Notas iniciais
Novamente trazendo elementos de BC e das visões sobre o passado de Macon. Existem algumas coisas que me deixaram um pouco intrigada ao ler os livros e venho tentando solucioná-las na minha cabeça para poder escrever de forma o mais clara e coerente possível. Divirtam-se.

Trancada no quarto de Leah (aliás, o único lugar ao qual ela soube como chegar) Lila se sentou no chão com as costas apoiadas contra a cama e fechou os olhos. Tudo em que ela conseguia pensar era o porquê Macon havia mentido para ela, não havia necessidade de se omitir nada, ele podia ter confiado que ela não o deixaria por uma coisa tão... Boba.

Ela não encontrou palavra melhor para descrever a situação. Sim, ela gostaria de ter uma família um dia e sim ela obviamente gostaria de poder estar com Macon de todas as maneiras possíveis, mas ela jamais sacrificaria seu amor por ele, aquele sentimento tão puro e bom, para ter essas coisas.

Havia uma coisa em estar ao lado de Macon que fazia com que a relação dos dois fosse especial, a companhia um do outro era essencial, a forma como se entendiam... Ninguém jamais a compreendera da maneira que ele a compreendia.

Ouve uma batida na porta e Lila abriu os olhos, enxugando o rosto rapidamente.

–Jane, será que eu posso entrar? – perguntou Macon gentilmente.

–Entre. – disse ela.

Ele abriu a porta e depois a fechou atrás de si, caminhando até ela e sentando-se ao seu lado. Macon encarou a parede por um instante e depois pegou a mão dela com relutância e a levou aos lábios beijando a palma.

–Eu peço que me perdoe. – disse ele – Eu jamais quis esconder nada de você, até tentei lhe contar na noite em que te revelei o que sou, porém você me pediu para deixar isso para depois e perdi toda a coragem que tinha de dizer-lhe que um futuro entre nós dois era impossível, pois a cada dia que passava eu me apaixonava mais e ficava mais difícil me imaginar te dizendo adeus.

Lila assentiu quietamente.

–Eu só queria que você tivesse confiado em mim o suficiente para saber que eu não o deixaria assim tão fácil.

–Sei que não deixaria. – disse Macon – Jane, eu não sou egoísta o suficiente para lhe pedir que fique comigo e perca uma grande parte das coisas belas da vida, pois você merece muito mais do que eu jamais poderei lhe proporcionar. Vai chegar um momento em que serei uma ameaça à sua segurança e você terá de ir embora definitivamente, nós dois sabemos disso.

Ela balançou a cabeça.

–Não, nós não sabemos. Achei que tínhamos concordado que você lutaria por si mesmo.

–Concordamos, mas ainda assim...

Lila respirou profundamente e virou-se para Macon, levou a mão livre ao seu rosto acariciando a bochecha do Incubus com o polegar.

–Eu sei o que perderia na minha vida, Macon, mas nada substituiria você. Eu não me importo se não pudermos ficar juntos fisicamente, talvez um dia encontremos uma solução para isso, mas enquanto não encontrarmos eu estarei feliz simplesmente ficando ao seu lado. – ela sorriu de maneira encorajadora – E se um dia minha vontade de ser mãe for muito grande podemos adotar uma criança, alguém que necessite de carinho e afeto. Podemos fazer isso dar certo, basta querermos.

Macon a puxou para que se sentasse em seu colo de frente para ele e encostou a testa contra a dela.

–Ah, minha Jane. Tão determinada a amar um condenado, não sei até onde essa sua determinação é bela e o quando chega a ser tão absurda que a torna tola.

–Não sou tola, Macon, existem alguns sacrifícios que só fazemos pelas pessoas que amamos verdadeiramente. Vamos fazer isso dar certo, eu prometo, depois que você passar pela Transformação veremos como as coisas se desenrolam.

–Eu te amo tanto. – murmurou Macon.

Ele apertos os lábios contra os de Lila e a beijou cheio de desespero e paixão. Parte dela estava entregue ao momento, mas a outra parte divagava sobre a situação.

Será mesmo que Macon poderia ser o primeiro Ravenwood desde Abraham a conseguir domar seus instintos e se tornar um Incubus de sonhos? Ou será que, como todos em sua linhagem, ele se tornaria o demônio que nascera para ser e faria dela sua primeira vitima?

Lila afastou aqueles pensamentos e continuou a beijar seu amado até que ele a afastou.

–Já arrumou suas coisas? – perguntou Macon – Partiremos esta noite.

–Está tudo pronto. – confirmou Lila – Eu realmente quero ver Marian novamente, acho que preciso de uma típica noite de filmes entre as meninas.

Macon sorriu.

–Pode fazer isso assim que voltarmos para a universidade.

–É. – concordou ela – Mas por agora acho melhor eu me desculpar com a sua família por causa do meu ataque lá embaixo.

Ela se levantou e depois lhe ofereceu a mão puxando-o junto consigo para fora do quarto de Leah.

Desceram as escadas rapidamente e encontraram as mulheres conversando na sala de estar. Lila desculpou-se com elas por sua forma rude de deixar a mesa e todas dispensaram suas desculpas dizendo que, sabiam perfeitamente bem o quanto devia ser difícil para ela estar em um lugar cujo mundo não girava da mesma forma que o seu.

Porém, logo depois de Twyla e Leah se calarem Arelia pediu que Lila fizesse a gentileza de ajudá-la a retirar a mesa de chá na varanda e foi assim que ela soube que a mãe de Macon queria lhe dizer algo em particular.

As duas se encaminharam para a ampla varanda na frente da casa e começaram a recolher o jogo de chá, os guardanapos e as outras coisas. Não demorou nem um pouco para Arelia Valentin começar a dizer o que queria.

–Como eu disse lá dentro sei que deve ser difícil para você acompanhar o mundo no qual meu filho está inserido. – começou Arelia – Eu realmente aprecio seu amor por ele, Lila Jane. Desde o ano passado Macon estava mergulhado em um medo tão profundo por conta da aproximação da Transformação que eu não conseguia mais vê-lo feliz, porém desde que você entrou na vida dele meu filho tem estado tão alegre quanto jamais sonhei em vê-lo ser novamente desde que tinha uns cinco anos.

Lila mordeu o lábio e sentiu suas bochechas ficarem coradas por isso manteve a cabeça baixa e simplesmente assentiu.

–Eu quero lhe contar uma coisa. – disse Arelia baixando o tom de voz.

Ela pegou o braço da moça e desceu as escadas puxando-a junto consigo, andaram até o fim do quintal onde a cerca branca separava a casa da rua.

–O que a senhora quer me dizer? – perguntou ela franzindo a testa.

Olhou para casa e para Arelia, repetindo o movimento por três vezes consecutivas, pois estava óbvio que a Conjuradora não desejava que seus familiares ouvissem o que estava prestes a dizer e Lila se perguntava por quê.

–Escute com atenção, minha querida. – disse Arelia gentilmente – Pedi que Macon te falasse toda a verdade porque não acho justo que você seja enganada, porém existe uma brecha na qual meu filho se recusa a acreditar. Ele diz que tudo isso faz parte de contos de fada, mas eu sei que não e também sei que você é determinada o suficiente para acreditar em mim.

O coração de Lila começou a bater com tanta força que ela jurava que podia ser ouvido até mesmo do outro lado da rua.

–Senhora Valentin, por favor, fale-me como podemos encontrar esta brecha, eu farei tudo o que estiver ao meu alcance para não ter que dizer adeus à Macon.

–A brecha à que me refiro é na verdade uma profecia que ouvi certa vez. Essa profecia prevê que um dia que não está muito longe de chegar os Sobrenaturais e os Mortais poderão fazer mais do que apenas coexistir. Haverá um dia no futuro em que Luz e Trevas existirão em uma mesma Conjuradora, que um Incubus andará sob a luz do dia... Que um novo ciclo se iniciará e nele poderemos de certa forma escolher quem desejamos ser e quem desejamos amar.

–Eu não entendo... – murmurou Lila atônita diante das palavras da Adivinhadora – Como tudo isso pode acontecer tão de repente?

–Não será tão de repente e nem será tão simplesmente. – previu ela – Mas estou lhe dizendo a verdade, você pode assim como Macon, não acreditar nessas palavras, porém isso tudo irá ocorrer. Infelizmente não posso lhe afirmar que você e meu filho vivenciarão a mudança, mas ela acontecerá.

Lila absorveu as palavras se enchendo de tamanha esperança que ela sabia que doeria muito se as coisas dessem errado e ela acabasse desapontada, no entanto ela também sabia que faria o possível e o impossível para encontrar um modo pelo qual Sobrenaturais e Mortais pudessem ficar juntos.

Notas finais
Agradeço a cada visualização que a história tem tido. Deixem comentários é sempre ótimo ouvir a opinião de vocês.