Ver Elena passar pela porta, de mãos dadas com um vampiro Original, de terno e com uma expressão superior não era nada fácil para nenhum dos irmãos Salvatore. Ela parecia incrivelmente pequena e jovem ao lado de Elijah, mas sua expressão revelava parte da idade que ela realmente tinha e o que ela era agora. Stefan respirou fundo, desviando os olhos dos irmãos Originais, enquanto Damon apressou-se para colocar mais uma dose de whisky em seu copo. Davina acompanhava os Originais. Pequena, frágil, jovem e com uma expressão culpada no rosto.

— Nós marcamos essa reunião para esclarecer alguns pontos – Klaus falou com a voz firme, olhando de esguelha para Hayley e aquilo fora tudo o que ele diria durante a introdução do que pretendiam fazer.

Elijah foi quem assumiu a liderança da reunião e explicou lentamente tudo o que tinha ouvido na casa de tortura na qual passara mais tempo do que gostaria. Ele explicou, posteriormente, quem era Mikael Mikaelson e porque todos naquela sala deveriam teme-lo.

— Certo, mas se ele estava morto, quem o trouxe de volta à vida? – Stefan perguntou, com a mandíbula tão rígida quanto seus braços cruzados em frente ao seu peito.

— Eu – Davina falou, dando o passo à frente e explicando brevemente todos os motivos que a levaram a trazer o patriarca Original de volta à vida. – O caso é que ele destruiu o bracelete que eu usava para controla-lo e na época quase me matou. Vocês acham que Klaus é um monstro porque não o conhecem.

— De fato – concordou Hayley. – Eu tive o desprazer de encontra-lo uma única vez, quando eu fui para o outro lado pela primeira vez e lá ele teria me matado, se já não estivesse morta.

— Certo, então como matamos esse bastardo? – perguntou Damon, sorvendo a última gota de seu whisky.

— Isso é um pouco complicado – Klaus falou, passando seus olhos por cada um naquela sala e sentindo-se um pouco enojado pelo modo como Elena olhava para Elijah, procurando algum conforto visual. Chacoalhou a cabeça para colocar os pensamentos em ordem e tornou a falar. – A única estaca existente capaz de mata-lo está com ele. O plano que irei propor tem duas partes simples: primeira recuperar à estaca, segunda mata-lo.

— Isso parece realmente simples quando meu querido irmão coloca em suas palavras manipuladoras – disse Rebekah, ligeiramente descrente. – Mas observem um pequeno detalhe. Ele é o original mais velho, o que o faz o mais poderoso de nós quatro. E passou todo o seu milênio treinando para fortalecer-se ainda mais.

— Elijah não teria chance contra ele, se estivessem sozinhos. A força de nosso pai é descomunal – disse Kol, que estivera tão quieto como um cadáver. Ironicamente. Lembrando a todos naquela sala que Elijah era o vampiro mais velho até então. – Nem mesmo Niklaus, que se orgulha de ter o poder de um híbrido, seria suficientemente forte para ele.

— Exato. – disse Elijah num tom sombrio, deslocando o peso de uma perna para a outra. – Mas o veneno de lobisomem ainda é eficiente e temos dois aqui que são capazes de agir, temos duas bruxas e sete vampiros para conte-lo.

— E o oitavo vampiro inteligente o suficiente para atravessar a estaca de uma vez por todas no coração desse maldito – a voz confiante e imponente de Katherine ecoou pela sala, enquanto ela fazia sua entrada teatral, vários minutos atrasada para a reunião que não fora convidada.

Todas as cabeças voltaram-se para elas e o único que sorriu foi Kol. Daquela maneira absurdamente insana que conseguia fazer. Ela o encarou firmemente, dando vários passos à frente e ladeando Elijah pela direita, enquanto sua cópia a fuzilava com os olhos, do lado esquerdo do vampiro. Elijah sentiu-se como um pedaço de carne entre dois leões famintos, fechou os olhos de uma forma impaciente e apoiou dois dedos em suas pálpebras, buscando em sua mente algo que deveria propor, mas que havia esquecido.

— Estamos aqui para ensiná-los a melhor forma para defender-se e contra atacar Mikael, vamos nos dividir em pequenos grupos – disse Rebekah calmamente, ao notar que Elijah estava demorando demais para expor o combinado. – Kol ficará com as duas bruxas, trabalhando com o grimório de nossa mãe, em um feitiço localizador que não pode ser bloqueado.

— Elena ficará comigo – Elijah falou, finalmente abrindo os olhos e soando estranhamente territorial e protetor.

— Eu ficarei com vocês – disse Katherine, apoiando-se no ombro do vampiro, com um sorriso triunfante para Elena.

— Certo, tanto faz. Hayley e Caroline ficarão comigo – disse Niklaus, com os olhos estreitos para o irmão mais velho e com uma expressão divertida no rosto, sorriu ao ver a infelicidade de Caroline ao notar que teria de aprender com ele.

— E os dois irmãos Salvatore comigo. Depois trocaremos os grupos, para que cada um seja capaz de aprender a defender-se de táticas diferentes de combate.

— Preparem-se para mim – Kol alertou, quase como uma ameaça, enquanto saia da sala junto de Davina e Bonnie, que trocaram olhares nervosos e incertos sobre a presença daquele vampiro em particular.

***

Todos encaminharam-se para os jardins do fundo da pensão Salvatore e dividiram-se nos grupos pré selecionados, com uma boa distância entre eles, aproveitando completamente o espaço que tinham.

Rebekah preparou-se rapidamente para se defender dos ataques dos irmãos Salvatore e, ao perceber que ambos hesitavam em ataca-la, ela mesma começou a lição. Sumindo do campo de visão de Stefan e reaparecendo por trás de Damon, com a mão enfiada em suas costas firmemente, sentindo o coração do vampiro bater entre seus dedos. Damon gritou alto e sentiu-se completamente inútil, mas não se mexeu, sabia que poderia ser fatal.

— Lição um: meu pai não irá esperar que vocês decidam qual irá atacar, então não percam tempo trocando olhares furtivos – a loira falou, afastando-se de Damon e partindo para Stefan, que defendeu-se um pouco mais rápido do que ela esperava.

— Elena, preste atenção em nosso grupo – pediu Elijah, um pouco seco, atraindo a atenção da vampira para si.

Ela olhava de maneira incrédula o modo como Rebekah tinha atacado Damon e, por um segundo pensou que ela o mataria.

— Desculpe – murmurou, olhando fixamente para Elijah e sendo distraída pelo vulto rápido de Katherine, passando ao seu lado e atacando o vampiro, que defendia-se prontamente.

Ela invejou sua cópia mais velha que, apesar de não acertar nenhum golpe, parecia ser precisa o suficiente para que em algum momento o fizesse. E além do mais, Elijah sorria, parecendo se divertir com a luta.

— Sabe que não pode me cansar, Katerina – ele falou audivelmente, esquecendo-se completamente que a mulher a sua frente não atendia mais por aquele nome. – Está na hora de mudar de tática.

Aquilo foi quase como um alerta, ele segurou os dois braços de Katherine com uma mão e a outra firmou em seu pescoço.

— Se isto fosse pra valer, arrancaria sua cabeça – disse ele, triunfante, afrouxando as mãos em um vacilo.

Nesse exato momento de distração, Katherine preparou-se e impulsionou o peso de seu corpo com a força sobrenatural que possuía, derrubando Elijah com facilidade sobre a grama e posicionando-se sobre ele. Sentada exatamente onde não deveria e com uma das mãos sobre o peito do vampiro.

Elena sobressaltou-se com o ato e investiu contra a cópia, parando no exato segundo em que Elijah elevou uma mão para ela.

— Katherine não é o alvo, Elena. Eu sou. Foque-se em mim, trabalhe com ela – ele falou rispidamente, não toleraria qualquer tipo de intriga entre as duas.

— Se isso fosse pra valer, arrancaria seu coração – Katherine volveu lentamente, acariciando o peito do vampiro que a retirou prontamente de seu colo e recolocou-se em pé ao notar a recusa de Elena para participar daquela lição.

Aproximou-se da moça lentamente e entrelaçou seus dedos firmemente nos dela, olhando-a nos olhos e deixando transparecer toda a sabedoria que os seus mil anos proporcionavam. Sorriu gentilmente, ignorando uma piada carregada de desprezo e sarcasmo vinda de Katherine e os ruídos das pequenas batalhas que aconteciam ao seu redor, com os grupos de seus irmãos.

— Sei que gostaria que Katerina não estivesse participando, mas essa cena não é necessária Elena. Se meu pai estivesse em meu lugar, não teria chance de cruzar os braços e recusar a participar, pois estaria morta.

Ele notou que ela separou os lábios rapidamente, como se algum argumento estivesse pronto para ser proferido, mas arrependeu-se e tornou a cerra-los lindamente um contra o outro. Elijah pegou-se admirando bobamente aquele gesto e recolocou os pensamentos no lugar, desentrelaçando seus dedos dos dela e posicionando a delicada mão de Elena no centro de seu peito.

— Consegue sentir meu coração batendo? Consegue ouvi-lo? — ele perguntou com a maestria e calma de um professor — Aqui é o ponto certo.

Ele deslizou a mão pela cintura de Elena, esquecendo-se de que poderia estar sendo observado, notou que a respiração da vampira acelerou ao sentir seu toque firme e sorriu maliciosamente, acariciando as costas de Elena, conforme elevava seu toque, parou exatamente no local de inserção do crânio com a primeira vertebra.

— E aqui é o local de escolha para paralisá-lo, já que não conseguirá arrancar a cabeça dele. De qualquer forma, o faça se tiver a chance.

— Não sei se consigo, Elijah — ela respondeu, sentindo-se completamente hipnotizada pelos olhos castanhos do original, deseivou o olhar um pouco para baixo, para captarem bem a tempo o momento que ele umedeceu os lábios com a ponta da língua. Desejava-o. Queria arrastá-lo do jardim para dentro de seu quarto e retirar aquela camisa social que moldava elegantemente o corpo do Original.

— Você vai conseguir quando se tratar de uma escolha entre a sua vida e a dele – a voz firme e suave trouxe Elena de volta para o jardim. Ela tornou a olha-lo nos olhos e notou que estavam vermelhos e com veias negras ao redor. Ele avançou para ela, de uma forma inesperada. Ativando o sistema de defesa instintivo de seu cérebro e fazendo com que todo o treinamento de Alaric viesse a sua mente, fazendo com que ela desviasse pronta e agilmente dos golpes do vampiro – Você é rápida — ele elogiou – Mas eu tenho um milênio de agilidade à sua frente e assim como eu, Mikael também tem.

Ele mudou a tática de golpes, investindo desta vez, nas pernas e abdome da garota, que passou a se defender com mais dificuldade. Demorou um longo tempo até Elena pensar em uma tática para vencer a rapidez e a forca de Elijah. Sabia que seria difícil, mas precisava faze-lo.

Parou de frente para o original e aguardou, observando, como a predadora nata que havia se tornado e quando ele investiu, sua mão em punho deslizou para dentro da caixa torácica do vampiro. Era mais difícil do que parecia, pelo menos três de seus dedos quebraram no processo, mas ela aguentou firmemente, gemendo alto quando forçou-se a segurar o coração pulsante de Elijah em sua mão.

Ele cerrou os olhos, sua feição contraiu-se de dor, puxou-a para si rapidamente e sussurrou:

— Agora, irá notar que não é tão fácil de puxa-lo para fora. Nem tão fácil de colocar sua mão aonde está. Mas se conseguir arrancar ira mata-lo, assim como me mataria.

— Eu sei — ela respondeu, pálida feito um papel, incrédula com o que sentia em suas mãos. Afastou-se rapidamente, analisando o sangue de Elijah sujar toda sua mão, até parte de seu punho.

Ela não sabia que jamais teria a chance de realizar aquele feito novamente, uma vez que só era possível aquele tipo de dano a um vampiro original se o mesmo permitisse — como acontecia agora – ou se estivesse distraído demais — o que Mikael jamais estaria em uma batalha. Mas Elijah nunca disse aquilo a Elena ou a Katherine. Bem como seus irmãos não tinham dito a Stefan, Damon, Caroline e Hayley. Talvez a loba soubesse, no fundo de seu ser, por ter tido a chance de conviver com originais diariamente, mas era algo que nem ela gostaria de encarar. A esperança, naquela situação, era algo que deveria prevalecer acima das estatísticas.

— Ok, hora de trocar — anunciou Klaus, pouco minutos depois. — Elena e Katherine, comigo agora!

As duas copias idênticas caminharam para Klaus, trocando um olhar significativo e cúmplice. Era como se compreendessem o que queriam dizer. Desta vez, quando não se tratava de Elijah, mas sim de um possível inimigo verdadeiro, não haveria motivos para discórdias.

— Eu não serei tão fácil quanto meu irmão — Klaus alertou, com o seu sorriso zombeteiro e característico nos lábios.

— Preparado pra enfrentar uma lobisomem com plenos poderes? — perguntou Hayley, com um sorriso superior nos lábios, exibindo seu anel da lua.

— Meu irmão é o hibrido original — esclareceu Elijah teatralmente desviando de uma investida rápida de Caroline e preparando-se para evitar os dentes carregados de veneno de Hayley.

Rebekah entrou rapidamente, encontrando Davina e Bonnie com dificuldades para localizar tanto Mikael quanto a estaca de carvalho branco.

— Isso não vai ser nada fácil, não temos nada além do sangue de vocês para localiza-lo.

— Pensei que vocês eram mais capazes de fazer a única coisa que podem torna-las uteis. Afinal, uma de vocês foi quem o trouxe a vida.

— E o fiz para matar Klaus, mas ele é incontrolável e eu era uma garotinha

Rebekah soltou um estalido com os lábios, totalmente impaciente, desejando ser ela a bruxa naquela ocasião, pois sabia que seria capaz de localiza-lo. Então teve uma ideia, que a fez exibir um sorriso astuto.

— Davina, você irá atrai-lo para Withmore. Afinal, sabemos que foi lá onde ele observou Elena e capturou Elijah.

— Como eu deveria fazer isso? — A bruxa perguntou, olhando suplicante para Bonnie.

— Diga que Klaus estará lá. Bonnie, certifique-se que ocorra em um dia em que o campus esteja vazio – Rebekah parecia ter um surto de inteligência. Agarrou o grimório da mãe e o folheou rapidamente, observando cada feitiço que conhecia como a palma de sua mão. Parou em uma folha parcialmente rasgada e extremamente fina, deteriorada pelo tempo. – Aqui, este é o feitiço que deverão fazer. A estaca não será mais indestrutível se conseguirem.

Bonnie pegou o livro das mãos de Rebekah e analisou a complexidade do feitiço. Muito sangue estaria envolvido naquele feitiço e, assim como o que transferiu a linhagem de Klaus para Elijah, era extremamente arriscado. A bruxa encarou os olhos azuis de Rebekah com muita dúvida. Não sabia se deveria transformar a única arma efetiva contra Originais em algo destrutível. Baixou os olhos novamente para o livro quando notou que Rebekah começava a ficar duvidosa de suas intenções.

— É claro – ela disse, forçando-se a sorrir na direção da Original.