Notas iniciais
As coisas estão tensas para o lado do Macon e da Lila. PS: Desculpem pela demora.

Parado em meio às sombras da cozinha Silas Ravenwood parecia duplamente assustador. Estava completamente vestido de preto, perfeitamente ajustado em um terno aparentemente caro. Macon olhou em direção ao quarto onde estava sua Jane e então de volta para o pai. Silas parecia divertido em detectar seu medo; aquela era primeira vez que se viam em anos.

Fora pouco antes da Transformação de Hunting que os garotos fugiram de Ravenwood; correram diretamente para os braços da mãe e jamais olharam para trás, porém Silas procurara por Hunting tempos depois quando ele estivera mais vulnerável por conta da proximidade da Transformação. Seu irmão caíra perfeitamente na armadilha. De uma hora para a outra simplesmente deixou de ser o rapaz que ele conhecia para se tornar um fiel discípulo dos Incubus de Sangue.

Agora olhando para o pai Macon sabia exatamente o que este pretendia. Queria fazer exatamente a mesma coisa que fizera com seu irmão e, ainda que em um dos momentos mais cruciais de sua vida, os pensamentos dele vagavam para Lila dormindo no quarto ao lado sem fazer ideia do que acontecia. Ele precisava afastar Silas dela.

– Duke? – indagou Silas – De todas as universidades em que você poderia ter entrado, escolheu justo isso aqui?

Ele achava ridículo ouvir aquelas palavras saindo pelos lábios sujos do pai. Era também um tanto irônico não só porque aquela havia sido a universidade que ele mesmo havia frequentado como também pelo fato dele não se importar verdadeiramente com nada daquilo. Não fosse por estar tão tenso Macon teria apontado aquilo de maneira sarcástica.

– O que está fazendo aqui? – perguntou ele.

Silas se aproximou de forma tão calculada quanto a de uma cobra prestes a dar o bote, dali de perto Macon pôde perceber a grande mancha de sangue em seu colarinho branco, aliás a única coisa que não era preta em seu visual e que indicava que ele acabara de se alimentar. Que acabara de assassinar alguém em algum lugar.

O pai rondou o filho e mediu-o com os olhos, podendo sentir seu medo como se irradiasse para fora de seu corpo. Macon viu Boo levantar-se de onde estivera descansando próximo a lareira e ir até onde os dois conversavam sem fazer nem um único ruído.

– A questão, meu filho – começou Silas – é: o que diabos você pensa que está fazendo?

Os olhos de Macon rapidamente se voltaram para a porta do quarto, seu receio quanto as intenções de seu pai, fazendo com que o medo o invadisse. De certo modo ele se sentia tolo por temer aquele homem, mas já havia visto o suficiente do demônio que ele era enquanto ainda morava em Ravenwood para saber que nunca, jamais se deveria subestima-lo.

– O que quer dizer com isto? – perguntou ele por fim.

– Estou me referindo a garota Mortal que dorme em seu quarto neste exato momento, Macon. – Silas praticamente rugiu – Diga-me, que diabos você têm nesta maldita cabeça? Eu posso compreender certas coisas, mas não isso! Não um filho meu brincando de se apaixonar por menininhas Mortais!

Macon balançou a cabeça e deu um passo para trás, para mais longe daquilo que deveria ser o seu pai.

– Você está certo, existem várias coisas que compreende, mas pelo visto amor não é uma delas.

Antes mesmo de Silas esboçar uma reação, Macon soube que tinha mexido com fogo. Ele sentiu os braços do pai se colidirem com seus ombros e o empurrarem com força contra a parede, uma, duas, três vezes.

– Amor não existe, pirralho! – rosnou Silas – Mulheres só servem para produzir filhos ou para noitadas rápidas. Se não pode obter nenhuma dessas coisas delas, elas são inúteis, meramente refeições frias e sem sabor.

– Você está errado! – gritou Macon.

Ouve um click e a porta do quarto foi aberta, Lila passou por ela vestindo seu pijama de linho, o cabelo castanho preso em uma trança. Seus olhos azuis pareceram acostumar-se a escuridão e ela distinguiu a silhueta dos dois Ravenwood parados na porta da cozinha. A visão de Macon sendo segurado contra a parede pelo pai fez com ela seus olhos se arregalassem.

– Macon! – ela gritou, mas foi incapaz de se mexer.

Silas fitou a moça por um segundo e depois voltou o olhar maldoso para o rosto do filho, seus lábios exibiam um sorriso de escárnio.

– Maravilha. – murmurou ele – Então essa é a sua bela Lila Jane.

Mesmo de longe Macon podia ver que as pernas dela tremiam, Lila se esforçou para se aproximar.

– Por favor, solte-o. – pediu ela a Silas – Ele não te fez nada, deixe-o em paz.

– Corra. – sussurrou Macon, esperando que ela conseguisse ouvir suas palavras, mas Jane continuou sem se mexer.

– Eu poderia ensinar uma lição a vocês dois. Poderia ensiná-los a não brincar com quem tem poder. Ainda não comi minha sobremesa.

Com isso Silas Ravenwood mostrou os caninos e os enfiou na garganta de Macon fazendo com que ele soltasse um gemido de dor, enquanto o sentia miseravelmente se alimentar do próprio filho. Repentinamente sentiu outras mãos o tocando, pois os dedos finos de Lila tentavam afastá-lo do pai.

Ela lutou contra a força de Silas exercia sobre Macon, socando-o e chutando-o inutilmente, só conseguiu irritá-lo. Ele soltou os dentes de seu pescoço e desferiu um tapa contra o rosto da moça fazendo com que ela fosse empurrada para trás. Silas se desmaterializou e apareceu de frente para Lila investindo contra ela.

Ele tentou mordê-la e se tivesse obtido êxito nesta tarefa ele tinha toda a certeza de que ela já estaria morta, mas Jane podia ser uma Mortal, mas não era idiota, ela se defendeu usando o acendedor da lareira.

Macon não pensou no quanto se sentia fraco, ele apenas agiu imprudentemente e se jogou contra o pai fazendo com que ambos caíssem no chão, o acendedor caiu ao lado deles fazendo com que uma chama começasse a arder no carpete.

Silas o jogou para cima das chamas e Macon gritou de dor, sentindo a pele de suas costas ser queimada junto com o suéter, o pé do homem mais velho se direcionou a sua garganta e o acertou com força quando ele se pôs de pé fazendo com que o rapaz perdesse o fôlego e fosse mantido no lugar com a parte de trás do corpo sendo consumida pelo fogo.

– Pare! – gritou Lila tentando novamente afastar Silas de Macon, mas dessa vez ele a empurrou com tanta força que ela caiu contra a mesa de centro quebrando uma coleção de porcelanas.

Boo começou a latir feito louco, mas ninguém lhe deu atenção. Macon só podia sentir aquela dor que o consumia no momento.

– Não vou matá-lo. – disse Silas – Você terá que aprender com seus próprios erros, filho. Sua amada irá morrer pelas suas próprias mãos. E então você poderá provar das verdadeiras Trevas. Até logo, Macon.

Silas se desmaterializou e deixou o apartamento mergulhado no silêncio. Macon se arrastou para longe do fogo e rolou contra o carpete para que as chamas em suas roupas fossem apagadas. Por um momento ele não mexeu, a dor ainda o consumia, mas a visita do pai fazia com ele caísse na realidade. A Transformação chegaria e traria junto com ela todo o mundo Conjurador para assombrá-lo, porém não importa o que ninguém lhe dissessem, Macon Ravenwood nunca, jamais machucaria Lila Jane Evers. Nunca.

Notas finais
Peço mil desculpas por mais um atraso. As coisas andam conspirando contra a minha escrita e eu queria ter postado esse capitulo antes do fim de 2014, mas não deu. Bem, já que estamos falando de fim de ano, desejo que esse 2015 seja maravilhoso para todos vocês. Espero que tenham gostado da leitura. Comentários serão hiper apreciados.