Notas iniciais
Um capítulo menorzinho, mas não menos importante. O próximo será maior =).

Depois que Macon explicou mais sobre os Incubus Lila acabou pegando no sono ao seu lado no sofá. Ele então, a pegara gentilmente nos braços e a colocara em sua cama.

Ele percebera que estava sentindo uma coisa pela primeira vez na vida. Amor. Ele a amava, não sabia como e nem porque e não achava que amor fosse uma coisa explicável, pelo contrário achava que era um sentimento que vinha sorrateiro e aos poucos fincava raízes que só poderiam ser arrancadas com muita dor.

Não queria machucá-la, porém sabia que também não podia deixar de amá-la.

...

Lila acordou em uma cama que não era a sua. Porcaria, ela pensou. Tinha pego no sono enquanto conversava com Macon e ainda tinha aula naquela manhã. Levantou-se e calçou os sapatos depois saiu do quarto e foi até a sala de estar onde Macon estava tomando café, já arrumado para ir à faculdade.

–Você devia ter me acordado e me mandado para casa. – disse ela.

Ele se virou, mas não sorriu, pelo contrário a expressão em seu rosto era sombria.

–Nós precisamos conversar. – disse ele.

–Sobre o que?

–Sobre tudo. Lila, você tem que sair de perto de mim, acho que passei a impressão errada ontem, mas não podemos ficar juntos. De modo algum.

Ela cruzou os braços irritada. Ele não podia começar aquilo tudo de novo e tornar as coisas mais difíceis para os dois. Sim, ela tinha medo do que estava fazendo. Sim, estava assustada em saber que seu potencial namorado podia se transformar em um monstro em questão de meses. Também não era tola, temia por sua vida, porém acima de tudo ela se importava com Macon. Gostava demais dele para deixá-lo.

–Eu não quero ouvir novamente.

–Mas vai ouvir! – gritou ele – Você não entende que eu tenho medo do que posso fazer a você? Que tenho medo de te matar? Eu sou meu próprio carcereiro, Jane! Minha condição matou cada fiapo de felicidade que eu pudesse ter no dia em que nasci!

Lila o empurrou.

–Pare de sentir pena de si mesmo! Você não se ajuda assim. Falar isso não vai mudar nada.

Ele balançou a cabeça com frustração.

–Dois meses atrás eu tinha parado de me importar com o fato de que seria um monstro, mas agora... Agora isso faz toda a diferença. Eu te amo, Jane e não sei se consigo parar de amar. Tudo o que mais desejo é estar com você e sou a única coisa que me impede disso.

Ela sorriu. A despeito de todas as dificuldades para as quais ela estava prestes a se entregar, ela sorriu. Sorriu, pois ele a amava e aquela era a única coisa que lhe importava.

–Eu também te amo, Macon. Mais do que eu conseguiria colocar em palavras algum dia.

Macon se aproximou e a abraçou encostando a testa na sua. A pele fria em contato com a quente. Eram diferentes como fogo e água e nada disso fazia diferença. Ele queria ser melhor para ela e ela desejava ser forte o suficiente para carregar o fardo que sua condição traria a vida dos dois.

...

Depois que o assunto foi encerrado Lila foi para o dormitório pegar suas coisas para ir à aula. Para sua surpresa Marian ainda não tinha saído, estava a sua espera assim que entrou.

–Onde você esteve a noite toda? – perguntou ela exasperada.

Lila mordeu o lábio antes de responder. Hesitou, pois conhecia Marian e sabia exatamente o que ela pensaria assim que Lila lhe contasse onde estivera.

–Eu estava com Macon.

Os olhos de Marian se arregalaram, ela imediatamente pulou do sofá e pôs-se a seguir Lila enquanto esta arrumava seu material para as aulas do dia.

–O que aconteceu? – questionou a morena.

Lila revirou os olhos à pergunta.

–Nada aconteceu. – disse ela.

–Ah, por favor, Lila! Diga a verdade!

Ela jogou dois livros dentro da bolsa e a fechou

–Nós nos beijamos! Está feliz agora?

Marian ergueu uma sobrancelha e Lila se lembrou da estúpida aposta das duas, pegou a carteira, tirou de lá dez dólares e depois os passou a outra menina.

–Muito obrigada. – Marian sorriu – Era tão obvio que vocês dois se gostavam. Agora, vamos lá me conte tudo.

–Estou atrasada para a aula, May. – disse ela colocando a bolsa no ombro.

–Então me conte no caminho. Não me importo de acompanhá-la até a porta de sua sala.

Lila revirou os olhos novamente, mas fez o que a amiga pediu, enquanto caminhavam pelo campus ela relatou os ocorridos (tirando claro, a parte em que Macon lhe revelara o que realmente era). Marian não ficou impressionada com nada, na verdade ela disse que esperava mais o que deixou a moça de bochechas coradas. Por favor, eles só se conheciam há pouco mais de dois meses!

–Eu me sinto tão diferente quando estou com ele, May. – confessou ela – Nunca me senti assim antes... Macon... Ele trás o melhor de mim.

–E minha querida amiga intelectual acaba de se transformar em uma coração mole. Não acredito nisso.

Lila riu, pois não era verdade, seu coração teria que ser de ferro para aguentar tudo pelo que passaria. Ela jamais preveria os danos que seriam causados a ele nos meses que se seguiriam. O desespero. A depressão.

A verdade mais pura é esta: amar dói. E amar pode te destruir e reconstruir.

Notas finais
Agradeço a todos que estão lendo. Comentários são muito bem vindos.