Notas iniciais
Tentarei traduzir os capítulos rápido.

Eu posso fazer isso. Quinn disse a si mesma, puxando a gola de seu casaco de inverno até seu rosto enquanto ela caminhava pela rua movimentada de Nova York. Já fazem sete anos. Eu mudei. Ela vai saber que a maturidade vem com o tempo. Ela sempre teve a melhor visão do interior das pessoas e suas verdadeiras personalidades. Ela virou a esquina e viu sua assistente encolhida contra a parede junto à entrada do edifício em que seu estúdio se situava.

- Está tudo pronto?

- Sim senhora, a luz já esta pronta e estamos apenas esperando a sua aprovação. — A jovem morena parecia ansiosa quando tocou os óculos de aros grossos em seu rosto e sorriu entre as baforadas de vapor que sua respiração formava no ar frio. – Seu equipamento, as câmeras, as lentes e os filtros já foram contados e eu os organizei como a senhora gosta. Os cenários estão no lugar e…

Ela foi cortada com um sorriso leve e uma mão levantada.

- Kim, eu sei que você esta nova esse negócio e está nervosa trabalhando comigo. – Quinn abriu a porta e segurou-a aberta. — Mas tudo o que você precissa dizer é um “sim” ok? — Ela fez um movimento com a mão para a mulher dando-lhe a passagem para que ela entrasse, a seguiu de perto. — Eu não sou tão dificil como todo mundo diz. E ao contrário da crença popular, eu não mordo.

Kim soltou uma rissada abafada quando as portas do elevador se fecharam e Quinn apertou o botão do andar.

- Claro que não. — Kim comentou em voz baixa como se ela tivesse conhecido essa verdade o tempo todo.

Quinn arqueou uma sobrancelha e decidiu testar sua nova assistente apenas para ver se ela iria durar no emprego.

- Na verdade, eu não deveria dizer isso. Afinal eu mordo, apenas não faço isso no trabalho. — Ela ergueu os olhos para os botões que se iluminavam indicando o andar em que se encontravam enquanto com os canto dos olhos observava a postura que a morena adotou e teve a certeza do desconforto de sua assistente — Hey, Kim?

- Sim?

- Você nunca relaxa? — O elevador ficou em silêncio até que Quinn olhou para a sua assistente e soltou uma risada. Depois de alguns segundos de hesitação Kim irrompeu em uma gargalhada forçada e nervosa.

O elevador apitou avisando que chegara no andar selecionado. Quinn saiu primeiro, sacudindo a cabeça. Ela precisava encontrar alguém com senso de humor para trabalhar sobre o seu comando.

O estúdio foi nada mais do que um grande loft, vazio agora ocupado pelos melhores equipamentos fotográficos que a industria tinha a oferecer além de uma equipe de estilistas, maquiadores e alguns de seus contratados que evitavam encarar a Fabray diretamente nos olhos e arranjavam qualquer coisa para fazer conforme a loira se aproximava. Quinn não era a mesma puta que ela tinha sido na escola, mas ela ainda utilizava as habilidades que havia aperfeiçoado durante aquele tempo apenas para manter o controle das coisas, quando necessário. Ela não era mais a cadela do colégio, ela era uma nova pessoa. Mas hoje, a reação da equipe a deixava nervosa. Hoje era o pior dia para ser vista como uma vadia.

- Ela já está chegando? — A loira perguntou enquanto tirava o casaco e o jogava sobre uma cadeira vazia antes de arrumar a própria roupa tentando se fazer mais apresentavel.

- Estamos a esperando a qualquer minuto. — Kim afirmou olhando para o relógio em seu telefone, verificou duas vezes apenas pela precaução de ter visto errado.

- Isso significa que ela vai estar aqui em 20 minutos. — Quinn retrucou sem olhar para a sua assistente.

- Perdão?

- Ela deveria estar chegando agora, então ela não vai entrar por aquelas portas até daqui a 15 minutos no máximo 30. Ela vai ter um atraso elegante apenas para fazer uma grande entrada, mas não desrespeitosamente atrasada para não demonstrar falta de comprometimento. — Ela parou de se arrumar erguendo os olhos para a sua assistente que tinha o semblante confuso e intrigado. – Entre todas as palavras que poderiamos usar para descrever Rachel Berry, a que provavelmente teria menos utilização seria antiprofissional.

Kim tratou de seguir a chefe de perto enquanto a loira adentrava o espaço amplo que seria utilizado para o photoshoot, seus passos eram firmes e seguros.

- Então eu presumo que você já tenha trabalhado com ela, certo?

Quinn deu um pequeno sorriso apenas para si enquanto examinava a iluminação antes de responder com calma.

- Não eu ainda não tive esse prazer. – Franziu a testa. – Essas são luzes quentes?

- Uh… — O técnico de iluminação se atrapalhou tentando responder.

- Eu quero ser capaz de vê-la, mas não de vê-la suar. Encontre algumas luzes frias. Pode ser inverno lá fora, mas este edifício já tem aquecimento central. Não precisamos transforma-lo em uma sauna.

- Sim senhora.

Quinn saiu deixando o homem ajustar o que ela havia pedido, se ocupou então em conferir seu equipamento e sua câmera.

- Se você nunca trabalhou com ela então deve ter ouvido falar sobre como ela é, certo? – Kim continuou, em troca recebeu o famoso arquear de sombrancelhas de Quinn. – Eu só estou perguntando porque sou uma fã da senhorita Berry. Quer dizer… quem não é, certo? Ela só tem 25 anos e já ganhou alguns Tony e um Grammy pelo seu trabalho no palco. E agora existem esses rumores de que ela talvez resolva se mudar para a televisão ou o cinema… — Kim suspirou exalando a sua adoração. — Ela apenas é uma inspiração de tanto talento.

A loira soltou uma longa gargalhada enquanto acenava com a cabeça.

- Ela sempre foi assim, mesmo quando era reconhecida. Me deixe te dar um concelho quando você for pega-la lá embaixo repita para ela tudo o que acabou de me dizer. Tenho certeza que ela vai adorar ouvir.

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- Rachel… Rachel, você não está ouvindo nada do que eu estou dizendo? — Uma mulher já de idade, aparentava ter por volta dos cinquenta, possuia cabelos castanhos já grisalhos estava chamando a atenção da diva sentada ao seu lado no banco de trás do carro.

Rachel olhou para a sua agente e acenou com a cabeça dando um sorriso sem graça.

- Eu estou… mas só por precaução você poderia repetir a ultima coisa que me disse?

A mulher estreitou os olhos e puxou a mão da diva para que repousasse em seu colo.

- Eu te conheço há anos Rachel. Preciso completar ou você vai me dizer porque parece tão… tão… nervosa? – A mulher estremeceu levemente ao utilizar a palavra. – Não é uma palavra que eu costumo usar para te descrever.

A diva desviou seus olhos para a janela do carro, apenas estudando seu reflexo contra o vidro.

- É apenas essa sessão de fotos.

- Rachel, essa sessão é como todas as outra. – Sua agente respondeu secamente, largou a mão da diva e voltou sua atenção para o seu celular. – A única diferença é que aparentemente essa fotógrafa parece ser muito importante para fotografar você. Pelo menos no mundo dela.

Essa definitivamente não era a única diferença, mas a sua agente era a ultima pessoa do mundo que ela precisava informar sobre a sua história com Quinn Fabray. Se ela fizesse estaria estampado em todos os tablóides de New York “Estrela em assenção confronta aquela que lhe fez bullyng durante a escola” ou então “Velhas rivalidades se reencontram em set”. Gostava de trabalhar com Margaret, a mulher sabia como alçar os seus clientes para o topo, mas Rachel não gostava de confiar assuntos pessoais a ela.

- Talvez eu tenha que sair correndo daqui a pouco. Estou tentando arranjar algumas coisas para você, mas, às vezes, a persistencia de maneira pessoal é mais apreciada por algumas pessoas. – Margaret explicou assim que o carro estacionou na frente do prédio. – Você consegue se manter na frente de uma câmera sozinha não é? Eu vou garantir que tudo esteja em ordem antes de sair.

Rachel acenou com a cabeça. Na verdade ela queria acabar logo com isso sem Margaret estar farejando ao redor.

- Eu posso ficar muito bem sozinha, vá para as suas reuniões. Faça sua magia. – Ela acrescentou oferecendo um sorriso caloroso apenas para convencer a mulher a deixa-la logo para que ela não presencia-se o estranho encontro que ela teria com o seu algoz.

- Tudo bem, me ligue quando tiver terminado e me diga que correu tudo bem.

Kim literalmente correu para o carro indicando ao motorista que abrisse a porta.

- Senhorita Berry é uma honta conhece-la. Quero dizer é uma verdadeira honra. Eu me chamo Kim e sou a assistente da senhorita Fabray estou aqui para acompanha-la até o estúdio.

Rachel sorriu de leve, se divertiu com a leve afobação da moça. — Senhorita Fabray…

- Sim, Quinn Fabray.

Rachel não havia notado que tinha repetido o nome da antiga colega em voz alta e apenas acenou com a mão.

- Sim, eu sei. Apenas não estou acostumada a ouvir alguém a chamando de “Senhorita Fabray”. – Tentou explicar enquanto seguia a mulher nervosa para dentro do prédio. – Posso te fazer uma pergunta?

Kim arregalou os olhos de surpresa e felicidade, mas não iria recusar um pedido de sua diva. Segurou o braço da atriz a impedindo de entrar no elevador.

- Claro! Qualquer coisa!

Ela só era um pouso ansiosa demais para o gosto de Rachel.

- Me diga como é trabalhar para Quinn. Será que ela não é desagradavel?

Kim hesitou, lançou um olhar ao redor se certificando que estavam sozinhas, não podia recusar um pedido de sua idola.

- Para ser sincera, eu comecei nesse trabalho a pouco tempo. Ela vem trocando de assistentes desde que a sua permanente pediu demissão… citando motivos pessoais como razão para sair. Não quer dizer que é dificil trabalhar com a Senhorita Fabray, pelo que já observei ela gosta de coisas práticas que funcionem sem complicações e também exige que tudo esteja pronto detalhadamente.

- Ela é profissional. – Rachel falou mais para si do que para a mulher. – Essa é uma qualidade que eu aprecio. – Completando em sua mente. E sou grata. Espero que ela continue se mantendo profissional hoje.

- Ela disse isso.

- O que ela disse? – Rachel finalmente perguntou quando entraram no elevador.

- Ela sabia precisamente que de alguma forma a senhorita se atrasaria entre quinze e trinta minutos para fazer uma grande entrada sem parecer antiprofissional.

Ouviu a risada abafada que Rachel soltou diante de sua previsibilidade. Era estranho cruzar com alguem conhecido em sua carreira. A fama sempre foi o mundo dos estranhos.

- Ela parece saber ler as pessoas muito bem.

- Na verdade não, ela apenas se lembra de mim melhor do que eu imaginei que fosse. – Rachel negou com a cabeça. – Estudamos juntas. – Ignorou os olhos arregalados de Kim e a boca que se entreabriu em choque. – Tem muito tempo desde que nos vimos pela ultima vez. Hora de enfrentar o passado.

Rachel murmurou a ultima parte apenas para si assim que o elevador parou no andar do estúdio. Seus olhos percorreram o lugar amplo procurando sutilmente pelos cabelos loiros.

- Vou avisa-la que a senhorita chegou. Posso pegar o seu casaco?

Rachel desabotoou o casaco e o entregou para a jovem com os olhos fixos em Quinn. Ela estava em pé de costas para Rachel, parecia ordenar algo a um homem. Sua postura era rígida, mas não era tensa como na época da escola. Rachel estava desejando intimamente que Quinn se virasse para que pudesse ver o seu rosto, já fazia tanto tempo.

Como se tivesse ouvido os pensamentos da diva, Quinn se virou para dar mais ordens quando seus olhos encontraram os de Rachel. A diva leu seus lábios quando a loira disse ao homem que já voltaria, mas seus olhos nunca quebraram o contato. Não era um olhar de antipatia ou de irritação, era quase como se os olhos verdes estivessem sorrindo para ela.

Quinn parecia exatamente a mesma, mas com as feições mais maduras e definidas. Seu andar era algo que Rachel não havia esquecido, a segurança era a mesma. As pernas longas tomaram passadas longas, que logo abrandaram conforme ela se aproximava. Tentando diluir qualquer preocupação de Rachel a loira lhe deu um sorriso e era o sorriso mais verdadeiro que já tinha visto a loira dar.

- Rachel. – A diva sorriu ouvindo seu nome sair pelos lábios da ex-líder de torcida. Nenhum apelido, isso era um bom sinal.

- Quinn. – As duas mulheres se abraçaram, antes de Quinn dar um passo para trás dando espaço para Rachel.

Ela não se iludia achando que Rachel tinha magicamente esquecido os anos em que havia sido atormentada e que Quinn era quem tinha feito isso. Quinn queria que a diva soubesse que ela havia mudado, crescido e amadurecido, mas sem que ela sentisse que Quinn se negava a aceitar os erros do passado.

As duas permaneceram em silencio tentando se acostumar com a presença uma da outra depois de tanto tempo.

- Sete anos. – Quinn finalmente quebrou o silencio. – É muito tempo. Eu passei a minha manhã tentando achar uma maneira de começar essa conversa, mas eu ainda não consigo achar esse ponto de partida. Acho que o melhor que eu posso fazer é te dar os parabéns por ter realizado o seu sonho e… eu estou feliz que você não tenha me deixado entrar no seu caminho.

Rachel foi pega de surpresa com o comentário. Ela nunca tinha visto Quinn como alguém que poderia colocar em risco o seu sonho, mas também podia ver porque ela poderia pensar que ela era. A maioria dos adolescentes teria desistido com alguns dos comentários cruéis e dolorosos que tinha lido em resposta a seus vídeos no MySpace. Quinn era a razão do porque Rachel odiava a escola, mas nunca seu sonho.

- Quinn…

- Tenho toda a intenção de manter esta sessão de fotos profissional, mas eu só preciso dizer que eu sinto muito. – A loira fez uma pausa e vacilou em sua postura forte, dando a Rachel a presença dominante na sala. — Eu sinto muito por tudo que eu fiz e tudo o que eu te disse, por muito tempo, apenas fui orgulhosa demais para admitir isso. E eu precisava me desculpar.

Rachel hesitou, apenas para ter certeza de que Quinn havia termiado. Os olhos da cor do avelã que encaravam o chão durante todo o seu discurso finalmente se ergueram encontrando os castanhos. E ela soube que era a vez de Rachel falar.

- Você está certa. Sete anos foi muito para nos encontrarmos de novo. Muita coisa aconteceu. Eu também quero te desejar parabens pelo seu sucesso. Quem diria que você acabaria se tornando uma fotógrafa famosa?

Quinn soltou uma risada. – Nem eu tinha ideia, mas existe um monte de coisas na minha vida que eu não tinha ideia que deveria esperar.

A diva se sentiu curiosa, mas não quis pressionar. Quinn olhou por cima do próprio ombro.

- Está tudo pronto. Vou te mostrar o conceito que a revista decidiu seguir e então eu vou te entregar para os estilistas.

Rachel sempre se sentiu desconfortável em sessões de fotos, mas nunca lhe permitiu mostrar. Ela odiava ser puxado e empurrado constantemente pelos cabelereiros e os maquiadores, as críticas sobre as imperfeições que eram corrigidas pelos photoshop. Sentia-se como uma formiga sob uma lupa com o sol quente a ser filtrado pela lâmina logo em cima dela. Era uma tortura, mas ela sempre colocou o seu sorriso e passava por isso.

Vir para esse shoot tendo Quinn como a fotógrafa, fazia Rachel esperar por problemas. Ela não tinha dormido bem desde que ela ouviu quem esta nova e tão maravilhosa fotógrafa realmente era. No entanto, ali estava ela, seguindo Quinn para uma mesa contra a parede, sentindo-se como se as duas nunca tivessem deixado de se ver.

- Eles estão dizendo que você é a nova esperança que irá inspirar as futuras gerações a escolherem o teatro musical ao invés do cinema. Então, o que nós queremos são fotos fazendo essa comparação. Teremos algumas em que você vai estar em um vestido de gala como se estivesse no teatro representando. Você sabe, Phantom of the Opera, Think of Me, esse tipo de vestido. Representando a rivalidade do seu talento com as lendas. – Quinn olhou rapidamente para ela que lhe deu um sorriso concordando com tudo. – E então, vamos partir para um lado mais moderno, mais jovem, mais sexy.

- Mais sexy? – Essa era outra palavra que não era comum ao se definir Rachel Berry.

Toda a confiança que ela possuia em sua voz desaparecia quando a questão era a sua sensualidade.

- Exatamente, sexy. – Quinn examiou o rosto preocupado de Rachel e lhe ofereceu um sorriso. – Vai ser ótimo, te prometo. Eu já até posso ver as fotos na minha mente.

Notas finais
Obrigada a quem quiser ler.