Terça-feira havia se provado ser o dia mais difícil para o casal. Quinn estava ocupada com Kim tentando reagendar algumas sessões para limpar seu fim de semana, tentando não ofender os clientes e coloar em risco a sua reputação. Rachel tinha ensaios na parte da manhã e algumas entrevistas na parte da tarde antes de um show que teria até tarde. Suas conversas telefônicas foram reduzidas para sms rápidas que rendeu a Rachel sua primeira mentira a um jornalista que perguntou se era alguém especial. A morena passou o resto do dia, se sentindo culpada por negar Quinn.

Naquela noite, Quinn quase não dormiu. Em parte porque Rachel não estava lá e em parte por causa do nervosismo. Ela estava voltando para Lima por nenhuma outra razão além de que Rachel queria que ela fosse. Ela não queria, mas ela queria que Rachel fosse feliz. Ela estava apavorada em encontrar os pais da diva e confronta-los com o fato de que ela estava namorando sua filha, mas ela também temia encontrar com seus próprios pais. Mesmo que ela tivesse vinte e cinco anos, fosse bem-sucedida e feliz, eles nunca aprovariam o seu estilo de vida. Enquanto ela não pudesse ter a sua aprovação para ser feliz em sua vida, ela sabia que não poderia tê-los por perto e isso ainda doía. E era uma dor maior do que ela imaginava.

E além de tudo isso, havia uma grande chance de que ela e Rachel não eram as únicas indo para casa para o feriado. Ainda se culpava por não manter contato com algumas pessoas, mas ela sentia que tinha de deixar tudo o que poderia amarrá-la ao seu passado, se não ela nunca seria capaz de seguir em frente. Rachel era a única que ela nunca poderia deixar totalmente de lado. Agora, ela pode ser confrontada com as consequências de suas escolhas.

- Você está muito quieta esta manhã. — Rachel notou enquanto se ajeitava em sua poltrona na primeira classe, seu rosto se virou para a loira que estava olhando pela janela do avião. — Eu sei que você não tem um humor muito bom pela manhã, mas já são nove horas e você não disse nada além de" bom dia ". Você tem certeza que quer vir?

Quinn olhou para Rachel e fechou os olhos num silêncio profundo antes que ela se inclina-se e beija-se Rachel na bochecha, ignorando o fato de que alguém pudesse ver.

- Eu quero ir. Eu estou indo. Apenas estou um pouco nervosa.

Um leve sorriso rastejou pelos cantos da boca de Rachel, em resposta ao contato persistente dos lábios de sua namorada em sua bochecha.

- Eu gostaria de dar o meu voto sobre assumirmos assim que voltarmos a New York. Sim eu quero.

A loira sorriu carinhosa.

- Você não pode votar ainda. Nós ainda não chegamos a Ohio. Embora eu ame o seu entusiasmo, vamos ficar com o nosso plano e votar quando voltarmos a cidade.

Rachel suspirou constrangida.

- Tudo bem, mas não espere que a minha opinião mude. — Olhou para a frente novamente.

O sorriso carinhoso de Quinn nunca diminuiu enquanto ela analisava o perfil da diva, absorvendo cada detalhe. Ela não se conteve. Ergueu a mão esquerda acima do ombro da morena roçando levemente os dedos contra o rosto de Rachel.

- Eu te amo. Eu sei que você não sente o mesmo, e eu entendo. Eu só precisava dizer isso.

Os olhos de Rachel estavam grudados na revista em seu colo, mas Quinn sabia que ela não estava lendo. Sua atenção estava no toque suave de Quinn.

- Eu me importo mais do que você pensa.

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- Olha a minha menina! — Quinn sorriu largamente vendo Rachel largar a bolsa e correr na direção de Kevin, jogando-se nos braços fortes do pai.

A loira se abaixou e pegou a bolsa, antes de se adiantar.

- E você deve ser Quinn. — Elijah se aproximou dela estendendo a mão para um aperto e um sorriso quente em seus lábios, enquanto sua filha estava ocupada sendo girada nos braços de seu marido. — É um prazer conhecê-la.

Sem carranca e nada de olhares frios. Isso é um bom começo.

- Obrigada por me abrigar esse feriado. Sei que foi de última hora e eu odeio ser um fardo.

- Oh, um disparate. — Kevin cortou a conversa, ele finalmente permitiu que Rachel fosse cumprimentar seu outro pai. — Nós amamos companhia. A casa está meio vazia, sem Rachel e sua personalidade extravagante preenchendo todos os cantos. — Os olhos de Quinn se arregalaram quando o homem mais alto ignorou o apero de mão e passou os braços em torno dela em um abraço. — Aqui, deixe-me pegar sua mala.

Ela relutantemente deixou o homem carregar sua bagagem. Ela havia se desacostumado com o sentimento de estar em família. Sua vida desde o colégio tinha sido em relativa solidão, exceto por Adrianne e o que Rachel já estava chamando de a "Traquinagen das doze prostitutas". A contagem estava provavelmente mais perto de duas dezenas, mas ela decidiu não lembrar a diva de que ela disse “entorno de uma dúzia ou mais”.

- Então… — Elijah começou quando ele pegou a bolsa de Rachel que Quinn carregava e começou a sua caminhada para a saída. — Como foi o vôo? Melhor do que a longa viagem de carro eu presumo?

- E sempre será. — Rachel concordou com um radiante sorriso. — A melhor parte de finalmente ser bem sucedida, é a capacidade de escolher entre os assentos da primeira classe de um avião ou uma viajem de carro de nove horas.

A diva parou alguns passos atrás dos homens e tomou a mão de Quinn na dela. A loira espelhou seu sorriso tímido. Ela estava pronta para lançar seu voto também. Isso era tão bom.

Os homens colocaram as malas no porta-malas do carro, enquanto Quinn abria a porta traseira para Rachel. A diva olhou para trás, para os homens distraídos e, em seguida, deu-lhe um beijo casto em recompensa por seu cavalheirismo. Elas estavam progredindo rapidamente, mas ainda despercebidos. Isso fez com que Quinn sorrisse como uma criança que estava fazendo algo que não deveria fazer.

- Agora, como vocês se reencontraram? — Kevin perguntou virando-se no banco de passageiros para as meninas enquanto se afastavam do aeroporto, confirmando que eles sabiam quem ela era no passado de Rachel.

- Quinn é a mais nova fotógrafa clamada que fotografou Rachel para aquela revista que eu estava falando. — Seu marido lhe informou olhando para Quinn pelo retrovisor, e ela balançou a cabeça confirmando.

Kevin a olhou com um olhar crítico.

-Você parece mais uma modelo do que uma fotógrafa. Enfim, quem teria pensado que duas antigas colegas de Lima, Ohio iriam acabar trabalhando juntas em Nova York. É incrível como o destino funciona, não é? — As duas mulheres franziram os lábios na tentativa de diminuir seus sorrisos enquanto concordavam com a cabeça. – Ainda tem família na cidade, Quinn? Você está pensando em vê-los enquanto você está aqui?

Quinn olhou para Rachel, que parecia indiferente à questão, a morena meneou com a mão indicando que ela respondesse o que quisesse.

- Eles ainda estão aqui… eu acho. Eu, hum, não os vejo desde a graduação, nem falei com eles desde então.

O rosto de Kevin se contorceu em preocupação ao invés de desaprovação.

- Ovelha negra?

Ela assentiu com a cabeça.

- Existem muitas coisas em nosso passado que me impediu de continuar aproveitando o seio famíliar.

Elijah bufou uma risada.

- Eu entendo. Tive o “privilégio” de conhecer o seu pai através do trabalho. Russell Fabray, certo? — Kevin suspirou e trocou um olhar ansioso entre seu marido e a loira no banco de trás, aparentemente ciente de algumas histórias do trabalho.

- Exatamente. Só posso presumir que ele não mudou nos últimos sete anos?

Elijah concordou e hesitou antes de olhar para ela pelo espelho retrovisor.

- Ele, no entanto, elogia as suas realizações para toda a cidade. — Os olhos de Quinn se arregalaram e seu queixo caiu levemente. — Ele tem até um artigo de uma revista que fala sobre você emoldurado em cima da mesa. Se você perguntar a qualquer pessoa que não sabe, eles diriam que você é a menina dos olhos e liga para casa muitas vezes, mas o seu sucesso mantém sua agenda muito agitada para você vir visitar.

Ela bufou uma risada áspera de desgosto.

- Que lindo. Tenho um segredo na manga que vai obriga-lo calar a boca. Tenho certeza que na próxima semana, será como se eu nem sequer existesse para ele.

Os homens arquearam as sobrancelhas, mas não insistiram quando viram Quinn olhar sériamente pela janela do carro. E nada pensaram também quando Rachel segurou a mão da loira em um consolo amigável.

Foi um pouco mais de uma hora de carro até Lima, mas o passeio de carro provou ser valioso. Não só para dar tempo para que Quinn se acostumasse a dinâmica da família Berry e suas brigas brincalhonas, mas também havia sido informativa enquanto ouvia Rachel falar para os pais sobre a sua carreira e os ensaios diários. Todas as coisas que Quinn queria saber, mas que elas simplesmente não tinham falado ainda. Mais histórias apareciam enquanto seus pais re-viviam suas experiências e memórias do passado, suas visitas a Nova York e telefonemas favoritos. De nervoso, mas bem-humorado, violentos e ataques de pânico sobre sua noite de abertura, na Broadway, seu embaraço episódio bêbada na after party, tudo fazia com que Quinn caisse na mais profunda adoração pela mulher. Cada milímetro de seu corpo era de amor.

Sua atenção só mudou quando chegaram aos limites da cidade de Lima.

- Parece exatamente o mesmo. — Ela observou calmamente.

- Yep e provavelmente sempre será. — Rachel acrescentou enquanto apertava a mão que ela havia mantido na sua.

Quinn se sentiu ansiosa quando saiu do carro na garagem dos Berry. Na verdade, colocar o pé no chão significava que ela realmente estava de volta.Fazia tanto tempo que sua infância parecia uma vida atrás. Este lugar era familiarmente estranho para ela. Ela sabia disso, mas esse lugar não sabia sobre ela ou como ela iria se encaixar nele.

- Baby Girl, por que você não leva Quinn para dentro e lhe mostra o quarto de hóspedes, enquanto o seu pai e eu pegamos as malas? — Rachel assentiu com um sorriso malicioso levando a loira para dentro da casa.

Era uma casa grande, sem ser extravagante ou assustadora, era calorosa e amigável como as pessoas que a ocupavam.

- Talvez eu devesse dizer aos meus pais que o quarto de hóspedes não é necessário? — A diva perguntou, procurando a opinião de Quinn.

Os olhos da loira ainda estavam explorando todos os lugares que alcançava. A cozinha e sala de jantar eram para a esquerda, nada formal. Um corredor seguia em frente, paralelo à escada. E a sala de estar era no lado direito, onde Rachel estava agora.

- Siga o seu tempo. Você os conhece melhor do que eu. Estou aqui apenas a passeio. — Ela não estava mais nervosa se eles iriam odiar seu interesse pela sua filha por causa de seu passado. Pareciam homens muito relaxado que sabiam o que era importante e o que era pequeno.

Rachel assentiu com a cabeça e esperou que os dois homens aparecerem na porta da frente.

- Pai, papai, porque vocês não deixam as malas aqui embaixo por hora. Preciso falar com vocês sobre um desenvolvimento muito importante na minha vida pessoal.

Os dois homens trocaram olhares preocupantes, colocaram as malas no chão perto da porta e se juntaram às meninas na sala de estar. Elijah estava sentado em sua cadeira, enquanto Kevin sentou-se no apoio de braço, envolvendo os ombros do marido com um braço. Quinn sentou-se perto de Rachel no sofá e escondeu o sorriso por trás de seus dedos. Eles não tinham idéia de que ela estava envolvida nesta bomba que a filha estava prestes a jogar sobre eles.

- Ok. — Rachel se mexeu nervosamente no sofá, alisando as mãos nos jeans. Quinn lutou contra a vontade de chegar mais perto e colocar um toque reconfortante em seu ombro. Rachel precisava fazer isso por conta própria. — Eu tenho tentado achar uma maneira de dar essa noticia aliviando o choque e a dúvida, entretando, eu não consegui fazer isso.

- Você não está grávida, não é? — Kevin soltou e Elijah rapidamente deu um tapa no braço de seu marido. A mandíbula de Rachel caiu enquanto Quinn riu. Isso seria interessante . Não só pela falta de um pênis, mas a visão de pequenos Berry correndo por aí.

- N-não. Não. Nada disso.

- Oh, graças a Deus. — Kevin continuou. — Porque você sabe o que eu acho sobre Chris. Ele não é digno de você e eu odiaria pensar que você se colocou em uma posição que lhe permitiria…

- Papai, eu não estou grávida, eu não estou namorando Chris mais.

Quinn manteve um sorriso, mas arqueou uma sobrancelha. 'Chris' era outro tema que ainda tinham que discutir e ver como seus pais eram tão inflexível e desaprovavam, ela estava naturalmente interessada.

- Você não pode fazer sexo, e o sexo é tudo o que se deve fazer para engravidar.

- Eu não estou discutindo a minha vida sexual com vocês! — Ela fez uma pausa. – Bem… talvez eu esteja…

- O que é querida? — O homem mais baixo perguntou numa voz calma.

Rachel fechou os olhos e se recompôs, quando os abriu novamente, soltou a respiração e as palavras de uma vez .

- Eu estou apaixonada.

Tanto os homens como Quinn endireitaram-se diante da declaração.

- Mas não é o Chris, certo? — Elijah perguntou apenas para checar. Rachel balançou a cabeça.

- Com uma mulher. — Agora, uma onda de ansiedade tomou conta da loira quando viu os dois homens sentados em frente a ela fecharem suas expressões. — Eu sei que parece repentino, mas eu não posso negar isso.

Rachel pegou a mão de Quinn e esperou que seus pais processassem a informação enquanto os olhos dos dois iam das mãos ligadas para as duas mulheres.

Elijah moveu o dedo indicador acompanhando o movimento com os olhos.

- Então, vocês duas… — Elas concordaram. — Desde quando?

- Sexta-feira.

- Sexta-Feira? — Seus olhos se arregalaram. – Isso são cinco dias? — Rachel assentiu com a cabeça novamente. — Então, vocês duas se encontraram, tiraram fotos, e se apaixonaram… depois de sete anos sem contato e sem nenhum tipo de uma amizade aparente?

Quinn se encolheu. Era a sua vez de tentar acalmar os temores dos homens.

- Sim… para a maior parte de tudo isso. Eu nutri sentimentos pela sua filha durante muito tempo… desde o ensino médio. Eu era muito jovem, imatura e com medo, então eu ignorei e agi contra isso. Eu não estava preparada para lidar com esses sentimentos ou com as reações dos meus pais. — A testa de Elijah aliviado um pouco enquanto ele compreendia. — Passei os últimos anos sentindo todos os meus arrependimentos e a sessão de fotos me permitiu a oportunidade de expressar os meus sentimentos por Rachel.

A sala ficou em silêncio por alguns segundos antes do homem mais baixo se inclinar para a frente e apoiar os cotovelos sobre os joelhos.

- Estou tentando entender. Ainda estou tendo dificuldades para entender este sentimento vindo de Rachel. De onde veio tudo isso? Você nunca mencionou estar interessada em mulheres e tivemos muitas conversas sobre o tema.

Kevin balançou a cabeça concordando com o marido.

- Para ser honesta. — Rachel começou, olhou para Quinn. — Ela é a única que me despertou esses sentimentos. Quando nos encontramos depois de tanto tempo eu estava com medo por causa da nossa história, mas logo eu percebi que ela não é a mesma pessoa. — Ela olhou de volta para seus pais e abriu um largo sorriso. — Pai, ela é tudo o que eu poderia esperar encontrar em alguém. Ela me conhece, o lado bom e o ruim. Ela é inteligente, criativa, apaixonada, romântica e paciente . Deus sabe que eu preciso de alguém que seja paciente! Durante a sessão, eu me perdi nela e ao mesmo tempo me encontrei. Eu me senti em casa.

Quinn lutou para acalmar sua respiração diante da confissão. Ouvi-las da boca de Rachel forá o mesmo que ir para o céu.

- Eu nunca me senti assim com alguém antes. Claro, eu gostei dos meus relacionamentos anteriores, mas agora vejo o que estava faltando. — Os dois homens ainda não tinham acreditado na história e a diva estava ficando frustrada. — Se eu tivesse conhecido essa Quinn durante a escola, teríamos tido essa conversa antes. Eu não tenho dúvidas sobre isso. Eu teria me apaixonado por ela e vocês teriam me aceitado como sendo gay e os meus sentimentos por ela.

- Sem dúvida, teria sido um pouco difícil acreditar nessa época também. Você acabou de descrever uma poderosa conexão que teria nos apavorado de ouvir da boca da nossa filha adolescente.

- Mas eu estou dizendo isso agora. Eu não sou uma adolescente Eu sei o que estou sentindo e eu sei o que isso significa! — Quinn apertou a mão dela, acalmando-a. Ela estava começando a gritar em desespero.

Elijah sentou-se em sua cadeira, ainda tentando aceitar que sua filha, que passou toda a sua vida sem nunca se sentir atraída por uma mulher, nenhuma outra mulher além da loira, agora era gay. Ele obviamente não tinha nada contra ela ser gay, mas ele estava preocupado dela estar se enganando ou algo assim. Ele só queria ter certeza que ela sabia no que estava se metendo. Que ela não estava se arriscando por uma simples aventura que começara em uma noite.

Kevin deu um tapinha no ombro de seu marido, mas sorriu de leve para as mulheres franzindo a testa.

- Então eu acho que todas as malas precisam ir para o seu quarto?

Rachel balançou a cabeça, ainda olhando para Elijah a espera de sua aprovação.

- Eu vou ajudá-lo. – Quinn se ofereceu, se pôs em pé curvando-se para beijar a bochecha de Rachel. — Eu te amo. Isso tudo vai ficar bem. Basta dar-lhe tempo.

Rachel estava grata pelos sussurros de encorajamento e sorriu enquanto a loira saia da sala antes de voltar sua atenção para o pai sentado na poltrona.