Notas iniciais
Esse capítulo tem base em uma pequena referência que o Ethan faz em Dezessete Luas, que embora pareça completamente aleatória acho importante de ser citada, pois faz parte da vida de Lila e nos ajuda a entender tudo pelo que ela passou em um curto período de tempo. E, ah, temos nossa pitadinha de romance voltando à cena.

Assim que entrou no prédio onde ficava o apartamento de Macon, Lila pôde ouvir Boo latir raivosamente.

Já era noite e, o dia todo parecia ter sido um borrão na mente da moça. Ela se lembrava de ter sido apresentada aos novos professores daquele semestre e de sua conversa rápida com os colegas de classe durante a troca de aulas, mas fora isso o restante parecia muito distante.

Ao chegar ao fim do corredor Lila se deparou com a porta aberta e Macon recostado no batente.

–Oi. – sussurrou ela.

–Entre. – pediu ele.

Ainda que receosa, ela fez o que ele disse e entrou no apartamento, onde Boo finalmente tinha se calado. Encaminhou-se para o meio da sala de estar e se sentou no sofá de couro preto.

Macon fechou a porta e foi até ela.

–Você queria conversar... – começou Lila.

–Sim, eu queria. Jane, acho que está na hora de sermos honestos um com o outro.

Lila engoliu em seco.

–Honestos sobre o quê? – questionou a moça.

Parte dela certamente pensava que após o que fizera, revelando o segredo de Macon à Marian ele certamente encontraria uma forma de terminar com ela, pois sua confiança nela provavelmente acabara.

–Se me permite perguntar, eu primeiramente queria saber se você pediu silêncio à Marian.

–Sim. – disse ela – May não vai contar nada a ninguém. Eu juro.

Macon assentiu e sentou-se ao seu lado. Lentamente ele pegou suas mãos na dele e com a livre levantou seu queixo para que os olhos de ambos estivessem ao mesmo alcance, fitando diretamente um ao outro.

–Isso aqui tem que acabar. – disse ele de maneira afetada.

–Por quê? – perguntou Lila.

As lágrimas já ameaçavam queimar seus olhos. Era isso ela tinha arruinado a melhor coisa que já lhe acontecera em toda a sua vida.

–Porque é necessário, eu venho pensando nisso há dias, pois a cada hora que se passa minha Transformação se aproxima e eu posso sentir as mudanças ocorrendo vagarosamente. Eu não quero machucá-la.

–Ainda temos cinco meses pela frente, você não pode desistir agora. Você me prometeu que não iria desistir! – gritou ela.

Macon se retraiu.

–Jane...

–Dê-me esses cinco meses. É tudo o que lhe peço. Se não conseguirmos fazer nada para mudar o destino dentro desse tempo então eu deixarei que decida o que fazer.

Macon a soltou abruptamente e levantou-se andando para o mais longe possível, Boo que estava deitado perto da mesinha correu atrás do dono.

–Muitas coisas podem acontecer nesses malditos cinco meses, Jane, mas eu não creio que mudar meu destino possa ser uma delas.

Lila respirou profundamente, retirou os óculos e os colocou sob a mesinha de centro. Por um instante ela apenas fitou o objeto, mas então se levantou do sofá e foi até onde Macon estava parado.

Ele olhava pela janela, para a escuridão da noite e para as estonteantes luzes que se estendiam na rua que levava ao campus da universidade. Lila estendeu a mão com certa relutância, porém deixou que essa descansasse sobre o ombro do namorado.

–Eu sei que você não têm esperanças em si mesmo e isso é realmente muito triste Macon, pois nas Trevas encontra-se a Luz e vice-versa. Não creio que sejamos submissos de nossos destinos. Creio que nós comandamos nosso futuro e não ele.

Vagarosamente Macon se virou para ela.

–Você confia demais em mim, meu amor, mas jamais se deparou com o que eu nasci para ser. Se você conhecesse um Incubus de verdade então saberia do que eu estou falando. Então me temeria.

Lila balançou a cabeça negativamente.

–Desculpe-me se tudo o que sei não passam de conceitos, porém posso não saber verdadeiramente o que é um Incubus de Sangue, mas sei quem é Macon Ravenwood e ele é o homem que eu amo.

Macon estendeu a mão, seus dedos tocaram os lábios de Lila com gentileza, depois ele estendeu a outra mão e puxou o rosto da moça para o seu. Foi um beijo faminto, carregado de paixão. Macon encostou Lila contra a parede e beijou-a de uma forma especial, demonstrando que se ela acreditasse nele então ele também acreditaria. Por ela e somente por ela.

O rapaz desceu e subiu beijos pelo pescoço dela, enquanto suas mãos se ocupavam em percorrer-lhe as costas, o cabelo... Lila estava perdida em um mundo onde só existia Macon. As mãos dela desceram pelo peito dele e Lila sentiu que as Macon acariciavam suas costas por debaixo da blusa.

O toque estridente do telefone de Macon fez com que os dois pulassem de susto e Boo começasse a latir feito louco. Macon a soltou e foi atender o telefone.

Lila olhou para seu reflexo bagunçado no vidro da janela e passou os dedos pelo cabeço, tentando alinhá-lo, quando percebeu que Boo a encarava.

–O que é, lobo bobão? Está com ciúme por acaso? – Lila estreitou os olhos para ele, brincando – Pode apostar que ele me ama.

–Jane? – chamou Macon da cozinha, tapando o bocal do telefone para que pudesse falar sem ser ouvido pela pessoa do outro lado da linha.

–O que foi? – perguntou ela.

–Marian quer falar com você.

Lila franziu a testa, porém se encaminhou até a cozinha perguntando-se o que a amiga teria para lhe falar de tão importante para ligar para a casa de Macon (coisa que ela, aliás, nunca antes fizera, apesar de ter o número do telefone desde que os dois começaram a namorar).

Ao chegar na cozinha Macon lhe passou o telefone e ela, por puro hábito, começou imediatamente a enrolar o fio do aparelho na ponta dos dedos.

–Oi, May, o que aconteceu?

–Lila Jane, sua irmã já ligou aqui três vezes, ela quer falar com você e parece um pouco desesperada. Eu disse que falaria para você ligar para ela.

–Ah, sim, obrigada.

–Por nada, apenas ligue para ela, sim? Ela realmente não parecia bem.

Marian desligou o telefone e Lila pôs-se a discar o número de Caroline. Ela olhou para Macon que estava recostado na geladeira com uma expressão confusa.

–Minha irmã quer falar comigo. – murmurou ela enquanto esperava a ligação completar.

–Alô? – disse a voz chorosa do outro lado da linha.

–Carol? Sou eu, Lila. O que houve com você?

Lila pôde ouvir o soluço estrangulado da irmã e se perguntou que diabos estava ocorrendo, porém quando Caroline voltou a falar ela preferia nunca ter ouvido aquelas palavras.

–Ah, Lila! Mamãe teve um ataque cardíaco essa tarde.

Os olhos da moça se arregalaram.

–O quê? Como ela está?

Houve um silêncio arrasador no qual ela ficou mergulhada no terror, esperando para ou ser salva e finalmente boiar ou então simplesmente se afogar.

–Irmãzin... Irmãzinha. – disse Caroline em prantos – Nossa mãe está morta.

E então ela afundou e se afogou.

Notas finais
Como sempre agradeço a todas as visualizações e à todos que vem lendo esta história. Comentários de todos os gêneros serão bem-vindos (e deixarão a autora sorridente).