Notas iniciais
Desculpem-me pela demora na publicação. Voltemos ao ritmo normal. Espero que gostem.

O funeral foi horrível. Para Lila não era nada reconfortante ver sua mãe deitada em um caixão e ela ficava irritada a cada vez que o pastor insistia em dizer que sua mãe estava no céu.

Como ele poderia ter certeza daquilo? Que provas ele tinha?

Ninguém realmente sabe o que acontece após a morte, apegar-se à alguma tese é apenas algo que vai deixar sua vida mundana um pouco mais leve, mas ninguém realmente sabia o que acontecia quando as pessoas morrem. Ora! Podiam todos se transformar em borboletas...

Macon foi um verdadeiro cavalheiro com ela, como era de se esperar. Ele a deixou sofrer sua dor quietamente sem ficar dizendo-lhe baboseiras como as outras pessoas insistiam em fazer, mas a pior parte do dia para Lila foi ver seu pai em pedaços. Ele parecia destruído e foi naquele dia que ela percebeu o quanto ele amava sua mãe, pois via o quanto ele estava sofrendo a perda dela.

Na depois do enterro, quando todos já tinham ido embora ela tomou um longo banho e depois voltou até seu quarto de infância onde ela e Macon passariam a noite antes de voltarem para a faculdade. O problema em estar ali era que tudo naquele pequeno cômodo a lembrava de sua doce e amada mãe.

Depois de sair do banho ela foi até a poltrona amarela no canto do quarto e pegou um pequeno travesseiro que havia ali; sua mãe o havia bordado para ela, o nome “Jane” escrito em cor-de-rosa com letras cursivas.

Lila soltou um suspiro de cansaço enquanto abraçava o travesseiro e se deitava em sua antiga e estreita cama de infância. Macon estava parado diante à janela seu olhar longe como se sua mente estivesse cheia de pensamentos; ele se virou para ela vendo que a moça apesar de não estar mais chorando ainda parecia tão abalada quando no momento em que sua irmã ligara com aquela terrível noticia.

Lentamente ele tirou o casaco preto e colocou sob a cadeira da escrivaninha, depois foi até Lila e retirou-lhe os óculos, dobrando-os e colocando-os sobre o criado mudo.

– Obrigada. – murmurou Lila.

– Pelo quê? – perguntou ele gentilmente enquanto se acomodava na cama, puxando-a para seus braços.

– Por estar aqui comigo. Acho que eu não conseguiria passar por isso sozinha. Quer dizer eu sei lhe dar comigo mesma, mas não consigo suportar ver a dor dos outros... Quando olho para Carol e meu pai tudo o que vejo é o fantasma da tristeza que nos assombrará para sempre.

Ela enterrou o rosto em sua camiseta branca e sentiu Macon lhe plantar um beijo na cabeça.

– Eu estarei aqui para você. Sempre. – disse ele – Não importa o que aconteça, quando precisar sempre poderá recorrer a mim.

Lila levantou o rosto para ele, encarando seus olhos negros, os dedos dela traçaram-lhe a linha da mandíbula percorrendo seu rosto vagarosamente.

– Sabe é estranho... Só hoje percebi o quanto meu pai amava a minha mãe, foi somente quando vi o sofrimento dele que pude perceber que existem algumas pessoas que deixam uma marca tão grande em você que perdê-las é o mesmo que se perder.

Macon assentiu, ele pegou a mão dela beijando cada um de seus dedos enquanto falava.

– Se algum dia eu a visse morta, saiba que mais da metade de mim estaria morrendo com você. – ele suspirou – Acho que é assim que sabemos dizer o que é amor verdadeiro.

– Eu acho que sim. – disse Lila fitando-o.

Ele passou uma das mãos por suas costas e puxou mais contra si, beijando-a levemente.

– Durma. – disse ele ao soltá-la.

– Você não vai conseguir dormir, não é mesmo? – perguntou Lila.

Macon ficou em silêncio, mas sua ausência de palavras apenas fazia com que ela soubesse da verdade. Lila deitou a cabeça sobre seu ombro e fechou os olhos amaldiçoando em silencio os malditos biscoitos da sorte que previam a perca das duas pessoas mais importantes de sua vida, mas se ela já tinha perdido a mãe não ia deixar que a segunda mensagem se concretizasse, ela faria o possível e o impossível para não perder Macon.

...

Cerca de uma semana depois Macon perdeu totalmente o sono.

Se antes ele mal conseguia dormir poucas horas durante a noite agora ele as passava em claro. Ainda não havia contado à Jane sobre a nova parte de sua Transformação que já havia se concretizado, tinha medo de dizer-lhe que estava oficialmente se tornando um monstro e que em pouco tempo teria de deixá-la.

Ao invés disso tomou seu tempo livre na escuridão para ler a maior quantidade de livros que conseguiu. Durante os primeiros dois dias Macon leu toda a coleção de clássicos da biblioteca da universidade. No terceiro dia os sonhos dos Mortais vinham-lhe tão claros na mente que ele não conseguiu se concentrar o suficiente para trabalhar em sua monografia.

Foi no quarto dia que as coisas vieram à tona. Jane resolvera passar a noite em seu apartamento e, depois que ele se certificou de que ela estava dormindo, saiu da cama vagarosamente para não acordá-la e pôs se a fazer seu dever de casa sobre a Segunda Guerra Mundial.

Ter algo para fazer a noite era uma coisa que o deixava tranquilizado e o fazia parar de pensar sobre as peculiaridades de se tornar um Incubus completo. Ele escreveu durante horas, pesquisou em livros antigos e montou grande parte do trabalho.

Quando passava-se pouco mais três e meia da manhã Macon ouviu um barulho vindo da cozinha, ele virou a cabeça em direção ao quarto, mas a porta continuava fechada assim como ele a deixara, o que queria dizer que não podia ser Lila a estar acordada também.

Ele fechou o caderno, colocando o lápis para marcar a página em que parara de escrever e se levantou, caminhando a passos lentos, calculados e silenciosos até a cozinha. Não havia nada a temer, Macon sabia disso. Se houvesse um ladrão no apartamento ele podia acabar com este facilmente. Se fosse um apenas um animal ele o expulsaria rapidamente e depois voltaria à sua tarefa. Mas Macon Ravenwood jamais poderia prever o que o estava esperando na cozinha escura.

Até mesmo Boo Radley pôde sentir a presença Sobrenatural que preencheu a casa, suas orelhas se levantaram e seu pelo se arrepiou, deixando-o mais parecido com um lobo do que com qualquer outra coisa.

Macon adentrou mais a cozinha pequena e se deparou com a figura esguia de um homem se misturando as sombras. Ele se virou, um sorriso sarcástico e cruel preenchendo seus lábios pálidos.

O coração de Macon deu um pulo no peito, pois ele sabia exatamente quem era aquele. Ele estava diante de Silas Ravenwood.

Notas finais
Eu sei houve uma longa pausa na publicação dessa história, porém a faculdade estava tomando todo o medo tempo e sugando cada segundo do meu dia. Cheguei a passar semanas sem nem mesmo conseguir acessar a internet para nada que não fosse pesquisas para meu projeto semestral. Pretendo finalizar essa história durante as minhas férias, mas se isso não ocorrer saibam que ainda continuarei a escrevê-la e que provavelmente só entrarei na época maluca de provas e trabalhos em meados de maio então terei um bom tempo para escrever. Como sempre espero que estejam gostando e quero agradecer a todas as visualizações que tive mesmo enquanto não publicava capítulos novos. Obrigada pela paciência de vocês. Seus comentários serão muito apreciados.