Beautiful and Dangerous
3 2. Temporal
Notas iniciais
Você pode não acreditar em destino, no entanto é quase impossível negar que certas coisas ocorrem de forma tão perfeita que quase soa engraçado.
Lila tinha o hábito (que era praticamente um vicio) de ir à biblioteca da universidade pelo menos três vezes por semana. Ela se sentia em casa, acolhida pelo cheiro dos livros e pelo doce sentimento de estar cercada por conhecimento, então sempre que podia ia até lá para fazer um empréstimo ou simplesmente para passear por entre as estantes anotando o nome dos próximos exemplares que leria.
Não havia sido diferente naquela tarde. Ela marcara os títulos dos livros desejados em um bloco de notas e depois pegara emprestado um livro clássico. Foi somente na hora de ir embora que ela percebeu a tempestade que despencava do lado de fora da biblioteca, não tinha jeito dela sair daquele lugar sem ficar completamente encharcada.
Ela tinha um guarda-chuva, pois já estava chovendo quando chegara, porém agora não era mais apenas alguns pingos era um verdadeiro vendaval. Não havia remédio a não ser se sentar e esperar que o temporal passasse. Lila foi até uma mesa no canto da biblioteca e se sentou, porém encontrou-se sem vontade de ler nada então apenas deixou seus olhos vagarem impacientemente pelo recinto.
Esperou sentada por cerca de vinte minutos, mas a chuva não diminuíra em nada. Ela havia começado a pensar em embrulhar o livro na blusa e colocá-lo na bolsa para sair e enfrentar a tempestade até o dormitório quando ouviu uma voz atrás de si.
–Jane?
Lila se virou para encontrar Macon parado próximo a uma estante, estava todo vestido de preto, tirando a camisa que usava por debaixo do casaco que era branca. Ela não pode conter um sorrisinho ao acenar para ele.
–Oi, Macon. – cumprimentou ela.
–O que está fazendo aqui no meio desse temporal? – perguntou ele.
–Eu cheguei antes que o mundo parecesse que ia desabar lá fora. – explicou e conseguiu tirar dele uma pequena amostra de risada – E você, o que faz aqui?
Macon se aproximou relutantemente e deslizou para o assento à sua frente, colocou um livro entre eles e Lila quase engasgou ao ver o título, pois era o mesmo que ela acabara de pegar.
–Você gosta desse autor? – perguntou ela.
–Eu o acho genial, para falar a verdade. – respondeu o rapaz.
–Que bom, eu acho o mesmo.
Lila levantou o próprio livro que estivera apoiado em seu colo e Macon sorriu ao ver as capas idênticas.
–Uma boa escritora e uma leitora de gosto refinado. – disse ele pensativamente – Eu acho que a universidade deveria se sentir honrada por tê-la como aluna.
As bochechas dela coraram e ela desviou os olhos.
–Vai ficar aqui até a tempestade passar? – perguntou Macon.
–É o que pretendo.
Ele a examinou durante um instante, como sempre parecendo medir suas palavras ao falar com ela, mas por fim acabou dizendo o que desejava.
–Eu poderia te dar uma carona até o dormitório se você quiser. Vim de carro.
–Ah, eu agradeceria. – respondeu ela, feliz em não precisar mais ficar vendo o tempo passar enquanto esperava que a chuva cessasse.
Ambos se levantaram e Macon a guiou até o estacionamento coberto da biblioteca, ao chegar lá, porém Lila se surpreendeu quando o garoto parou em frente à um rabecão. Ela examinou o carro singular por um momento antes de se voltar para ele com um olhar curioso.
–Por que você tem um carro fúnebre? – perguntou sem conseguir se conter.
Um sorriso torto apareceu no canto se seus lábios.
–Eu acho interessante. Não é o tipo de carro que todo mundo tem, gosto de ser diferente.
–Estou vendo, mas devo acrescentar que eu nunca na minha vida esperava entrar em um carro desses. – disse ela rindo levemente.
Abriu a porta do rabecão e se sentou no banco do carona enquanto Macon fazia o mesmo. Ele deu a partida e saíram em direção ao dormitório. Lila vasculhou o espaço ao seu redor com os olhos e estes pararam em uma plaquinha de madeira que estava pendurada no espelho por uma fita vermelha. A letra “R” estava gravada nele.
–O que significa esse “R”? – perguntou à Macon, apontando a plaquinha de madeira.
–Ravenwood. – respondeu ele – É o meu sobrenome.
–Ah.
Ela voltou os olhos para a janela vendo a chuva encharcar o vidro do carro.
–Qual o seu sobrenome? – perguntou o rapaz.
–Evers. – ela sorriu – Lila Jane Evers.
Eles ficaram em silencio depois disso, não demorou muito para que chegassem ao dormitório da faculdade, pois era uma viajem de pouquíssimos minutos. Assim que o carro parou a moça soltou o cinto de segurança e pegou suas coisas, hesitando a sair.
–Obrigada pela carona. – disse ela – Você... Você quer entrar?
–É melhor não. – respondeu Macon.
Ela assentiu já esperando por aquela resposta e começou a sair do carro, mas foi a vez dele a impedi-la. Sua mão pegou a dela fazendo com que se virasse provavelmente espelhando a expressão dele no outro dia.
–Será que nós poderíamos tomar um café depois da aula quarta-feira? – perguntou ele.
–Claro. – ela sorriu.
Baixou os olhos para as mãos que ele ainda mantinha juntas, mas que ao olhar dela soltou de imediato e então ela finalmente saiu do carro. Ficou olhando enquanto ele se afastava, perdida em um pensamento de repentina ansiedade para a próxima quarta-feira.
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