Beauty And Stupid
3 III - Quer casar comigo?
Notas iniciais
O tempo insistia em ficar contra mim, passando muito rápido e me deixando totalmente com raiva.
Eu queria ficar ali, pausada naquele momento, nem que eu precisasse... matar aula, ou matar alguém.
–Então... o que vai fazer no fim de semana? -perguntei, evitando finalizar o assunto.
–Eu? O que faço todo fim de semana... nada. -respondeu direta.
–Ah... não quer... ir lá em casa? Minha mãe faz um almoço todo fim de semana, quanto mais gente aparece, mais ela fica feliz.
–Mas eu moro bem longe de você...
–Não tem problema, eu te busco. Ou peço para o Jumper te buscar pra mim. Mas eu não quero passar meu fim de semana sem você. Mesmo que hoje ainda seja terça-feira, eu já posso sentir o quando sentiria sua falta no fim de semana...
O que era aquilo? Algum tipo de declaração amorosa? Não sabia se estava muito bem. Eu acabei de dizer para uma garota na qual eu nem conheço que eu não consigo viver sem ela, foi isso mesmo?
Sempre fui meio exagerada, mas eu sabia quando esses meus ataques aconteciam, o que me deixava muito mais... preocupada com a minha saúde cardíaca. Se é que faz sentido.
–Há, nossa! Sério que pensa tudo isso? Sentiria tanto minha falta assim? –perguntou me encarando no fundo dos olhos, o que fez meu rosto começar a queimar.
Virei o rosto para outro lado, fingindo estar olhando para um grupinho de garotos pequenos que ficavam sentados próximos a nós cochichando coisas indevidas. Resolvi encara-la novamente, mesmo sem saber como meu rosto estaria. Passei a mão por meus cabelos, ainda molhados, e raciocinei uma responda nonsense.
–É que... eu estou com sede.
Tudo bem, aquilo foi o ápice.
Me levantei e fui em direção ao bebedouro, e ela me seguiu. Me encarou com um sorriso duvidoso nos lábios, se aproximou do meu rosto até ficar em uma distancia de mais ou menos cinco centímetros, e perguntou:
–Você gosta de mim?
Gelei. Me arrepiei. Senti meu corpo estremecer.
Não sabia o que responder. Mas por quê? Eu nem sequer sabia o que estava sentindo por aquela garota que apareceu do nada e que estava me encarando com aqueles olhos amendoados e brilhosos e á tão pouca distancia. Pensei que fosse desmaiar de desejo. Desejo de beija-la, talvez.
–Eu... é. Acho que estou gostando de você, isso não é bom.
–Mas gostando como?
Garota insistente. Eu não tenho respostas suficientes para suas interrogações.
–Não sei. Veremos no fim de semana, na minha casa. –pisquei, soltando um sorriso inocente. Não pensava em nada mais que tê-la comigo todos os dias, de segunda a segunda. Eu só precisava me tornar mais que uma pessoa normal na vida dela. Esse seria meu desafio, essa seria a minha meta.
~//~
Depois de passado um bom tempo, finalmente o professor havia decidido entrar na sala, e eu somente o segui. Um dos meus maiores costumes era: chegar primeiro na primeira aula e esquecer a terceira.
Dessa vez, resolvi me sentar para o canto esquerdo da sala. Ninguém ficava lá, pois era gelado, graças ao ar-condicionado que fazia aquela parte da sala ficar muito mais fria que a Antártida.
Não conseguia parar de lembrar da maneira que me ela havia me olhado no bebedouro. Não podia deixar de me lamenta por não ter tido coragem para dizer á ela o que eu realmente queria que ela soubesse.
“Sou uma idiota, uma completa idiota.”
Vi ela se aproximando da minha mesa, e não pude deixar de transbordar uma felicidade acumulada que estava escondida dentro de mim.
Colocou sua cadeira próxima á minha, se aproximou do meu rosto e perguntou:
–Está brava comigo?
O tom angelical de sua voz me deixava totalmente derretida á aquele nível extremo de carisma e inocência. Esse era o meu problema. Eu não conseguia resistir á pessoas desse porte.
–Não! Claro que não! Por que estaria? –perguntei, olhando diretamente para aquela face delicada de pequena moça que se encontrava na minha frente. Seu rosto era liso, suas bochechas eram fofas e tinham um tom rosado, o que a deixava mais fofa ainda. Seus olhos amendoados, pareciam mais vidros espelhados que refletiam a cor do seu longo cabelo castanho ondulado.
–Não sei. Você saiu do nosso lugar e me deixou sozinha lá.
–Me desculpe. Eu... queria frio. –reposta idiota a que eu havia dado, mas como eu poderia dizer algo se eu não tinha um por quê?
–Então, posso sentar com você?
–Claro. –eu estava encantada. Encantada com aquele ser angelical que apareceu do nada. Ela sorriu quando ouviu minha resposta, e como sempre, seus olhos responderam de maneira alegre e carismática que ela estava feliz ali, ao meu lado.
Nunca me acostumei a conviver com pessoas á minha volta, eu nunca conseguia me enturmar por não tinha paciência em conversar, responder perguntas ou até mesmo, me apresentar. Quando comecei a olha-la novamente, na minha cabeça se passava muitas coisas para dizer, mas quando ela chegava próxima a mim, eu esquecia. Enlouquecia. Paralisava.
Era uma coisa que eu nunca havia sentido antes, e não conseguia descrever.
Ela se sentou do meu lado, ajeitando a carteira para que ficasse exatamente ao lado da minha. Eu não conseguia parar de observa-la. Observar cada mínimo detalhe de suas expressões, seu corpo, e principalmente sua boca. Ah, aquela boquinha tão perfeitinha, cada minucioso detalhe me deixava mais apaixonada por ela.
–Aqui é muito frio! –ouvi exclamar em alto som.
–Eu avisei. –disse, erguendo uma sobrancelha. Ela me deu um fraco soco no braço, e fez bico.
Aquilo era adorável, em todos os sentidos.
Continuei a provocando, e ela acabou se entregando totalmente a mim, e eu somente a retribui. Passamos, novamente, horas conversando. Mas ela também me ajudou nas tarefas, e eu a ajudava no que podia. E assim foi. A hora passou muito depressa, e logo era hora do intervalo.
Quando deu o sinal para o intervalo, sai em passos rápidos da sala, segurando sua mão, para que ninguém roubasse meu lugar abençoado.
Consegui encontrar aquele lugar livre, lá no canto da mesa comprida do refeitório, onde eu havia começado gostar de ficar.
–Por que gosta de sentar aqui? –perguntou.
–Não sei. Acho que é por causa da vista da janela, ou somente por que aqui é o lugar em que as pessoas menos olham.
–É uma lógica impecável. Conseguiu duas coisas que uma pessoa sonhadora e tímida pode querer: um ponto fixo para olhar e um ponto fixo onde não se passam olhares. Boa.
Mas que menina esperta!
–Você é muito espertinha pro meu gosto. Quer se casar comigo?
Senti olhares vindos da outra parte da mesa, por incrível que pareça.
Não sabia se eles tinham ouvido meu pedido inédito ou se eles apenas me achavam estranha como todos achavam.
Não me importei, apenas a encarei. Ela estava com os olhos arregalados, luminosos, me encarando sem piscar, enquanto segurava sua mão, como em um verdadeiro pedido de casamento.
–Eu caso! –respondeu. Novamente pude sentir aqueles olhares para nós. Resolvi encarar uma parte dos curiosos, e eles simplesmente viraram o rosto e tentaram disfarçar.
“Babacas.”
–Verdade? Posso te dar tudo o que você quiser. Dinheiro, casa, comida e roupa lavada. Se aceitasse, tudo isso não seria nada para recompensar a felicidade que você trás para mim. Por favor, seja minha.
Ela colocou a mão no rosto, e continuou me encarando. Eu não conseguia mais a encarar, não conseguia mais olhar para ela e notar outros olhares curiosos. Quando olhei para ela, seus olhos estavam com uma expressão praticamente triste.
–Por que está assim? –perguntei.
–É que... por mais que, eu acho, que isso seja uma brincadeira... ninguém nunca disse uma coisa tão linda dessas para mim. –colocou a mão na frente dos olhos, e abaixou a cabeça.
Ela iria chorar? Chorar de alegria? Toda aquela minha brincadeira com uma goteira de verdade havia a deixado realmente feliz.
“E se ela soubesse que não estou brincando...”
Notas finais
Reviews? ~S.
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