Notas iniciais
Nos vemos nas notas finais...

– Já faz uma desde que Elijah nos incumbiu a tarefa de proteger Katherine enquanto ele ia proteger a outra cópia e não retornou! Algo está acontecendo por baixo dos nossos narizes – disse Rebekah completamente enfurecida pelo desaparecimento do irmão mais velho.

Kol sustentava uma expressão serena apesar de concordar plenamente com as palavras que a irmã dizia.

– Ou ele pode simplesmente estar se divertindo por aí – ele não pode perder a chance de uma piada. Em seguida completou com humor negro: — Elijah não faz o tipo garanhão , mas uma mulher na cama dele melhoraria aquele péssimo humor, não acha? Consegue imaginá-lo assim?

– Para falar a verdade, eu consigo. De fato, por muitas noites, eu fui a mulher que compartilhava a cama com Elijah – respondeu Katherine, mesmo sem a pergunta ter sido direcionada a ela.

Os dois Originais olharam para ela com expressões idênticas: a carranca de poucos amigos. Era como se houvesse uma lei secreta entre eles, dizendo que somente os irmãos poderiam zombar ou entrar em combate físico um com o outro.

Katherine mordiscou a maçã que usava como café da manhã e deu de ombros, deslocando o alimento para a bochecha e falando, com a voz embargada pela comida:

– É a verdade, acreditem ou não. E devo dizer mais, ele é ótimo no que faz. – com uma piscadela virou as costas, mas não antes de ouvir Rebekah e Kol, em uníssono, soltar um ruído enojado.

A loira caminhou em círculos pela gigantesca sala de estar enquanto observava a lareira crepitar, queimando madeira desnecessariamente.

– Eu vou até a mansão dos irmãos Salvatore. Você, por favor, fique aqui e não faça nenhuma estupidez – ela falou deixando a mansão feito um raio.

– Disse a mulher que se envolve com colegiais – ele zombou baixinho, levantando-se do sofá e procurando por Katherine, uma vez que ela sempre tão divertido perturbá-la.

– Rebekah, espere! Eu vou com você – Katherine correu em direção a porta, chegando ao carro da vampira no momento exato em que ela girava a chave na ignição. Kath não pretendia ficar sozinha com Kol, sabia perfeitamente que o humor do vampiro era totalmente instável e cruel. Não queria servir de brinquedo para um Original.

Rebekah aceitou a companhia da cópia de má vontade, se toda aquela situação dependesse exclusivamente da irmã Original, eles teriam dado um jeito de manter Katherine afastada da mansão e da extensão de suas visões. Talvez tivessem compelido uma bruxa poderosa e depois feito ela ingerir verbena, para que nenhum outro vampiro fosse capaz de imitar seus feitos.

A campainha da pensão Salvatore ressoou audivelmente por toda casa e Elena era a única que estava próxima a porta. Levantou-se preguiçosamente e atendeu, sendo surpreendida por um rosto idêntico ao seu, com uma expressão de superioridade.

– Katherine – ela falou sem vontade. – O que você quer aqui?

Katherine não fez a menor questão de responder a pergunta, simplesmente desviou de Elena e entrou na casa, analisando cada detalhe da pintura das paredes, como se nunca tivesse entrado na propriedade.

Elena abriu os lábios lentamente, como se tivesse a intenção de falar algo e franziu o cenho, virando seu corpo completamente para onde Katherine estava de modo que suas costas estavam viradas para a porta aberta.

– Olá, Elena – cumprimentou Rebekah com uma voz doce carregada de falsas intenções. Ela carregava um sorriso sutil nos lábios mas os olhos diziam exatamente o oposto.

Elena sentiu seu corpo gelar, um arrepio desconfortável tomou conta de sua nuca e, lentamente, tomou conta de todo o seu corpo. Ela pensou no corpo de Elijah, que jazia nos porões da casa há uma semana e soube exatamente o que a vampira original estava fazendo ali.

– Tem alguma ideia de onde Elijah está? – ela foi diretamente ao ponto, fechando a porta atrás de si enquanto dava passos lentos e decididos.

– Elijah? – Elena respondeu bobamente, enquanto acompanhava cuidadosamente os movimentos da Original.

Já havia sentido a força daquela mulher que aparentava ser tão frágil, sabia que talvez não devesse desafiá-la. Katherine observava tudo de uma forma astuta ao lado da lareira, agora apagada.

– Sim, Elijah. Meu irmão mais velho, desaparecido há uma semana, cabelos castanhos, educado, ligeiramente assassino quando de mau humor – A loira respondeu, descrevendo Elijah ironicamente.

– Não o vejo há dias, pensei que talvez vocês estivessem dando outro passo para atrair Klaus a Mystic Falls – Elena respondeu, olhando firmemente na direção daqueles olhos azuis e em seguida caminhou para o sofá, onde sentou-se descontraidamente. – Talvez ele tenha me dito algo sobre a matilha...

Rebekah pareceu ponderar sobre aquelas palavras por um momento. Olhou de esguelha na direção de Katherine, mas aquela cópia parecia mais interessada em uma foto de Stefan nos anos 40. Ela revirou os olhos e então aproximou-se de Elena rapidamente, com um ar ameaçador.

– Talvez ele tenha dito? – disse ela num tom de poucos amigos. Seu tronco inclinado em um ângulo de 90 graus, para que pudesse olhar diretamente para a outra cópia. Elas eram tão ridiculamente iguais. – Talvez eu arranque sua cabeça se tiverem feito algo contra meu irmão. Vamos embora. – desta vez ela dirigiu a palavra a Katherine.

A humana sorriu ironicamente na direção de Elena, divertindo-se com toda aquela situação, onde pela primeira vez era a cabeça de sua cópia boazinha e não a própria que estava em jogo. Seus olhos estavam brilhando com a sabedoria de uma mentirosa. Elena soube naquele exato momento que Katherine sabia que ela mentia.

– Eu vou ficar aqui e brincar um pouco com os irmãos Salvatore – Katherine falou, apoiando-se sobre o mármore da lareira.

– Não, você vai comigo. Elijah jamais me perdoaria se algo acontecesse com você – Rebekah respondeu rapidamente, sem fazer nenhuma questão em esconder que proteger Katherine era um fardo.

– Esta casa está cheia de vampiros, Rebekah. Eu estou protegida – argumentou Katherine.

Aquilo pareceu convencer a Original. Ela acenou positivamente com a cabeça e deu meia volta, em direção a porta, deixando Elena e Katherine sozinhas na mansão Salvatore.

– O que foi que vocês fizeram com ele? – indagou Katherine, quando imaginou que Rebekah já estava a uma distância considerável e não conseguiria ouvir a conversa. Elena levantou-se lentamente do sofá, caminhando na mesma direção de Rebekah.

Por um segundo Katherine pensou que seria deixada falando sozinha, mas então Elena fez uma curva para direita e um sinal singelo com a cabeça para que fosse seguida. A humana obedeceu, perguntando-se o que Elena gostaria de mostrar e porque estava toda misteriosa.

Elas desceram para o porão e lá Elena destrancou uma pesada porta de metal puro. Katherine sabia que ali era uma cela onde eles costumavam manter vampiros em cativeiro, mas negou-se a acreditar que Elijah estava ali. Chegou a considerar que aquilo era algum tipo de armadilha.

– Elena, eu não sou idiota de entrar aí. – ela se justificou, cruzando os braços e apoiando o ombro na parede úmida ao seu lado.

Elena revirou os olhos impacientemente. Os anos que Katherine passou fugindo a tornaram completamente desconfiada. Elena entrou na frente, com a esperança de conquistar, pelo menos um pouco, da confiança da humana e aparentemente conseguiu.

Katherine soltou um gemido que Elena não soube identificar se era de susto, infelicidade, medo ou dor.

– Quem? – foi tudo o que a mulher conseguiu dizer antes de ajoelhar-se ao lado do corpo de Elijah e retirar o punhal com as próprias mãos, mostrando certa dificuldade em realizar o ato.

– Uma bruxa. Ninguém conseguiu impedir. Damon ajudou – Elena falou pausadamente, resumindo todo o ocorrido.

Katherine deixou a adaga no chão e deixou o porão apressadamente, como se estivesse amedrontada demais para ficar no mesmo lugar que o corpo de Elijah. Mas Elena sabia que não podia abandoná-lo.

Ela deixou a cela e abriu o refrigerador localizado imediatamente à frente da porta metálica, o local onde eles mantinham bolsas de sangue, pegou uma e aguardou, ciente que em algum momento Elijah acordaria.

– Katherine? O que você está fazendo aqui? – Damon indagou, visivelmente descontente com aquela presença em sua casa.

Já tinha problemas o suficiente para lidar com Elena e o drama Original que jazia em seu porão. Não precisava de mais problemas que só a presença daquela mulher ocasionava.

– Você nunca deveria ter apunhalado Elijah – ela alertou num tom sombrio de quem conhecia perfeitamente o temperamento Mikaelson dormente em Elijah.

Mesmo sendo tão nobre e honrado, o vampiro Original jamais perdoaria aquele tipo de traição. Katherine temia pelo o que poderia acontecer em breve.

Stefan parou de chofre na escada da mansão, um sorriso sincero que ele carregava nos lábios desapareceu lentamente quando ele pode ouvir o que Katherine falava.

– Como sabe disso? – os dois irmãos perguntaram em uníssono e em seguida trocaram um olhar desconfiado.

Stefan terminou de descer o lance de escadas e Damon fechou a porta da casa lentamente atrás de si, ambos lançando olhares furtivos para Katherine, como se ela tivesse alguma culpa em todo o ocorrido.

– Eu cheguei aqui com Rebekah e quando percebi que Elena mentia terrivelmente sobre o paradeiro de Elijah resolvi ficar e descobrir o que aconteceu – ela se explicou. – É claro que vocês sabem o quão protetores eles são uns com os outros, não é?

Elena notou que Elijah abria os olhos lentamente, o que a fez deixar de prestar atenção no que Stefan, Damon e Katherine conversavam no andar superior. Ele girou os olhos na direção dela, lentamente e então se sentou.

Sua pele ainda estava acinzentada, mas suas articulações já estavam completamente flexíveis e as veias em seu rosto já haviam sumido completamente. Elena ofereceu a bolsa de sangue e ele a aceitou de bom grado, sorvendo cada gota avermelhada como se fosse sua última refeição.

Seu queixo e camisa ainda estavam sujos do sangue que havia vomitado, mas estava seco e de um tom enegrecido.

– Que momento constrangedor – ele falou, conforme sua pele retornava a tonalidade normal. Ainda era o mesmo cavalheiro de sempre. – Por quanto tempo fiquei desacordado?

– Uma semana – Elena respondeu num sussurro.

Ele pareceu completamente descontente com aquela informação. Não conseguia compreender o motivo de Elena ter permitido que ele perdesse aquele tempo adormecido, ele sentiu-se profundamente traído por todos aqueles que estava tentando ajudar. Contraiu a mandíbula de tal forma que Elena foi capaz de ver através de suas bochechas a contração. Ele se levantou, completamente recuperado e pegou a adaga do chão. Poderia ter matado Klaus e deixado toda esta linhagem de traidores morrerem com ele. Ofereço ajuda e assim me agradecem.

– Como conseguiu isto? – ele indagou, com a voz dura e os olhos estreitos.

Elena também se levantou, sentindo seu coração acelerar descontroladamente por não saber o que responder.

– Katherine entregou a Stefan – ela respondeu num murmúrio tímido. – Nós nunca tivemos a intenção de...

– Me apunhalar? – ele interrompeu, parecendo transtornado. – Ou nunca tiveram a oportunidade?

Ela não tinha resposta. Sabia exatamente que Stefan teria empalado Elijah sem pestanejar, mas aquilo não tinha acontecido. Ela não podia simplesmente jogar a culpa em Damon e deixar que a fúria de um vampiro Original recaísse sobre ele.

Aparentemente ele não tinha mais o que dizer. Elena sentiu um calafrio quando ele passou por ela, deixando como rastro a bolsa de sangue vazio. Não demorou muito para que ela resolvesse segui-lo, temendo pelo pior.

Ela sabia que Damon estava na sala e soube que Elijah provavelmente estava atrás de seu ex-namorado.

Quando ela terminou de subir as escadas, apressada e apavorada, ela se deparou com Elijah segurando Damon firmemente pelo pescoço, a bons 10cm do chão e contra uma parede.

– Me dê uma razão para não matar você aqui e agora – sussurrou o Original num tom letal. – Eu vi você ajudando a bruxa.

Stefan avançou imprudentemente na direção de Elijah, com o único objetivo de salvar o irmão mais velho da consequência do próprio ato, mas o vampiro Original foi absurdamente mais rápido e conseguiu enfiar sua mão em punho no peito de Stefan, com um ruído sinistro de ossos quebrando.

– Vocês se acham tão invencíveis – ele zombou, sentindo o coração de Stefan bater desesperadamente entre seus dedos. – E no entanto estão a mercê da minha vontade.

– Você nunca vai conquista-la se nos matar – Damon sussurrou de volta para Elijah, atraindo a atenção e, aparentemente, a consciência do Original. Nenhuma outra palavra precisou ser dita para que ele compreendesse a quem o vampiro se referia.

Por que eu deveria me importar?

– Elijah, por favor, solte eles. Não faça isso – Elena pediu, arfando.

Katherine estava completamente sem palavras do outro lado da sala, mas sabia que Elijah jamais mataria os irmãos Salvatore se o que Damon estivesse falando fosse verdade. Ela aguardou, com o mesmo olhar astuto e paciente de uma predadora e concluiu que, ironicamente, Elijah não resistia ao fogo das Petrova.

Ele soltou o pescoço de Damon e retirou sua mão, completamente ensanguentada do peito de Stefan. O último caíra pesadamente no chão, com um suave gemido de dor escapando por seus lábios. Então alcançou Katherine, segurou-a firmemente em seus braços, lançou um último olhar, completamente humano e rendido a Elena e então desapareceu.

Notas finais
Não demorou muito pro nosso queridinho voltar, não é? Espero que tenha ficado claro o mix de sensações na cabecinha do nosso querido e nobre Elijah. Mas não se animem, eu tenho me sentido um pouco R.R Martin.... kkk beijos, espero que gostem