Beautiful Lies 1ª temporada
17 Capíulo 17
Notas iniciais
A suave luz de um dia nublado e chuvoso invadiu o quarto através de um pequeno vão entre as pesadas cortinas de linho escuro. Aquele ligeiro raio de luz foi se encontrar com as pálpebras ainda fechadas de Elena, esta sentiu o sono esvair-se de seu corpo com o toque da luz em seus olhos, então comprimiu a pálpebra, virando-se para o lado oposto e descobrindo um espaço bem menor do que imaginava ter.
Ela abriu um dos olhos e observou os cabelos loiros e ondulados a sua frente, os quais ela reconheceu por ser de Caroline. Elena se perguntou o que a amiga estava fazendo em sua cama e, logo notou que o quarto inteiro cheirava diferente do que estava habituada.
Não era o seu cheiro e tampouco o cheio fresco de roupas de cama limpas. Ela observou o pesado edredom que estava por cima de seu corpo e não o reconheceu, bem como os travesseiros ou a decoração do quarto. Os lençóis cheiravam a roupa nova.
O quarto era claro, as paredes pintadas de um tom pastel de bege, a cama tinha uma cabeceira gigantesca de couro branco que acompanhava o tamanho do móvel. Ela era virada na direção da janela, que Elena descobriu ser uma sacada. O próprio cômodo tinha pelo menos duas vezes o tamanho de seu quarto na mansão Salvatore e pelo menos o quadruplo do tamanho de seu antigo quarto. Ela olhou a sua volta e notou a decoração elegante e de bom gosto daquele lugar. Havia um quadro sobre sua cabeça, datado de 1500, feito de tinta a óleo e com cores escuras. Uma porta fechada a esquerda, que ele julgou ser o banheiro e ao mais ao lado um espelho com uma moldura dourada.
– Caroline, onde estamos? – ela sussurrou, insegura sobre o volume que deveria usar para sua voz. Colocou uma mão no ombro da amiga e a movimentou, para que despertasse rapidamente.
Caroline demorou um longo momento para finalmente despertar e notar tudo o que Elena já havia notado.
Tudo o que elas se lembravam era de ter apagado depois do ritual. Não sabiam exatamente como foram parar ali.
– Eu não sei, não consigo me lembrar de como o ritual terminou – Caroline sussurrou de volta e Elena acenou positivamente para a amiga, querendo dizer que também não se lembrava. – Está ouvindo? Tem pessoas conversando no andar debaixo.
Elena frequentemente se esquecia de que possuía uma audição sobrenaturalmente potente e que era capaz de escutar conversas distantes em uma casa. Ela colocou uma mecha de seu cabelo castanho emaranhado atrás da orelha e escutou uma voz feminina conhecida discutir:
– O que você pretende fazer com todos esses vampiros aqui em casa, Elijah? Não foi suficiente o incidente com lobisomens noite passada?
– Rebekah, acalme-se. Nós sabíamos que os lobos iam tentar parar o ritual, graças a Bonnie todos saímos ilesos.– Elijah retorquiu suavemente, usando o mesmo tom que um velho experiente conta histórias de sua vida para uma criança.
Elena deixou de escutar depois daquela última frase. Seja lá o que tinha acontecido na noite do ritual, não tinha acabado bem.vApesar de sentir-se profundamente magoada com Elijah, por ele te-la culpado de armar sua morte, ela não pode deixar de preocupar-se com aquela situação.
– Nós estamos na casa deles – Caroline sussurrou atônita.
Elena levantou-se da cama e notou que ainda vestia a mesma roupa do dia anterior, suja de terra. Caroline também estava com roupas sujas. Lamentou pelos lençóis, eles pareciam caros demais para serem sujos de terra.
– Vamos descer e descobrir o que houve.
Elas caminharam até a cozinha cautelosamente, como se os donos da casa não soubessem que elas estavam ali. Ao chegarem lá, Elena vislumbrou um rosto que a encheu de terror. Kol. Ela soltou um gemido alto, lembrando-se de que aquele vampiro tentara matar Jeremy por causa de seu medo irracional do imortal Silas.
– Bom dia – cumprimentou Elijah vagamente, baixando a manga de sua camisa social de uma maneira discreta, e observando as duas primeiras vampiras que acordaram.
O olhar de Kol faiscou na direção de Elena quando ele cheirou o medo em sua reação tensa. Ele exibiu um sorriso que ela identificou sendo idêntico ao de Klaus, aquilo só serviu para fazer um arrepio percorrer sua espinha. Caroline parecia ter congelado ao seu lado. Ele desviou o olhar para a loira e a encarou por alguns segundos.
– Com fome? – indagou ele, jogando para Caroline uma bolsa de sangue, que a mesma pegou ainda no ar. – Reflexos rápidos – ele flertou.
– O que você está fazendo aqui? – Elena rosnou para ele, atraindo o olhar curioso de Elijah.
– Ora, esta é a minha casa, Elena – ele respondeu, zombeteiro, fazendo com que ela revirasse os olhos impacientemente. – Estou ajudando meus irmãos bonzinhos a matar o meu irmão malvado.
Rebekah revirou os olhos e, trovejou:
– Toda essa situação é demais para mim. Elijah, os convidados são seus. Cuide você mesmo das acomodações deles – então deixou a cozinha, passando entre Caroline e Elena rápido feito um raio. Os cabelos loiros e castanhos mesclaram-se por um segundo, no vácuo causado pelos movimentos rápidos de Rebekah.
– Elijah, ele tentou matar meu irmão! Por que não me contou que ele estava na cidade?
– Podemos discutir sobre isto mais tarde? – Ele respondeu, sentindo-se completamente desconfortável com a presença sorrateira dos irmãos Salvatore, ás costas de Elena e Caroline. Além do mais, ele não gostaria de dizer em alto e bom som que estivera a sós com ela, no quarto dela. Não desejava que ninguém ali tirasse conclusões precipitadas sobre o tipo de conversa que eles tiveram. Seus olhos castanhos deslocaram-se para os dois homens, de braços cruzados, a porta de sua cozinha, mas não antes de notar que Elena estava prestes a objetar sua decisão. – Bom dia, cavalheiros.
Ela virou-se para olhar Stefan e Damon, de braços cruzados e carrancas em suas faces. Stefan parecia ligeiramente inclinado na direção de Elena, como se estivesse disposto a protege-la e seus olhos verdes não desgrudavam nem por um segundo de Kol. Damon, por outro lado tratava de encarar Elijah, que o ignorava mortalmente.
– O que houve ontem à noite e porque estamos aqui? – Stefan falou, rápido e sem rodeio algum.
Kol deu de ombros e com uma expressão divertida olhou dos dois vampiros para o irmão.
– Acho que esta é a minha deixa. – Ele se levantou e saiu pela porta dos fundos, tão tranquilo quanto um predador caminha por seu território.
Elijah acompanhou o andar do irmão mais novo por um segundo, sem virar sua cabeça e então agarrou outra bolsa de sangue de dentro da geladeira e serviu o conteúdo em cinco copos de whisky. Caroline devolveu a bolsa que Kol havia jogado para ela e quando Elijah sorriu gentilmente para ela, ela corou.
– Eu tive que quebrar o pescoço de vocês para completar o ritual e logo em seguida, os lobos nos atacaram. Atrasados demais. O ritual já estava feito, mas eles ainda podiam matar vocês. Com a ajuda de Bonnie eu consegui detê-los – ele explicou lentamente e então bebericou o conteúdo do próprio copo, sentindo o sangue descer queimando sua garganta, uma sensação comum quando passava-se muitos dias sem beber a quantia suficiente.
– E você saiu sem nenhum arranhão? – Elena perguntou, um teste claro para a reação de Elijah. Ele desviou o olhar e conteve um sorriso zombeteiro, soube naquele momento que ela estivera ouvindo a conversa.
– Para a infelicidade de alguns, sim Elena. – ele cortou, olhando duramente para os irmãos Salvatore.
Seus olhos castanhos queimaram profundamente nos olhos azuis de Damon, perante a indireta aberta que ele fizera para o vampiro que arquitetara sua morte. Estava claro que ele nunca esqueceria aquele ato de traição.
– Trouxe vocês para cá, pois imaginei que eu e meus irmãos poderíamos protege-los melhor, se estivessem sobre o nosso teto.
– Onde está Bonnie?
– Descansando em sua própria casa – ele esclareceu. – Ela não é alvo. Vocês são.
– Nós – corrigiu Caroline, com o olhar fixo na pedra de mármore do balcão de cozinha. – O ritual deu certo?
– Acredito que sim, mas não irei me matar para descobrir – ironizou Elijah.
– Só saberemos com certeza quando Klaus estiver morto – Damon falou irreverentemente. – Eu já estou acordado, posso me defender de minha casa. Se me dão licença – ele fingiu uma reverencia, de má vontade para Elijah e então deixou a mansão a passos largos, seguido de perto por Caroline.
– Vamos, Elena – convidou Stefan, mas esta negou veementemente com a cabeça.
– Elijah e eu precisamos conversar. Sobre Kol – ela falou, decidida, olhando fixamente para Elijah.
Stefan acenou positivamente, com um olhar sombrio e então os deixou.
Ele a conduziu para a biblioteca, onde julgou que estariam mais à vontade para conversar, mas ela parecia irredutível em sua postura de desagrado. Mantinha os braços cruzados sobre o peito e suas sobrancelhas estavam unidas bem como seus lábios.
– Por que não me disse que Kol estava na cidade? — ela logo deu início a conversa, com um tom duro na voz.
Ele podia compreender que ela estava completamente desapontada por não saber que Kol estava participando de toda a ideia de matar Klaus, mas não podia dizer que apreciava aquela condenação que via nos olhos dela. Suspirou e sentiu uma fisgada no local onde havia sido mordiscado por um lobisomem, ciente de que até o fim do dia estaria curado.
– Elena, eu tentei lhe dizer, mas no dia em que estive no seu quarto, você preferiu que conversássemos sobre... outros assuntos. – Ele respondeu, num tom educado e tranquilo, evitando tocar no nome de Katherine. Ela corou, e ele observou o tom róseo tomar conta de sua bochecha e, em seguida, desaparecer. – Sinto muito por ele ter tentado matar seu irmão no passado.
Havia sinceridade nas palavras daquele original, mas Elena não estava disposta a desistir daquela conversa tão rápido.
– Você não pensou duas vezes antes de acusar que eu sabia de todo o plano de Damon, Elijah. – ela falou rapidamente, desviando o olhar de Elijah. – Você realmente pensou que eu seria capaz de atrair aquela bruxa e assentir que ela fizesse o que fez com você?
Ele não respondeu. Aquilo a satisfez de um modo indescritivelmente infantil, saber que estava certa e manter Elijah calado por alguns momentos foi suficiente para que ela se enchesse de confiança.
– Você sabia da adaga – ele respondeu sombriamente. – Assim como sabia que eu fui mordido. Até hoje não escondi nada de você, Elena e, no entanto, esconde de mim e escuta minhas conversas com meus irmãos.
– Eu não poderia simplesmente contar a você que as pessoas que eu amo tinham uma arma que poderia nocauteá-lo, Elijah. Você nunca confiaria em nós. – ela respondeu imediatamente, virando-se para ele e aproximando-se uns passos, sem notar que o fazia. – Além do mais, você é um Original, é mais velho e mais forte do que nós. O que você esperaria? Confiança instantânea?
– Você confiou – ele rebateu, com seus olhos castanhos firmes nos de Elena.
– Confiei – ela afirmou, arrumando seu cabelo lentamente. – E sobre ouvir sua conversa, desculpe por isto, mas eu acordei em uma casa diferente, o que você queria que eu fizesse?
Ele sorriu e ela não pode compreender o motivo daquele gesto. Era um sorriso delicado e charmoso. Em seguida, os lábios dele se separaram e ele umedeceu-os com a ponta da língua, de uma forma quase sensual. Só então Elena reparou que pela primeira vez ele vestia roupas casuais.
– Desculpe por acusar você. Pensei que quando não matei seus namorados, tinha demonstrado o suficiente.
– O que você acabou de dizer? – ela indagou, incrédula e sentindo uma ira tomar conta de seu ser. Ele havia realmente insinuado que ela estava com Stefan e Damon simultaneamente? Ela não queria acreditar que era isso o que Elijah pensava dela. Seus olhos queimaram nos dele e, então ele deu de ombros. Ela se aproximou ainda mais, ignorando completamente o magnífico perfume que ele exalava quando a distância tornou-se pequena demais, completamente cega por ele ter estragado tudo o que ela pensou que ele era. A palma de sua mão ardeu quando ela esbofeteou o lado esquerdo do rosto de Elijah.
Talvez tivesse usado força demais, pois ele permaneceu com o rosto virado uns segundos e ela notou um fio de sangue escorrer pelo canto de seus lábios. Soube que tinha exagerado na reação. Ela virou para olhá-la, visivelmente surpreso e irritado. Sua mão tocava o lugar do tapa e sua língua massageava o canto interno que havia sido machucado pelos dentes.
Talvez ela tivesse se precipitado. Ele era um Original, mil anos mais velho, mais forte, mais rápido.
– Desculpe, eu não quis... – ela começou a dizer, mas foi interrompida bruscamente quando ele segurou seus ombros firmemente e praticamente arrastou seu corpo contra uma gigantesca estante de livros que ia do chão até o teto. Seus olhos estavam tão abertos que seu campo de visão estava mais amplo, suas pupilas dilataram frente o perigo e tudo o que elas conseguiam ver era o rosto contraído de Elijah. Sua respiração tornou-se ofegante e acelerada. Alguns livros despencaram com o impacto e caíram com um baque alto no chão. – Elijah, você está me machucando.
E realmente estava. Suas mãos apertavam forte demais os ombros de Elena. E naquele momento ela se perguntou se aquele era o Elijah ou o gênio Klaus que o possuia. Soube que era ele quando as mãos dele cederam sobre seus ombros e uma delas, tão rápida quando poderia ser, dançou para trás de seu pescoço e a puxou na direção dele.
Seus lábios se tocaram mais bruscamente do que qualquer um desejava. Os dele estavam firmes no início, mas depois relaxaram e permitiram que o beijo se tornasse algo mais confortável para ambos. Sua mão afrouxou o aperto sobre a nuca de Elena e substituiu o gesto rude por uma carícia leve no local, enquanto o outro braço enlaçou tranquilamente a cintura da moça. Ela sentiu o beijo tornar-se mais íntimo e desejoso a cada movimento de suas línguas, que se massageavam tranquilamente. Suas mãos correram para a nuca de Elijah e lá, entrelaçaram-se, numa mistura de cabelos e dedos. Ele era simplesmente mais do que ela havia imaginado. Conduzia o beijo com a mesma tranquilidade de sua personalidade e a experiência de seus dias nesta terra, o beijo tinha um suave gosto de hortelã misturado com o sabor férreo de sangue. Provavelmente o dele. Ele a apertou contra o seu corpo, desejando-a, assumindo para si mesmo que aquela mulher a sua frente provocava-o. Ela afastou os lábios dos dele e, então baixou os beijos para o pescoço do vampiro, ficando na ponta dos pés para que fosse capaz de alcançar aquela região.
– Elijah! Esta casa está silenciosa demais. O que está acontecendo? – a voz impaciente de Kol ressoou pelo corredor que precedia a biblioteca e fez com que Elena e Elijah se afastassem. Ele tornou a segurá-la pelos ombros, agora com menos ferocidade e interpretou uma reação de desagrado, ao passo que ela fingia estar assustada no exato momento em que o irmão mais novo entrava na biblioteca.
Elena deixou suas feições vampíricas desabrocharem por seu rosto e afastou as mãos de Elijah de uma maneira teatral, escapando das mãos do vampiro e compreendendo que ele não queria que o irmão soubesse o que havia acontecido ali. Ela também não gostaria de ouvir o que Kol tinha a dizer daquele beijo.
Ela passou por Kol correndo e desaparecendo da mansão, tão rápida que o Original não foi capaz de esboçar alguma reação de contê-la.
– Conversa animada, irmão – Kol ponderou, notando a suave marca vermelha no rosto de Elijah desaparecer lentamente. – Ela deixou uma bela marca nesse rostinho bonito.
– Silêncio – Elijah volveu, deixando a biblioteca um verdadeiro caos de livros caídos, ainda fingindo toda aquela reação feroz.
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