Beautiful Lies 2ª temporada
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Uma semana de treinamento havia passado e Elena agradecia aos céus por ter recebido uma noção prévia de Alaric. Caroline tinha uma dificuldade tremenda de lutar contra os Originais e por três vezes quase acabara mordida por Klaus. Seu tutor oficial. Mas, o pior de todos, como o esperado, era Kol. Extremamente cruel com seus movimentos e golpes.
No terceiro dia, Stefan acabou com uma mordida feia no pescoço e o Original explicou, zombeteiramente, que aquilo era o que Mikael faria. Elijah concordou, esfregando as têmporas impacientemente, ao passo que Klaus sorria para o irmão mais novo. No quarto dia, Hayley o mordeu, quase como uma vingança e quase acabou morta novamente.
— Você está a cada dia melhor – Elogiou Elijah para Elena, acariciando suavemente o rosto da namorada.
— Eu tenho um ótimo professor – ela respondeu, encostando seu ombro na mão de Elijah e sorrindo para ele. Aproximou-se lentamente e uniu seus lábios, sussurrando em seguida: — Talvez devesse passar em meu quarto essa noite.
— Talvez a gente devesse ir para ele agora – disse ele, com um tom malicioso em sua voz e luxúria em seu olhar. Ele a segurou firmemente pela cintura, elevando seu corpo do chão com facilidade e a beijando vorazmente. As mãos de Elena deslizaram rapidamente para a camisa de Elijah, desabotoando cada botão lentamente enquanto o beijava. – Ou talvez devêssemos ficar por aqui.
— Eu tenho que me acostumar com esse seu lado – ela comentou, quando separou seus lábios dos dele para pegar ar.
Ele sorriu em resposta, caminhando rapidamente para a mesa central da biblioteca, passando o braço cegamente para retirar qualquer objeto que pudesse atrapalhar o que planejava fazer.
— Vocês poderiam ir para o quarto – Elena ouviu a voz conhecida de Damon ressoar pela biblioteca. Ela sentiu seu corpo inteiro queimar de vergonha e seu rosto enrubesceu no mesmo instante. Afastou-se de Elijah – que abotoava os botões da camisa, com uma expressão de desagrado – e observou o profundo tom azul dos olhos infelizes de Damon, concluindo mentalmente: Ele ainda me ama.
— Desculpe, Damon – ela sussurrou, sentindo o calor ir embora lentamente. – Vou me juntar as garotas.
Elena virou-se para Elijah rapidamente e sorriu na direção do vampiro, mas seus olhos eram um alerta de sua conclusão. Depositou um rápido beijo em sua bochecha e saiu, num piscar de olhos, abandonando os dois vampiros e seus respectivos egos inflados, que ocupavam grande parte do cômodo.
— Eu presumo que esta é a parte onde você acha que é bom o suficiente para me dar conselhos – Elijah pontuou, ao passo que contornava a escrivaninha e sentava-se na confortável cadeira de couro que ali estava.
— Eu só quero dar um conselho, amigo – respondeu Damon, com uma fúria repentina no olhar e ironia na voz. – Se um dia machuca-la, pode ter certeza que eu estarei lá para mata-lo.
— Poucos meses comigo e eu consigo vê-la sorrir com mais frequência do que quando cheguei a cidade – Elijah rebateu duramente, ficando em pé com graça e lentidão. Damon aproximou-se num piscar de olhos, como se quisesse dizer que estava falando sério. – Vampiros jovens são sempre tão arrogantes?
Damon conseguia sentir a respiração controlada de Elijah e a cada inspiração a vontade de arrancar o coração do Original ficava maior. Sentiu-se estúpido por aceitar transcender de seu sangue ao invés do de Klaus. Pelo menos o híbrido não tinha roubado sua namorada e não tentava transar com ela na biblioteca da sua casa.
— Ela é tão jovem quanto eu, não se esqueça de que pode morrer por uma estaca qualquer e não uma única – ele falou, sem ouvir ao certo o que dizia. Sentia-se cego de raiva. – Se realmente a ama devia deixa-la. Olhe ao seu redor e veja o que segue sua família. Morte. Nem seus próprios pais querem que vocês fiquem vivos.
Elijah observava Damon com cautela e um controle transparente, ouvia cada palavra do vampiro e ponderava sobre elas. Apesar de nunca ter admitido, para ele ou para qualquer um, Damon tinha razão.
— Eu ouvi o que você tinha a dizer, agora sugiro que você dê um passo para trás – disse o Original lentamente, estreitando os olhos em fendas e sentindo-se ligeiramente ofendido.
— O único passo que estou disposto a dar é para frente, na direção do seu coração, quando conseguirmos achar a maldita estaca de carvalho branco – Damon praguejou, fazendo Elijah sorrir de uma forma completamente debochada, o que incentivou ainda mais a fúria do vampiro mais jovem, que já proferia as palavras um tom mais alto que antes.
— Não se esqueça que enfiar a estaca no meu coração, é a mesma coisa que enfiar no seu – ele pontuou calmamente, sentindo que sua gravata estava torta no pescoço e desviando a atenção de Damon para arrumá-la.
Por um momento, o mais jovem fitou o mais velho enraivecido, sem argumentos e sem nenhuma ideia para fazer uma piada em relação a qualquer coisa que pudesse fazer com que ele ganhasse a discussão. Então, sua mente começou a trabalhar rápido demais, juntando alguns pequenos fatos que ele observou durante os meses em que se passaram. Seus olhos, antes estreitos em fendas, abriram-se totalmente quando chegou a conclusão que praticamente gritou para Elijah:
— Ela está ligada a você! Como não vi isso antes? Tudo o que você quer, ela faz. Desde o dia em que você transferiu nossa linhagem!
Elijah olhou de uma forma ofendida para Damon, como se aquilo fosse a última gota que transbordasse um copo cheio de água. Não podia simplesmente rir daquilo, considerava o amor um sentimento importante demais para ser debochado ou para ser relacionado com uma tola ligação de sangue.
— Cale-se – foi o que ele conseguiu falar sem que sua voz saísse trêmula.
— Oh, então eu cutuquei a ferida, não é? Você sabe que ela está ligada você e é obrigada a amá-lo, não sabe? Só assim ela seria capaz de relevar sua relação distorcida com a lobisomem que está na sala e com a sua família problemática. Só assim Elena seria capaz de concordar com seu plano maluco de matar seu irmão e agora seu pai.
Elijah tinha a mandíbula tão contraída, que seus dentes pareciam que iam quebrar a qualquer momento e era possível visualizar cada detalhe do contorno de seu rosto. Tinha fechado suas mãos em punho sem nem perceber e começava a sentir seus olhos pinicarem, o que evidenciava o início de uma pequena explosão por parte do Original. Ele fechou os olhos por alguns segundos e virou a cabeça para os lados, estralando os ossos de seu pescoço de uma maneira audível.
Lembrou-se do fato que fora Damon quem planejou e auxiliou Davina a empalá-lo com a adaga mística de metal, assim como foi ele quem mais resistiu a todo o plano, inclusive naquela semana de treinamento. Esticou o braço na direção do vampiro, segurando-o pelo pescoço e arrastando o corpo de Damon até uma estante de livros. O bater da coluna de Damon contra a estante fez com que vários livros caíssem com um baque surdo no chão.
— O que foi isso? – perguntou Caroline para ninguém em especial, virando a cabeça na direção do barulho.
— Damon – Stefan sussurrou, como se estivesse prevendo que o irmão tinha causado uma pequena confusão.
Klaus sorria maldosamente na direção da sala. Tinha escutado boa parte da briga entre os dois vampiros e não podia negar que divertia-se com a tentativa de Damon de descobrir os motivos pelos quais Elena amava Elijah. Ele olhou de esguelha para Hayley, lembrando-se de como fora fácil para ela amar seu irmão mais velho também e subitamente, a graça acabou. Caminhou em conjunto com as outras pessoas na direção da biblioteca e chegou a tempo de vislumbrar o vampiro mais jovem retirando um lápis de seu pescoço.
— Parece que Elijah não soube brincar – comentou para Hayley, completamente sem humor. A loba olhou para ele com uma expressão confusa e não falou mais nada.
Elena apressou-se para ajudar o vampiro que sangrava devido ao ferimento e lançou um olhar de completa repreensão a Elijah.
— Por que você fez isso? – ela perguntou, notando que o pescoço de Damon começava a curar-se, mas foi o próprio vampiro quem respondeu.
— Porque ele não aguentou ouvir que você acha que o ama.
Caroline olhava de uma direção para a outra, como se não soubesse em quem deveria focar os olhos.
— Acho que essa semana tem sido pesada demais para Damon – Stefan tentou justificar.
— O que você quer dizer com isso? – a vampira perguntou, inicialmente confusa.
— Você está ligada a ele – Damon sussurrou, como se tivesse perdido a coragem de falar em voz alta.
Ela abriu a boca, mas nenhum som saiu. Seus olhos correram para Elijah, que tentava retirar o sangue seco de Damon de seus dedos com um pano de algodão. O vampiro de olhos azuis parecia estar tão enfurecido que mal conseguia organizar seus pensamentos e ela tentava compreender de onde aquela ideia tinha saído.
— Eu não estou ligada a Elijah, Damon – disse finalmente, com a voz calma, aproximando-se do Original inconscientemente, com uma sobrancelha elevada.
Stefan lançou um olhar significativo, como se quisesse dizer para ela não se importar ou ofender-se com o que seu irmão impulsivo diria. Damon endireitou a postura e lançou a eles um olhar superior.
— Estou fora. Não vou arriscar minha vida por quatro Originais que eu nem mesmo gosto. Podem fazer o feitiço de localização e reversão da estaca sem a minha presença.
— Damon, não faça isso – Stefan pediu, com preocupação na voz. – Acho que essa convivência toda está sendo demais.
— Concordo – Elijah finalmente manifestou-se, com a voz dura e fria. – Eu e meus irmãos retornaremos para casa assim que o feitiço for feito.
— Então eu sugiro que comecemos – Bonnie falou e atraiu a atenção de todos para si. – Precisamos da lua cheia e se ficarmos aqui discutindo quem Elena deve ou não amar, não faremos o feitiço hoje e à estaca continuará indestrutível.
Depois daquele pequeno e discreto alerta da bruxa, todos encaminharam-se finalmente a sala de estar. Onde o altar para o feitiço estava pronto. Elena notou que Elijah não tornou a aproximar-se dela enquanto Bonnie tentava organizar tudo e Davina acompanhava a posição da lua. Katherine, que tinha saído para a cidade para procurar um pouco de wolfsbane retornou com alguns minutos de antecedência, perdendo completamente a cena que ela teria pago para ver.
— Sabe que esse feitiço pode nocauteá-lo por alguns dias, não sabe? – ela sussurrou para Elijah, apoiando-se na parede ao lado do vampiro e notando que ele parecia estar com um péssimo humor. Ele assentiu com a cabeça, sem dizer nada ou sequer olhá-la.
— Estamos prontos – Davina entrou finalmente, com a expressão de quem estava passando um frio terrível. Suas bochechas estavam avermelhadas, bem como seu nariz. – A lua atingiu o ápice, hora de começar.
Kol, Rebekah, Klaus e Elijah assumiram suas posições, um ao lado do outro, com as mãos esticadas para frente expondo seus punhos para ambas as bruxas. Davina levantou um pequeno punhal, que parecia extremamente afiado, ao mesmo tempo em que Bonnie fazia o mesmo. Elas estavam lado a lado e de mãos dadas. Sobre o altar havia um pequeno mapa, onde o sangue Original deveria ser derramado.
— Vocês tem que entender que precisamos do seu sangue muito mais do que um símbolo – Davina falou, soando um pouco mórbida. – O feitiço colocado sobre a estaca é muito poderoso, por isso precisamos drenar de vocês.
— E talvez isso deixe-os fracos – Bonnie completou tranquilamente. – Compreendem isso?
— Sim – os quatro irmãos responderam em uníssono, entrelaçando os dedos das mãos livres, enquanto as bruxas faziam cortes profundos na carne de seu braço.
Eles demonstraram sua dor de maneiras diferentes. Não estavam acostumados a sentí-la daquela forma tão intensa. Viraram os punhos para baixo, deixando o sangue fluir pelo mapa e, enquanto Davina sussurrava o feitiço de localização, Bonnie conjurava um para que a cura tardasse a acontecer.
— Ergam seus punhos – a morena pediu e foi obedecida no mesmo segundo. Sentia-se um pouco enjoada pelo forte cheiro metálico de sangue. Ela uniu-se a Davina no feitiço de localização que logo foi concluído.
— Mikael pode sentir que algo está tentando localizá-lo – Davina falou. Podia afirmar aquilo, pois desenvolvera um estranho vínculo com o Original.
Enquanto elas trabalhavam no feitiço que os escondia, Elijah olhou de relance para Elena. Ela ainda parecia incrivelmente preocupada com Damon, já que lançava olhares furtivos para o vampiro.
— Agora a parte mais importante – Bonnie falou. – Vocês tem que nos oferecer seu sangue.
Kol arregalou os olhos em surpresa. Nunca em seu milênio de vida, tinha visto uma bruxa beber o sangue de um vampiro. Mas fora o primeiro a oferecer o punho, só desejava que seu ferimento curasse. Lentamente Davina e Bonnie beberam pequenos goles do sangue dos Mikaelson.
Davina parecia ter dificuldade em mantê-lo em seu corpo, mas logo concentrou-se no que tinha que fazer.
— Irão se curar, mas a cicatriz não desaparecerá.
— Por que, bruxinha? – Klaus indagou, recolhendo o braço e sentindo o ferimento curar.
— Nós precisamos de magia negra pra reverter o que sua mãe fez com aquele objeto, Klaus. Ferimentos de magia negra não desaparecem, nem em vampiros.
Elas uniram as duas mãos e começaram a murmurar um feitiço que parecia soar em várias línguas com várias vozes, como se algo muito ruim estivesse as ajudando. Elena buscou o conforto das mãos de Caroline, que pareciam estar incrivelmente frias. As luzes começaram a falhar e a primeira delas entrou em curto com um grande estouro de pequenos pedaços de vidro espalhando-se pela sala.
O fogo da lareira subiu alto pela chaminé e escapou pelas laterais, causando pequenos incêndios que foram prontamente apagados pelas bruxas.
— Vai demorar muito? – Rebekah perguntou, com a voz fraca, atraindo a atenção dos irmãos.
Todos começavam a ficar com a pele cinzenta.
— O que está havendo? – Kol perguntou, completamente preocupado.
Davina abriu os olhos na direção do vampiro, eles estavam completamente brancos e fora de órbita. Ela sequer parecia consciente do que fazia. Sua cabeça virou-se sobrenaturalmente na direção de cada um dos vampiros presente, inclusive os não Originais.
— Silêncio – ela ordenou, mas sua voz não era mais a mesma. Ela soltou uma das mãos das de Bonnie e apontou na direção de Kol, drenando mais de seu poder vital e causando a aceleração dos efeitos colaterais do feitiço naquele vampiro.
Rapidamente, ele tornou-se completamente cinza e enrijecido, conforme seu coração parava lentamente de bater e o ar ficava insuficiente aos pulmões.
Elena arregalou os olhos naquela direção, mas sentia-se aterrorizada demais para mover-se. Notou que todo aquele plano talvez fosse loucura. Estava exigindo demais de Bonnie e até mesmo de Davina. Segurou a mão de Caroline com mais força por um segundo e quase a soltou quando observou Elijah cair de joelhos e, posteriormente amolecer o corpo até a queda total.
— Elijah! – ela gritou exasperada. Sua mão desvencilhou-se da de Caroline e ela investiu na direção do vampiro, mas fora prontamente contida por Katherine e Stefan.
— Elena, ele não vai morrer – Stefan lembrou.
— Não seja estúpida, garota! – Katherine protestou, quase com raiva da insanidade de Elena. – Observe o círculo de sombras criado pelo feitiço ao redor deles. Não entre ali!
Pela primeira vez Elena notou que realmente havia um círculo que contornava os envolvidos no feitiço. Kol e Elijah estavam livres dos vultos, mas Bonnie, Davina, Rebekah e Niklaus ainda continuavam ali.
— O que está havendo? – ela perguntou, assombrada.
— Elas estão conjurando magia antiga demais, observe como essas coisas orientam elas e sugam eles – Katherine falou, de uma forma tão sábia que até mesmo Stefan se perguntou como ela sabia tudo aquilo.
Rebekah foi a terceira a cair, dura feito pedra e Klaus a seguiu minutos depois. Quando o híbrido não foi mais capaz de suportar o feitiço, a grande maioria das lâmpadas explodiram com sua queda, como se as forças ficassem infeliz por não poder sugar mais um pouco de sua vida.
— Está feito – Bonnie cochichou, parecendo surpresa e assombrada demais.
Fale com o autor