Notas iniciais
Aproveitemos o romance de Macon e Lila enquanto tudo ainda é flores, pois daqui a pouco as coisas vão começar a se complicar...

A apresentação do trabalho deles sobre a Guerra Civil estava quase pronta.

Lila e Macon haviam trabalho com afinco nele. Escreveram e reescreveram quantas vezes necessárias. Naquela tarde estavam concentrados em finalizar sua conclusão. Haviam feito cartazes a serem apresentados para a turma e montado toda a estrutura de seu projeto de pesquisa, com bibliografia, índice e tudo mais. Escrevendo para o trabalho Lila quase se sentia uma historiadora de verdade.

–Jane? – perguntou Macon depois de um longo tempo escrevendo.

–Sim? – ela levantou os óculos colocando-os na cabeça.

–Eu pensei que podíamos ir à Gatlin no sábado. – disse ele, meio sem jeito em fazer o convite.

–Gatlin? – ela ergueu uma sobrancelha – Achei que você odiasse essa cidade.

Ele se sentou mais ereto na cadeira e olhou para fora da janela da biblioteca.

–Eu realmente odeio Gatlin, mas meu pai saiu de lá há algum tempo. É uma cidade histórica e eu pensei em passearmos por Summerville também, mas se você não quiser ir eu não me incomodarei com isso.

Ela sorriu e mordeu a ponta da caneta pensativamente.

–Eu quero ir, gostaria de conhecer o lugar onde você nasceu, mas... É que sábado é meu aniversário.

–Mesmo? – ele se mostrou surpreso.

–Mesmo. – ela riu – Não vou poder ir para casa, mas Marian pode querer passar a tarde comigo.

–Você pode ser convencida a ir comigo? Prometo que a trarei de volta antes do anoitecer.

Lila fingiu pensar, no entanto sabia que cederia a ele. Ter a chance de passar uma tarde inteira ao lado de Macon era pelo que ela estava esperando há muito tempo, e agora ele queria lhe mostrar a cidade onde crescera. Aos seus padrões aquele era um grande avanço.

–Acho que posso dar uma escapada.

...

No sábado Marian presenteou Lila com um exemplar de Orgulho e Preconceito, as duas tomaram café da manhã juntas e ela escolheu uma roupa quente e confortável para seu passeio com Macon. Fazia frio do lado de fora do dormitório quando ele veio buscá-la e Lila se surpreendeu que ele estivesse sem carro.

–Feliz aniversário! – disse ele quando ela apareceu na porta do prédio da universidade.

Lila sorriu ao ser puxada para os braços de seu amado. Eles se beijaram docemente e então o rapaz a afastou e disse que precisavam ir.

–Mas onde está o seu carro? – questionou ela – Você não acha mesmo que vamos conseguir chegar à Gatlin andando, não é?

Macon riu.

–Sim, nós vamos.

Ela pensou que só podia ser algum tipo de brincadeira, porém Macon a levou até um beco sem saída e empurrou duas latas de lixo para fora de seu lugar. Onde deveria haver um chão ladrilhado estava uma espécie de alçapão, o rapaz a abriu e Lila se deparou com um buraco muito escuro.

–Venha. – chamou ele estendendo-lhe a mão.

–Você está louco? – disse ela exasperada – Não podemos entrar ai!

Rindo como uma criança Macon dobrou seus joelhos e a pegou em seus braços, depois desceu pelo alçapão que, ela reparou, continha degraus invisíveis. Assim que estavam seguros no solo ele fechou a passagem e acendeu uma lanterna que tinha no bolso. No chão próximo a ela estavam uma mochila, uma cesta de piquenique e um grande buquê de rosas.

–Em primeiro lugar: Que lugar é este? Em segundo: O que é isto? – ela apontou as coisas no chão.

Macon se abaixou e recolheu os objetos.

–Este aqui é um túnel Conjurador. Serve para que os Sobrenaturais transitem por aí. Aliás, o tempo não passa da mesma forma aqui dentro e lá fora então poderíamos ir à Tóquio se quiséssemos e ainda assim voltaríamos a tempo.

–Uau. – murmurou ela.

Ainda havia muitas coisas com relação ao mundo de Macon que ela desconhecia. Sabia que a mãe dele era uma Conjuradora e que o pai era um Incubus de sangue, porém sabia que essas informações eram insignificantes se comparadas a tudo o que ela ainda teria de aprender.

–E isso aqui, — continuou ele, oferecendo-lhe o buquê de rosas – é para você.

Lila abriu um sorriso ao pegar as flores, ajeito-as cuidadosamente enquanto começavam a andar pelo labirinto que lhe pareciam os túneis.

–Obrigada, Macon, pelas flores e pelo passeio...

–Nunca me agradeça. – disse ele com um toque amargurado na voz – Nunca lhe darei o suficiente para compensar o prazer de tê-la ao meu lado.

Ela então agradeceu à escuridão, pois suas bochechas tinham ficado coradas, e por sorte ele não podia enxergar. Andaram pelo que pareceu serem minutos seguidos até que Macon parou em frente a outro alçapão.

Abriu-o e pegou sua mão, guiando-a pela escada invisível até que estivessem do lado de fora. O sol forte quase queimou seus olhos após tanto tempo na ausência de luz. Lila percebeu que se encontravam em Summerville.

Como prometido passearam pela cidade por algumas horas. Quando chegou o meio dia Macon alugou um carro e a levou até Gatlin, não adentraram muito a cidade, pois ele resolvera levá-la até um lugar chamado Greenbrier.

Parou o caro na frente de um grande portão. Macon o abriu e pediu que Lila saísse do carro.

–Onde estamos? – perguntou ela enquanto caminhavam.

–Estamos em Ravenwood. Bem-vinda à casa que foi minha prisão durante muitos anos.

Lila teve sua primeira visão da casa. Por fora parecia velha. Simplesmente isso: muito velha e caindo aos pedaços.

–Então... – começou ela sem jeito de terminar a frase – Há quanto tempo seu pai foi embora daqui?

Macon balançou a cabeça e riu.

–Três anos. Achei que você era o tipo de pessoa que não julgava um livro pela capa, já que não julga um Incubus por ser um demônio.

–E não julgo, seu tolinho. Agora podemos entrar na casa?

Ele franziu a testa e negou com um movimento da cabeça.

–Hoje não. Outro dia talvez. – ele olhou para a casa com certa melancolia transparecendo – Eu gosto deste lugar, mas ele está marcado pelas Trevas desde que meu tataravô Abraham morou aqui. Ele foi o primeiro Incubus de sangue da linhagem Ravenwood e todos depois dele seguiram seus passos.

Ela respirou profundamente enquanto fazia o mesmo que ele e fitava a casa. Sabia que a vida de Macon era complicada, mas ainda assim era difícil encarar a verdade, falar sobre todas aquelas maluquices e saber que eram verdade. Então ela fez a única coisa de que era capaz no momento. Ela o confortou.

–Você não será com eles. Eu sei disso.

Ele quase se deixou sorrir.

–Vamos. Você vai gostar de Greebrier.

Pegou a mão de Lila e a puxou em direção ao muro de pedras que dividia a propriedade. Ele estava quase destruído, caindo em algumas partes, quebrado radicalmente em outras. Macon encontrou uma fenda e passou por ela, depois a ajudou a passar.

Os dois pularam o muro e se viram em um campo verde. Havia limoeiros e arbustos no lugar. Macon escolheu um lugar na grama e abriu sua cesta de piquenique, de lá tirou uma toalha e a estendeu.

–Esse lugar é lindo. – disse Lila sentando-se.

Macon não disse nada apenas esvaziou a cesta, colocando sob a toalha todo o tipo de alimento que ela pudesse desejar e por último tirou um pequeno embrulho.

–Agora, — começou ele – chegou a hora de você abrir seu presente.

–Você já me deu um presente. Lembra-se das rosas que estão no carro?

–Sim, mas elas não eram o seu presente, isto aqui é. Abra.

Lila pegou o embrulho de suas mãos, abriu-o e encontrou uma caixinha de joias lá dentro. Abriu relutantemente a caixa e se deparou com um belo colar de ouro com um pingente de coração adornado por pequenos rubis.

–Meu Deus, Macon! Isso é maravilhoso! Obrigada. – ela sorriu abertamente e ele lhe correspondeu – Pode colocar para mim?

Macon pegou a caixinha de suas mãos e tirou de lá o colar. Com gentileza ele afastou os cabelos dela e depois prendeu o colar em seu devido lugar. Suas mãos se demoraram sob a pele exposta dela até que finalmente ele lhe beijou o ombro, subiu beijos por seu pescoço, fazendo com que um arrepio percorresse todo o corpo de Lila, até parar na orelha para sussurrar-lhe:

–Jane... Seja minha namorada.

Ela fechou os olhos, cheia de uma felicidade que não podia ser medida, e respondeu:

–Sim. Sou sua, Macon. Sempre serei.

Ele puxou o rosto dela para o seu e a beijou nos lábios.

Aquele foi o aniversário mais feliz da vida de Lila.

Notas finais
Obrigada a todos que estão acompanhando e comentando. Deixem suas opiniões sobre a história, todo tipo de comentário será apreciado.