Beautiful Lies 2ª temporada
13 Capítulo 13
Abri meus olhos lentamente, sentia-me tão fraco que a tênue luz vinda de uma lâmpada suspensa no teto era suficiente para ofuscar minha visão.
Não conseguia me lembrar de como tinha chegado até o local no qual estava, preso com algemas úmidas de verbena nos punhos e nos tornozelos. Parecia um porão antigo e úmido. Bolor tomava conta de grande parte da parede e o cheiro forte incomodava meu olfato. Aquela situação era patética, as correntes não deveriam, por si só, serem capazes de me manter preso, a verbena também não deveria ser suficiente.
Eu tinha perdido a noção de quanto tempo eu estava sendo mantendo cativo, pois os lobos não permitiam que eu ficasse tempo demais acordado. Uma espécie de equipo estava conectado diretamente na minha jugular e, quando meu sistema ameaçava ficar mais forte, doses de verbena eram diretamente injetadas naquele equipamento, deixando-me fraco mais uma vez.
O instrumento de tortura preferido pelo restante da matilha era, sem sombra de dúvidas, estacas de madeira e rastelos metálicos, bons o suficiente para drenar quantidades absurdas e completamente incompatíveis com a vida de sangue. O meu sangue. Que agora jazia seco e amarronzado no chão sujo abaixo de mim. Minha pele estava marmorizada e a cada dia — ou o que eu pensava ser um dia — que se passava, a tonalidade aproximava que do cinza. Sabia que naquela situação, se não recebesse uma gota de sangue, não seria capaz de escapar, mas também não poderia morrer, o que me tranquilizava nos momentos de dor.
Diferentemente dos lobos, eu era uma criatura imortal, adaptada para sobreviver em qualquer situação, então jurei mentalmente que teria minha vingança. A única coisa que mantinha minha mente ocupada eram as memorias agradáveis que eu tinha de Elena. Tinha me apaixonado e deixado que ela penetrasse completamente o meu ser e aquilo era uma das poucas coisas que não me arrependia. Uma lembrança vaga me ocorreu naquele momento, o diálogo que tivemos pelo telefone, eu tinha pedido para que ela procurasse Klaus. Não, era Rebekah quem eu queria. Minha querida e vingativa irmã mais nova. Por que, então, minha mente vacilante me fez sussurrar o nome Klaus?
Eu queria ter uma chance de falar com ela. Queria que Francesca tivesse escolhido o número de Rebekah e não o de Elena. Tire a adaga de Kol. Eu iria dizer e tudo seria compreendido sem muitas delongas. Espero que Elena não decida agir sozinha.
A pequena e surrada porta de madeira do cômodo em que eu estava foi aberta rapidamente, produzindo um ruído metálico em suas dobradiças e então vi que uma jovem moça entrava sozinha e temerosa. Ela estava com os braços escondidos atrás das costas, o que me deixou hesitante em pedir ajuda. Observei suas feições infantis lentamente. O cabelo ruivo caia por toda a extensão de seu tronco, até sua cintura, sardas tomavam conta de todo o seu rosto redondo. Seu corpo era esguio e quase sem curvas oriundas da puberdade. Tinha profundos olhos azuis e os lábios pálidos. Tive a curiosidade de perguntar o que estava fazendo aqui, mas não o fiz. Permaneci em silêncio, com os olhos fixos nela.
Lentamente, ela me mostrou um de seus punhos. Estava com um corte de uma profundidade considerável e sangrava filetes médios de sangue.
Senti minha garganta arder, meu rosto pinicar com as veias enegrecidas que por ele brotavam. Minha visão tornou-se completamente nítida e meu único pensamento era devora-la, secar cada uma de suas veias. Aquilo me deixaria forte o suficiente para escapar da tortura, mas ela era apenas uma criança inocente. O certo seria oferecer meu próprio sangue para que ela se curasse. Quando voltei a mim, notei que estava avançando para ela, com as correntes queimando minha pele e rangendo audivelmente.
— Parece que nosso vampiro original está bem acordado e não parece tão nobre assim — disse Francesca, surgindo logo atrás da garota. Sua voz era fria como o gelo e completamente maldosa.
Eu soube que o momento de ser torturado havia chegado junto com a lobisomem. Fechei os olhos enquanto a ouvia escolher algum dos objetos cortantes dispostos sobre uma mesa de madeira apodrecida, esperando a dor espalhar-se lentamente.
Senti uma fisgada em meu abdome nu e em seguida outra, cortando mais profundamente. Tudo o que saiu por meus lábios foi um gemido abafado, que não pareceu suficiente para ela. A ouvi trocando de instrumento e soube que agora viria a parte realmente dolorosa. Senti à estaca atravessar o final de meu esterno, partindo o osso em alguns pedaços e destruindo os órgãos que encontravam-se no caminho e gritei, sentindo-me nauseado. Poderia vomitar naquele momento, mas meu estômago estava vazio demais para por qualquer outra coisa para fora.
— Eu vou matar você e todas as pessoas que você conhece — eu falei, em meio a minha dor, com uma voz tão assassina quando a de Niklaus.
— Isso é o que vamos ver, Elijah. Quando eu acabar com você, estará despedaçado demais para uma vingança — ela ameaçou de volta e eu soube que aquilo poderia ser verdade. Eu podia enlouquecer com a dor.
Senti meu rosto arder, bem como os meus olhos, que agora estavam abertos, quando ela despejou um frasco de suco de verbena pura em minha face. Minha pele praticamente derreteu, como se um ácido poderoso a tivesse corroído e mais uma vez eu gritei, perdendo a visão, temporariamente.
— Já chega — uma voz familiar soou. E fez com que Francesa interrompesse um longo e profundo corte por meu braço esquerdo. — Apague ele e injete um pouco de sangue misturado a verbena.
— Ele matou minha mais da metade da minha matilha — ela me acusou, ferozmente.
— E eu matarei o restante se tiver que repetir o que acabei de dizer. — a voz feroz e carregada de ódio tornou a rugir. Eu sabia que a conhecia, mas naquele momento mal conseguia lembrar de onde.
Quando finalmente recuperei minha visão, só tínhamos eu e Francesca no porão, olhei ao redor cautelosamente, mas estava nítido que seja lá quem fosse o dono da voz conhecida, ele tinha desaparecido.
Por outro lado, a loba me olhava com uma expressão ressentida, como se de alguma forma me responsabilizasse por não poder mais me torturar. Notei que ela retirou o meu celular de seu bolso, discou um número rapidamente e, em segundos, quando alguém atendeu do outro lado da linha, seu rosto transformou-se em uma máscara de triunfo.
— Olá, Elena. Está demorando demais para me dar o que eu quero. Klaus não entrou em contato para devolver os anéis, talvez Elijah não signifique tanto para ele quanto eu imaginei, então estive pensando, você irá recupera-los para mim.
— Não — eu resmunguei, num sussurro fraco, farejando a armadilha.
— Talvez precise de um pequeno estímulo para começar sua procura — Francesca falou, levando o celular na minha orelha e segurando meu rosto com firmeza. — Diga para ela o que estamos fazendo com seu rostinho bonito, Elijah.
— Elijah, me perdoe, Klaus está procurando você. Ele não entregara os anéis — ela falou rápido demais, minha mente demorou vários segundos para compreender, com certo alívio, a mensagem que ela tinha passado.
— Diga para ela o que acabei de fazer com você, Elijah — Francesca ordenou, visivelmente cansada de meu silencio. — Diga!
Eu a encarei firmemente, deixando que a minha aparência vampírica tomasse conta de minha feição. Notei que a ameaça havia surtido algum efeito.
— Eu estou bem. — disse a Elena, forçando minha voz a soar forte e decidida.
Junto com a força de minha voz, uni a forca física e consegui, com um impulso, livrar um de meus braços e agarrar o pescoço da lobisomem a minha frente, a trouxe para mim, tudo acontecendo rápido demais, e a mordi, sentindo o gosto forte de verbena em seu sangue queimar minha garganta. Soube que aquilo não seria o suficiente para devolver minha força total, mas era o suficiente para que eu me soltasse completamente. O celular caiu no chão conforme ela gritava e pude ouvir Elena gritar também, do outro lado da linha, quando a última coisa que senti foi a dor súbita do meu pescoço sendo quebrado.
Acordei novamente algumas horas mais tarde, quando meus ossos voltaram ao devido lugar e todo o dano à minha espinha se curou. A luz que incomodava minha visão estava apagada. Agradeci mentalmente por aquilo, mas por outro lado, agora a sala estava na mais profunda escuridão.
Soube que tinha perdido a única chance que tive de escapar sozinho. Agora, nenhum dos lobisomens chegariam perto o suficiente de mim e eu seria sedado com uma dose tripla de verbena. Isto eu tinha descoberto graças a minha fraqueza física. Suspirei longa e profundamente, consciente que tudo o que me restava era aguardar que meu irmão me encontrasse.
Ouvi uma movimentação estranha em alguma parte da construção na qual me mantinham e agucei minha audição, ouvindo uma discussão acalorada.
— Vocês são patéticos! Mais do que patéticos! Realmente acharam que ele não tentaria se soltar?
— Eu fui a única responsável por isso e a única que sofreu as consequências. Dirija sua raiva para mim.
— Oh, sim. Você. A líder miserável dessa matilha de abominações – acusou a voz masculina carregada de rancor, mas uma única palavra fez com que minha mente trouxesse uma sucessão de memórias que eu não podia acreditar que eram verdade. – Niklaus entrará em contato quando perceber que é incapaz de encontrar o irmão mais velho.
— Você fala como se tivesse certeza – desafiou alguém, a voz não pertencia a alguém que eu conhecia.
— Não me desafie, garoto – novamente eu ouvi e em mil anos não conseguia me lembrar de ter sentido tanto medo.
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