Beauty And Stupid
4 IV - Entre olhares e beijos.
Notas iniciais
Aquele momento era um dos mais inusitados pelo qual eu já havia passado.
Eu me senti queimar por dentro, como se tudo o que estivesse acontecendo fosse realmente uma realidade no momento.
Resolvi voltar ao meu estado normal, nos encaramos por alguns minutos. Ela estava com a bochecha rosada e mordia os lábios a cada cinco segundos.
Não pude deixar de notar sua expressão assustadoramente envergonhada. Ela evitava olhar para quem estivesse á nossa volta, olhava somente para a mesa da cantina.
Fui interrompida de meus pensamentos bobos, por uma voz masculina que chamava por mim.
-Ei, você é a Miki, não?
-Sim, sou eu mesma.
-O orientador quer te ver.
O que um orientador iria querer falar comigo? Orientadores não falam com a gente somente se pedirmos uma orientação á eles?
Disse á Isis o que iria fazer e ela concordou com a cabeça.
Fui em direção à sala da orientação, ainda um pouco encafifada com a situação. Quando cheguei lá, ele estava me esperando, com uma pose um tanto quanto engraçada. Com uma das mãos na cintura e o dedo indicador no queixo, olhando para o ar-condicionado com uma expressão curiosa. Mesmo a porta estando aberta, dei dois toques e ele logo voltou ao normal.
-Ah, Miki, que bom vê-la! Sente-se por favor!
-Hn, o que aconteceu?
-O ar-condicionado pifou.
-Mas eu não sou eletricista.
-Ah, não, quanto á você, o que aconteceu foram as suas notas. -“Droga. Lá vem puxão de orelha.”- estão muito boas! –concluiu.
-O que?
-Suas notas, estão ótimas.
-Tem certeza? Então por que me chamou aqui?
-Pra te parabenizar. E pedir para que faça um favorzinho para mim hoje.
-Favor?
-Entregue esses comunicados nas nove salas, contando com a sua, é claro –disse, pegando uma caixa no qual continha muitos papéis, mas muitos papéis mesmo.
Comecei a fazer os cálculos, antes que ele me entregasse a caixa. Tinha que entregar tudo aquilo para nove salas. Cada sala com uma media de trinta e oito alunos cada. Então seria mais ou menos... uns trezentos e cinquenta alunos para entregar aquele bendito panfleto.
“Droga. Onde fui amarrar meu burro?”
-Ahn... Por que eu?
-Por que você é um amor de aluna e fará isso para o seu orientadorzinho favorito, não é?
-C-claro... –queria mata-lo. Que ironia era aquela para cima de mim? Ele não sabe com quem está lidando...
Peguei a caixa, coloquei-a no braço e fui atrás da Isis. Por sorte, ela estava sentada num banco em frente a orientação.
-O que é isso? Virou entregadora agora? –perguntou ironicamente curiosa.
-Tipo isso aí. O orientador mandou eu entregar isso em todas as salas da escola. Poderia me ajudar? –perguntei fazendo carinha de choro, para que eu conseguisse aquela tão esperada ajuda.
-Claro! Mas posso entregar até o terceiro ano? Conheço muitos dessas salas.
-Pode ser. Fico com os restos. Let’s go!
Ela pegou um número grande de panfletos nas mãos, e saiu em direção ao primeiro ano.
-Ah, bem que ela podia ser minha esposa... tão prestativa, carinhosa, trabalhadeira e além de tudo, é linda.
-Ahn? Quem? –um garoto apareceu do além para me fazer essa pergunta. Não sabia o que responder. Ele era baixo, pouco mais alto que eu. Olhos claros e cabelos castanhos escuros. Possuía um piercing no canto esquerdo da boca, e tinha um sorriso malicioso nos lábios.
-Ninguém. Aliás, quem é você? –perguntei curiosa.
-Meu nome é Carlos Eduardo, sou da sua sala... nunca me viu?
-Ah... não.
-Também, passa tanto tempo namorando a Isis que esquece que existem outras pessoas na sua sala...
-O QUE? –perguntei, dando um grito no qual todos no pátio viraram para me olhar. – N-namorando a Isis? De onde tirou isso garoto?
-Você e a Isis sentam sempre junto, andam junto, e até estão comentando que você a pediu em casamento na cantina hoje.
Povo fofoqueiro.
-É que... tem algo contra?
-Não, bem pelo contrário, acho vocês duas muito fofas juntas. Se combinam.
Oh, ele achou que combinamos.
Acabou se passando pela minha cabeça que ele fosse gay, mas deixei esse pensamento de lado.
-Ai, desculpa, tenho que ir fazer uma tarefinha que o orientador me passou, e já estou atrasada.
-Quer ajuda?
ANJOS!
-Claro, se não for incomodo.
-Sem problema. Mas o que é para fazer?
-Entregar um panfleto desse para cada aluno das salas. A Isis já se disponibilizou para entregar para os alunos do primeiro ciclo, e eu ficarei para entregar para o terceiro. Você pode entregar para o segundo, pode ser?
-Claro. Me passa os panfletos. –pegou uma grande quantia dos panfletos e saiu para entregar.
Eu realmente estava feliz por não precisar fazer tudo sozinha, e então fui entregar para o terceiro ciclo.
~//~
Depois de passados uns vinte minutos eu já havia terminado de entregar os panfletos. Fui em direção ao bebedouro quando encontrei Isis e o Edu conversando.
Posso dizer que fiquei um pouco enciumada de ver ela ali, sorrindo com ele, mas se ela era assim eu teria que aceitar.
-Miki, sabia que o Edu é meu primo?
-Primo? –perguntei, arregalando meus olhos ao máximo.
Naquele momento, senti meu coração pesar menos. Sim, eu estava com ciúmes da aproximação dos dois, mas depois que descobri que eles eram primos, me senti mais aliviada.
-Sim, somos primos. –disse Edu. –por isso que eu disse que você e a Isis estavam namorando. É que ela mesma disse que vo... –Isis colocou a mão sobre a boca dele, e ele sem entender nada, apenas ficou quieto.
-Você disse o que sobre mim Isis?
-N-nada. Eu apenas estava dizendo para ele como você era, e ele entendeu mal.
-Eu entendi mal? –retrucou ele. – Você que ficou dizendo para todos em casa “nossa, como a Miki é legal, como ela é linda, inteligente, simpática. Ela é um amor.” E agora EU que estou exagerando. Ah, vá.
Isis ficou vermelha, e começou a desviar o olhar de mim. Ela encarava o chão, e em outro momento ela já começava a encarar o teto do pátio.
-Não fica assim Isis. Se estivéssemos namorando seria bem melhor, por que então não teria desculpa para dizerem que é mentira.
Ela olhou para mim e deu um sorriso sem graça.
-É Isis, você tem que erguer a cabeça e pedir ela em namoro de uma vez. –disse Edu.
-PORRA EDU! –gritei. –TU NÃO COLABORA MESMO HEIN MANO!
-Ai gente, para com isso. Vocês sabem que as coisas tem que ser feitas na hora em que se deve.
Naquele momento, parecia que estávamos falando sobre outras pessoas, não sobre nós duas, ali presentes.
-Então... ér... vamos voltar para sala?
-É, vamos, antes que nos assassinem com olhares.
Voltamos sorrindo para sala, como se nada tivesse acontecido.
Quando entramos, recebemos muitos olhares curiosos para nós. Nos sentamos num canto e deixamos de lado. Dessa vez, sentamos separadas uma da outra, e começamos a copiar a extensa tarefa que havia na lousa.
Passado meia hora, voltamos a sentar juntas, e ficamos conversando até a aula acabar. Quando a aula já havia terminado, resolvemos sair da sala e ficar sentada num banco, olhando o grande movimento de vento no pátio. Ela começou a me encarar, como se quisesse me dizer algo, e eu, muito curiosa, resolvi tirar satisfação.
-Ei, o que foi? Quer me dizer alguma coisa?
-E-eu... não sei como te pedir isso, sabe... estou meia sem jeito...
-Então... pode deixar que eu peço...
Olhei no fundo de seus olhos amendoados, aproximei-me dos seus lábios, e quando estava quase a sela-los, perguntei:
-Quer namorar comigo?
Ela sorriu. Olhou para todos os cantos á nossa volta, e percebendo que ninguém estava olhando, selou meus lábios rapidamente.
-Eu aceito.
Notas finais
Eu demorei quase dez dias para postar esse capitulo, pois estava muito ocupada para escreve-lo. Mas finalmente cheguei.
Não direi uma data para o próximo capitulo, mas não será mais de dez dias.
E só mais uma coisa... Leitores fantasmas, estou vendo vocês. ~S.
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