã para meu pai e meus irmãos.

Ao ouvi-la, Jacob percebeu um tom de tristeza nas feições angelicais de sua esposa. Tentando animá-la, ele disse: — Tenho certeza de que esse será o melhor café da manhã que já tomei na vida.

A ruiva sorriu timidamente, e Jacob a deixou à vontade para preparar a refeição retonrando ao seu quarto. A garota mordeu o lábio inferior, sentindo o nervosismo a dominar. Era o príncipe, o futuro rei, e ela estava casada com ele de verdade. E agora, teria que fazer o café da manhã para ele.

— E se ele não gostar? Pensou Renesmee, sentindo o medo crescendo dentro de si. Mas, respirando fundo, ela tentou afastar os pensamentos negativos e começou a preparar a refeição.

Ela se movimentou pela cozinha, encontrando ingredientes e utensílios. Renesmee começou a preparar uma refeição simples, mas com carinho e cuidado. Enquanto colocava pedaços de pão fresco na mesa, preparava mingau de aveia com mel e nozes, e dispunha queijos e frutas frescas, ela tentava acalmar seus nervos, lembrando-se das manhãs tranquilas com sua família.

Jacob foi ao seu quarto e pegou o seu anel, que havia encontrado com Renesmee. Sentou-se na cama e suspirou, dando a ela tempo suficiente para preparar o café da manhã. Não queria deixá-la nervosa. Para ela, ele era um estranho, apesar de sua realeza. Mas tinha que admitir que estava encantado pela beleza e doçura da jovem com quem agora era casado. Se pegou sorrindo sozinho por um breve momento. Ao sentir o delicioso cheiro vindo da cozinha, finalmente saiu do quarto e foi até a sala de jantar.

Encontrou a jovem à sua espera, em pé, próxima da mesa que estava organizada e com um vaso de rosas em seu centro. Ele sorriu e a elogiou: — Parece que tive sorte. Além de ter uma esposa bela, você também sabe cozinhar.

Renesmee sentiu seu rosto corar, mas disfarçou. Jacob se aproximou dela e puxou a cadeira para que ela se sentasse. — Por favor, sente-se — Disse ele com um gesto cortês.

Ela se sentou, ainda um pouco tímida, e Jacob se acomodou ao seu lado. — Tudo está tão bonito — Ele comentou, apreciando o cuidado que ela havia colocado na preparação da mesa.

A jovem sorriu, satisfeita com o elogio. — Espero que esteja do seu agrado — Disse ela, começando a servir a comida.

Enquanto comiam, Jacob sentiu uma conexão crescente com Renesmee. Ele observava cada movimento dela, cada expressão, e ficava mais encantado a cada momento. Renesmee, por sua vez, se sentia cada vez mais confortável na presença de Jacob, percebendo que ele era um homem gentil e atencioso, diferente do que havia temido inicialmente.

Depois de algum tempo, Jacob colocou a mão no bolso e retirou o anel. — Encontrei isso com você — Disse ele, segurando a mão destra dela sobre a mesa — Esse anel eu ganhei de meu pai, e como é minha esposa você precisa usá-lo,

A jovem olhou para o anel e, então, para Jacob – Ele foi me dado durante a cerimônia — explicou ela.

Jacob sorriu, colocando o anel no dedo polegar de Renesmee já que o objeto ficava muito grande nos demais dedos – Eu sei – Ele respondeu – Por isso estou devolvendo, é seu por direito.

Renesmee sentia-se confusa com o tratamento gentil do príncipe. Se ele era tão amável, por que as outras garotas haviam aparecido mortas? Lembrou-se da besta que a atacou. Nada mais fazia sentido. Será que Jacob era a besta e ela havia passado em seu teste? Ficou em silêncio, um leve tremor percorrendo seu corpo. Jacob a observava atentamente, percebendo o nervosismo de Renesmee. Decidiu iniciar a conversa.

— Eu compreendo o quanto você deve estar confusa — Disse ele com uma voz suave e compreensiva. — Eu também me senti assim quando a encontrei. Mas quero esclarecer tudo para você.

A garota olhou para ele, a confusão e o medo misturados em seus olhos. Jacob estendeu a mão novamente para ela. — Vamos ao jardim para conversarmos melhor.

Ela hesitou por um momento, mas aceitou sua mão. Juntos, caminharam em silêncio pelo corredor, saindo para o jardim. As flores ao redor, especialmente as rosas vermelhas que ela tanto amava, ofereciam uma sensação de tranquilidade.

Ao chegarem ao jardim, Jacob suspirou, tentando encontrar as palavras certas para começar. — Renesmee, eu estou ciente das noivas que meu irmão me deu — Ele começou, sua voz carregada de tristeza. — Sinto o peso da culpa por tantas vidas ceifadas, mas nunca as vi e nem sabia da existência delas até encontrá-la desacordada e receber uma carta.

Renesmee olhou surpresa para o príncipe, seu coração batendo mais rápido. — Uma carta? Ela perguntou.

Jacob assentiu. — Sim, a adaga que estava com você... Havia uma carta junto com ela.- Ele entregou a carta a Renesmee, que pegou o papel, ainda mais surpresa. Lentamente, ela abriu a carta e começou a ler. As palavras eram uma revelação chocante sobre os eventos que a haviam levado até ali.

Quando terminou de ler, Renesmee olhou para Jacob, os olhos cheios de perguntas. — Então não é você a besta?

Jacob franziu a testa, sem compreender a pergunta. — De que besta você está falando?

A garota respirou fundo, tentando controlar o tremor em sua voz. — Eu fui atacada por uma besta, metade lobo, metade dragão, que cospe fogo. Foi ela quem me feriu.

Jacob ficou em silêncio por um momento, absorvendo a informação. Agora tudo fazia sentindo, as queimaduras em Renesmee, os restos mortais das mulheres encontrados por ele e os rapazes em Umbra, Samuel tinha sobre seu domínio algo poderoso, o que o deixou ainda mais apreensivo, porém ele disfarçou sua proecupação- Eu não sei o que pode ser essa criatura- Ele disse finalmente, sua voz firme. — Mas acredito em você, Renesmee. E pretendo descobrir o que é essa criatura e como podemos detê-la. Mas agora preciso protege-la, Samuel não sossegará até ter uma prova de sua morte,

Renesmee, ainda segurando a mão de Jacob, deixou sua preocupação transparecer. – Mas o que acontecerá com meus pais? — Ela disse, a voz trêmula. – Se o Rei Samuel não tem uma prova da minha morte, o que ele poderá fazer com minha família? Lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, e Jacob, vendo a angústia nos olhos dela, a acolheu em seus braços.

— Eu prometo, Renesmee- Jacob murmurou, sua voz suave, mas firme. — Assim que encontrarmos uma forma de retornar a Ferinthia de forma segura, procurarei sua família. Vamos garantir que eles estejam bem.

Ela assentiu, confortada pelas palavras de Jacob. Ao perceber a proximidade entre eles, ela se afastou um pouco, envergonhada. Jacob notou o gesto e sorriu, querendo tranquilizá-la.

— Renesmee – Ele começou — Mesmo tendo sido realizado por um plano perverso de Samuel, nosso casamento é verdadeiro. Eu assumirei minhas responsabilidades como seu marido, mas quero que saiba que, por enquanto, é mais seguro para nós ficarmos em Eirondel.- Ele fez uma pausa, olhando-a nos olhos. — Darei a você o tempo que precisar para me conhecer melhor. Quero que nossa relação seja baseada em confiança e respeito, para que possamos ter uma relação mais íntima como um casal, quando você estiver pronta.

Renesmee sentiu-se encantada pela consideração e preocupação do príncipe, sabia que agora tinha obrigações para com ele e não seria difícil para uma mulher se entregar a Jacob, mas sempre havia desejado que sua primeira vez com um homem fosse com o homem que ela amasse por isso aquelas palavras a tranquilizavam.

— Obrigada – Ela sussurrou sorrindo timidamente.

Jacob segurou as mãos dela, olhando com ternura. — Vamos começar devagar. Construiremos isso juntos, um passo de cada vez.

Eles continuaram a caminhar pelo jardim, o ambiente tranquilo contrastando com a intensidade de suas emoções. A confiança e a esperança começaram a crescer entre eles, e Renesmee sentiu, pela primeira vez, que talvez tivesse encontrado um aliado verdadeiro em Jacob, alguém com quem poderia enfrentar os desafios que o futuro reservava.

Após a conversa, Jacob e Renesmee continuaram a caminhar pelo jardim. Enquanto caminhavam, o príncipe percebeu algo extraordinário: por onde a jovem passava, as rosas desabrochavam, com seus botões se abrindo em flores exuberantes. Fascinado, o príncipe observava a jovem com crescente admiração.

Renesmee soltou a mão de Jacob e caminhou entre as rosas, tocando suavemente suas pétalas. Cada flor que ela tocava parecia ganhar vida, desabrochando de forma magnífica. Jacob a observava com um sorriso, sentindo uma felicidade em seu coração que nunca havia experimentado antes. A presença de Renesmee parecia irradiar uma aura mágica que ele não podia explicar.

Enquanto Jacob continuava a admirar a jovem esposa lembrou-se das palavras de Reginald em sua carta, referindo-se à jovem como alguém especial. E ela realmente era. Naquele pequeno momento de conversa e simplicidade, o príncipe já se sentia totalmente encantado por ela.

A condessa, sentindo o olhar de Jacob sobre ela, se virou e encontrou os olhos dele, devolvendo-lhe um sorriso tímido. – Esse lugar é lindo- Ela disse, com sua voz suave. — As rosas... parece que são mágicas.

Jacob deu alguns passos em direção a ela, o sorriso permanecendo em seu rosto. – Talvez seja você quem irradia magia, pequena. As rosas gostam de você. Parece que as flores respondem à sua presença.

Renesmee corou ligeiramente, sem saber exatamente como responder. — Eu sempre amei flores- Ela murmurou. — Elas me trazem paz.

Jacob assentiu, se aproximando ainda mais. — E você completa este lugar — Ele disse, sua voz cheia de sinceridade. Pensou que talvez fosse isso que Reginald queria dizer na carta. — Você é especial, Renesmee. Mais do que eu poderia imaginar.

Eles continuaram caminhando lado a lado, imersos em um silêncio confortável, apenas quebrado pelo som suave do vento entre as folhas e o canto distante dos pássaros. Jacob sentiu uma conexão crescente com Renesmee, uma ligação que ia além das palavras.

Enquanto caminhavam, Jacob pensava no futuro, sentindo-se mais determinado do que nunca a proteger Renesmee e a descobrir a verdade sobre a ameaça que pairava sobre eles. Ele sabia que juntos poderiam enfrentar qualquer obstáculo. E, com o tempo, esperava que o amor entre eles florescesse tão lindamente quanto as rosas no jardim.