Beautiful and Dangerous
33 32. Pesquisa
Notas iniciais
Já era tarde quando Lila chegou a seu dormitório. Havia passado horas na biblioteca estudando com Macon, estava atrasada nas pesquisas para seus dois seminários semestrais e mal dera conta de estudar devidamente para as primeiras provas. Ela não sabia o que estava acontecendo consigo mesma, não podia deixar-se decair.
Quando abriu a porta e despejou tudo o que segurava sobre a mesinha de centro antes mesmo de fechar a porta, deparou-se com Marian apoiada na bancada da cozinha com uma xícara de chá nas mãos. Ela virou-se para a porta e a trancou antes de ir até a amiga.
– Querida May. — Marian começou — Seus documentos da Lunae Libri chegaram, nos falamos mais tarde. Assinado L.J. — a morena se virou para a amiga com uma sobrancelha erguida — Desde quando tudo que eu mereço pela manhã é um bilhete rabiscado com pressa?
Lila mordeu o lábio e tomou o assento a seu lado dando-lhe um olhar de desculpas.
– Sinto muito, eu estava mesmo com pressa.
– Para ver Macon, sim eu sei. Toda vez que ele reaparece eu sou deixada de lado. Ah, essa lealdade de amigas que só dura enquanto as duas pessoas estão solteiras!
Revirando os olhos para a morena, Lila esbarrou o ombro contra o dela, brincando.
– Você está sendo dramática, May, pois sabe o quanto eu te amo e como sempre será a minha irmã do coração.
Dessa vez Marian revirou os olhos e deu um gole em seu chá.
Lila se levantou e pegou o bule da pia, enchendo-o com água e colocando-a para ferver. Lavou uma caneca para si e deixou-a ao lado do fogão.
– Jane? — chamou Marian.
– Sim?
– Quanto tempo falta?
Ela compreendeu na hora o que a amiga quis dizer, fitou-a por um momento antes de respondê-la.
– Muito pouco. Pouco demais.
Marian desviou os olhos dos seus, baixando-os para a bancada e apertou tanto sua xícara de chá que os nós em seus dedos ficaram brancos.
– Vamos começar a nossa pesquisa. — disse ela determinadamente.
...
Naquela madrugada as duas amigas vestiram luvas médicas e puseram-se a investigar os livros Conjuradores da Lunae Libri com ajuda de um antigo dicionário de latim que Lila possuía.
Quase não haviam livros escritos em inglês naquela biblioteca, grande parte deles era em latim ou niádico, a lingua dos Conjurados a qual havia se demonstrado quase impossivel de ser traduzida pelas meninas. Lila pensou consigo mesma que na próxima vez que visse a mãe de Macon perguntaria a ela se havia um dicionário especifico para isso.
– O que mesmo Arelia havia te dito sobre a tal da profecia? – perguntou Marian subtamente.
Estavam andando entre as pratileiras, retirando os livros que consideravam pertinentes e formando uma pilha bamba em seus braços magros.
– Ela tinha dito alguma coisa sobre Incubus andando sobre o sol, uma Conjuradora tanto da Luz quanto das Trevas e Sobrenaturais e Mortais podendo mais do que coexistir.
Lila retirou alguns livros e pergaminhos da prateleira a sua frente e os levou até sua escrivaninha, Marian a seguiu sentando-se na cadeira a sua frente e abrindo cuidadosamente um dos livros.
– Então Arelia te persuadiu assim facilmente... Bem, não posso negar que o discurso dela seja mesmo convidativo.
– O que quer dizer com isso? — questionou a moça.
Marian mordicou a ponta do lápis, um hábito que Lila Jane havia percebido ser frequente, pois todos os lápis da amiga sempre estava descascados na ponta, menos os que tinham borracha.
– Quero dizer que suas maiores esperanças foram acesas por essa profecia, pela chance de ter um futuro com Macon.
Ela levantou os olhos para Marian. Cruzou as mãos sobre as mesa tomando cuidado para não encostar a pele exposta dos braços nos livros, pois sabia que se o fizesse seria queimada.
– Marian, eu não posso mentir que ter um futuro com Macon é um sonho que eu gostaria de viver, mas já me convenci de que talvez o máximo que eu consiga fazer por ele é salvá-lo de si mesmo.
A amiga puxou a trança para frente e analisou-a com os olhos castanhos faiscantes.
– Mas o que você quer de verdade é estar com ele, não é?
– Eu preciso mesmo responder?
– Não, foi uma pergunta retórica, Jane. Eu já sabia a resposta, sempre soube.
...
Macon Ravenwood estava parado em frente a um dos prédios da universidade onde ele e Jane haviam combinado de se encontrar no dia anterior. Ele olhou para seu relógio de pulso pela décima vez. Ela estava atrasada e Jane nunca se atrasava.
Ele foi incapaz de não sentir a preocupação o invadindo. Se alguma coisa acontecesse a ela, ele enlouqueceria. Foi então que Macon ouviu aquela voz conhecida vindo de algum lugar atrás dele.
– Desculpe. Desculpe. Desculpe. – entoou Lila Jane sem parar até chegar a ele.
Seus óculos estavam pendendo sobre o nariz e sua respiração saia com dificuldade enquanto ela terminava de correr os últimos passos até ele.
– Onde você estava? – perguntou ele.
– Lunae Libri. – disse ela sentado-se no banco próximo a Macon – Eu sei que não deveriamos estar lá, mas Marian e eu começamos uma pesquisa e estamos muito empolgadas com ela e quando me dei conta da hora sai correndo diretamente para cá.
Apesar de não ficar feliz com as visitas constantes da namorada à bibliotéca Conjuradora, Macon não pôde deixar de sorrir. Ela estava uma bagunça, mas era a bagunça mais linda que ele já tinha visto em toda a vida.
Sentando-se a seu lado ele pôs-se a ajeitá-la enquanto ela terminava de recuperar o folêgo. Arrumou os óculos sobre seu nariz, ajeitou o casaco sob seus ombros e realinhou seu cabelo, por fim beijando-lhe a testa com carinho.
– Você é bom de mais para mim. – sussurrou Lila.
Ele passou um braço em torno dela e ficaram parados por um instante antes que a moça voltasse a falar.
– Posso te pedir uma coisa?
– O quê? – questionou Macon.
– Não sei se você vai gostar da ideia, mas é algo que eu quero muito fazer com você.
As sobrancelhas do rapaz de franziram e Lila Jane se sentiu compelida a se explicar.
– Quero sair em um encontro, como os Mortais fazem. Quero que me leve ao cinema e depois para jantar algo bem gorduroso e nada saudável.
Ele pensou naquilo por um minuto. A Transformação estava chegando e ele sabia disso, era por essa razão que Macon considerou que aquela poderia ser sua última chance de fazer alguma coisa legal por Jane. Sua última chance de fazer algo humano.
– Tudo bem. – disse ele após um minuto – Mas tenho uma condição.
– Qual?
– Eu escolho o restaurante.
Lila riu, mas sua risada foi muito mais de alegria do que de divertimento. Ela estava alegre porque teriam aquele momento e também porque ainda tinham o agora.
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