Beauty and the Beast

18 Amor e deserção


Reginald entrou em seus aposentos, totalmente atordoado, tentando digerir o que havia ouvido no jardim. Samuel era um Drakoniano, filho do Rei de Drakoria. Ele se perguntava como isso era possível se havia visto Samuel nascer e crescer. Não conseguia compreender o que estava acontecendo. Reginald caminhou de um lado para o outro, levando ambas as mãos ao rosto. Se aquilo era realmente verdade, Ferinthia em breve teria sérios problemas.

O bater na porta o assustou. Ele tentou se recompor e caminhou até a porta, abrindo-a. Emmett entrou com uma expressão de preocupação.

— O que houve, Reginald? Vi você passar pelos corredores de forma apressada. Algo está errado?

Reginald tentou passar o dedo sobre seu anel, como sempre fazia, mas a ausência dele o alertou. Ele olhou para Emmett, a urgência e o medo em seus olhos.

—Emmett, vou precisar contar com a sua amizade diante do que está por vir.

—O que está acontecendo? Emmett insistiu, sem compreender.

Um novo bater na porta, desta vez mais violento, fez Reginald estremecer. Um guarda gritou do outro lado da porta.

—Abra a porta em nome do Rei!

Emmett repetiu a pergunta, mais preocupado agora. -Reginald, o que está acontecendo?

Reginald ignorou a pergunta, dirigindo-se rapidamente a uma estante. Ele puxou um livro, fazendo com que uma porta secreta se abrisse. -Você precisa sair sem ser visto, Emmett. Se não, será morto junto comigo.

Emmett entrou na passagem, relutante. Eu não vou abandonar você, Reginald.

Reginald segurou o ombro do amigo, a gravidade da situação refletida em seus olhos. -Estou contando com isso. Agora vá!

Ele fechou a passagem secreta, segundos antes dos soldados arrombarem a porta e o prenderem.

—Reginald, você está sob custódia em nome do Rei! O guarda declarou.

Reginald foi levado pelos corredores do castelo até o quarto do Rei. Ao entrar, Samuel o confrontou, seu olhar cheio de desconfiança.

— Você sabe por que está aqui? Samuel perguntou, sua voz carregada de irritação.

Reginald manteve a compostura. — Espero que Vossa Majestade me diga o motivo de minha detenção.

Samuel, visivelmente irritado, mostrou o anel de Reginald.

— Estou sendo preso por perder meu anel? Perguntou o conselheiro.

— Por acaso está me chamando de tolo? Perguntou Samuel com sua voz se tornando mais agressiva.

— Eu jamais faltaria com tal respeito. Majestade- Respondeu Reginald.

Samuel o encarou é caminhou de um lado para o outro- Reginald, eu sempre o respeitei e tive grande apreço por você mesmo sabendo que Jacob era seu favorito. E olha a forma como me paga.

Reginald respirou fundo. — Nunca tive o príncipe como favorito, Majestade. Apenas reconheço que um Drakoniano jamais poderá ser Rei de Ferinthia.

Samuel o encarou com raiva. — Você terá o mesmo destino que seu pupilo.- Ele se virou para os guardas. — Levem-no para uma das masmorras e não deixem que fale com ninguém.

Enquanto os guardas levavam Reginald, ele olhou uma última vez para Samuel. — A coroa pode ser sua, mas o coração de Ferinthia nunca será.

Samuel ficou sem palavras, seus olhos se estreitaram enquanto via Reginald ser levado. Em um movimento de fúria, ele jogou o anel de Reginald na lareira, observando as chamas consumi-lo.

O som da porta da masmorra se fechando atrás de Reginald ecoou pelo castelo, enquanto o conselheiro pensava nas palavras ditas e nas consequências que agora se desenrolariam.

Emmett seguiu pelo corredor desconhecido, saindo do quarto de Reginald e adentrando um dos corredores do castelo onde apenas os serviçais tinham acesso. Ao entrar no corredor principal, viu Reginald sendo levado pelos soldados para um dos calabouços. Emmett se escondeu rapidamente, evitando ser visto. As palavras de Reginald ecoavam em sua mente, deduzindo que o amigo havia descoberto algo sobre Samuel e, por isso, o rei iria condená-lo.

Preocupado com o destino de Reginald, Emmett entrou no salão principal, onde uma música tocava e todos bebiam e dançavam. Caminhando rapidamente entre os convidados, ele avistou Alice acompanhada de Jasper. Apressou seus passos até o casal, os abordando com urgência.

— Alice, Jasper, precisamos sair daqui agora!- Emmett disse, sua voz baixa mas firme.

Jasper franziu a testa. — O que está acontecendo, Emmett?

Alice olhou para Emmett, sentindo a gravidade da situação. — Jasper, é melhor escutarmos o que Emmett tem a dizer.

Jasper, ainda confuso, acenou com a cabeça. — Certo. Vamos.

Os três saíram do castelo, aproveitando a distração dos guardas reais com a festa. A tensão era palpável enquanto se moviam rapidamente, conscientes de que estavam fugindo de um perigo iminente.

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Renesmee ajudava as mulheres do vilarejo em Eirondel com a colheita de trigo quando as lembranças vieram à sua mente.

Ela tinha apenas seis anos e adorava brincar de esconde-esconde com seu pai pelos vastos campos de trigo que cercavam sua casa. A brisa suave balançava os caules dourados, criando um mar ondulante onde ela se escondia. O som das risadas de seu pai ecoava à distância, enquanto ele fingia não saber onde ela estava.

"Renesmee, onde você está? Vou te encontrar!" ele gritava, rindo.

Ela se agachava, segurando o riso, sentindo a excitação da brincadeira. Podia ouvir os passos dele se aproximando, mas nunca sabia exatamente quando ele a encontraria. Quando ele finalmente a localizava, sempre a pegava nos braços e girava no ar, ambos rindo juntos.

"Cuidado, você quase me pegou dessa vez!" ela dizia entre risos, abraçando-o apertado

Aqueles momentos eram preciosos, cheios de amor e felicidade. Ela lembrava-se do sol quente em seu rosto, do cheiro do trigo e da sensação de segurança nos braços de seu pai. Essas lembranças a aqueciam, mesmo agora, longe de casa.

— Renesmee, você está bem? Claire a interrompeu.

A ruiva retornando a realidade sorriu. — Sim, estou bem.

Ela voltou a colher o trigo ao lado de Claire, que falava sobre a ansiedade que sentia com a aproximação de seu casamento com Quil. Renesmee tentou tranquilizá-la, e Claire falou de suas expectativas. Elas olharam para os filhos de Leah, e Claire comentou: — Já imagino como serão nossos filhos.

Renesmee olhou para Seth e sorriu, mas sua expressão se tornou mais séria. — Claire, quanto tempo eu estou em Eirondel?

Claire pensou por um momento. — Acredito que uns três meses.

Renesmee ficou pálida. Claire a observou, preocupada. — Você está bem?

— Preciso ir.-Sussurrou Renesmee largando o cesto com oque havia colhido e saiu correndo, ignorando os gritos de Claire.

Por alguns minutos, correu pela floresta, pegando o caminho de volta para casa. Enquanto corria, sentiu as primeiras lágrimas rolarem pelo rosto. Era uma mistura de medo e felicidade que a consumia. Ao se aproximar de casa seu coração acelerou a fazendo entrar em casa de uma forma abrupta, interrompendo Jacob que conversava com Sam e Embry diante do mapa de Umbra.

Ao ver a expressão da esposa, o principe parou o que estava fazendo e a olhou preocupado. — Você está bem? Seu rosto está sem cor.

Renesmee respirou fundo. — Perdão- Ela sussurrou um pouco envergonhada- Será que podemos conversar.

Sam e Embry, percebendo a urgência na voz dela, trocaram olhares — Terminaremos a nova rota da caça depois.

Jacob assentiu, agradecendo, e eles saíram, deixando o casal a sós.

Jacob se aproximou de Renesmee, com a preocupação evidente em seu rosto. — Aconteceu alguma coisa? Ele perguntou, puxando-a para seus braços.

Renesmee o abraçou, tentando controlar suas lágrimas. Jacob olhou em seus olhos e disse carinhosamente: — Estou preocupado meu amor. Você sabe que pode falar o que aconteceu, seja o que for.

Renesmee assentiu, não sabia qual seria a reação so marido diante da noticia que estava prestes a dar- Estou há três meses em Eirondel- Ela começou, afastando-se um pouco do marido. — A última vez que sangrei foi uma semana antes do nosso casamento.

Jacob a olhou sem entender, e ela sorriu em meio às lágrimas. Então, colocando ambas as mãos em sua barriga, disse: — Estou esperando um bebê.

Jacob ficou imóvel por um momento, processando a informação. Um turbilhão de emoções passou por ele: surpresa, incredulidade, e uma felicidade avassaladora. Seu coração disparou, e seus olhos brilharam com lágrimas de alegria. Um sorriso enorme se espalhou por seu rosto, e ele sentiu uma onda de amor profundo por Renesmee e pela nova vida que crescia dentro dela.

Sem dizer uma palavra, Jacob a puxou novamente para seus braços, abraçando-a com força. Ele a beijou carinhosamente, sentindo uma conexão ainda mais forte com ela. Em seguida, ajoelhou-se e beijou a barriga da amada, sentindo a promessa de um futuro brilhante e cheio de amor.

— Vamos ser pais- Ele murmurou contra a barriga de Renesmee, a voz carregada de emoção. — Eu não poderia estar mais feliz. Eu te amo tanto.

Renesmee sorriu, as lágrimas agora de felicidade, enquanto acariciava os cabelos de Jacob. — Eu também te amo- Ela respondeu docemente.

Eles ficaram ali, juntos, sentindo a magnitude do momento. A notícia da chegada de seu primeiro filho trouxe uma mistura de emoções que pareciam quase esmagadoras. A alegria e o amor eram palpáveis, mas havia também uma sombra de medo e incerteza.

Jacob sentia uma responsabilidade imensa pesar sobre seus ombros. A ideia de ser pai o enchia de orgulho e esperança, mas também de receio. Ele se perguntava se conseguiria proteger sua família em um mundo cheio de perigos e incertezas. Contudo, olhando para Renesmee, ele sentia uma força indescritível. Com ela ao seu lado, ele sabia que poderia enfrentar qualquer coisa.

Renesmee, por sua vez, sentia uma felicidade profunda, mas também uma apreensão natural. A perspectiva de ser mãe a enchia de expectativas e dúvidas. Ela queria que seu filho ou filha tivesse uma infância segura e feliz, longe dos conflitos que tinham marcado a vida deles. Ela prometeu a si mesma que faria tudo ao seu alcance para proporcionar ao bebê um ambiente cheio de amor e cuidado.

Enquanto se abraçavam, ambos sabiam que a jornada à frente não seria fácil. Haveria noites sem dormir, decisões difíceis e, inevitavelmente, momentos de medo. Mas também haveria risos, descobertas maravilhosas e um amor que só cresceria com o tempo.

O príncipe e a esposa trocaram um olhar cheio de entendimento e cumplicidade. Em meio aos medos e incertezas, havia uma esperança inquebrantável. Eles acreditavam que poderiam criar seu filho em um ambiente repleto de amor e felicidade. Sabiam que, juntos, poderiam superar qualquer obstáculo e que a chegada dessa nova vida só fortalecia o vínculo entre eles.

Renesmee colocou uma mão sobre a de Jacob, que ainda descansava em sua barriga. — Nosso bebê será muito amado- ela disse sorrindo.

Jacob sorriu, os olhos brilhando com amor e felicidade . — E será feliz- ele acrescentou. — Nós faremos tudo para garantir isso.

Eles ficaram ali, unidos em seu amor e compromisso, prontos para enfrentar o futuro com coragem e esperança, ansiosos para dar as boas-vindas ao seu filho em um mundo onde ele ou ela seria incondicionalmente amado e protegido.