Beautiful and Dangerous
14 13. Ravenwood
Notas iniciais
Quando o dia 26 finalmente chegou Lila acordou cedo, verificou se todas as roupas que queria estavam na mala, se arrumou e ficou esperando perto da janela. Ela sabia que, agindo assim, parecia uma colegial boba e sonhadora prestes a ter seu primeiro encontro e não uma universitária que passaria o resto das férias ao lado de seu namorado-Incubus-complicado.
Visitar Gatlin novamente era algo excitante. Macon lhe prometera que desta vez ela poderia conhecer o interior da casa de Ravenwood e que a levaria para conhecer cada uma das ruas da cidadezinha que ele nomeava odiosa. Não que Gatlin fosse grande coisa, pois não era, mas era a sua oportunidade de estar em contato com o mundo Conjurador.
Macon já havia lhe contado coisas o suficiente sobre este mundo que ela desconhecia, porém ela sabia que Gatlin tinha uma dessas bibliotecas com livros Sobrenaturais que ela estava doida para ver.
No momento em que o carro fúnebre de Macon parou no gramado ela pulou do sofá e foi instantaneamente para a porta, abrindo-a para ele.
–Bom dia, Jane. – ele sorriu.
–Bom dia. — ela sorriu de volta — Venha, eles estão esperando para te conhecer.
Os dois se dirigiram para a sala de estar onde a família da moça estava esperando para conhecer Macon.
–Pessoal esse aqui é Macon Ravenwood. Macon, meus pais Janet e Robert Evers e a minha irmã que você já conhece.
–É um prazer conhecê-los. Sua filha é uma pessoa muito especial para mim.
Lila forçou um sorrisinho a passar por seus lábios.
–Eu vou pegar a minha mala lá em cima enquanto vocês conversam.
Ela subiu apressada os degraus até o andar superior e foi até seu quarto, pegou a mala e com um pouco de dificuldade a desceu.
–Pode ficar tranquilo, Sr. Evers. – ela ouviu Macon dizer – Minhas irmãs estarão conosco em Gatlin e daqui alguns dias eu pretendo levar Lila para conhecer a minha família em Nova Orleans, minha mãe também está ansiosa em conhecê-la.
–Então fico feliz, cuide bem de minha garotinha, rapaz.
Lila revirou os olhos para o apelido de seu pai e entrou na sala carregando sua mala.
–Eu não sou mais uma garotinha, papai.
–Eu sei. – ele suspirou – Quero que me ligue a cada dois dias.
–Robert! – a mãe de Lila exclamou – Tudo bem, querida, é melhor vocês irem ou seu pai vai acabar mudando de ideia.
Ela riu nervosamente e Caroline tentou sufocar uma gargalhada inutilmente. Macon se levantou e despediu-se dos Evers. Antes de saírem da casa, porém a mãe de Lila a puxou pelo braço e disse sem que ninguém pudesse ouvir:
–Eu gosto dele, aparenta ser um ótimo rapaz. Talvez um dia vocês venham a ser o casal de noivos mais lindo que já vi.
–Talvez. – disse ela sem prometer nada.
...
Seguiram para Gatlin em silêncio a principio, porém como Lila não era o tipo de pessoa que conseguia ficar calada por muito tempo ela teve que falar.
–Então... – começou ela – Suas irmãs vão mesmo passar as férias com a gente?
Macon revirou os olhos.
–É claro que não, mas seus pais não me deixariam te levar se eu dissesse que ficaríamos sozinhos em Ravenwood.
–Ah!
Era verdade. Se Macon tivesse dito isso o pai de Lila nunca deixaria que ele levasse a filha para Gatlin.
–Você não me disse que sua mãe estava doente.
Quando Macon proferiu aquelas palavras Lila sentiu um abalo de emoções ocorrer dentro dela, suas mãos se apertaram ao redor da alça da bolsa com força e ela permaneceu com os olhos baixos enquanto o respondia.
–Você percebeu, não é mesmo? Ela não está muito bem de saúde há uns dois anos.
–Eu sinto muito, Jane. Eu não... Eu não sabia.
–Tudo bem, eu não gosto de falar nisso. Não gosto de imaginar que ela pode nos deixar. Sabe, eu odiaria morrer jovem, principalmente se eu tivesse filhos... Acho que a morte é mais difícil de enfrentar para aqueles que ficam do que para aqueles que se vão.
Uma lágrima escorreu por seu rosto e ela a enxugou rapidamente.
–Você não vai morrer jovem. – disse Macon – E talvez demore anos para que sua mãe a deixe.
–Talvez. – murmurou ela – Odeio essa palavra.
–Então falemos de outra coisa. Você terminou de ler Orgulho e Preconceito?
Embarcaram em uma conversa sobre os detalhes do livro, falaram sobre outras obras da autora e mal se deram conta da passagem da estrada do lado de fora do carro, quando finalmente chegaram a Ravenwood aquele sentimento ruim que atormentara Lila já havia desaparecido.
Como da outra vez ela se deparou com uma casa caindo aos pedaços, porém quando Lila e Macon adentraram o lugar ela se surpreendeu. A casa era decorada ao mesmo modo que o apartamento do rapaz, porém era gigantesca.
Grandes janelas estendiam-se por toda a sala de estar e no centro havia uma escada espiral que levava ao andar de cima. Aquele lugar era lindo.
–Eu não sei por que eu ainda me surpreendo, quando se trata de você tudo é sempre tão... Magnífico. – disse Lila a Macon.
–Quer ver lá em cima? – perguntou ele.
–Quero sim.
Macon pegou sua mala e eles subiram até o outro andar. A casa devia ter mais quartos do que qualquer outra coisa. Lila não perdeu tempo contando quantos, apenas observou encantada cada cômodo que Macon a mostrava até que chegaram ao último quarto.
–Este aqui é o meu. – disse ele abrindo a porta.
O quarto também era bem parecido com o do apartamento, porém com a obvia diferença de tamanho. Macon colocou sua mala sob a grande cama que havia ali enquanto Lila analisava o cômodo.
–Eu pensei que poderíamos jantar aqui hoje. A Cozinha vai preparar tudo.
Lila ergueu uma sobrancelha.
–A Cozinha?
–Exatamente, são alguns truques sobrenaturais que facilitam muito a vida.
–Eu gostaria de poder usar esses truques já que não sou muito boa cozinhando, mas se quiser que eu tente fazer alguma coisa para comermos qualquer dia é só dizer. – ela riu.
–Por que você simplesmente não deixa que eu cuide disso e aproveita sua estadia em Ravenwood?
–Tudo bem.
Macon a puxou para si e a beijou.
–Quero tenha um dia de rainha. – disse ele em seu ouvido – Tome um longo banho e vista as roupas que estão no banheiro. Estarei esperando lá embaixo para jantarmos.
–Como você desejar, Sr. Ravenwood.
...
Lila deveria dizer que ela continuou a ser surpreender. Ao entrar no banheiro ela ficou certamente embasbacada.
A banheira estava cheia d’água e ao seu redor havia velas e aromatizantes, isso sem contar a garrafa de vinho junto da taça de cristal que haviam sido colocados na mesinha de granito. Isso era o que ela chamava de dia de rainha.
Ela também notou uma caixa com um grade laço prateado, que estava em cima da pia. Curiosa, Lila caminho até lá e a abriu, dentro estava um belo vestido preto com detalhes em bege e um par de saltos altos. Macon havia pensado em tudo, realmente prepara para ela um dia perfeito.
Como ele sugerira ela tomou um banho longo e relaxante, serviu-se de apenas um gole de vinho, mas foi o suficiente para ela. Vestiu-se e colocou os sapatos, embora tenha tido problemas em fechar o zíper do vestido até em cima, pois seus braços não alcançavam o topo do tecido. Frustrada por não conseguir realizar uma tarefa tão simples ela saiu do banheiro com a roupa ainda aberta na parte superior das costas.
–Macon? – chamou ela.
Percorreu o corredor e deparou-se com a escada e lá embaixo estava ele. Lila ficou impressionada ao vê-lo, Macon sempre se vestira muito elegantemente, mas nesta noite ele estava excepcionalmente lindo. Usava um terno preto e uma gravata vermelha e estava sorrindo de volta para ela como se visse na moça a mesma beleza que ela via nele.
Lila desceu as escadas rapidamente.
–Se importa em terminar de fechar para mim? – perguntou ela virando-se para que ele pudesse subir o zíper do vestido até o fim.
–Você está linda. – disse ele.
Ela se virou para Macon com um sorriso no rosto.
–Eu posso dizer o mesmo de você, Sr. Elegância.
Ele simplesmente revirou os olhos, porém ofereceu-lhe o braço e ela o aceitou.
–Vamos jantar. – disse Macon.
Na sala de jantar a mesa já estava posta com uma grande variedade de pratos sofisticados e que Lila jamais vira ninguém preparar a não ser em reality shows na televisão.
Ela analisou os pratos tentando reconhecer o que seriam. Lagosta, carneiro asado, camarão, massa, risoto e mais outros... Ele sinceramente pensava que comeriam isso tudo?
Lila fitou Macon com uma sobrancelha erguida para a ceia que a “Cozinha” preparara.
–Você não acha que é demais? E que é muito sofisticado? – perguntou ela.
–Não. – respondeu Macon instantaneamente – Eu gosto dessas coisas, são muito melhores do que os hambúrgueres e as pizzas que você come toda a semana.
–Está questionando minha dieta, Ravenwood? Acha que sou gorda?
–É claro que não, pelo contrário, eu me pergunto como você é tão magra comendo tanta porcaria.
Lila estreitou os olhos.
–Tudo bem, chega! Vamos jantar.
Macon riu, mas não fez objeção, ele puxou uma cadeira para ela e depois a empurrou para perto da mesa quando ela se sentou.
Lila resolveu experimentar as comidas que pareciam mais normais primeiro. Comeu um pouquinho de cada coisa, no fim até que Macon estava certo, algumas daquelas coisas eram muito mais deliciosas do que hambúrgueres e pizzas.
Como se as comidas não fossem o suficiente ele ainda havia comprado champanhe que (adivinhe só!) era francês e deveria custar mais do que Lila jamais pagaria por uma garrafa daquelas.
Mesmo que ambos houvessem brincado com os costumes um do outro os dois sabiam muito bem que adoravam partilhar de suas culturas.
Quando terminaram de comer Macon disse que a Cozinha trataria de limpar as coisas e foram então, para a sala de estar onde ele se pôs a tocar piano. Lila se sentou a seu lado ouvindo a melodia, seus olhos fechados enquanto ela absorvia o som da música.
–Eu sempre quis aprender a tocar piano. – murmurou ela.
–Eu posso te ensinar, se você quiser. – disse ele sem parar de tocar.
–Eu adoraria.
Ele tocou por cerca de uma hora, e ela não se incomodou em pedir que parasse, pois estava apreciando muito a melodia para fazê-lo. Depois que seus dedos ficaram cansados de dedilhar as teclas eles subiram as escadas e foram até o quarto de Macon.
Lila não pode evitar de ir até a estante de livros e começar a analisar as lombadas, olhando atentamente os títulos, reconhecendo alguns e adicionando mentalmente outros a sua lista de próximos a ler.
–Você pode pegar algum se quiser. – disse Macon parando atrás dela – Pode levar para ler depois ou ler agora, o que você desejar.
Ela se virou. A proximidade entre eles era incrível. Lila pousou a mão em peito e o olhou nos olhos. Macon a fitou de volta e envolveu sua cintura com as mãos depois se inclinou e a beijou lentamente.
Uma corrente elétrica cheia de paixão percorria o corpo de Lila enquanto os dois se beijavam cada vez mais apaixonadamente. Não se interromperam como era de costume, pelo contrário o beijo foi apenas sendo intensificado.
Macon deu alguns passos para trás puxando Lila consigo e se sentou na cama com ela em seu colo, ainda inseparáveis. As mãos de Macon percorreram suas costas e Lila deixou um suspiro escapar, foi ai que ele se afastou abruptamente.
–Você precisa descansar. – ele afastou uma mecha do cabelo de Lila que caia sob seus olhos – Eu vou dormir em outro lugar.
–Não se atreva.
Macon baixou os olhos, ela sabia exatamente o que ele estava pensando, sabia o discurso que estava prestes a se iniciar.
–Jane...
–Não diga nada. Por favor. – ela pousou a mão em sua bochecha e levantou seus rosto – Apenas continue me beijando. Não é crime.
–Para mim é.
–Então espero que valha a pena ser preso. – Lila encostou a testa na dele e deixou que o rapaz que amava procurasse por seus lábios com a mesma paixão de segundos antes – Eu amo você, Macon Ravenwood.
Por um momento Lila não se importou em morrer nos braços do homem que amava, não ligava que continuar amando-o fosse eventualmente causar a sua morte. Talvez morresse feliz, ou talvez fosse tola. Uma completa idiota, sem a mínima noção de perigo, bom senso ou amor pelo vida. Porém tudo que ela sabia naquele dia era que ela o amava, que ela o queria para si pelo resto de sua vida, sendo ele demônio ou anjo, Luz ou Trevas, no fim o que importava era seu caráter real, sua dignidade. Ela jamais conhecera um rapaz tão bom.
Nada mais importava se Lila Jane Evers fosse de Macon Ravenwood e se ele fosse dela. Pelo menos não para eles e não agora de qualquer maneira.
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