Notas iniciais
Oi pessoal, leiam essas notas, ok? Eu pretendia postar bem mais rápido, mas tive alguns contratempos e preguiça que me impediram. Meu porquinho da índia está com infecção na urina e tenho que dar vários remédios e levar ele no veterinário que é um pouco longe de casa, de ônibus. Então isso tá me deixando um pouco cansada e sem animo pra postar. Também tive que formatar meu computador, perdi word, photoshop e tudo mais. Tava com muita preguiça de reinstalar e por fim, estive jogando the sims 4 esses dias e esqueci do mundo todo hahaha Bem, mil desculpas por isso. Agora as coisas estão bem e aqui vai a continuação do capítulo anterior. Espero que gostem.

Já era noite quando Elijah deu por si sentado na cama de Elena, no dormitório da faculdade, enquanto ela desenhava pela terceira vez um rastro de sangue falso no canto de seus lábios.

— Você poderia pelo menos fingir que está interessado — ela queixou-se, olhando de esguelha para a própria imagem no espelho.

Ele achou melhor permanecer em silêncio, pois se verbalizasse o quão patético se sentia, poderia ofendê-la e aquilo não era exatamente o que desejava.

Elena terminou o que estava fazendo e ajeitou seu vestido e sua capa, levantando a gola da segunda e escondendo e se atrás da roupa, provocando no vampiro infeliz a sua frente um ligeiro sorriso que, entrementes, pareceu mais cansado do que divertido.

— Acho que estamos prontos — ela falou, animada.

Ele umedeceu os lábios com a ponta da língua, sentindo o gosto do sangue fictício e fazendo uma nota mental do quão desleal o gosto era, apesar da aparência fiel.

Elena estava vestida como vampira agora, mas fizera questão de marcar o próprio pescoço com dois pontos do mesmo sangue falso que escorria dos lábios de Elijah, esclarecendo a ele que eles deveriam ter uma história, na qual o Original teria transformado-a.

Desceram juntos para o salão abarrotado de pessoas vestidas das mais estranhas maneiras e usando maquiagens bizarras. Elijah observava criticamente a decoração da festa, com teias de aranhas pendendo dos cantos, morcegos pendurados no teto, tecidos TNT de tons escuros servindo como cortinas. Ele imaginou o que Rebekah falaria da decoração descuidada, de fato quase pode ouvir a voz crítica e infeliz da irmã em seu ouvido.

Quando Elena trouxe o primeiro copo de uma bebida azul, ele finalmente decidiu abandonar a pose de quem jamais se divertiria em lugar daqueles e sorveu toda a bebida de uma vez, ouvindo a risada suave de sua namorada ecoar.

Namorada... Sua mente saboreou a palavra como se fosse um tipo novo e desconhecido de doce, incrivelmente palatável e agradável. Sorriu subconscientemente em resposta.

— Nós já podemos dançar — ela convidou, deixando o copo em um apoio qualquer e retirando o de Elijah das mãos dele. Ela agitou os braços do vampiro, quase como para anima-lo, o que não pareceu surtir efeito.

— Acho que preciso de outra bebida antes de incorporar o adolescente, Elena — ele confessou, finalmente verbalizando um pouco do que sentia sobre estar naquela festa.

Enquanto isso, Caroline e Bonnie tagarelavam em um canto, observando cautelosamente o casal que, lentamente, Elijah e Elena formavam. A loira perguntou, com uma sugestão maliciosa na voz, o que os dois estiveram fazendo no dormitório vazio depois do final do evento dos carros. Bonnie simplesmente sorriu, esperando que Elena soubesse exatamente onde estava se metendo ao entrar naquele tipo de relação.

— Quero dizer, olhe para eles, Bonnie! — ela falou, com uma voz melosa — Eles são épicos juntos!

— Isso era o que você costumava dizer sobre ela e Stefan, Caroline — Bonnie retorquiu, num tom severo.

— Não fique tão amarga! Ele é como um Stefan medieval — disse Caroline, rindo da própria piada e observando o vampiro de terno beber rapidamente outro copo da mesma bebida havia tomado. – Na verdade, a definição correta para Elijah seria a união evoluída de Stefan e Damon.

Bonnie revirou os olhos e caminhou na direção da pista de dança, observando através de uma janela o quão próxima e grande a lua cheia parecia.

— Certo, se você não consegue se divertir como uma pessoa comum, eu proponho um desafio – Elena falou, desistindo de forçar Elijah a dançar, ao passo que uma música mais sombria tomou conta do ambiente e as luzes caíram drasticamente. Os convidados começaram a dançar acompanhando o ritmo. Elijah observava fixamente Elena, esperando que ela continuasse a falar, desviou os olhos para a direção que a moça apontava discretamente. – Está vendo aquela garota ruiva? Vestida de médica?

— Sim – ele respondeu, cauteloso, prestando atenção na letra da música e reconhecendo-a de algum lugar.

— Ela é seu alvo – Elena falou lentamente, elevando uma sobrancelha de uma forma quase petulante. – Ela é a líder de torcida do time da faculdade, extremamente difícil de alcançar, nem o líder do time conseguiu, me admira a presença dela nessa festa, só para situar você.

Elijah sorriu, descrente, na direção dela. Não conseguia acreditar e, até mesmo, compreender o que ela queria dizer com alvo. Elena falava como se aquela garota fosse a mulher mais inatingível do mundo e aquilo o divertia, de certo modo.

— E o que eu devo fazer? – ele perguntou, soando quase obediente.

— Ora, não é obvio? – Elena respondeu com outra pergunta e após um momento continuou. – Você tem que mordê-la, mas aqui vão as regras: você tem que conquista-la, eu estarei ouvindo e só pode hipnotizar para que ela não grite.

— Pensei que você era contra esse tipo de coisas – ele devolveu, começando a gostar da ideia, afinal aquele seria o único tipo de diversão possível naquela festa. Elena deu de ombros e ele soube que aquela era sua deixa.

Elijah caminhou lentamente na direção da garota indicada por Elena, apreciando o sabor daquele jogo rápido. A música fora trocada para uma mais animada, mas ainda assim sombria. Quanto mais próximo da garota ele ficava, mais podia ver a luz da lua cheia, que por um segundo preocupou o Original.

— Olá – a garota cumprimentou, enquanto ele estava distraído pensando nos lobos. – Você sabe que essa festa é proibida para todos os professores, não sabe?

— Eu não sou um professor – ele respondeu, sorrindo lentamente na direção da garota e analisando seu rosto redondo e cheio de sardas. Os olhos verdes dela pareciam completamente astutos e ele imaginou a ironia de manchar o jaleco branco que ela vestia de sangue. Aquele momento quase o fez lembrar das festas que Niklaus dava há séculos, onde todos os cinco irmãos jogavam o mesmo jogo.

— Sendo assim, eu acho que você está liberado para ficar – a garota respondeu, aparentemente sendo convencida muito fácil. Os olhos dela analisaram Elijah rapidamente, aprovando o que viam. Ela o segurou pela lapela do paletó e puxou-o na direção da pista de dança. – Então, você é um vampiro?

— Um vampiro que não dança – ele esclareceu, seguro de si, soando incrivelmente esnobe, mas ainda assim seguindo a garota na direção que ela o puxava.

Ela dançou suavemente na frente dele, envolvendo o pescoço de Elijah com os braços e sorrindo sensualmente na direção do vampiro, que começava a ficar impaciente com o jogo de sedução. Se não estivesse claro nas regras de Elena que ele não podia hipnotizar, ele já o teria feito, mas daquele jeito seria fácil demais.

— Mas um vampiro que certamente morde – ela devolveu, passando um dedo pelo sangue falso dos lábios de Elijah e provando-o. – Isso aqui é bem doce.

Ele baixou os lábios na direção do pescoço da garota, ouvindo-a soltar o ar de uma forma pesada, lançou a Elena um olhar vitorioso, pousou seus lábios no local, e antes de morder tornou a olhá-la:

— Finja que está gostando – ele sussurrou uma ordem que não tinha a menor chance de ser desobedecida e então, sentiu seus dentes penetrarem a pele íntegra do pescoço da garota e, em seguida o sangue quente fluir para sua boca.

— O que Elijah está fazendo, Elena? – Caroline perguntou, horrorizada, chegando na amiga feito um raio e completamente do nada.

— Está vencendo meu jogo – ela comentou, emburrada. – Isso não tem graça.

— É claro que não! Ela é uma garota inocente, Elena! Você está fora de si? – Caroline indagou, completamente arrependida de ter dito que Elijah era a evolução dos irmãos Salvatore, talvez ele fosse um Damon medieval e não um Stefan. Ela estava com as sobrancelhas tão unidas do centro de sua testa que seus olhos quase não conseguiam ficar abertos.

— Caroline, relaxa! Ele não vai matá-la e além do mais, duvido que haja hipnose mais forte do que de um original – Elena justificou-se, caminhando para longe de Caroline com uma tranquilidade que fez a loira sentir um calafrio.

Elijah afastou seus lábios do pescoço da mulher que Elena havia apontado, deixando uma ferida séria aberta. Levou o próprio pulso aos lábios e o mordeu, oferecendo seu sangue para a garota. Jamais permitiria que ela partisse com aquele tipo de evidência no pescoço.

— Beba – ele hipnotizou, colocando seu punho despreocupadamente nos lábios da garota, ciente do que o que estava fazendo não era notado por nenhum aluno. – A única coisa que irá se lembrar é de ter flertado com um cara mais velho. O que você fez?

— Flertei com um cara mais velho – ela respondeu, bobamente, quando ele afastou o punho e higienizou os lábios avermelhados da garota.

— Ótimo, agora saia – ele falou, sentindo a presença de Elena as suas costas. Ela parecia emburrada por ele ter conseguido a atenção da “garota mais difícil da faculdade”. Elijah pode imaginar como seria com a mais fácil. Sorriu travessamente na direção de Elena e a beijou, deixando que ela saboreasse o resquício de sangue em seus lábios e ao se afastar, perguntou: — Como eu me sai?

— Bem demais – ela admitiu. – Todo o jogo perdeu a graça e, além do mais, quem disse que era para beijar o pescoço dela?

Ele riu de uma maneira que ela nunca tinha ouvido antes, de uma maneira solta e divertida. Quando parou, puxou-a pela cintura no exato momento que uma música lenta substituía a playlist sombria anterior.

***

Mais tarde, naquela mesma noite, Elijah e Elena deixavam a festa juntos. Ela tinha perdido Bonnie e Caroline de vista, de modo que decidiram não esperar por muito mais tempo. Elena tinha bebido o suficiente para caminhar vacilantemente, tropeçando nos próprios pés com frequência, graças ao apoio de Elijah ela não tinha caído pela terceira vez, mas ele mesmo não se recordava da última vez que tinha ingerido aquela quantidade de álcool.

— Admita, foi mais divertido do que suas óperas – ela balbuciou para ele, tentando calcular o caminho à sua frente, para que seus tropeções se findassem.

— Talvez depois da nona dose de tequila – ele respondeu. – Com aquela garota balançando minha cabeça.

Elena riu, recordando-se da expressão desnorteada do Original. Pouco nele parecia como o Elijah de dias comuns. A camisa social estava com vários botões desabotoados, a gravata frouxa no pescoço, o cabelo ligeiramente bagunçado e o sangue falso havia desaparecido por completo, em meio a beijos apaixonados que eles tinham compartilhado entre brindes sem sentido.

Elijah parou de caminhar subitamente, quando algum ruído aguçou seus sentidos, ele olhou ao redor, mas não conseguiu ver ou ouvir novamente, por mais que prestasse atenção. Elena abriu os lábios, mas ele pediu silêncio antes mesmo que ela fosse capaz de falar algo.

Mas, tudo o que ocorreu a seguir foi rápido demais. Ele sentiu várias picadas em seu pescoço e no segundo seguinte sentiu sua visão anuviar-se, soube que dessa vez não era pelo álcool.

— Olá, Elijah – a voz conhecida de Francesca ecoou por seu ouvido momentos antes de ele cair sobre os próprios joelhos e apagar completamente.

***

Elena acordou no dia seguinte da festa com uma ressaca terrível, a pior de sua vida. Sua cabeça doía quando ela se remexia na cama e seu estômago parecia incerto sobre manter ou não a comida em seu interior. Caroline e Bonnie não pareciam estar em um estado muito melhor.

Os cabelos da loira estavam um caos, completamente despenteados e cheios de papeizinhos coloridos grudados. Bonnie ainda não tinha acordado, parecia estar em um coma profundo.

— Elena, cadê o Elijah? – perguntou Caroline, que esperava acordar e visualizar o Original dividindo a cama com Elena. Ela coçou sua cabeça confusamente, tentando organizar os flashes que tinham sobrado de sua memória da noite anterior. Conseguiu visualizar o vampiro muito mais solto do que jamais tinha imaginado vê-lo.

— Eu não sei – respondeu Elena, num murmúrio mal humorado. Ela também esperava acordar e vê-lo em sua cama, mas obviamente ele não estava lá. – Não consigo lembrar de absolutamente nada depois das doses de tequila ontem.

— Será que vocês duas podem calar a boca? – Bonnie falou, imitando o tom de Elena. – Elijah provavelmente foi educado demais para ficar e dormir no mesmo quarto que nós.

De fato, Elena mal se lembrava como tinha chegado ao dormitório e se ele estava com ela naquele momento.

— Oh, Bonnie. Você deveria ter visto ele depois das tequilas. Parecia muito menos como o Elijah que nós conhecemos – Caroline comentou, divertidamente, levantando-se e caminhando na direção do banheiro, antes que qualquer uma das amigas corressem na sua frente.

Quando Caroline saiu do banheiro, após um longo período embaixo da água quente, ela parecia revigorada. Elena tinha voltado a dormir e acordou com um resmungo quando seu celular tocou sobre o criado-mudo ao lado de sua cama.

O visor estava aceso e ela viu que ela Elijah quem ligava.

— Bom dia, desaparecido. Onde você está? – Elena falou amavelmente, apesar de sua voz estar embargada pelo sono.

— Elena, escute – a voz dele era ao mesmo tempo cansada e fraca, como se cada suspiro ou letra pronunciada causasse uma dor indescritível. – Não faça nada...

Houve uma pausa na fala de Elijah unicamente para que ele gemesse de dor. Elena sentiu seu coração gelar e, de repente, era como se ele bombeasse fluidos frios por seu corpo, causando um arrepio e um péssimo pressentimento sobre o paradeiro de Elijah.

— Onde você está? O que houve?

— Procure Niklaus, não haja sozinha – ele falou, apressadamente. – Não escute nada do que ela lhe disser. Lembre-se...

Novamente a voz de Elijah foi interrompida, mas agora um grito tão aterrorizante foi ouvido que Elena teve de afastar o telefone do ouvido e, em seguida um longo silêncio sepulcral. Ela não sabia a quem Elijah se referia, mas soube que era astuciosa o suficiente para capturar e sequestrar um original. Ele queria que ela se lembrasse de algo, mas nunca foi capaz de concluir a frase.

— Olá, Elena. Acho que já fomos claros o suficiente. Siga o conselho de seu namorado e vá até Klaus. Diga a ele que queremos nossos anéis de volta, ou enviaremos pedaços de Elijah – a voz era feminina e incrivelmente calma e controlada. – Começamos com um presente para você, espero que faça bom uso.

A ligação caíra e imediatamente após isso, o telefone de Elijah tornou-se fora de área, de modo que era impossível fazer ou receber novas ligações. Só então Elena notou que havia uma pequena caixa de veludo em seu criado mudo, ela abriu cautelosamente e notou que ali estava o anel do Sol de Elijah. Sentiu uma lágrima descer por seu rosto e tão logo foi incapaz de controlar o choro.

— Eles estão torturando ele – Elena contou, observando Caroline e Bonnie, que a olhavam de uma maneira carregada de piedade. – E eu sequer me lembro de como ele foi pego.