Beautiful and Dangerous
20 19. Premonição
Notas iniciais
Durante o caminho de volta para a universidade Lila ficou calada. Pela primeira vez ela estava guardando algo para si, pois achara que era melhor não compartilhar com Macon a conversa que tivera com a mãe dele. As palavras de Arelia enchiam sua mente, fazendo-a ponderar e especular. Quando pararam em frente ao dormitório de Lila já estava escuro lá fora e sua cabeça doida.
Saíram do carro e Macon retirou a bagagem dela de dentro do porta-malas enquanto Lila observava a noite. O céu de ébano e a estranha falta de estrelas faziam com que ela se sentisse envolta em um manto de Trevas, porém ao longe, uma lua cheia brilhante iluminava a noite obscura dando-lhe uma impressão que de repente ela reconheceu como sendo uma verdade absoluta: Até mesmo as Trevas mais profundas tinham um ponto de Luz.
Lila concluiu que o mundo era feito de rachaduras, pois era assim que um fio de Luz vazava cada grande Escuridão.
Nada era preto no branco.
Ela olhou para Macon com o canto dos olhos e ajeitou os óculos sob o nariz. O rapaz virou-se para ela, jogando a mochila no ombro e Lila captou um brilho dourado que passou por seus olhos, ela prendeu a respiração durante um segundo até garantir que eles ainda eram negros.
–Você está bem? – perguntou Macon.
Lila assentiu quietamente. Talvez ela estivesse é precisando consultar o oftalmologista novamente para trocar as lentes dos óculos.
–É melhor subirmos. – disse Lila, olhando para as luzes acesas na janela de seu dormitório e repentinamente ansiando por ver sua melhor amiga.
Adiantando-se ela começou a subir os degraus da entrada quando Macon puxou sua mão fazendo com que ela parasse subitamente. Lila se virou para ele, fitando-o parado no pé da escada com a mão segurando a sua.
–Jane, está tudo bem mesmo? Ainda está chateada comigo por causa de minhas omissões? – perguntou ele, a voz baixa e tensa.
–Está tudo bem, Macon, eu não estou chateada, mas passamos as férias todas em nosso mundinho e agora é hora da realidade nos atingir novamente, não é mesmo?
Ele assentiu.
–Só temos mais cinco meses. – murmurou Macon.
Era isso. Ela tinha cinco meses para dar um jeito em sua vida e encontrar uma forma pela qual os dois pudessem ficar juntos ou então as coisas poderiam tomar um rumo que eles não desejavam.
–Nós vamos dar um jeito. – prometeu Lila.
Macon largou a mochila e a mala de viajem de Lila no chão e subiu até onde ela estava puxando-a para um abraço. Ela enterrou o rosto e seu suéter sentindo o cheiro adocicado do perfume dele, aquilo se parecia tanto com um adeus que Lila sentiu medo do dia em que eles tivessem que se despedir de verdade.
–Ah, meu único amor... – sussurrou Macon.
Lila levantou o rosto e se deixou ser beijada por ele bem ali na porta da frente do dormitório da universidade por onde vários calouros e veteranos estavam transitando no momento vendo aquela ceninha. Beijaram-se por um longo tempo, parecendo um casal qualquer de filmes de romance melosos e por fim como sempre ocorria ele a afastou. Macon a fitou colocando uma mecha de seu cabelo liso atrás da orelha.
–Você se importaria se eu fosse para casa? – perguntou ele.
–Não. – respondeu ela – Mas tem certeza de que não quer subir? – perguntou.
–Tenho. – disse Macon – Estou precisando dormir, os sonhos de todo mundo na minha cabeça esse fim de semana não me fez bem.
–Ah! Tudo bem, nós nos vemos na aula amanhã?
–Provavelmente.
Macon deu-lhe um sorriso torto e depois entrou no rabecão e desapareceu misturando-se as sombras da noite. Lila se abaixou e pegou suas coisas, depois subiu as escadas rapidamente e bateu à porta de seu quarto. Marian a abriu com um grande sorriso.
–Janie! – disse ela apressando-se em abraçar a amiga.
–Minha nossa, May! Como senti sua falta! – disse Lila.
–Então entre, menina, eu pedi comida chinesa para nós!
Marian havia pedido uma grande variedade de pratos chineses e vários bicoitos da sorte. Resolveram abrir dois cada uma e ver o que sua sorte lhes dizia antes de jantarem. As mensagens de Lila diziam:
Você perderá alguém que ama.
Você perderá alguém que ama.
A cor sumiu do rosto da moça. Não era possível que as mensagens dissessem a mesma coisa! E quem era ela para acreditar em um biscoito da sorte?
May pegou os papeizinhos das mãos dela, lendo atentamente.
–Uau! – disse a morena – O que diabos é isso? O biscoito da maldição? Achei que tivesse pedido os da sorte que dizem coisas bonitinhas e aleatórias! E como as duas mensagens são idênticas?
–Eu não sei. – disse Lila pegando os papéis novamente e rasgando-os no meio – Acho que não quero saber.
Olhou para os papéis picados como se eles representassem grande ameaça e os colocou com cuidado sob a mesa de centro.
–May você é crédula? – perguntou ela.
Marian franziu as sobrancelhas.
–Se estamos falando sobre religião é melhor você ter tempo para ouvir a minha tese de doutorado... – disse Marian.
–Não estamos falando sobre religião. – rebateu Lila – Estamos falando sobre, você sabe, criaturas míticas com poderes sobrenaturais e que parecem humanas.
Marian riu.
–De onde você tirou essas ideias, Lila Jane?
–Estou falando sério. Se eu te dissesse que essas coisas existem o que você diria? – perguntou Lila cautelosamente.
Ela temia estar revelando o segredo de Macon para a pessoa errada, mas se não pudesse confiar em Marian não sabia em quem confiar e ela sinceramente precisava discutir sua situação com alguém que estivesse fora dela e pudesse ver as coisas com olhos diferentes.
A morena pareceu pensar, pegou uma das caixinhas de frango xadrez e mordiscou um pedaço antes de responder à amiga.
–Eu te indicaria um psiquiatra. – disse Marian fazendo graça a principio, porém depois seu rosto ficou lívido e ela encarou Lila de forma séria – Bem, eu acho que diria que sempre quis saber se o ser humano era a única criatura pensante no mundo e que imaginar pessoas com poderes é algo certamente grandioso. Mas, diga-me Janie, você tem algo para me contar?
Lila mordeu o lábio pensativamente.
–Você já ouviu falar em Incubus? – perguntou ela.
A outra menina pensou por um instante antes de ir até a pilha de livros no canto da sala e tirar de lá uma enciclopédia sobre mitologia universal. Passou as páginas à procura de algo e finalmente encontrou o que queria.
–Bem aqui! – disse ela apontando uma página inteira do livro. O titulo do texto era Incubi. Marian pôs-se a ler o primeiro trecho em voz alta. – Demônio masculino dos pesadelos. O Incubus costuma se alimentar de três coisas necessárias para sua sobrevivência; a primeira é o sangue de suas vitimas que o fortalece e mantêm sua saúde física estável; a segunda são os sonhos que rouba das mesmas e esta é uma técnica de sobrevivência menos eficiente; a terceira e última são os desejos de jovens mulheres, ela costuma consumir suas energias vitais alimentando-se delas em atos de amor. Suas vitimas raramente sobrevivem. A versão feminina deste ser é a Succubus, duplamente perigosa.
Marian terminou de ler e deu a Lila seu melhor sorriso nerd.
–Então porque mesmo você estava me perguntando sobre essa criatura horrenda?
Lila engoliu em seco.
–Porque essa criatura horrenda é o homem que eu amo. Macon Ravenwood é um Incubus.
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