Notas iniciais
Olá meus amores. Como vocês estão? Espero que bem.

Davina sentia seu coração bater forte e acelerado em seu peito e aquela sensação só não era mais incomoda do que a de sua respiração acelerada. Sabia que precisava se controlar para ter uma mínima chance de sucesso no que estava prestes a fazer.

Elijah estava trabalhando para acordar Klaus, Rebekah e Kol, de modo que cabia a ela atrair Mikael para eles, mas ela sabia o tipo de monstro que aquele vampiro sabia ser e também sabia que sua magia podia não ser capaz de detê-lo, caso precisasse. Engoliu em seco e respirou fundo, precisava fazer aquilo para o bem maior de todos. Ela sentiu um vento frio bagunçar seus cabelos e soube que ele havia feito sua entrada teatral e virou para olhá-lo.

— Depois de tantos anos, nos reencontramos com o mesmo propósito de antes – ele falou, com a voz que mais parecia um rosnado constante. Ela observou à estaca de carvalho branco fixa em sua calça e achou aquilo ligeiramente patético.

Todo o poder que antes aquele objeto possuía fora transferido para os quatro originais vivos, de modo que ela só seria capaz de funcionar uma única vez. Ela notou que estava demorando demais para falar, então sorriu da melhor maneira que pode e disse:

— Velhos hábitos não se mudam.

— Você conquistou a confiança deles? – Mikael perguntou, completamente seguro de si.

— Sim – ela respondeu, entregando hesitantemente a chave da mansão Mikaelson, como um símbolo da confiança depositada nela. – O que você quer lá?

Ele agarrou a chave de uma forma rude, analisou-a lentamente e quando se deu por satisfeito, guardou em seu bolso interno. Sabia que não precisava daquilo para entrar em uma casa de vampiros, mas não queria ser notado.

— Tem algo muito valioso para mim que está escondido naquela casa, Davina.

— Você não podia simplesmente pedir para eu pegar? – ela perguntou, cruzando os braços frente ao peito.

— Preciso que você tire-os da casa para que eu mesmo pegue – ele explicou sucintamente, com um ar superior em seu rosto.

— Eles estão na pensão Salvatore, treinando pateticamente para vencer você em combate.

Aquilo não surpreendeu o Original. Ele riu, mas sua risada soava gélida e sem emoção nenhuma, como se não fosse natural. Davina sentiu os pelos de sua nuca eriçarem com o perigo que ele representava, ela olhou para os lados, certificando-se de que ninguém os ouvia. Estavam em um parque, há poucos quilômetros de distância de Mystic Falls, mas este estava vazio. Talvez fosse o tempo, as nuvens pretas preenchiam o céu e indicavam que uma tempestade estava para acontecer.

Em uma rápida piscadela, o Original desapareceu. Ela não soube dizer se sentia alivio ou angustia. Agarrou seu celular com firmeza e discou o número de Bonnie, quando a bruxa atendeu, ela falou rapidamente:

— Deu tudo certo, ele acreditou. Os Originais já acordaram?

— Sim – a bruxa respondeu minimamente.

— Não deixe que Elijah, Kol e Rebekah voltem para a mansão – disse. Não se importava com Klaus e, na hora do nervosismo acabou por esquecer de colocá-lo na lista.

— Por que não? – Bonnie soou aflita e ao mesmo tempo desconfiada.

— Ele está indo para lá, quer algo que deve estar escondido.

***

— Não tente dizer para mim o que devo ou não fazer, bruxa – Kol falou com um pouco de raiva na voz, tinha plena certeza de que Bonnie e Davina tinham premeditado tudo o que fizeram-no passar.

Bonnie revirou os olhos impacientemente e virou-se para Elijah, que sem sombra de dúvidas era o mais sensato dos irmãos.

— Elijah, vocês não devem ir para lá agora. Ele vai estar lá, foi isso que Davina disse.

Ele lançou um olhar a Rebekah, que parecia aflita.

— É possível que ele saiba da cura? Do sangue de Katherine que nós escondemos? – a loira falou em alto e bom som, atraindo os olhares de todos os presentes para ela. Traduzira em palavras desesperadas o que Elijah estivera pensando.

— É claro que é possível, irmã. Ele é quem ele é – disse Kol, sem muita emoção.

Elijah uniu as mãos como se estivesse proferindo orações e esfregou entre as sobrancelhas com os dedos unidos, como se aquilo o ajudasse a pensar, mas não ajudava. Ele não conseguia compreender qual era o plano de Mikael.

— Eu sugiro que ataquemos – disse Klaus, friamente. – Ele não espera nossa presença, temos o elemento surpresa. Em qualquer outra ocasião, ele usará isso como arma. É claro que o meu destino está na estaca de carvalho branco para ele, mas e quanto a vocês três? São filhos legítimos, ele jamais mataria o próprio sangue.

Aquilo fazia sentido, pelo menos para Elena. Ela estava sentada ao lado de Elijah, então achou que deveria confortá-lo. Pousou sua mão sobre o joelho do Original e sentiu os olhos dele sobre si por um breve momento. Elijah entrelaçou seus dedos com os de Elena institivamente, enquanto procurava forças para manter-se neutro e controlado.

— Ele tentará nos tornar humanos – Kol falou com certo nojo na voz, como se a mera pronuncia lhe causasse ânsia.

— Concordo com Klaus – disse Damon sombriamente. – Nós temos o elemento surpresa e temos vantagem numérica.

— Faz sentido – concordou Caroline, ao mesmo tempo que buscava a aprovação no olhar de Stefan.

— Nós não sabemos se ele realmente virá – rebateu Stefan. – Davina não deu certeza, ele simplesmente sumiu, pode aparecer quando for conveniente para ele.

Um longo silêncio se perpetuou após o momento em que Stefan se calou. Ele tinha razão, todos sabiam disso. Todos tinham parte da razão. Lentamente, Elijah sentiu como se todos olhassem para ele, esperando que ele deliberasse sobre o que iam fazer ou não. Sentiu a mão de Elena apertar a sua e ouviu os batimentos cardíacos da moça.

— Nós temos que contar com o que temos e no momento é o elemento surpresa – disse o Original, observando um sorriso malicioso tomar conta do rosto de seu irmão bastardo.

Nada mais precisou ser dito. Cada um tomou um rumo diferente na pensão Salvatore. Caroline foi até o jardim, onde pretendia meditar pela próxima hora, buscando a concentração e força que seriam necessárias para o que poderia acontecer naquele dia. Stefan seguiu para o porão, onde encontrou algumas bolsas de sangue, estavam ficando sem suprimento, achou que deveria beber, especialmente naquele dia, para ficar mais forte. Damon serviu-se de outra bebida e seguiu com Rebekah para o lado de fora da casa, rumo a floresta, onde pensou que poderia treinar por mais algum tempo. Bonnie abriu seu grimório e estudou os feitiços que poderia fazer sem o auxílio de Davina e sem desgastar-se demais, Kol desapareceu no minuto seguinte e ninguém o ouviu pela casa, Klaus e Hayley saíram juntos para a propriedade ao lado da mansão, para que pudessem transformar-se em lobos e treinar sua agilidade de transformação. Katherine não estava presente há dois dias, de modo que os únicos que sobraram na sala de estar foram Elena e Elijah.

Ele virou-se na direção dela lentamente e observou cada detalhe de seu rosto, como se fosse a última vez que fosse fazer aquilo.

— Por que está me olhando dessa forma? – Elena perguntou, com certo medo da resposta que poderia ter.

— De que forma? – ele perguntou, acariciando a pele macia da bochecha da vampira.

— Como se estivesse se despedindo – ela falou, sentindo um nó em sua garganta começar a se formar. Não iria chorar. Não tinha motivos para isso, tudo daria certo.

— Mikael não sabe que a estaca só pode atingir um de nós. Ele acertará qualquer um, Elena – ele falou calmamente, como se quisesse que ela compreendesse o que ele dizia, sem que fosse necessário muitas palavras. E ela compreendeu. Ele pensava que poderia morrer. Elena abriu os lábios para dizer algo, mas ele os selou com um dedo. – Não fale nada, só me escute. Não se arrisque por mim, se ele me escolher, deixe que ele me mate. Não ouse morrer por mim, Elena.

— Não ouse morrer por mim, Elijah – ela repetiu, com firmeza na voz. Não podia crer que ele estava pedindo para não ser salvo.

— Eu coloquei você nisso. Eu protegerei você, tem minha palavra – ele falou dignamente e ela soube que nada do que dissesse poderia mudar aquilo. Elijah era um homem nobre, que vivia por um rígido código de honra e moral que jamais ousaria desonrar.

Então tudo o que fez foi entrelaçar os dedos de ambas as mãos com as mãos dele e beijá-lo. Sem querer estava se despedindo, estava deixando seu otimismo de lado, sem nunca ter realmente conhecido Mikael, sabia que aquilo era uma missão suicida. Talvez não para ela especificamente, mas alguém morreria nas mãos do vampiro que mata vampiros. Sentiu uma lágrima fria escorrer por seu rosto e encontrar-se no rosto dele. Ela se afastou, recostando-se sobre o peito do original e escutando a suave batida de seu coração, que até naquele momento era calmo.

— Eu amo você – ela sussurrou – Não ouse morrer e me deixar sozinha. Eu não suportaria.

Ele tomou o rosto dela em suas mãos e sorriu, da melhor maneira que pode, feliz por ouvir aquilo.

— Não posso prometer isso – disse, tristemente e continuou – Quando tudo isso terminar, deixe Mystic Falls para trás. Venha comigo para outro lugar. Roma, Paris, Grécia...

Elena não soube o que responder. O simples pensamento de abandonar sua faculdade e amigos para trás fez com que seu coração acelerasse. Mas imaginar a eternidade com Elijah era algo bom demais, que aquecia o seu peito e tirava de sua mente todas as incertezas. Ela o olhava fixamente nos olhos, os dele tão seguros, os dela tão incertos. Ela acariciou com o polegar a pequena ruga que formava-se ao lado dos olhos dele quando sorria, admirou a beleza da maturidade de seus traços. Sorriu em resposta. Desejou perguntar quantos anos tinha quando foi transformado, mas concluiu que aquele não era o momento para curiosidades.

Ele não conseguia desviar os olhos dos dela. Sentia toda a dúvida que sua proposta causava. Sabia que para ela abandonar a cidade natal era extremamente difícil e não podia culpa-la por isso, mas agora naquela cidade mais memórias ruins do que boas tomavam a mente de Elijah e o vampiro sabia que o mesmo acontecia com Elena. Esperou pacientemente que ela ponderasse sobre a proposta, admirando as feições joviais, a beleza e o perfume dela, até que a ouviu sussurrar:

— Eu não posso, Elijah – ele não pode conter um sorriso, sabia exatamente que aquela seria a resposta e não a interrompeu quando ela continuou. – Eu tenho que terminar Withmore. O que foi?

— Esqueça, você tem razão – ele falou calmamente.

— Escuta, eu estive pensando e já sei qual curso irei fazer – Elena falou, ainda não compreendendo o motivo que levara Elijah a sorrir. Tentava mudar de assunto para que não parecesse que ela o rejeitava. Aguardou até que ele fizesse um gesto de incentivo com a cabeça e então continuou: — Medicina.

Ele elevou as sobrancelhas, estava surpreso pela escolha de Elena. Nunca esperava ouvir de uma vampira algo como aquilo. Conviver com sangue humano era o que aquela profissão prometia e ele a admirou por isso.

— É uma boa escolha – ele falou, por fim, abraçando-a fortemente contra si.

— Posso fazer minha residência em algum desses lugares que sugeriu – ela falou e pareceu como se estivesse escolhendo o meio termo entre a proposta de Elijah e o que desejava para si. Ela sentiu o toque das bochechas de Elijah quando seus lábios abriram-se ainda mais em um sorriso e soube que aquela era uma resposta suficientemente boa.

Rebekah pigarreou alto, indicando sua presença e fazendo com que os dois desfizessem seu abraço e ficassem de pé, prontamente. Todos chegavam a sala, como se fosse algum tipo de ponto de encontro, ao mesmo tempo.

— Onde está Davina? – Bonnie perguntou, parecendo um pouco preocupada, mas ninguém se importou em responder, já que Stefan completou-a com outra pergunta:

— Onde está Katherine?

— Fugiu, como sempre – Damon respondeu, um pouco rancoroso.

— Estamos prontos – Klaus falou, olhando de esguelha para Hayley.

Capítulo 22:

Mikael podia sentir o cheiro do sangue de Katherine, carregado com a cura do vampirismo, a única coisa que teve que fazer foi seguir o seu olfato, zombando mentalmente de seus filhos por acharem que atrás de um quadro era um local bom o suficiente para esconder o frasco de um vampiro tão poderoso quanto ele.

Checou, só por segurança, a estaca de carvalho branco que tinha reservado para Niklaus. Só o mais simples pensamento no bastardo fazia seu sangue ferver. Ele era culpado de tudo o que tinham se tornado, sempre fora. O menino amedrontado e fraco, incapaz de proporcionar um relance de orgulho.

Já tinha conseguido todos os pequenos frascos escondidos na casa quando resolveu checar as fotos sobre a lareira da sala de estar da mansão. Tudo ali era patético para ele. Todos seus filhos tinham se tornado fracos com o tempo e aquilo era algo inaceitável. Ele vislumbrou uma foto de Elijah ao lado de Rebekah, segurou a moldura em suas mãos só para arremessá-la do outro lado da parede. Mataria a todos.

Ouviu um ruído que vinha dos jardins e aguçou sua audição, sendo capaz de captar vários corações pulsantes. Sorriu raivosamente, aquilo era uma armadilha e assim que matasse todos seu próximo alvo seria a bruxa audaciosa o suficiente para achar que conseguiria mata-lo.

Reconheceu o ritmo acelerado de Niklaus, era inconfundível, a abominação que ele era o revelava a metros de distância e soube que pelo menos os outros três eram de Rebekah, Kol e Elijah. Seus filhos amotinados. Segurou firme a estaca em uma das mãos, enquanto na outra tateou os bolsos em busca de um frasco de cura.

Ele caminhou lenta e tranquilamente até o hall de entrada, onde notou a porta entreaberta. Eles queriam ser notados. Crianças idiotas, pensou acusatoriamente.

— Mikael! – ele ouviu seu nome ser pronunciado com gritos ás suas costas e virou rapidamente para captar a imagem de uma mulher negra, uma cabeça e meia mais baixa que ele mesmo. Soube que era mortal, pelo seu cheiro e deduziu que deveria ser uma bruxa.

— Vocês, bruxas, sempre se envolvendo em assuntos de vampiros – ele cuspiu. – O assassinato continuo de vocês não ensinou nada?

— Hoje nenhuma bruxa vai morrer – ela rebateu, tinha coragem e aquilo ele valorizava.

Não o suficiente para mantê-la viva. Avançou na direção da garota com toda a velocidade que pode, mas foi parado por uma intensa dor em sua cabeça. Era como se mil vozes gritassem em seus ouvidos, era difícil de se concentrar. Mikael ajoelhou-se lentamente, tentando não ouvir as vozes, bloqueando suas orelhas com as mãos.

— Esse é um pequeno truque que Davina me ensinou. Isso que você escuta são as vozes de todos os inocentes que você matou – Bonnie disse, completamente orgulhosa por conseguir atrasá-lo, mas sua felicidade não durou o tempo que ela pensou que duraria.

Mikael ficou em pé, provando ser o guerreiro que sua fama dizia. Sua cabeça doía terrivelmente, mas ele já tinha passado por dores piores. Quando avançou novamente para Bonnie, ela quebrou suas pernas, fazendo com que ele gritasse em agonia e tornasse a cair no chão. Mas, ele viu algo em seus olhos. O medo.

— Você é fraca, bruxa – ele falou, ficando em pé com um grito áspero de dor e recolocando seus ossos no lugar. – Todos vocês são.

Novamente ele avançou e foi rápido demais. Ela não conseguiu pará-lo. Sentiu seu cabelo sendo puxado com rispidez e seu pescoço sendo exposto e em seguida e dor lancinante dos dentes dele rasgando sua pele.

— Não! – duas vozes femininas gritaram ao mesmo tempo. Elena e Caroline avançaram para Mikael, afastando-o de Bonnie e atacando-o da melhor maneira que puderam, enquanto ele ainda estava confuso pelo golpe repentino.

Elena fez o possível para segurá-lo, da maneira como tinha feito com Elijah, enquanto Caroline chutava e socava continuamente o abdome e o rosto do Original. Stefan e Damon apareceram, aparentemente do nada, para ajuda-las e então as posições foram trocadas. Enquanto Damon segurava Mikael pelas costas e Stefan tentava quebrar seu pescoço, Caroline e Elena procuravam pela estaca. A loira quase conseguiu pegá-la, mas em surto de raiva e força, o Original conseguiu livrar-se da contenção com força suficiente para fazer com que Damon fosse arremessado contra uma parede e Stefan acabasse com o pescoço quebrado.

Ele limpou o sangue que escorria de seus lábios e nariz desajeitadamente, moveu sua cabeça para os lados, estralando os ossos do pescoço de uma maneira completamente psicótica, fazendo com que Caroline e Elena se entreolhassem e dessem um passo para trás ao mesmo tempo.

— Então é isso o que você tem para mim, Niklaus? – o vampiro falou, caminhando na direção das duas, retirando do cós de sua calça a estaca de carvalho branco. – Um bando de vampiros adolescentes? – ele soltou uma risada completamente apavorante e maléfica. – Você é muito mais fraco e incapaz do que eu pensava.

Ele avançou na direção de Elena e Caroline. Ambas conseguiram desviar no último segundo, como estiveram planejando, mas por muito pouco. Ele escolhera Elena como alvo e, em vez de apontar a estaca, ele retirou um frasco com a cura.

— Você é o novo cachorrinho de Elijah, não é? – ele falou, lambendo o canto dos lábios. – O que ele pensaria se você tivesse sua humanidade novamente? Pelo o que sei de você, é algo que gostaria.

— Você não tocará nela – Elijah falou, do alto da escada e em seguida reapareceu nas costas de Mikael afastando-o de Elena. – Saia.

De algum modo, ela soube que era com ela com quem Elijah falava. O Original retirou o frasco de sangue das mãos do pai e jogou no chão, com uma raiva imensurável. Ele acertou o peito de Mikael com a mão aberta, fazendo com que ele fosse jogado para o andar superior da mansão e o seguiu, mas como sempre, Mikael se recuperou do golpe rápido demais e com facilidade debruçou-se sobre Elijah, no corredor da escada, forçando a estaca de carvalho branco na direção do coração do Original.

— Você se arrisca por ela? – perguntou o pai, com raiva na voz, nos olhos e na própria expressão facial. Ele forçava a estaca contra o peito de Elijah com mais facilidade do que o filho tinha para defender-se.

Mikael fora retirado de cima de Elijah com um grito aterrorizado. Um vulto cinza pulou sobre ele, arrastando-o pelo chão e mordendo-o violentamente no pescoço e onde mais foi capaz de alcançar. Um lobo cinza. Hayley.

— Abominações! – Mikael resmungou, tentando livrar-se do lobo. – Exatamente como você, Niklaus! Apareça!

Ele passou o braço pelo pescoço de Hayley e ela soltou um choro alto e doloroso. Elijah investiu na direção de Mikael e lutou para que o estrangulamento acabasse, recebendo a ajuda de um recém surgido Niklaus.

Damon arrastava Stefan para fora da linha da batalha, Caroline oferecia seu sangue para Bonnie, que estava chocada demais para conseguir conjurar qualquer outro feitiço. Elena olhava para aquela cena desconsolada. Elijah quase morrera e ela não ia poder fazer nada. Lembrou-se das palavras do Original “Não se atreva morrer por mim” e sentiu raiva por obedece-lo. Morreria se precisasse.

Subiu para o segundo andar o mais rápido de pode e chegou a tempo de ver Hayley voltando a forma humana, descordada. Enquanto Elijah, Kol e Klaus tentavam, sem muito sucesso, arrancar a estaca de Mikael. Ela viu que o jovem psicótico Kol retirou do bolso traseiro do jeans surrado que Mikael usava os frascos de cura, sem que ele notasse.

— Ajude Hayley – Klaus ordenou, sem olhá-la. Gotículas de suor brotavam em sua testa.

Rebekah estava ajoelhada ao lado da loba, com uma expressão preocupada.

— Ela está bem? – Elena perguntou, preparando-se para segurar Hayley no colo.

— Ficou muito tempo sem oxigênio – os olhos azuis de Rebekah estavam completamente desesperados.

— Vá ajudar seus irmãos. Eu cuido dela.

A Original acenou positivamente com a cabeça e correu para ajudar. Mikael escapou dos filhos e desapareceu, sendo seguido por todos os quatro, enquanto Elena carregava Hayley para o mesmo lugar que Damon, Caroline, Bonnie e Stefan estavam.

— O que diabos é aquele homem? – Damon reclamou.

— Ele é forte demais para nós, Elena. Não podemos vencê-lo – Caroline falou com uma pitada de desespero na voz.

— Bonnie, você está bem? – a vampira perguntou lentamente e só quando Bonnie acenou positivamente com a cabeça que ela continuou. – Nós temos que pegar a estaca antes que ele a destrua em um dos filhos. Bonnie, fique aqui com Stefan.

Eles deixaram a cozinha juntos, mas o pai Original os aguardava com os braços cruzados.

— Meus filhos se acham muito espertos – ele reclamou. Tinha um rastro de sangue na lateral de sua cabeça. – Mas não tem ideia de com quem estão lidando.

Ele agarrou Elena pelo pescoço e rapidamente a arrastou para perto de seu corpo. Bem no momento em que os quatro Mikaelson chegaram. Ele mostrou, com a calma de um psicopata, o ultimo frasco de cura que tinha em seu bolso. Tinha um pouco de surpresa nos olhos, por não sentir os restante, mas julgou que os tinha perdido na luta. Não importava, um seria o suficiente.

— Não... – Elijah falou, arregalando os olhos.

Ele limitou-se a sorrir. Forçou o frasco para dentro da boca de Elena, quebrando o maxilar e o vidro que protegia o sangue. Elena engasgou audivelmente, engolindo ao mesmo tempo a cura e o vidro estilhaçado. Segundos depois, ela perdia lentamente a consciência.

— Elena, não! – aquilo foi um uníssono de muitas vozes, mas quem realmente investiu contra Mikeal no momento em que ele se preparava para quebrar o pescoço de Elena foi Rebekah.

— Chega! – ela falou, agarrando a estaca de carvalho branco e apontando contra o peito do pai.

O corpo desfalecido de Elena caiu molemente no chão. Sendo praticamente velado por Caroline, Damon e Elijah.

— Rebekah, não! – Niklaus e Kol gritaram ao mesmo tempo, quando notaram que o pai fora capaz da atrocidade de enfiar a estaca no coração da irmã mais nova.

Klaus ajoelhou-se, debulhando-se em lágrimas carregadas de culpa, conforme o rosto de Rebekah tornava-se cinza e seu corpo era tomado por chamas. Aquilo era sua culpa.

— Estão satisfeitos? – Mikael indagou com arrogância e um riso solto a seguir. – Assim que o incêndio acabar vocês serão os próximos.

Elijah sentia lágrimas grossas correr por seu rosto. Incrédulo da morte da irmã mais nova e com a humanidade de Elena. Se um vampiro tão velho pudesse desligar sua humanidade, ele teria o feito naquele segundo. Era doloroso demais. Sentia-se em um completo torpor que lentamente tornou-se raiva. Seus olhos ficaram vermelhos e tudo o que ele ouvia era o balbuciar de Mikael e seu riso frenético e maléfico. Ele sentiu que mãos tentavam contê-lo, mas simplesmente concentrou-se em afastá-las.

Todas as vozes eram um simples balbuciar confuso. O que ele ouvia com precisão era sua mente assassina mandando acabar com todo aquele tormento. Elijah aproximou-se o suficiente para segurar Mikael pelo pescoço e aproveitou-se de seu descuido para enfiar sua mão no peito do pai. O Original gritou, devolvendo brevemente a atrocidade, sua mão também encontrava-se entre as costelas de Elijah. Não conseguiam respirar e seus corações batiam desesperadamente no peito. Mikael exibiu um sorriso inexplicável, como se sentisse orgulho do que Elijah fazia, mas o próprio Elijah sentia suas mãos dormentes, seu coração começava a recusar-se a continuar batendo contra o continuo aperto de Mikael. Esta era a estratégia, fazer com que o coração de Elijah falhasse.

Mas graças ao feitiço de Bonnie e Davina, a força da estaca indestrutível tinha sido transferida aos originais e a última coisa que ele conseguiu ver foi a face desfigurada de Elijah, que arrancou seu coração do peito com uma facilidade que jamais imaginou que teria.

***

Algumas horas mais tarde, Stefan acordou, com o pescoço restaurado na posição certa e completamente confuso. Ele se sentou no sofá que estivera deitado e observou as pessoas ao seu redor. A maioria tinha os olhos vermelhos e assoavam os narizes, com expressões tristes no rosto. Ele não viu Hayley, Rebekah, Elijah e Elena. Mas a única ausência que realmente o preocupou foi de Elena.

— Cadê a Elena? – ele perguntou, lançando um olhar a Damon.

— Está lá em cima. Ela está bem, irmão – Damon esclareceu, pousando a mão no ombro de Stefan.

— E quanto a todos os outros?

— Hayley ainda se recupera, Elijah está com Elena e Rebekah...

Foi como se Damon não tivesse a coragem necessária para dizer.

— Ela...? – Stefan se deteve, sabendo que seria compreendido. Ninguém o olhou novamente, Caroline acenou positivamente com a cabeça. – Nós o matamos?

— Elijah o matou e foi, para se dizer o mínimo, sinistro – Caroline falou brevemente.

— Quero ver Elena – ele falou, já se colocando em pé, mas Kol o conteve, com um olhar de aviso.

— Elijah não permite que ninguém entre lá. Não o desafie.

— O que houve com ela? – Stefan perguntou, estreitando os olhos.

— Foi curada – Bonnie respondeu, com descaso, o que fez Stefan sentar-se novamente.

***

Ele estava sentado ao lado da cama, com uma das mãos de Elena entre as suas. Não podia conter as lágrimas pelo luto da irmã e por sentir-se culpado por ela ter morrido em sua frente. Abaixou a cabeça na cama, escondendo o rosto em um lençol e sentindo a textura da pele suave e macia de Elena tocar seu rosto. A mão dela moveu-se delicadamente, escapando das dele e acariciando seu cabelo.

— Nós vencemos? – ela perguntou fracamente.

Ele se levantou do banco no qual estivera sentado e sentou-se na cama, puxando o corpo dela, agora totalmente frágil para si. Sentiu e ouviu o coração dela acelerar-se e pela primeira vez desejou seu sangue da mesma forma que desejava de qualquer humano.

— Rebekah está morta – ele respondeu com a voz dura, pensou que seria mais fácil começar com a notícia pior. – Mas você está viva e agora tem sua humanidade de volta.

Ele sentiu a respiração dela acelerar-se com a notícia. Talvez estivesse feliz por voltar a ser humana. Ele sabia que ela nunca desejara ser uma vampira e nunca gostou de ser uma.

— Sei que ela morreu por mim – ela falou lentamente, olhando-o nos olhos. – Sinto muito por isso, não queria que ninguém morresse hoje. Muito menos por mim. Você está bem?

— Sinto-me culpado e completamente sem rumo, Elena. Eu a trouxe para cá para matarmos Niklaus e ela acabou morta no processo.

— Shh – ela silenciou-o com um longo beijo. – Não é sua culpa.

— Está feliz com sua humanidade? – ele perguntou, baixando a cabeça para os ombros dela. Um ato infeliz. Daquela posição conseguia quase sentir o cheiro de seu sangue humano. A dose fora pequena o suficiente para que ela não se tornasse a cura ambulante do vampirismo, de modo que se ela desejasse, ele a transformaria. Mas Elijah nunca se atreveria a fazer a oferta.

— Eu acho que sim – ela respondeu, incerta. – Posso ter uma vida normal agora.

— É claro – ele respondeu gentilmente. – Acredito que seus amigos estejam ansiosos para vê-la.

— Elijah... – ela chamou, firmando as mãos ao redor do braço do vampiro e fazendo com que ele tornasse a se sentar. – Não vai me deixar, não é?

— É claro que não – ele respondeu, um pouco ofendido pela pergunta. – Vou ficar com você o tempo que sua vida mortal permitir.

Elena notou o quão triste aquela promessa soava e então, como sempre, ponderou sobre o que sempre quis para sua vida e o que a faria feliz, dado o fato que agora namorava com um vampiro original milenar.

— Eu nunca quis ser uma vampira, Elijah, mas agora...

— Quando você tiver experiências humanas o suficiente, eu estarei aqui para conceder a você a imortalidade novamente – ele completou, compreendendo o que ela queria dizer, mas simplesmente não conseguia.

— Vamos manter isso só entre nós, ok? – ela perguntou, com certo tom infantil e o puxou para um beijo lento e necessitado. – Amo você.

— Também amo você, Elena – ele respondeu e em seguida completou com a frase que Elena jamais pensou que ouviria sendo dita para ela: — Always and forever.

Notas finais
Hey pessoal, eu estou escrevendo outra fic sobre o Elijah, mas desta vez será com a Katherine. Aqui vai o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=6HR3h-fje-4 Logo, logo eu posto ela, ok? Beijos e muito obrigada, mais uma vez, por terem lido.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!