Beautiful and Dangerous
17 16. Divergências
Notas iniciais
–Desculpe pela confusão lá embaixo. – disse Leah – Isabel e Barc não acham que isso seja certo. Mamãe apoia Macon, ela quer muito que ele seja feliz, que deixe de ser o rapaz temeroso que se esconde de todos. O resto do pessoal é indiferente, mas eu sinceramente também estou feliz por Macon e quero que saiba que gostei de você.
A menina ofereceu a Lila um sorriso consolador.
–Obrigada, Leah.
Ela ainda estava se sentindo sensível com toda a situação, era horrível saber que a família de Macon não gostava dela porque era uma estúpida Mortal. Lila nunca fora o tipo de pessoa que possui uma autoestima baixa, ela sempre tivera grande consciência de quem era, de suas qualidades e tentava se valer disso sempre, porém naquele momento pela primeira vez ela estava se sentindo tão pequena quanto uma formiga.
Estavam no segundo andar onde Leah a havia mostrado todos os quartos e agora estavam no dela, ambas sentadas nas cadeiras da escrivaninha.
–Eu não quero ser um problema na sua família. – disse ela – Eu amo seu irmão.
–Acredito em você. – respondeu Leah – Você foi louca o suficiente para vir até uma casa cheia de Conjuradores. Para falar a verdade você é louca o suficiente para estar com Macon. – ela riu – Aprecio sua determinação.
–Obrigada.
Ouviram uma batidinha leve na porta aberta e Del entrou no quarto.
–Perdoe Barcley, Jane. Ele é muito... Antiquado. Vou fazê-lo pagar por isso. – disse ela.
–Tudo bem, Delphine.
–Me chame de Del.
Ela caminhou até a cama e sentou-se balançando os pés. Lila reparou a pequena barriga que se projetava na blusa cor-de-rosa dela e lembrou-se que Macon lhe dissera que uma de suas irmãs estava grávida, ela só não se lembrava qual, mas agora sabia.
–Então... – ela tentou começar – Você já sabe o que é? – perguntou ela gesticulando em direção ao ventre da moça.
–Não. – disse Del – Mas eu espero que seja um menino.
–Barcley quer um garotinho? – perguntou Lila sorrindo.
Del pareceu pensar na resposta e Lila viu Leah morder o lábio e olhar para a meia-irmã de forma interrogativa.
–O que foi? – perguntou Lila.
–Macon te contou sobre a maldição dos Duchannes? – perguntou Del.
Ela balançou a cabeça negativamente. Macon nunca havia mencionado nenhuma maldição que não fosse o que ele considerava ser sua condição de ser das Trevas.
–As meninas Duchannes tem que enfrentar o que chamamos de Invocação no dia de seu aniversário de dezesseis anos. Elas são Invocadas para a Luz ou para as Trevas e não tem poder de escolha e nem podem mudar de lado.
–É por isso que você quer um menino?
Del assentiu.
–Eu não gostaria que a minha filha passasse dezesseis anos temendo o dia de seu aniversário. Eu temi esse dia e minha irmã também o teme. Somos impotentes graças a Genevieve.
–Quem é Genevieve? – perguntou Lila.
–A ancestral Duchannes que amaldiçoou toda a nossa linhagem ao tentar trazer o amor da vida dela de volta a vida. É uma história trágica do tipo Romeu e Julieta, só que a Julieta continuou viva, amaldiçoada e se tornou do mal. – explicou-lhe Delphine.
Leah sufocou uma risada e Del franziu a testa para ela.
–Não ria, você não sabe o que é temer fazer dezesseis.
–E você não sabe o que é temer fazer vinte e ter toda a certeza de que você será das Trevas. Mas vamos lá, Del, você tem que admitir que Julieta do mal soou engraçado.
Del revirou ou olhos.
–Tudo bem, soou engraçado.
–Jane! – elas ouviram Macon chamar do corredor – Jane, onde você... – ele as viu pela porta aberta – Ah, ai estão vocês! Será que eu posso falar a sós com a minha namorada?
Leah e Del assentiram solenemente e depois saíram do quarto deixando-os sozinhos. Macon tomou o lugar de Leah e sentou-se de frente para ela.
–Eu não achei que eles fossem se importar. Perdoe-me. Minha mãe já fez Barc e Izzy calarem a boca, podemos voltar lá para baixo. – disse ele.
–Eles não gostam de mim porque sou Mortal? – perguntou Lila.
–Não, Jane. Isso não tem nada a ver com você, tem a ver comigo. Eles não aprovam que sendo o que eu sou e esteja com você. Acham que eu estou usando-a e que uma hora ou outra eu a matarei, não acreditam que eu possa amar verdadeiramente alguém.
–Bem, então eles não te conhecem como eu o conheço. Macon, você é capaz de amar, eu sei disso a cada momento que estou com você.
Lila se levantou da sua cadeira e sentou-se na pontinha da dele, abraçou-o com força e então o beijou. Ela apenas se deu conta de que estava chorando quando Macon começou a enxugar suas lágrimas como beijinhos delicados que se espalhavam pela trilha molhada de lágrimas em sua bochecha.
–Não chore. Por favor, eu não quero vê-la triste. – pediu Macon.
Ela assentiu e se recompôs, depois ambos desceram as escadas, as mãos dadas sem nunca se soltarem. Um tentava passar conforto para o outro.
Isabel os esperava no pé da escada.
–Lila, eu sinto muito. – disse ela – Acho que eu me sentiria muito mal se as pessoas desaprovassem meu relacionamento com John, porque eu o amo assim como você ama Macon. Desculpe pelo que eu disse.
–Tudo bem, Isabel. – respondeu Lila.
Macon mantinha-a próximo a si. As pessoas na sala de estar pareciam desconfortáveis, certamente não sabiam o que fazer e nem o que falar, aquela atmosfera pesada incomodava Lila e tudo em que ela conseguia pensar era que ela queria poder pertencer àquele mundo de alguma forma. Ela queria ser boa o suficiente para Macon como ele queria ser bom o suficiente para ela.
Certamente que, entre eles, as divergências não importavam. Quando estavam juntos e sozinhos era como se não precisassem de mais nada, poderiam passar uma eternidade discutindo livros, teorizando sobre história mundial e trabalhando em pesquisas como a do trabalho universitário que os unira. Eles eram duas almas velhas em corpos jovens e não se importariam de ter apenas um ao outro pelo resto de seus dias.
No fim, quando tudo terminasse, seus corações ainda bateriam um pelo outro.
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