Beautiful and Dangerous
18 17. Revelação
Notas iniciais
Naquela noite Macon não conseguiu dormir nem um pouco. Durante toda as férias ele tinha assistido aos sonhos de Jane da mesma forma que os Mortais viam televisão, porém naquele dia haviam muitas pessoas na casa e os sonhos e pesadelos de todas elas chegavam em sua mente embaralhados sem que ele soubesse como separá-los.
Ele tentou localizar aqueles que pertenciam à Lila, mas foi impossível tinha muita coisa misturada na sua cabeça, ele via Luas pintadas de verde e dourado, mergulhava em cachoeiras gigantescas, temia rostos que o fitavam...
Por fim ele se cansou de tentar dormir e desceu as escadas até o outro andar. Foi para a cozinha e tomou um grande copo d’água, mas sua cabeça já começava a doer com todas àquelas cenas acontecendo de uma vez só. Macon saiu para a varanda e se deparou com Hunting recostado em uma das vigas.
–O que você está fazendo aqui? – perguntou Macon.
Hunting sorriu enquanto tragava seu cigarro, bateu nele de leve com os dedos deixando que as cinzas caíssem sobre o piso de madeira.
–Boa noite para você também, Macon. – seu sorriso se alargou e tornou-se maldoso – Já não está conseguindo dormir?
–Eu ainda durmo sim, irmão. Meu problema são os sonhos deles invadindo minha cabeça.
Hunting franziu o nariz como se sentisse nojo de alguma coisa.
–Ah, os malditos sonhos deles, me enlouqueceram até a Transformação quando eu finalmente pude controlar aqueles que eu queria ver e roubar e aqueles que eu não queria.
Macon se conteve para não perguntar ao irmão como se acabava com os sonhos ou mesmo quanto tempo ele ainda teria até começar a passar as noites em claro. Ao invés disso ele repetiu sua pergunta inicial:
–O que você está fazendo aqui, Hunting?
–Ninguém me convidou para a reunião de família então eu resolvi aparecer por conta própria. Aliás, Macon, eu percebi que a garota ainda está viva e que a cada dia você a introduz mais no nosso mundo. Nem preciso dizer que está brincado com fogo, não é mesmo irmãozinho?
Macon estreitou os olhos.
–O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta, na verdade não é da conta de ninguém!
–Cedo ou tarde você vai matá-la. Eu só estou tentando te avisar. – Hunting deu de ombros e soprou a fumaça do cigarro, formando uma nuvem espessa que logo se dissipou.
Ele balançou a cabeça com raiva.
–Eu não sou como você e nem serei. – disse Macon com firmeza.
Um dos cantos do lábio de Hunting se levantou em um sorriso sínico, ele jogou a ponta do cigarro por trás do ombro e se aproximou do irmão, colocou uma mão em seu ombro, porém Macon logo se esquivou o que apenas o fez dar uma risada seca e sem humor algum.
–Você acha que eu quis matar Mary? Acha que por algum segundo eu tinha consciência do que eu faria com ela? – perguntou ele de forma dura e por momento parecia que Macon estava encarando o irmão que perdera há muito tempo, aquele que apesar de rebelde ainda tinha algum bom senso dentro de si – Eu não quis, Macon. Eu quis vê-la uma última vez e foi como se eu fosse outra pessoa, em um momento eu a amava, no outro eu não me importava com ela. O que era para ser um beijo de despedida se tornou um assassinato, um esquartejamento e eu nunca mais senti vontade de parar de matar as pessoas ou de me alimentar delas. Encare os fatos, meu caro, nós somos demônios e não podemos tentar nos passar apenas por anjos caídos. Espero que sua Lila tenha uma morte rápida.
Com isso Hunting Ravenwood se desmaterializou deixando um Macon atônito parado na varanda da casa dos Valentin.
...
No dia seguinte, depois do almoço quando todos os familiares já tinham ido embora e ficaram apenas as residentes da casa e os namorados todos foram para a varanda tomar um chá que Arelia havia preparado.
Lila e Macon estavam sentados um ao lado do outro juntamente com Leah, Twyla e Arelia.
–Então, Lila Jane, você gosta de estudar História? – perguntou a mãe de Macon.
–Adoro! – respondeu ela de imediato – A antiguidade é uma das minhas maiores paixões, eu quero ser historiadora e escritora, tenho vontade de fazer pesquisas sobre a história americana, mas também desejo fazer pesquisas sobre a realeza britânica. Há muitas questões ainda não respondidas em torno da família real inglesa sobre as quais eu gostaria de pesquisar.
Arelia sustentou um sorriso enquanto dava um gole em seu chá.
–Você pensa alto, é uma ótima característica para uma jovem. Se eu pudesse adivinhar alguma coisa sobre o seu futuro, e lembremos que eu posso, eu diria que alguns destes seus sonhos se tornarão realidade, mas que você também atingirá metas que jamais pensou em alcançar. Vejo que será uma grande guardiã do conhecimento.
–A senhora pode mesmo ver tudo isso? – perguntou ela.
Twyla deu uma risada.
–Não ela não pode ver nada, minha querida. Ela adivinha algumas coisas, mas não é vidente, minha irmã não costuma ser capaz de adivinhar coisas que estão longe de acontecer, porém creio que ela esteja certa a seu respeito, vejo em você certa determinação e inteligência que a levará para o alto!
As bochechas de Lila coraram por causa dos elogios. Ela sentia os dedos de Macon em seu cabelo virando as mechas entre si com delicadeza, ele parecia estar perdido em pensamentos, estava assim desde a hora em que ela acordou. Sua mente parecia estar distante.
–Isabel disse que queria que você pudesse adivinhar se ela vai para a Luz. – disse Leah para a mãe.
–Impossível. – respondeu Arelia – Mas, eu gostei de ver os Duchannes ontem, apesar de tudo.
–É. – concordou Leah – Agora que Del casou não vem mais me ver junto com a Izzy. É chato ter meias-irmãs crescidas.
–Ah, eu posso te afirmar uma coisa, minha querida, Del será uma ótima mãe. Eu sei disso. – disse Arelia cheia de orgulho do seu poder de Adivinhadora – Emmaline me disse o quanto está feliz por ela, todos estão animados. Eu até mesmo me peguei pensando que também gostaria de ser avó.
–Quem sabe um dia. – disse Lila sem prestar atenção alguma às palavras que saiam de sua boca – Acho que Macon teria filhos lindos.
Assim que Lila terminou de falar todos se viraram para ela fitando-a como se esta fosse um alienígena.
–O que foi? – perguntou ela.
–Você não contou à ela, Macon? – perguntou Arelia em um tom de advertência.
Macon pela primeira vez pareceu prestar atenção à conversa e parecia estar mais pálido que o habitual.
–Mãe... – começou ele.
–Conte a ela ou eu farei isso! – disse Arelia – Achei que eu tivesse sido clara quando disse para você não dar falsas esperanças á essa jovem.
Lila franziu a sobrancelha e olhou de um para o outro sem entender o que ocorria e o que Macon não estava lhe contando. Twyla e Leah pareciam prender a respiração.
Com cuidado ele se virou para Lila encarando seus olhos azuis. Ela via o quanto ele estava temeroso em pronunciar as palavras seguintes.
–Jane, eu lhe disse que nosso relacionamento não poderia durar e você sabe disso, mas eu não lhe contei por quê. Os seres Sobrenaturais não podem se relacionar fisicamente com os Mortais, pelo menos não sem matá-los. – Macon engoliu em seco – Eu nunca poderei lhe dar uma família.
Lila se levantou da cadeira abruptamente, derrubando o guardanapo que descansava sobre seu colo. Ela não sabia o que a deixa com mais raiva: o fato de Macon ter omitido aquilo dela ou fato de ela começar a se odiar por não ser como ele ou pelo menos parte do mundo dele.
Ela mordeu o lábio tentando segurar as lágrimas que viriam a seguir, no entanto já era tarde demais. Lila Jane Evers estava chorando por que seu coração estava partido, porque o homem que amava tinha mentido para ela e porque no fim ele a deixaria porque não poderia lhe dar uma vida humana perfeita.
Virando as costas para os seres Sobrenaturais na varanda, Lila simplesmente pôs-se a correr.
Fale com o autor