Notas iniciais
Como anuncia a título teremos alguns outros personagens de BC nesse capítulo. Espero que gostem!

Algum tempo depois do aniversário de Lila, com os dias sendo contados para o feriado do Natal, Caroline Evers apareceu na porta do dormitório da irmã.

–Carol? – Lila quase engasgou ao abrir a porta e descobri-la atrás dela.

–Jane!

Caroline puxou-a para um abraço sufocante e Lila não pode fazer nada que se não retribuir ao carinho da irmã mais velha. Após conseguir se soltar ela fechou a porta e Caroline pareceu reparar no rapaz que estava sentado no sofá da salinha.

–Quem é este? – perguntou ela de imediato.

–Carol esse aqui é Macon Ravenwood, meu namorado. Macon, esta é minha irmã Caroline Evers.

Macon estendeu a mão para a moça e a cumprimentou educadamente, Carol sorriu para ele parecendo embasbacada com a definição que Lila empregara ao garoto: namorado.

–Lila, querida, se você e Macon já terminarão sua sessãozinha de beijos eu preciso muito pegar o meu livro de Lit... – a voz de Marian morreu ao ver a outra mulher que se encontrava na sala.

Lila se irritou com Marian por ter mencionado uma sessão de beijos na frente de sua irmã... Não que ela e Caroline não trocassem todo o tipo de segredo, mas sua mãe ultimamente andava com ideias nada oportunas sobre casamento na cabeça e ela definitivamente não queria que ela soubesse que os dois estavam namorando sério ainda.

Não que ela não pensasse no quão incrível seria estar casada com Macon. Não que ela não gostasse do som do nome Lila Jane Ravenwood ou que nunca tivesse parado para pensar em como seriam os filhos deles. Nada disso. Ela só queria conhecer o mundo primeiro, antes de se entregar a um relacionamento dessa magnitude (ainda mais quando seu pretendente é um Incubus de futuro incerto).

E para falar a verdade, se tratando de um namoro que tinha apenas alguns dias ela não deveria nem estar pensando nesse tipo de coisa! Mas dizer o que? Lila era o tipo de pessoa que sonhava alto.

–May, esta é a Caroline. – ela fez as apresentações novamente – Caroline minha colega de quarto, Marian.

–Ah, oi! – disse a irmã animadamente – Ouvi muito sobre você, minha irmã disse que vocês são grandes amigas.

–Isso ai. – Marian sorriu.

Um silêncio desconfortável caiu sobre o cômodo, os quatro olhavam de um para o outro sem saber o que dizer até que finalmente Caroline quebrou clima ruim que havia se instalado.

–Se vocês não se importarem eu gostaria de roubar a minha irmãzinha por algumas horas.

Marian e Macon disseram que estava tudo bem e Lila pegou sua bolsa, aprontando-se para sair com Caroline. Macon foi com elas até o estacionamento onde a irmã da moça havia parado o carro.

–Eu te vejo depois. – disse Lila a ele.

Macon sorriu, mas não a beijou, ela sabia que ele não gostava de fazer isso em público.

A moça entrou no carro e as duas irmãs seguiram para um passeio.

–Então... – começou Carol com um sorriso – Macon... Seu famoso estudante de História! Gostaria que tivesse dito em suas cartas que vocês dois também estavam namorando.

Lila ergueu uma sobrancelha.

–Gostaria que tivesse dito que estava saindo com aquele estudante de Medicina. Ao que parece estamos quites, irmã.

–Ah, você me pegou! Desculpe por essa.

Ela deu de ombros e quando Carol perguntou onde poderiam comer uma boa fatia de bolo ela lhe deu as coordenadas para chegarem a uma doceria no centro da cidade.

A irmã de Lila e ela eram bem parecidas fisicamente, embora Caroline fosse mais alta e um pouco mais robusta, porém quase se tratava de sua dita subjetividade as duas divergiam como água e vinho. A estudante de História era uma moça perspicaz, amante de leitura e coisas antigas, já sua irmã era festeira, amava matemática (coisa que Lila odiava terminantemente) e nunca terminava os livros que começava a ler a não ser que estes fossem obrigatórios para passar em uma disciplina na faculdade.

Ao chegaram à doceria Lila escolheu para si uma enorme fatia de bolo de chocolate triplo e Carol pegou um pedaço simples de bolo de morango.

–Fale-me sobre Macon. – pediu a irmã mais velha.

–Vejamos, ele é gentil comigo, estudamos juntos, começamos a namorar há pouco tempo... Acho que é só.

–Não pode ser apenas isso. – reclamou Caroline – Vamos, conte-me mais sobre ele e eu te conto sobre Josh.

Lila examinou seu bolo sem coragem para falar. Tudo ao redor de Macon girava em torno de algo sobrenatural e ao que parece todas as suas qualidades e todos os momentos haviam se tornado parte disso.

Não podia dizer à irmã que ele a levara à Gatlin em seu aniversário e que lá lhe contara histórias sobre o temido tataravô Abraham e o pai desprovido de amor, Silas. Não poderia dizer que ela a assustara na primeira vez que se beijaram porque gritara com ela mandando-a ir embora para protegê-la de si mesmo.

Nada disso se encaixava nos padrões normais e Caroline não esperava ouvir esse tipo de absurdo.

–Eu acho que não tenho muito que dizer. Resalto novamente que começamos a namorar faz pouco tempo.

–Bem, ao menos me diga o que sente por ele. – insistiu a irmã.

–Você sabe que gosto dele, bobinha.

–E gosta de ser beijada por ele?

Lila baixou os olhos sentindo suas bochechas corarem, ela não gostava de falar sobre isso.

–Sim, eu gosto. Agora vamos terminar o interrogatório, está bem?

–Tudo bem, mas apenas saiba que estou só cuidando de você. Querendo saber se está feliz. – ela deu-lhe um sorriso sincero – Porque me importo com você, irmãzinha. – resaltou ela.

–Então saiba que estou sim, muito feliz.

Caroline balançou a cabeça, rindo. Passou um dia todo na companhia de Lila e depois a deixou de volta na universidade prometendo que se veriam novamente no Natal quando ambas fossem visitar os pais.

...

Depois de falar com Jane e saber que ela chegara em segurança à faculdade Macon desligou o telefone e simultaneamente ele voltou a tocar. Pensando que Lila se esquecera de lhe dizer algo ele automaticamente atendeu.

–Ei. – cumprimentou ele.

–Mamãe deixou escapar que você está apaixonado. Quero saber por que não teve a coragem de contar para mim. Passou quase uma semana aqui em casa e não abriu o bico! – reclamou Leah.

Ele revirou os olhos.

–Isso não é assunto seu, boa noite.

–Não, espere! – pediu a menina – Qual o nome dela?

Macon soltou um suspiro alto e encarou o teto perguntando-se porque tivera que atender ao maldito telefone.

–Por que você não pergunta para a mamãe, já que ela te conta tudo?

Do outro lado da linha Leah bufou frustrada.

–Porque ela não me contou! Eu já te disse que ela deixou escapar sem querer e agora não quer nem voltar a tocar no assunto.

–Se eu te disser o nome você vai me deixar em paz? – perguntou Macon.

–Vou. – prometeu ela com toda a sua euforia de uma garota de dezesseis anos.

–O nome é Lila Jane. – disse ele – Agora, boa noite, Leah.

–Não, espere!

–O que houve agora?

Macon pegou uma caneta entre os dedos e começou a batucá-la impacientemente na mesinha de cabeceira.

–Você já sabe das novas? Del vai ter um bebê! – disse ela animada.

Delphine Duchannes era uma das meias-irmãs de Macon, ela tinha sua idade e há um ano estava casada com Barclay Kent. Era uma menina doce e alegre embora seu dom de Conjuradora constantemente a perturbasse.

–Está falando sério? – perguntou ele à Leah.

–Estou sim. Ela está muito feliz e Barc também.

–Que bom, diga a eles que me alegro pela notícia. Agora eu preciso mesmo desligar, Leah. Tenho aula amanhã.

–Tudo bem. Boa noite, Macon.

A linha ficou muda e Macon colocou o telefone no gancho. As novidades de Del de repente o fizeram pensar sobre o futuro. Nunca teria filhos, disso ele tinha certeza, pois a única mulher com que ele desejava tê-los era Jane e os dois nunca poderiam aprofundar seu relacionamento o suficiente para que deste belo amor nascesse uma criança.

Ele também sabia que não a privaria do futuro que merecia. Em um dia que não demoraria tanto a chegar ele a deixaria para que ela pudesse seguir adiante com sua vida, para que encontrasse um homem bom e pudesse ter uma família.

Porém pela primeira vez na vida Macon se sentiu privado deste direito. Quando pensava nas consequências que ser um Incubus traria a sua vida ele sempre considerava apenas o fato de que seria um monstro, nunca pensava em coisas que antes lhe pareciam tão triviais. Agora que encontrara alguém que realmente amava ele apenas tinha mais motivos para se revoltar com sua condição estúpida de ser das Trevas.

Nunca veria uma criança com os olhos de Jane e seu cabelo. Nunca poderia promete-lhe que jamais a deixaria, pois em pouco tempo o faria.

No fim ele sabia que o relacionamento dos dois tinha um prazo de validade estipulado.

Notas finais
Obrigada por todas as visualizações. Seus comentários são muito bem vindos.