Beautiful Lies 2ª temporada
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Davina sentia seu coração bater forte e acelerado em seu peito e aquela sensação só não era mais incomoda do que a de sua respiração acelerada. Sabia que precisava se controlar para ter uma mínima chance de sucesso no que estava prestes a fazer.
Elijah estava trabalhando para acordar Klaus, Rebekah e Kol, de modo que cabia a ela atrair Mikael para eles, mas ela sabia o tipo de monstro que aquele vampiro sabia ser e também sabia que sua magia podia não ser capaz de detê-lo, caso precisasse. Engoliu em seco e respirou fundo, precisava fazer aquilo para o bem maior de todos. Ela sentiu um vento frio bagunçar seus cabelos e soube que ele havia feito sua entrada teatral e virou para olhá-lo.
— Depois de tantos anos, nos reencontramos com o mesmo propósito de antes – ele falou, com a voz que mais parecia um rosnado constante. Ela observou à estaca de carvalho branco fixa em sua calça e achou aquilo ligeiramente patético.
Todo o poder que antes aquele objeto possuía fora transferido para os quatro originais vivos, de modo que ela só seria capaz de funcionar uma única vez. Ela notou que estava demorando demais para falar, então sorriu da melhor maneira que pode e disse:
— Velhos hábitos não se mudam.
— Você conquistou a confiança deles? – Mikael perguntou, completamente seguro de si.
— Sim – ela respondeu, entregando hesitantemente a chave da mansão Mikaelson, como um símbolo da confiança depositada nela. – O que você quer lá?
Ele agarrou a chave de uma forma rude, analisou-a lentamente e quando se deu por satisfeito, guardou em seu bolso interno. Sabia que não precisava daquilo para entrar em uma casa de vampiros, mas não queria ser notado.
— Tem algo muito valioso para mim que está escondido naquela casa, Davina.
— Você não podia simplesmente pedir para eu pegar? – ela perguntou, cruzando os braços frente ao peito.
— Preciso que você tire-os da casa para que eu mesmo pegue – ele explicou sucintamente, com um ar superior em seu rosto.
— Eles estão na pensão Salvatore, treinando pateticamente para vencer você em combate.
Aquilo não surpreendeu o Original. Ele riu, mas sua risada soava gélida e sem emoção nenhuma, como se não fosse natural. Davina sentiu os pelos de sua nuca eriçarem com o perigo que ele representava, ela olhou para os lados, certificando-se de que ninguém os ouvia. Estavam em um parque, há poucos quilômetros de distância de Mystic Falls, mas este estava vazio. Talvez fosse o tempo, as nuvens pretas preenchiam o céu e indicavam que uma tempestade estava para acontecer.
Em uma rápida piscadela, o Original desapareceu. Ela não soube dizer se sentia alivio ou angustia. Agarrou seu celular com firmeza e discou o número de Bonnie, quando a bruxa atendeu, ela falou rapidamente:
— Deu tudo certo, ele acreditou. Os Originais já acordaram?
— Sim – a bruxa respondeu minimamente.
— Não deixe que Elijah, Kol e Rebekah voltem para a mansão – disse. Não se importava com Klaus e, na hora do nervosismo acabou por esquecer de colocá-lo na lista.
— Por que não? – Bonnie soou aflita e ao mesmo tempo desconfiada.
— Ele está indo para lá, quer algo que deve estar escondido.
***
— Não tente dizer para mim o que devo ou não fazer, bruxa – Kol falou com um pouco de raiva na voz, tinha plena certeza de que Bonnie e Davina tinham premeditado tudo o que fizeram-no passar.
Bonnie revirou os olhos impacientemente e virou-se para Elijah, que sem sombra de dúvidas era o mais sensato dos irmãos.
— Elijah, vocês não devem ir para lá agora. Ele vai estar lá, foi isso que Davina disse.
Ele lançou um olhar a Rebekah, que parecia aflita.
— É possível que ele saiba da cura? Do sangue de Katherine que nós escondemos? – a loira falou em alto e bom som, atraindo os olhares de todos os presentes para ela. Traduzira em palavras desesperadas o que Elijah estivera pensando.
— É claro que é possível, irmã. Ele é quem ele é – disse Kol, sem muita emoção.
Elijah uniu as mãos como se estivesse proferindo orações e esfregou entre as sobrancelhas com os dedos unidos, como se aquilo o ajudasse a pensar, mas não ajudava. Ele não conseguia compreender qual era o plano de Mikael.
— Eu sugiro que ataquemos – disse Klaus, friamente. – Ele não espera nossa presença, temos o elemento surpresa. Em qualquer outra ocasião, ele usará isso como arma. É claro que o meu destino está na estaca de carvalho branco para ele, mas e quanto a vocês três? São filhos legítimos, ele jamais mataria o próprio sangue.
Aquilo fazia sentido, pelo menos para Elena. Ela estava sentada ao lado de Elijah, então achou que deveria confortá-lo. Pousou sua mão sobre o joelho do Original e sentiu os olhos dele sobre si por um breve momento. Elijah entrelaçou seus dedos com os de Elena institivamente, enquanto procurava forças para manter-se neutro e controlado.
— Ele tentará nos tornar humanos – Kol falou com certo nojo na voz, como se a mera pronuncia lhe causasse ânsia.
— Concordo com Klaus – disse Damon sombriamente. – Nós temos o elemento surpresa e temos vantagem numérica.
— Faz sentido – concordou Caroline, ao mesmo tempo que buscava a aprovação no olhar de Stefan.
— Nós não sabemos se ele realmente virá – rebateu Stefan. – Davina não deu certeza, ele simplesmente sumiu, pode aparecer quando for conveniente para ele.
Um longo silêncio se perpetuou após o momento em que Stefan se calou. Ele tinha razão, todos sabiam disso. Todos tinham parte da razão. Lentamente, Elijah sentiu como se todos olhassem para ele, esperando que ele deliberasse sobre o que iam fazer ou não. Sentiu a mão de Elena apertar a sua e ouviu os batimentos cardíacos da moça.
— Nós temos que contar com o que temos e no momento é o elemento surpresa – disse o Original, observando um sorriso malicioso tomar conta do rosto de seu irmão bastardo.
Nada mais precisou ser dito. Cada um tomou um rumo diferente na pensão Salvatore. Caroline foi até o jardim, onde pretendia meditar pela próxima hora, buscando a concentração e força que seriam necessárias para o que poderia acontecer naquele dia. Stefan seguiu para o porão, onde encontrou algumas bolsas de sangue, estavam ficando sem suprimento, achou que deveria beber, especialmente naquele dia, para ficar mais forte. Damon serviu-se de outra bebida e seguiu com Rebekah para o lado de fora da casa, rumo a floresta, onde pensou que poderia treinar por mais algum tempo. Bonnie abriu seu grimório e estudou os feitiços que poderia fazer sem o auxílio de Davina e sem desgastar-se demais, Kol desapareceu no minuto seguinte e ninguém o ouviu pela casa, Klaus e Hayley saíram juntos para a propriedade ao lado da mansão, para que pudessem transformar-se em lobos e treinar sua agilidade de transformação. Katherine não estava presente há dois dias, de modo que os únicos que sobraram na sala de estar foram Elena e Elijah.
Ele virou-se na direção dela lentamente e observou cada detalhe de seu rosto, como se fosse a última vez que fosse fazer aquilo.
— Por que está me olhando dessa forma? – Elena perguntou, com certo medo da resposta que poderia ter.
— De que forma? – ele perguntou, acariciando a pele macia da bochecha da vampira.
— Como se estivesse se despedindo – ela falou, sentindo um nó em sua garganta começar a se formar. Não iria chorar. Não tinha motivos para isso, tudo daria certo.
— Mikael não sabe que a estaca só pode atingir um de nós. Ele acertará qualquer um, Elena – ele falou calmamente, como se quisesse que ela compreendesse o que ele dizia, sem que fosse necessário muitas palavras. E ela compreendeu. Ele pensava que poderia morrer. Elena abriu os lábios para dizer algo, mas ele os selou com um dedo. – Não fale nada, só me escute. Não se arrisque por mim, se ele me escolher, deixe que ele me mate. Não ouse morrer por mim, Elena.
— Não ouse morrer por mim, Elijah – ela repetiu, com firmeza na voz. Não podia crer que ele estava pedindo para não ser salvo.
— Eu coloquei você nisso. Eu protegerei você, tem minha palavra – ele falou dignamente e ela soube que nada do que dissesse poderia mudar aquilo. Elijah era um homem nobre, que vivia por um rígido código de honra e moral que jamais ousaria desonrar.
Então tudo o que fez foi entrelaçar os dedos de ambas as mãos com as mãos dele e beijá-lo. Sem querer estava se despedindo, estava deixando seu otimismo de lado, sem nunca ter realmente conhecido Mikael, sabia que aquilo era uma missão suicida. Talvez não para ela especificamente, mas alguém morreria nas mãos do vampiro que mata vampiros. Sentiu uma lágrima fria escorrer por seu rosto e encontrar-se no rosto dele. Ela se afastou, recostando-se sobre o peito do original e escutando a suave batida de seu coração, que até naquele momento era calmo.
— Eu amo você – ela sussurrou – Não ouse morrer e me deixar sozinha. Eu não suportaria.
Ele tomou o rosto dela em suas mãos e sorriu, da melhor maneira que pode, feliz por ouvir aquilo.
— Não posso prometer isso – disse, tristemente e continuou – Quando tudo isso terminar, deixe Mystic Falls para trás. Venha comigo para outro lugar. Roma, Paris, Grécia...
Elena não soube o que responder. O simples pensamento de abandonar sua faculdade e amigos para trás fez com que seu coração acelerasse. Mas imaginar a eternidade com Elijah era algo bom demais, que aquecia o seu peito e tirava de sua mente todas as incertezas. Ela o olhava fixamente nos olhos, os dele tão seguros, os dela tão incertos. Ela acariciou com o polegar a pequena ruga que formava-se ao lado dos olhos dele quando sorria, admirou a beleza da maturidade de seus traços. Sorriu em resposta. Desejou perguntar quantos anos tinha quando foi transformado, mas concluiu que aquele não era o momento para curiosidades.
Ele não conseguia desviar os olhos dos dela. Sentia toda a dúvida que sua proposta causava. Sabia que para ela abandonar a cidade natal era extremamente difícil e não podia culpa-la por isso, mas agora naquela cidade mais memórias ruins do que boas tomavam a mente de Elijah e o vampiro sabia que o mesmo acontecia com Elena. Esperou pacientemente que ela ponderasse sobre a proposta, admirando as feições joviais, a beleza e o perfume dela, até que a ouviu sussurrar:
— Eu não posso, Elijah – ele não pode conter um sorriso, sabia exatamente que aquela seria a resposta e não a interrompeu quando ela continuou. – Eu tenho que terminar Withmore. O que foi?
— Esqueça, você tem razão – ele falou calmamente.
— Escuta, eu estive pensando e já sei qual curso irei fazer – Elena falou, ainda não compreendendo o motivo que levara Elijah a sorrir. Tentava mudar de assunto para que não parecesse que ela o rejeitava. Aguardou até que ele fizesse um gesto de incentivo com a cabeça e então continuou: — Medicina.
Ele elevou as sobrancelhas, estava surpreso pela escolha de Elena. Nunca esperava ouvir de uma vampira algo como aquilo. Conviver com sangue humano era o que aquela profissão prometia e ele a admirou por isso.
— É uma boa escolha – ele falou, por fim, abraçando-a fortemente contra si.
— Posso fazer minha residência em algum desses lugares que sugeriu – ela falou e pareceu como se estivesse escolhendo o meio termo entre a proposta de Elijah e o que desejava para si. Ela sentiu o toque das bochechas de Elijah quando seus lábios abriram-se ainda mais em um sorriso e soube que aquela era uma resposta suficientemente boa.
Rebekah pigarreou alto, indicando sua presença e fazendo com que os dois desfizessem seu abraço e ficassem de pé, prontamente. Todos chegavam a sala, como se fosse algum tipo de ponto de encontro, ao mesmo tempo.
— Onde está Davina? – Bonnie perguntou, parecendo um pouco preocupada, mas ninguém se importou em responder, já que Stefan completou-a com outra pergunta:
— Onde está Katherine?
— Fugiu, como sempre – Damon respondeu, um pouco rancoroso.
— Estamos prontos – Klaus falou, olhando de esguelha para Hayley.
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