Beauty and the Beast

27 A traição da loba


A morena saiu durante a madrugada e caminhou pela floresta, seguindo para os limites entre Eirondel e Umbra. Aria Uller movia-se silenciosamente, o peso da noite pressionando seus ombros, cada passo levando-a mais profundamente na escuridão que espelhava seu próprio coração. Lentamente, ela se desfez de suas roupas, a pele arrepiando-se ao contato com a brisa fria. Olhou para trás, certificando-se de que não estava sendo seguida. Em seguida, seu corpo começou a se transformar, ossos e músculos remodelando-se em um lobo de pelagem escura.

Aria correu pela floresta obscura de Umbra, seu objetivo bem definido em sua mente. A mágoa corroendo seu coração a havia levado ao limite, prestes a tomar uma decisão que cortaria todos os laços com a matilha. Para ela, estar dentro da mente do Alpha, sentindo seus desejos por outra mulher e seu amor por Renesmee, era o pior dos castigos. Perder Jacob, o homem que amava, a deixara com uma ferida que sangrava incessantemente, alimentando sua amargura.

Enquanto corria, perdida em seus pensamentos, uma lágrima solitária rolou por seus olhos lupinos. Aria lamentava o que havia se tornado, mas não via outro caminho senão a vingança. O desejo de ver Renesmee sofrer, assim como ela sofrera, tornava-se mais forte a cada dia. Suas patas golpeavam o chão da floresta, cada passo uma batida de seu coração ferido.

O céu começou a clarear, sinalizando que o sol estava prestes a nascer. Aria parou, recuperando o fôlego. Voltou à forma humana, a transformação deixando-a ofegante e vulnerável. Caminhou silenciosamente, cada passo calculado, até que ouviu passos. Em alerta, rapidamente se escondeu, observando com olhos cautelosos.

Um grupo de soldados da guarda do rei Samuel movia-se pela floresta, buscando algo. Aria observou-os, seu coração batendo acelerado. O medo e a adrenalina pulsavam em suas veias, mas uma nova emoção surgia em seu peito: uma oportunidade. Ela sabia que esses homens estavam a serviço de Samuel, e talvez pudessem ser a chave para seus planos. Observou cada movimento, esperando pelo momento certo para agir, suas emoções um turbilhão de dor, raiva e uma desesperada esperança de vingança.

As lágrimas agora haviam secado, e a expressão em seu rosto era de determinação fria. Aria estava pronta para fazer o que fosse necessário para alcançar seus objetivos, mesmo que isso significasse se aliar ao inimigo. E assim, ela continuou a observar, seu destino prestes a ser traçado nas sombras da floresta de Umbra.

Aria esperou pacientemente, observando os soldados com olhos de predadora. Quando percebeu a oportunidade certa, saiu de seu esconderijo e se aproximou dos homens. Os soldados, em alerta, levantaram suas armas, mas relaxaram ao perceber que se tratava de apenas uma mulher. Um sorriso irônico e tranquilo espalhou-se por seus rostos.

— Eu sei o que vocês procuram- Disse Aria com confiança.

O líder da guarda real, um homem alto e robusto, deu um passo à frente, o olhar desconfiado. — E o que uma mulher sozinha em uma floresta escura sabe sobre os assuntos do rei?

Aria não vacilou. — Eu direi diretamente ao rei o que ele deseja saber. E se vocês não me levarem até Samuel, ele ficará bastante irritado ao saber que vocês ignoraram informações importantes.

Os soldados trocaram olhares, a desconfiança evidente em seus rostos. Após um momento de silêncio tenso, o líder da guarda finalmente assentiu. -Muito bem, você vem conosco. Mas não tente nada, ou eu mesmo cortarei sua garganta.

Aria sorriu satisfeita, ocultando a tempestade de emoções dentro de si. “Perfeito.”

Um dos soldados ofereceu-lhe um de seus cavalos. Aria aceitou a oferta e montou no animal com facilidade, sentindo a adrenalina correr por suas veias. Enquanto cavalgavam, ela manteve a cabeça erguida, os olhos fixos no horizonte. Sabia que estava prestes a enfrentar um dos homens mais perigosos de Ferinthia, mas a perspectiva de aliança com Samuel alimentava sua determinação.

Seus pensamentos eram um misto de vingança e dor, cada passo do cavalo levando-a mais perto de seu objetivo. Aria estava disposta a arriscar tudo, incluindo sua própria vida, para destruir aqueles que lhe causaram tanto sofrimento. Sentia-se em paz com sua decisão, a escuridão de seu coração agora refletida em seus olhos frios e determinados.

O vento gelado da madrugada açoitou seu rosto, mas Aria apenas apertou os lábios, um sorriso malicioso surgindo em seu rosto. Estava pronta para qualquer coisa, preparada para enfrentar o rei e manipular os soldados. Sua mente estava focada, e seu coração, embora ferido, pulsava com uma força renovada. Ela não tinha nada a perder, e isso a tornava ainda mais perigosa.

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Samuel estava sentado em seu trono, os conselheiros reunidos ao seu redor em um círculo tenso. A sala, ornada com tapeçarias e velas tremeluzentes, estava carregada de ansiedade. Entre os presentes, estavam Lorde Alistair, um homem velho e sábio com uma longa barba branca; Lady Evelyn, uma mulher de olhar penetrante e mente astuta; Sir Gareth, um guerreiro veterano de postura imponente; e Lorde Cedric, um jovem nobre de temperamento impulsivo.

Samuel começou a reunião com um tom sério. — Conselheiros, trago notícias perturbadoras. Reginald, nosso conselheiro, traiu o trono junto com alguns soldados fiéis a ele. Estamos à sua procura.

Lorde Alistair franziu a testa. — Isso é estranho, Majestade. Reginald sempre foi leal. O que o levaria a tal traição?

Samuel deu um sorriso frio, inclinando-se para frente. — O poder é um motivador poderoso, Lorde Alistair. Mas não se preocupem, pois trago uma solução.

Ele se levantou, caminhando lentamente ao redor da mesa. — Eu descobri uma forma de aumentar o domínio de Ferinthia sobre Drakoria.

Lady Evelyn ergueu uma sobrancelha. — Majestade, este não é o momento para guerra. Nossas forças já estão dispersas.

Samuel balançou a cabeça. — Não haverá guerra, Lady Evelyn. Em breve, Ferinthia e Drakoria serão uma só.

A sala explodiu em murmúrios e protestos. Sir Gareth bateu com o punho na mesa. -Isso é insano! Como espera unir dois reinos inimigos?

Samuel ergueu a mão, silenciando-os. -Não estou pedindo autorização, senhores. Estou informando vocês. A fusão dos reinos está em andamento.

Lorde Cedric levantou-se, os olhos brilhando de indignação. — Você está louco! Isso é impossível, jamais aceitaremos unir Ferinthia a Drakoria.

Samuel deu um sorriso predatório. — Louco, você diz? Ele se aproximou de Cedric, seus olhos brilhando com uma luz sinistra enquanto tirava suas roupas. De repente, seu corpo começou a se contorcer e crescer, transformando-se na besta lobo-dragão.

Os conselheiros recuaram, aterrorizados. Lady Evelyn levou a mão à boca para abafar um grito, enquanto Lorde Alistair tropeçava para trás, quase caindo.

Samuel, agora na forma monstruosa, rugiu. — Alguém tem alguma objeção?

O silêncio caiu sobre a sala. Os conselheiros, derrotados pelo medo, abaixaram suas cabeças em submissão. Samuel retornou à sua forma humana, satisfeito com a obediência deles.

— Excelente- Ele disse, ajustando suas roupas. — A partir de agora, vocês seguirão minhas ordens sem questionar. Juntos, traremos uma nova era para Ferinthia e Drakoria.

Os conselheiros, ainda abalados, assentiram silenciosamente. Samuel sorriu, satisfeito com a rendição deles. A dominação estava mais próxima do que nunca, e ele não permitiria que nada ficasse em seu caminho.

Após a saída dos conselheiros, Samuel ficou sozinho na sala do trono. Ele suspirou profundamente, sua irritação evidente. Chamou por um de seus soldados leais, um homem alto e robusto chamado Marcus. Marcus entrou e fez uma reverência.

— Majestade, como posso servi-lo?

Samuel olhou fixamente para Marcus. — Quero que fique de olho nos conselheiros. Não confio em nenhum deles. Coloque seus melhores homens para observá-los.

Marcus assentiu. — Já temos soldados preparados para essa tarefa, Majestade.

Samuel fez uma pausa, refletindo. -E o comboio que buscava por Reginald? Alguma notícia?

Marcus hesitou por um momento. — O comboio retornou sem sucesso, Majestade.

A irritação de Samuel aumentou, mas Marcus rapidamente continuou. — No entanto, há uma mulher que diz ter informações valiosas.

Samuel ergueu uma sobrancelha, intrigado, mas ainda aborrecido. — É bom essa mulher ter algo realmente útil, ou todos vocês pagarão por essa incompetência.

Marcus saiu da sala e retornou segundos depois com a mulher morena. Ela fez uma reverência profunda diante de Samuel. Ele a examinou com interesse, reconhecendo pelo cheiro que ela era uma loba.

— Então, loba- Samuel disse, sua voz carregada de desdém- Espero que tenha algo de valor para trocar por sua vida.

Aria ergueu a cabeça, um sorriso confiante nos lábios. — Majestade, meu nome é Aria. Sei onde está Renesmee e posso levá-lo até ela.

Samuel se inclinou para frente, curioso. — Continue.

Aria manteve seu sorriso, vendo que tinha a atenção de Samuel. “Renesmee, a camponesa, está viva e espera um filho do seu irmão, Jacob.

Samuel ficou surpreso. — Um filho? Por isso a jovem havia desaparecido, estava com seu irmão e o casamento havia sido consumado, se Jacob sabia das noivas com certeza poderia estar com Reginald o que deixava weus planos em risco- Continue, Aria.

Aria prosseguiu. — Posso levá-lo até o lugar onde Renesmee está escondida. E Jacob não estará lá. Podemos ir hoje mesmo.

Samuel olhou fixamente para Aria, um olhar misto de desconfiança e curiosidade. — Você está traindo seu próprio clã ao se aliar comigo. Por que eu deveria confiar em você, loba?

Aria encontrou o olhar de Samuel, sua expressão firme- Por mais de dez anos eu fui fiel a Jacob, eu o acolhi em seu exílio, e fui descartada quando ele encontrou Renesmee.

Samuel sorriu levemente, compreendendo o ódio e a mágoa que Aria sentia. — Então, você está aqui por vingança?

Aria assentiu, seu olhar determinado. — Sim. Eu quero ver Jacob e Renesmee sofrerem tanto quanto eu sofri. Quero destruir o que eles têm e ver Jacob perder tudo o que ama. Isso é o que me motiva a estar aqui.

Samuel se aproximou de Aria, estudando-a. — Muito bem, Aria. Se você realmente deseja vingança, então você pode ser útil para mim. Mas saiba que, se tentar me trair, você enfrentará consequências piores do que qualquer dor que já sentiu.

Aria manteve o olhar fixo em Samuel, sem vacilar. — Não tenho intenção de traí-lo, Majestade. Apenas quero minha vingança.

Samuel assentiu, satisfeito com a resposta. — Então, guie-nos até Renesmee. E não deixe nenhum detalhe passar despercebido.

Aria inclinou a cabeça, satisfeita por ter cumprido seu objetivo. — Farei o que for necessário para ajudá-lo, Majestade.

Samuel assentiu, um brilho cruel em seus olhos. — Marcus, organize uma força para nos acompanhar. Vamos partir imediatamente.

Marcus fez uma reverência e saiu para cumprir as ordens. Samuel voltou-se para Aria. — Guie-nos até Renesmee.

Aria sorriu, satisfeita com o rumo dos acontecimentos. Ela sabia que estava jogando um jogo perigoso, mas estava determinada a seguir adiante, movida pela mágoa e pelo desejo de vingança.

Samuel, por sua vez, estava determinado a usar qualquer vantagem para consolidar seu poder e destruir qualquer oposição. A guerra pelo trono de Ferinthia estava apenas começando, e ele não deixaria nada ao acaso.