Notas iniciais
Desculpem-me pelo atraso gigantesco na postagem. Espero que gostem do capitulo.

–Porque essa criatura horrenda é o homem que eu amo. Macon Ravenwood é um Incubus. – disse Lila.

Marian franziu as sobrancelhas.

–Lila, querida, você bebeu?

–Estou falando sério! – rebateu a moça.

–Ora, eu também, aparentemente você não sabe os efeitos de uma boa tequila.

Lila balançou a cabeça negativamente.

–May, eu não estou brincando. Preciso que você acredite em mim, porque não posso mais remoer tanta coisa na minha cabeça, eu preciso conversar com alguém. – implorou ela.

Vagarosamente Maria baixou sua caixa de comida chinesa e a colocou de lado, juntamente com o livro de Mitologias.

–Será que eu posso perguntar como isso seria possível?

–Como é possível que criaturas como Incubus existam por ai e estejam entre nós? Bem, essa é fácil, da mesma forma que nós somos humanas e nascemos e crescemos sem ter a certeza do por que e do como existimos. Eles não são tão diferentes de nós.

Marian ergueu uma sobrancelha.

–Ah, não são? Minha cara amiga você percebeu que está me dizendo que demônios assassinos estão bem ai do lado de fora da nossa porta? E que, aliás, seu namorado é um deles?

–Sim, eu sei e você acha que eu sou louca. – disse Lila.

–Só um pouquinho. – Marian forçou um sorriso nervoso a passar pelos lábios – Tudo bem, agora conte-me direito essa história maluca de Macon Ravenwood ser uma criatura das Trevas.

Se não posso confiar em Marian certamente que não posso confiar nem em mim mesma, pensou Lila antes de embarcar em horas de uma história longa e cansativa.

Contou para a amiga como depois de algumas semanas percebeu que havia algo de errado com Macon. Como ele a beijara abruptamente pela primeira vez e depois gritara com ela mandando-a sair de seu apartamento. Como depois ela viera a descobrir o que ele era (e como sentiu que teria corrido para o mais longe possível dele não fosse o fato de já estar tão apaixonada que não conseguira fazer isso).

Relatou os acontecimentos que se seguiram: os aparecimentos de Hunting (que parecia ter como meta de vida infernizar o irmão mais novo), seu aniversário maravilhoso em Gatlin e as férias que os dois passaram lá como um tipo de “lua de mel” a qual não incluía intimidade, mas que nem por isso deixara de ser magnífico, pelo contrário o convívio puro dos dois tornara as coisas ainda mais belas.

Falou sobre os túneis conjuradores e os próprios Conjuradores, descreveu a família de Macon e a inimizade que Barclay e Isabel mostram a ela, mas também falou sobre o quão gentis eram Arelia, Leah, Del e os outros. Perdeu-se em suas divagações sobre as habilidades sobrenaturais que a família possuía, como controlar os elementos da natureza, adivinhar coisas e ver os sonhos de outras pessoas.

Por fim ela chegou à “discussão” de Macon com a mãe na mesa de chá, quando esta o forçara a revelar a Lila toda a verdade sobre os seres Sobrenaturais; que eles jamais poderiam se relacionar com Mortais. Lila revelou a Marian o que Arelia lhe dissera sobre a tal “profecia” dos dias novos e as duas encararam o nada por um momento pensando no quão ridiculamente esperançosa soava aquela predição.

–Você me acharia pirada se eu dissesse que acredito em tudo o que você disse? – perguntou Marian por fim.

–Não. – respondeu Lila – Na verdade eu ficaria grata, mas porque você acredita nessa história? Quer dizer sou eu quem deve parecer pirada, pois fui eu quem te contou tudo isso.

Marian deu de ombros.

–Provavelmente nós duas somos loucas. – ela riu – Mas eu acredito na história porque acredito em você e creio que não mentiria para mim.

–Obrigada, May.

–Não há de que, mas são três e quinze da manhã e nós temos aula em menos de cinco horas, então acho melhor irmos para a cama, você não acha?

–Se importaria de me dar um último conselho antes disso?

–Não, pode falar.

Lila retirou os óculos e dobrou a armação colocando-a com cuidado na pilha de livros sobre filosofia grega na mesinha ao seu lado. Ganhou tempo fingindo pegar um elástico no bolso para prender os cabelos, pois evitava perguntar o que mais desejava e o que mais temia.

Sem escolhas ela finalmente falou:

–Você acha que eu estou fazendo a coisa certa?

A morena a sua frente mordeu o lábio por um instante, porém como sempre ela tinha uma resposta na ponta da língua.

–Eu acho que se alguém me amasse o tanto que Macon te ama eu não desperdiçaria essa paixão. – Marian esticou a mão e apertou os dedos finos de Lila nos seus por um momento antes de soltá-los – Amiga, se você corresponde à esse amor, mande o resto ir se danar.

Lila meio que sorriu; meio que riu.

–Obrigada, May.

–Não, precisa agradecer, Lila Jane. – disse ela ao se levantar do sofá – Boa noite.

–Boa noite.

Lila suspirou e se levantou também. Jogou os restos de comida no lixo e fez o mesmo com os pedacinhos de papel picado que ela rasgara do biscoito da sorte. Hesitantemente ela colocou a tampa de volta ao cesto.

Você perderá alguém que ama, que tipo de mensagem era aquele para se colocar em um biscoito da sorte?

Cansada, Lila se arrastou até o quarto pensando que talvez quisesse uma dose daquela tequila que Marian falara mais cedo.

...

Na manhã seguinte a rotina foi reestabelecida e de certa forma Lila se sentia feliz com aquilo. Ela tomou café da manhã com Marian (as duas comeram cereal, pois era a única comida que ambas sabiam “cozinhar”) e elas se sentiram a emoção de checar o material didático cinco vezes para ter certeza de que não haviam se esquecido de nada.

Quando faltavam vinte para as oito houve uma batida na porta e Lila correu para atendê-la. Macon usava calça de sarja, um suéter azul escuro e seu melhor meio sorriso.

–Olá, Jane. – ele a cumprimentou.

–Bom dia, Ravenwood. Vamos para a aula?

Lila se despediu rapidamente de Marian e os dois saíram do dormitório rumando o prédio em que sua primeira aula seria ministrada. Eles caminharam por um longo tempo até Macon resolver falar.

–O que há com você hoje? – perguntou ele.

–Comigo? Nada por quê?

–Porque você está calada e geralmente você não consegue ficar quieta nem por dois minutos!

Deve ser a culpa, pensou Lila. Sim, ela se sentia extremamente culpada por ter contado à Marian sobre Macon. Ele confiara à ela toda a sua vida e toda a sua história e ela o traíra contando seus segredos à outra pessoa. Ela se sentia envergonhada pelo que fizera.

Não posso viver muito mais tempo com isso, pensou ela antes de começar a falar:

–Preciso te contar uma coisa, e acho que vai me odiar depois disso.

Macon parou de andar e se virou para ela.

–O que você tem para me contar que me faria odiar você? Porque não consigo pensar em nada.

Lila baixou os olhos, seus sapatos de repente parecendo extremamente interressantes.

–Eu traí sua confiança. Eu sinto muito.

–Não estou entendendo nada, Jane.

É agora. Adeus, meu amor.

–Contei à Marian seu segredo.

Macon não disse nada. Ele bufou, e em sua respiração ela sabia que ele estava com raiva. Não pôde suportar Lila deu-lhe as costas e se apressou em seguir a outra direção, seus olhos lacrimejavam.

Ela não deu nem cinco passos sem antes sentir uma mão em seu braço puxando-a de volta. Macon ergueu-lhe o queixo firmemente em seus dedos.

–Eu não estou feliz, mas não a odeio. – disse ele com um misto de raiva e gentileza na voz – Não sou perfeito, Jane e não espero que você seja. Diga a Marian que ela não pode contar para ninguém ou as consequências serão feias para ela. Não a estou ameaçando caso pense isto, estou alertando-a que outros como eu podem querer silenciá-la.

Lila assentiu.

–Eu sinto muito, fiz sem pensar. Eu precisava tanto conversar com alguém imparcial... Ah, Macon, me perdoe.

Macon se deixou ser abraçado pela menina em prantos e acariciou os cabelos dela até que esta parasse de chorar.

–Eu te perdoo. – murmurou ele – Você tem que ir para a aula.

–Eu sei.

–Vá ao meu apartamento esta noite, precisamos falar abertamente um com o outro, você não acha.

Lila enxugou os olhos.

–É, precisamos.

Notas finais
Novamente peço desculpas pelo tempo que fiquei sem postar nada. A culpa é das provas, mais de uma semana inteira cheia delas. Acabei não tendo muito tempo para revisar o capítulo e sendo assim apenas passei os olhos por ele e concertei os errinhos que vi por cima, se houverem mais me avisem. Obrigada pelas visualizações que continuaram a surgir mesmo nesse tempo que fiquei sem postar, isso me deixa feliz. Os comentários de todos os gêneros são sempre bem-vindos e sempre serão respondidos atenciosamente, então se quiserem me dizer alguma coisa sintam-se livres para fazê-lo.