Beautiful and Dangerous
24 23. Conforto
Notas iniciais
O funeral foi horrível. Para Lila não era nada reconfortante ver sua mãe deitada em um caixão e ela ficava irritada a cada vez que o pastor insistia em dizer que sua mãe estava no céu.
Como ele poderia ter certeza daquilo? Que provas ele tinha?
Ninguém realmente sabe o que acontece após a morte, apegar-se à alguma tese é apenas algo que vai deixar sua vida mundana um pouco mais leve, mas ninguém realmente sabia o que acontecia quando as pessoas morrem. Ora! Podiam todos se transformar em borboletas...
Macon foi um verdadeiro cavalheiro com ela, como era de se esperar. Ele a deixou sofrer sua dor quietamente sem ficar dizendo-lhe baboseiras como as outras pessoas insistiam em fazer, mas a pior parte do dia para Lila foi ver seu pai em pedaços. Ele parecia destruído e foi naquele dia que ela percebeu o quanto ele amava sua mãe, pois via o quanto ele estava sofrendo a perda dela.
Na depois do enterro, quando todos já tinham ido embora ela tomou um longo banho e depois voltou até seu quarto de infância onde ela e Macon passariam a noite antes de voltarem para a faculdade. O problema em estar ali era que tudo naquele pequeno cômodo a lembrava de sua doce e amada mãe.
Depois de sair do banho ela foi até a poltrona amarela no canto do quarto e pegou um pequeno travesseiro que havia ali; sua mãe o havia bordado para ela, o nome “Jane” escrito em cor-de-rosa com letras cursivas.
Lila soltou um suspiro de cansaço enquanto abraçava o travesseiro e se deitava em sua antiga e estreita cama de infância. Macon estava parado diante à janela seu olhar longe como se sua mente estivesse cheia de pensamentos; ele se virou para ela vendo que a moça apesar de não estar mais chorando ainda parecia tão abalada quando no momento em que sua irmã ligara com aquela terrível noticia.
Lentamente ele tirou o casaco preto e colocou sob a cadeira da escrivaninha, depois foi até Lila e retirou-lhe os óculos, dobrando-os e colocando-os sobre o criado mudo.
– Obrigada. – murmurou Lila.
– Pelo quê? – perguntou ele gentilmente enquanto se acomodava na cama, puxando-a para seus braços.
– Por estar aqui comigo. Acho que eu não conseguiria passar por isso sozinha. Quer dizer eu sei lhe dar comigo mesma, mas não consigo suportar ver a dor dos outros... Quando olho para Carol e meu pai tudo o que vejo é o fantasma da tristeza que nos assombrará para sempre.
Ela enterrou o rosto em sua camiseta branca e sentiu Macon lhe plantar um beijo na cabeça.
– Eu estarei aqui para você. Sempre. – disse ele – Não importa o que aconteça, quando precisar sempre poderá recorrer a mim.
Lila levantou o rosto para ele, encarando seus olhos negros, os dedos dela traçaram-lhe a linha da mandíbula percorrendo seu rosto vagarosamente.
– Sabe é estranho... Só hoje percebi o quanto meu pai amava a minha mãe, foi somente quando vi o sofrimento dele que pude perceber que existem algumas pessoas que deixam uma marca tão grande em você que perdê-las é o mesmo que se perder.
Macon assentiu, ele pegou a mão dela beijando cada um de seus dedos enquanto falava.
– Se algum dia eu a visse morta, saiba que mais da metade de mim estaria morrendo com você. – ele suspirou – Acho que é assim que sabemos dizer o que é amor verdadeiro.
– Eu acho que sim. – disse Lila fitando-o.
Ele passou uma das mãos por suas costas e puxou mais contra si, beijando-a levemente.
– Durma. – disse ele ao soltá-la.
– Você não vai conseguir dormir, não é mesmo? – perguntou Lila.
Macon ficou em silêncio, mas sua ausência de palavras apenas fazia com que ela soubesse da verdade. Lila deitou a cabeça sobre seu ombro e fechou os olhos amaldiçoando em silencio os malditos biscoitos da sorte que previam a perca das duas pessoas mais importantes de sua vida, mas se ela já tinha perdido a mãe não ia deixar que a segunda mensagem se concretizasse, ela faria o possível e o impossível para não perder Macon.
...
Cerca de uma semana depois Macon perdeu totalmente o sono.
Se antes ele mal conseguia dormir poucas horas durante a noite agora ele as passava em claro. Ainda não havia contado à Jane sobre a nova parte de sua Transformação que já havia se concretizado, tinha medo de dizer-lhe que estava oficialmente se tornando um monstro e que em pouco tempo teria de deixá-la.
Ao invés disso tomou seu tempo livre na escuridão para ler a maior quantidade de livros que conseguiu. Durante os primeiros dois dias Macon leu toda a coleção de clássicos da biblioteca da universidade. No terceiro dia os sonhos dos Mortais vinham-lhe tão claros na mente que ele não conseguiu se concentrar o suficiente para trabalhar em sua monografia.
Foi no quarto dia que as coisas vieram à tona. Jane resolvera passar a noite em seu apartamento e, depois que ele se certificou de que ela estava dormindo, saiu da cama vagarosamente para não acordá-la e pôs se a fazer seu dever de casa sobre a Segunda Guerra Mundial.
Ter algo para fazer a noite era uma coisa que o deixava tranquilizado e o fazia parar de pensar sobre as peculiaridades de se tornar um Incubus completo. Ele escreveu durante horas, pesquisou em livros antigos e montou grande parte do trabalho.
Quando passava-se pouco mais três e meia da manhã Macon ouviu um barulho vindo da cozinha, ele virou a cabeça em direção ao quarto, mas a porta continuava fechada assim como ele a deixara, o que queria dizer que não podia ser Lila a estar acordada também.
Ele fechou o caderno, colocando o lápis para marcar a página em que parara de escrever e se levantou, caminhando a passos lentos, calculados e silenciosos até a cozinha. Não havia nada a temer, Macon sabia disso. Se houvesse um ladrão no apartamento ele podia acabar com este facilmente. Se fosse um apenas um animal ele o expulsaria rapidamente e depois voltaria à sua tarefa. Mas Macon Ravenwood jamais poderia prever o que o estava esperando na cozinha escura.
Até mesmo Boo Radley pôde sentir a presença Sobrenatural que preencheu a casa, suas orelhas se levantaram e seu pelo se arrepiou, deixando-o mais parecido com um lobo do que com qualquer outra coisa.
Macon adentrou mais a cozinha pequena e se deparou com a figura esguia de um homem se misturando as sombras. Ele se virou, um sorriso sarcástico e cruel preenchendo seus lábios pálidos.
O coração de Macon deu um pulo no peito, pois ele sabia exatamente quem era aquele. Ele estava diante de Silas Ravenwood.
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