Notas iniciais
Antes de escrever o capítulo eu pesquisei nos livros um pouco mais sobre a família de Lila, porém pouca coisa é citada sobre eles. No entanto estarei utilizando todos os dados que consegui. Divirtam-se.

Na manhã do dia 24 de dezembro Lila chegou à sua casa na Savannah. Caroline já estava lá assim como alguns dos parentes mais próximos da família que ceariam com eles naquela noite. Assim que a porta se abriu ela foi recebida pela mãe.

–Ah, minha Jane! Eu senti tanto a sua falta!

–Eu também mamãe. – disse ela sorrindo.

Ao soltar-se da mãe ela ficou automaticamente abalada. A mulher parecia mais fraca e cansada do que de costume. Havia tempos que Lila sabia que sua mãe estava doente, porém não esperava encontrá-la parecendo tão frágil assim, fitá-la fazia com que seus olhos ardessem com as lágrimas que ela não queria derramar na frente das visitas.

–Entre, minha filha. Seu quarto ainda está do mesmo jeito, então se quiser deixar a mala lá em cima é só subir.

–Obrigada, mãe, eu vou colocar essas coisas lá então.

Lila subiu as escadas rapidamente e foi seguida pela irmã.

–Ela está pior. – disse ela para Caroline.

–Papai disse que ela está apenas cansada. – disse a moça tentando acalmá-la — Passou a semana toda cozinhando e arrumando a casa para o Natal.

Ela balançou a cabeça em afirmação, desejando que sua irmã estivesse certa e abriu a porta de seu antigo quarto. Como dissera a mãe, estava tudo do mesmo jeito que ela deixara e o sentimento de entrar ali novamente era algo tão confortável quanto ela jamais imaginou que seria.

–Onde está o papai? – perguntou ela enquanto colocava sua mala em cima da cama.

–Ele saiu para comprar alguns ingredientes que estavam faltando para a salada da tia Judith. E ai como foi o fim de semestre?

–Uma correria! – reclamou Lila — Foi completamente estressante ter que decorar tanta coisa em tão pouco tempo. Algumas vezes eu tinha três provas no mesmo dia.

–Eu também. – disse Caroline sentando-se na cadeira da escrivaninha.

Lila olhou ao redor do quarto melancolicamente e se lembrou de quando as duas eram mais novas, ela costumava seguir a irmã mais velha pela casa. Pegava seu dever de casa e tentava resolver as questões mesmo quando ainda nem mesmo estava na escola, talvez tenha sido assim que seu raciocino se tornara tão rápido e ela tão esperta.

Caroline e ela tiveram uma infância feliz, brincavam de boneca todos os dias e a mãe delas sempre trançava seus cabelos antes de irem para aula. Estar em casa significava se lembrar disso e, ver a mãe doente significava pensar se aquele tempo não havia sido curto demais.

Ela balançou a cabeça tentando livrar-se daqueles pensamentos ruins e subitamente lembrou-se de uma coisa.

–Eu vou embora depois de amanhã. Não vou poder ficar mais tempo. – informou ela à Caroline.

–Por quê? – questionou a mais velha.

–Macon virá me buscar para irmos à Gatlin, vamos passar o resto das férias de inverno lá.

–Gatlin? – Caroline riu – Aquela cidadezinha insignificante no mapa?

–Ele é de lá. – respondeu Lila.

Retirou da bolsa o vestido que usaria no jantar e o pendurou em um cabide para que não ficasse amarrotado.

–Então Macon está lá passando o feriado com a família?

–Na verdade não. A mãe dele mora em Nova Orleans e é para lá que ele foi.

Caroline assentiu quietamente, então ouviram uma batida suave na porta e ela se abriu. O pai das meninas apareceu com uma expressão alegre no rostoe estendeu os braços para Lila que automaticamente se jogou neles.

–A filha pródiga retorna. – ele sorriu acariciando os cabelos de Lila.

–Não se esqueça de mim! – reclamou Caroline.

–Não ligue para ela! – rebateu Lila – Senti saudades.

Caroline revirou os olhos e se levantou desaparecendo pelo corredor, deixando-os sozinhos.

–É bom te ver. – disse o pai de Lila.

–Idem. – ela sorriu.

O Sr. Evers era um homem sorridente e muito dedicado à família, gostava de levar as meninas ao parque quando eram crianças e sempre as deixava tomar sorvete, mesmo quando a mãe delas dizia que não.

–Então como vai a universidade? É o paraíso que você esperava?

Ela se sentou na beirada da cama e pegou um elástico de dentro da bolsa, depois prendeu o cabelo.

–Você nem imagina. É um lugar maravilhoso!

–Quando você tem que voltar?

Lila mordeu o lábio. Não queria dar essa resposta, porém sabia que se quisesse mesmo ir à Gatlin com Macon teria que dizer aos pais sobre seus planos. Mas como dizer-lhes isto sendo que ela nem mesmo contara que eles estavam namorando?

–No dia vinte de janeiro, mas não vou poder ficar em casa esse tempo todo. Eu meio que concordei em ir para Gatlin com um amigo.

–Um amigo? – o Sr. Evers ergueu uma sobrancelha.

Ele não era bobo, sabia que a palavra “amigo” significava outra coisa, assim como sabia que Caroline jamais gastava sua mesada com os livros que ela prometia comprar.

–Macon Ravenwood. Ele rapaz legal, papai. A Carol o conhece, pode perguntar a ela.

Seu pai cruzou os braços.

–Então suponho que a casa onde vocês ficarão vá estar cheia de gente.

Lila ofereceu-lhe um sorriso inocente e infantil.

–Por ai.

–Não sei se a sua mãe vai gostar dessa ideia. – disse ele balançando a cabeça.

–Eu vou conversar com ela. Prometo.

...

O Natal passou como de costume: eles comeram as mesmas refeições de sempre, as tias e tios de Lila riram, fizeram piadas e reclamaram da falta de sal na comida. Caroline deixou a mesa primeiro que todo mundo e foi ligar para seu namorado atual. Lila ajudou a mãe com a louça e retirou a mesa depois que todos haviam comido.

Enquanto secavam as louças Lila e a mãe conversavam sobre o tempo que ela passaria em Gatlin.

–Eu quero conhecê-lo primeiro. – disse a Sra. Evers.

Ela guardou o jogo de copos no lugar e se virou para a filha. Lila soltou um suspiro antes de respondê-la.

–E eu já disse que ele virá até aqui me buscar e que faz questão de conhecer a senhora, mãe.

–Bem, nesse caso acho que ele já ganhou alguns pontos comigo. – disse a mãe sorrindo – Mal posso esperar para conhecer o rapaz que roubou o coraçãozinho da minha filhinha!

–Mãe! – Lila revirou os olhos.

Empilhou os pratos e abriu o armário para guardá-los.

–Vá descansar, Jane, querida. Amanhã falamos mais sobre isso, suas tias vão adorar as novidades.

Os olhos dela automaticamente se arregalaram e ela se virou com cuidado e colocou as mãos sob os ombros da mãe.

–Mamãe, por favor, não faça isso. Não conte a elas sobre Macon, principalmente não para a tia Judith ou ela ficará falando sobre isso pelos próximos cinco anos. – implorou ela – Deixe que eles vão embora e você e papai conheçam Macon em paz. Eu lhe peço isso.

A Sra. Evers riu.

–Tudo bem. Cedo ou tarde terei de falar, mas se preferir assim eu me calarei, agora vá descansar.

Lila olhou para mãe vendo novamente seus olhos fundos e cansados.

–Mamãe, a senhora está bem?

–É claro que estou. Não precisa se preocupar comigo, eu sou uma guerreira das mais valentes. Assim como você, Lila Jane. Nós somos mulheres que enfrentariam qualquer coisa e que fariam qualquer coisa se assim precisássemos.

Lila se inclinou e abraçou a mãe tentando esconder as lágrimas que novamente ameaçavam cair.

–Eu te amo, mamãe. Não se esqueça disso.

Notas finais
Obrigada por todas as visualizações. Elogios e críticas são sempre bem vindos.