Notas iniciais
Olá pessoal, como vocês estão? Quero iniciar as notas agradecendo aos comentários deixados no ultimo capítulo, eles me animaram muito a postar hoje! Minhas aulas da faculdade retornaram e eu descobri que meu professor de farmacologia da provas em todas as aulas (ou seja, todas as segundas feiras) e a prova é baseada em capítulos de um livro. Enfim, o que quero dizer é que estou um pouco mais ocupada do que o normal e este semestre vai exigir bastante da minha dedicação. Espero que vocês entendam. Sem mais lenga-lenga, vamos ao capítulo.

– Como está se sentindo? – Elijah perguntou, com a voz sem emoção.

Ele estava parado ao lado da cama de Katherine. Com o acidente causado por Kol, a mulher havia quebrado algumas costelas. Aquilo não deixava Elijah feliz, ele sequer aprovou o comportamento do irmão mais novo, mas não podia culpa-lo.

– Quebrada – resmungou ela de volta.

A pele de Katherine, que costumava ser corada e saudável, estava pálida. Havia grandes círculos negros em volta de seus olhos e seus lábios estavam secos e rachados. Toda essa péssima aparência era resultado de uma transfusão forçada de seu precioso sangue. Ela havia perdido duas bolsas, totalizando quase um litro sanguíneo fora de seu corpo e aquilo a deixou fraca.

Infelizmente, o sangue de vampiro ainda não era eficaz para reunir as fraturas de seus ossos ou fazer com que seu corpo trabalhasse mais rapidamente na produção de sangue, uma vez que todo e qualquer sangue vampírico ingerido por ela perdia o efeito e o poder sobrenatural ao entrar em contato com o sangue nativo.

O dia de perpetuar o ritual para a transferência de linhagem sanguínea finalmente chegara. Elijah era o único Original que compareceria a clareira onde Bonnie canalizaria o poder necessário para realizar o feitiço a pedidos da própria bruxa, que se justificou dizendo que mais de um poderia desestabilizar por completo o feitiço.

Ele arrumou cuidadosamente seus trajes para a ocasião, certificando-se de que sua gravata estava no lugar e que o ultimo botão de sua camisa de seda escura estivesse firmemente fechado.

– Está tão elegante – ela falou lentamente num sussurro fraco. – Tudo isso é para encontrar Elena?

Ele revirou os olhos, sua expressão carregada com um ar de superioridade e fez um gesto negativo com a cabeça. Passou um de seus braços por baixo dos joelhos de Katherine, apoiou a coluna da mesma com o outro braço e a içou da cama com facilidade. Iniciou a caminhada em direção ao seu carro, onde a colocou lenda e gentilmente. Ela sentia muitas dores devido as costelas quebradas e mal conseguia ficar em pé.

Katherine podia ser arrogante durante a maior parte do tempo em que estava acordada e, por muitas vezes, completamente inconveniente, mas sentir o corpo de Elijah tão próximo, sentir o suave perfume que ele usava e a delicadeza de seu toque após tanto tempo produzia uma sensação inacreditavelmente boa.

Ele entrou no carro e deu a partida, chegando ao destino mais rápido do que imaginava, mas mesmo assim Elena, Caroline, Damon, Stefan e Bonnie já os esperavam.

Havia tochas apagadas dispostas em círculos e uma mesa de mármore puro colocada ao meio. Sobre esta estavam presentes alguns símbolos desenhados com sangue, que Elijah notou ser a representação de cada um dos presentes. Ainda faltava o próprio sangue e o de Katherine. Havia também um recipiente de tamanho mediano com água e outro vazio. Uma bolsa de sangue ao lado dos dois.

Ele olhou com o canto dos olhos para Elena e notou que ela estava completamente inexpressiva, olhando fixamente para um ponto no chão.

– Consegue ficar em pé? – ele perguntou para Katherine e quando esta acenou positivamente com a cabeça ele a colocou no chão, mas ela continuou se apoiando fracamente no ombro do vampiro, com uma expressão de dor no rosto.

– O que houve com ela? – indagou Caroline numa expressão que se dividia entre várias emoções. Preocupação. Satisfação. Confusão.

– Irritei um Original. – Katherine respondeu, lançando um olhar amargurado para Elijah, completamente teatral.

Ela sabia que aquilo faria Elena reagir de alguma forma e a cópia assim o fez. Seus olhos correram para Elijah com total desaprovação e Katherine sorriu. Bonnie pigarreou alto, interrompendo o intenso contato visual que se formara entre Elijah e Elena.

– Vamos começar primeiro retirando a cura do sangue dela – ela anunciou, fazendo um gesto para que Katherine se aproximasse.

Para que aquilo fosse propriamente possível, Katherine deveria estar fraca e graças a passadas situações ela estava perfeita. Bonnie entregou um punhal com dois gumes afiados na mão da mulher e ela deslizou a palma sobre ele, sangrando sobre o recipiente vazio.

Em seguida murmurou poucas palavras em latim que fizeram o sangue ferver e evaporar feito água, o que parecia relativamente simples, mas não era. Uma palavra errada e tudo estaria perdido.

– Ótimo. Agora o ritual de transferência – anunciou ela numa voz fantasmagórica. Katherine tornou a esticar a palma cortada e respingou o sangue sobre o mármore, em seguida foi a vez de Elijah. Bonnie tornou a murmurar umas palavras em latim e então os respingos de sangue tomaram formas distintas e representativas. – Bom, agora eu preciso que vocês fechem seus olhos e concentrem-se, assim posso canalizar a vitalidade de vocês.

Assim foi feito. Ela murmurou a mesma frase repetidamente, sendo ela a única de olhos abertos, notou que todas as tochas acenderam-se ao mesmo tempo, uma ventania começou a soprar todas as folhas caídas no chão, a água começou a trepidar e a terra solta flutuava. Elena sentiu como se algo a puxasse de dentro para fora, um forte e doloroso puxão, bem como todos os outros presentes.

Bonnie sabia que Katherine estava fraca demais para ser drenada daquela maneira, então redobrou sua atenção naqueles que não poderiam morrer. Logo Caroline ajoelhou-se no chão, com as pálpebras firmemente cerradas e sentindo uma terrível dor no estomago, ela foi seguida por Elena, Stefan e Damon. Sendo Elijah o único a ainda manter-se em pé, mesmo sentindo como se estivesse sendo virado do avesso, seu poder de regeneração era mais rápido do que o dos outros.

Os símbolos feitos de sangue começaram a se unir de uma forma muito mais lenta do que Bonnie fora capaz de prever, mas com a sua magia sendo canalizada de cinco vampiros, ela quase não se sentia cansada.

Elena sentiu um liquido viscoso escorrer por seu nariz e sentiu seu interior queimando quando Elijah finalmente ajoelhou-se, incapaz de manter-se em pé. Agora a sensação era de como se estivesse expondo ao sol, sem o anel.

Stefan e Damon grunhiram baixo e seus olhos começaram a expelir sangue da mesma maneira como expeliam lágrimas.

Os símbolos finalmente se conectaram, formando uma pequena árvore. Bonnie sabia que aquele era ponto correto e então parou de murmurar as palavras. Assim que ela se calou, toda a dor fora embora, restando apenas os rastros de sangue nos rostos das pessoas.

– Podem abrir os olhos – ela falou.

Elena cuidadosamente limpou o sangue de seu nariz ao mesmo tempo que os irmãos Salvatore livravam-se do sangue nos olhos.

– Acabou? – indagou Damon, limpando os joelhos.

– Ainda falta uma parte. Elijah, eu preciso que você alimente eles com seu sangue.

O Original começou a arregaçar as mangas de seu terno e de sua camisa social, com a face lívida quando Bonnie tornou a falar.

– Preciso que seja do pescoço.

– Está bem – ele respondeu com a voz suave, afrouxando a gravata e dois botões de sua camisa, fazendo com que Elena delirasse um pouco, lembrando-se do dia em que estiveram tão a sós em seu quarto. Ele abriu mais dois pares de botões e então falou lentamente: — Elena, por que não faz as honras?

Ela se aproximou, indagando-se se ele havia a chamado com algum propósito. Quando um vampiro bebia sangue de outro havia um significado oculto, um significado de entrega e cumplicidade. Ele dobou o pescoço para o lado, expondo-o completamente para que a moça o mordesse. Ela hesitou ao sentir o calor que a pele dele emanava e o perfume amadeirado suave que exalava dele. Inspirou profundamente aquele cheiro. Mesmo estando profundamente irritada com o comportamento acusativo de Elijah, não podia negar o quanto o desejou naquele momento.

Seus caninos afiados perfuraram a pele de Elijah e ela sentiu o fluxo quente de sangue tomar conta de sua boca. Apenas dois goles foram suficientes. Ela foi seguida por Katherine, feliz por finalmente ter a chance de se curar de todas as dores que sentia. Depois Caroline, timidamente pela proximidade exagerada com aquele homem e ligeiramente tentada pela beleza de seus traços rústicos. Stefan completamente sem expressão e Damon por último, totalmente infeliz por ter que dever gratidão a Elijah.

– Você sabe o que tem que fazer agora? – Bonnie falou sombriamente e o Original assentiu da mesma maneira, quebrando o pescoço de todos os que haviam se alimentado de seu sangue tão rápido que Bonnie só pode ouvir o estalido de ossos. – Quando Katherine terminar a transição, todos eles serão de sua linhagem.

– Como está se sentindo? – ele perguntou educadamente. Ela o olhou desconfiada, como se não esperasse aquela pergunta. Os lábios dele contorceram-se num sorriso torto completamente cafajeste, algo que Bonnie julgou que jamais veria naquele rosto. — Eu não sou desalmado, Bonnie. Se fiz a pergunta é porque me interesso e me preocupo com a resposta.

– Cansada. Mas drenei bastante de vocês, isso me poupou. – ela respondeu, sentindo-se um pouco mais confiante sobre as intenções daquele vampiro. – Obrigada.