Beautiful Disaster
17 Capítulo 17
Notas iniciais
“Regina se apoiou na parede e encarou Emma por um instante, olhou a loira de uma forma gélida, como se congelasse sua alma.
— Você gosta mesmo da Lily?
Quando Emma percebeu Regina estava a centímetros de distância.
— Não estrague as coisas para mim, Regina. – Emma se esforçou ao máximo para sustentar o olhar da morena.
— Lilith Page... – Regina a encarou por mais um instante e desviou o olhar, se afastando – Eu preciso falar com você e com a Ruby, vamos descer, é importante.
A morena disse se esgueirando pelo corredor e deixando uma Emma tempestiva para trás.”
...
— Então é isso. Nós precisamos de estagiárias e a Helena foi a primeira a indicar vocês, antes que vocês digam que não podem abandonar o The Planet.— Regina diz para Emma e Ruby, que a observavam atônitas sentadas no sofá da sala, enquanto a morena andava para lá e para cá explicando.
— Regina, e-eu, eu não sei, eu não posso aceitar, meu deus, eu nem comecei a fazer faculdade ainda, como você quer que eu estagie? Você nunca nem viu nada que eu escrevo.— Emma disse chocada.
— Bom, na verdade eu já vi sim...— Regina olhou para Ruby e a morena de mechas vermelhas se encolheu levemente – Eu gosto muito de você, flor. Mas mesmo assim eu não te escolheria se achasse que você ainda não está preparada. A Alice ficou super animada com a possibilidade de ter vocês duas trabalhando com ela, na verdade ela meio que odiava as últimas estagiarias.
— Aquelas do ménage?— Zelena diz batendo palminhas.
— Que ménage?— Ruby olha séria pra Zelena.
— Esquece o ménage.— Regina diz virando os olhos.
— Como esquecer o ménage? — Zelena
— Cala boca, Zelena. – Regina.
— Odeio gente que cospe no prato que come.— Zelena diz erguendo uma sobrancelha para a irmã e mostrando a língua. — Nunca esquecerei o ménage.
Regina olha com cara de poucos amigos para a irmã.
— Ok, suponho que eu também não deva perguntar sobre esse ménage. Enfim, O que você foi mostrar pra ela, Ruby Lucas? — Emma disse cerrando os olhos para a amiga.
— Hey, calminha. Nada demais, loira. Só um blog antigo, alguns textos aleatórios e perdidos de quando você ainda fazia a coluna cultural do jornal da escola.— Ruby disse na defensiva – Baby, podemos aceitar? Por favor, Emma, por favorzinho. Eu não vou entrar nessa sozinha, você sabe disso, então aceita, é uma chance única na vida, Emms— Ruby disse em tom de súplica.
Emma ficou quieta por um instante e de repente explodiu em uma gargalhada que pegou todas as mulheres da sala desprevenidas. A loira continuou rindo de forma solta, até sair água dos seus olhos. Regina franziu as sobrancelhas e olhou de Ruby para Zelena tentando buscar alguma explicação, mas a ruiva parecia tão perdida quanto ela e a morena virava os olhos.
— Que foi, louca?— Ruby perguntou.
— Você percebe como isso é maluco? Nós estamos na casa da Regina Mills, e ela nos chamou pra estagiar com ela em uma franquia de milhões de dólares. Ruby, o quão bizarro é isso? Nós sempre sonhamos alto, mas não tão alto assim. Meu Merlin, eu não posso acreditar... Queria que a super Mary Margareth nos visse agora.— Emma disse ainda rindo.
— Quem é Mary? E porque você está rindo? Não era pra estar, sei lá... Chorando de emoção ou algo do tipo? Já falei o quanto você é estranha hoje?— Zelena pergunta.
— É a mãe maluca dela. E ela sempre ri de nervoso, normal, esse é o jeito dela de extravasar às vezes. Ela é estranha mesmo.— Ruby disse fazendo um gesto com a mão, para que Zelena não se preocupasse. Enquanto isso Emma caiu na gargalhada novamente.
— Okaaaaay— Regina disse num suspiro prolongado – Isso é um sim?
— Acho que é.— Emma disse se recompondo, ao mesmo tempo em que Ruby se jogava em seus braços e as duas entonavam um grito de guerra, aparentemente conhecido apenas por elas, enquanto Regina olhava assustada para Zelena e a ruiva dava de ombros, preferindo não entender.
***
O primeiro dia de aula de Emma foi cheio de ansiedade, como todos os primeiros dias devem ser. Lily a levou e buscou todos os dias da semana e fazia questão de almoçar ou jantar com a loira sempre que dava. Emma conseguiu perceber que a Regina que ela conhecia em casa era completamente diferente da Regina do trabalho. A morena era séria, exigente e extremamente focada, em nada se parecia com a pessoa libertina que Emma conhecera meses atrás. No primeiro dia do estágio de Emma, Regina já esperava a loira ansiosa do lado de fora dos locais de filmagem. Antes mesmo que Lily pudesse pensar em beijar Emma, Regina puxara a loira pela mão “- Está em cima da hora, beija-flor!” – Nos outros dias, Lily garantira o beijo no carro.
O clima dos sets de filmagem era leve e descontraído, Emma passava boa parte do tempo nos camarins com Shane e Alice; a loira ensinava Emma a entrar de vez no mundo do show business e Emma estava absolutamente amando tudo isso. Emma descobriu que Regina era fã da atriz Meryl Streep e que sua maior inspiração para a megera poderosa e imponente que ela interpretava atualmente era a personagem Miranda Priestly. A primeira semana passou voando. Emma se dividia entre a aula, o novo trabalho, Lily e as maratonas de filmes com Regina nas horas vagas.
Na quinta-feira, Lily decidiu ficar para almoçar com Emma e surpreendeu a todos ao se sentar no lugar de Regina, em frente a loira. Quando Regina terminou seu cigarro e entrou, passou por Lily com indiferença e foi se sentar na ponta da mesa. Uma staff se aproximou da morena com gracejos, mas ficou instantaneamente decepcionada quando foi dispensada com um aceno de mão. Todos na mesa ficaram quietos depois disso e Emma achou difícil se concentrar em qualquer coisa que Lily falava.
— Presumo que não fui convidada. – Lily disse atraindo a atenção de Emma.
— O quê?
— Ouvi dizer que a sua festa de aniversário vai ser no domingo, não fui convidada?
Ruby olhou de relance para Regina, que fulminava Lily com o olhar, como se estivesse a ponto de massacrá-la.
— Era uma festa surpresa, Lily...— Ruby disse baixinho.
— Ah...— Ela se encolheu.
— Vocês vão fazer uma festa surpresa pra mim?— Emma perguntou surpresa.
Ruby deu de ombros.
— Foi ideia da Regina, e agora acho que não é mais surpresa, de qualquer maneira...
Lily corou levemente.
— Acho que agora definitivamente não estou convidada.
— Oi? Claro que está convidada.— Emma disse segurando a mão de Lily, em cima da mesa.
Vários pares de olhos se voltaram para suas mãos e Emma pode sentir que Lily estava tão desconfortável quanto ela com toda aquela atenção, então soltou e colocou as suas próprias no colo.
— Preciso fazer algumas coisas antes de voltar pra aula. Ligo pra você depois.— Lily se levantou.
— Tudo bem.— Emma disse oferecendo-lhe um sorriso, como um pedido de desculpas. Lily inclinou-se até o outro lado da mesa e depositou um beijo terno nos lábios de Emma. Um silêncio constrangedor se instalou no ambiente, Emma olhou para Regina e a morena estava muito interessada em alguma coisa na tela de seu celular, e todas as outras meninas se entreolharam soltando breves suspiros, antes de recomeçarem a conversar.
— Sabe, antes eu era patética porque achavam que eu era a namorada da Regina, que não sabia onde estava pisando. Agora sou má, porque acham que eu fico revezando entre a Lily e a Regina, como uma bolinha de pingue-pongue.— Emma disse num cochicho abafado para Ruby, que estava ao seu lado.
Quando a amiga não disse nada, Emma ergueu o olhar:
— O quê? Não me diga que você também acredita nessa besteira.
— Eu não disse nada.— Ruby exclamou.
— Mas é o que você acha. – Emma disse encarando a amiga, sem acreditar.
Ruby balançou a cabeça em negativa, mas não falou nada. Os olhares glaciais das outras pessoas na mesa ficaram subitamente aparentes, então Emma se levantou e foi até a ponta da mesa. Emma tentou parecer educada, mas a raiva que borbulhava em seu interior colocou uma certa ponta de tensão em suas palavras. Todas as pessoas da produção, incluindo as garotas do The Planet e sua melhor amiga de infância achavam que ela estava envolvida com duas mulheres. Só havia uma solução.
— Precisamos conversar.— Emma disse em pé ao lado de Regina.
— Diga.— A morena disse de forma gélida, sem tirar os olhos do celular.
Emma ficou inquieta, notando todos os olhares das pessoas que estavam perto a ponto de ouvirem a conversa. Como Regina não esboçou nenhum movimento, Emma agarrou o braço da morena e deu um bom puxão. Regina se levantou e seguiu Emma até o lado de fora, com um sorriso sacana no rosto.
— Que foi, flor?— A morena perguntou olhando para a mão de Emma em seu braço e depois para a loira.
— Você tem que me liberar da aposta.— Emma implorou.
A expressão no rosto de Regina era de decepção.
— O que eu fiz?
— Nada, você não fez nada. Mas você não notou os olhares de todas as pessoas no estúdio? Estou me tornando a puta do The Charts. — Emma disse incomodada.
Regina balançou a cabeça e acendeu um cigarro.
— Isso não é um problema meu.
— É sim. A Lily diz que todo mundo acha que você está apaixonada por mim.
Regina ergueu as sobrancelhas e engasgou com a fumaça que tinha acabado de inalar.
— As pessoas estão dizendo isso? — A morena falou entre tossidas.
Emma fez que sim com a cabeça e Regina desviou os olhos arregalados, dando outra tragada no cigarro.
— Regina! Você tem que me liberar da aposta, eu não posso continuar morando com você e saindo com a Lily ao mesmo tempo, isso passa uma péssima impressão.
— Então pare de sair com a Lily.— Regina deu de ombros.
Emma revirou os olhos, furiosa.
— O problema não é esse e você sabe disso.
— É só por isso que você quer ir embora? Por causa do que as pessoas estão falando?
— Pelo menos antes eu era tida como sem noção e você que era a menina má da história.— Emma resmungou.
— Responde a minha pergunta, flor.
— Sim!
Regina olhou para o fundo, para as pessoas que andavam para lá e para cá dentro dos estúdios, ela estava tomando uma decisão, e Emma estava ficando cada vez mais impaciente enquanto ela demorava para fazê-lo.
Por fim, a morena se manteve firme e decidida.
— Não.
Emma balançou a cabeça, certa de que tinha entendido errado.
— Como?
— Não. Você mesma disse, aposta é aposta. Depois de um mês você foge com a Lily, vão se casar, ter dois filhos e meio e eu nunca mais vou ver você de novo— Regina fez uma careta para suas próprias palavras — Ainda tenho duas semanas, não vou desperdiçar por causa de fofocas nos bastidores.
Emma olhou pela janela e percebeu que estavam todos na mesa as observando. Aquela atenção toda fazia seus olhos arderem, ela esbarrou em Regina com os ombros e foi em direção aos camarins.
— Beija-flor. – A morena chamou.
Emma não se virou.
Naquela noite, Ruby se sentou no chão de ladrilho do banheiro e ficou comentando o quanto ela estava amando fotografar os backstages e todas as técnicas que estava aprendendo com os produtores enquanto Emma prendia seu cabelo em um coque alto em frente ao espelho. A loira não prestava muita atenção, seus pensamentos estavam em Regina e em como ela vinha sendo paciente – para os padrões dela, claro – sabendo que ela não gostava da ideia de Lily vir busca-la noite sim, noite não.
Passou como um lampejo pela sua mente a expressão no rosto da morena quando ela pediu que a liberasse da aposta e, novamente, quando disse a ela que as pessoas estavam falando que ela estava apaixonada por Emma. A loira não conseguia parar de se perguntar por que ela não tinha negado isso.
— A Alice me disse que quando ela contratou a primeira estagiaria dela, a Bette...
Regina enfiou a cabeça pela porta e sorriu ao ver Emma mexendo nos cabelos.
— Quer sair para comer alguma coisa? — A morena perguntou.
Ruby se levantou para se olhar no espelho, passando os dedos nos cabelos para ajeitar suas mexas vermelhas.
— A Zel quer ir num restaurante mexicano que abriu essa semana. Ela tem convites sobrando, se vocês quiserem ir...
Regina balançou a cabeça em negativa.
— Pensei em sair sozinha com a flor hoje.
— Vou sair com a Lily.
— De novo?— Regina disse irritada.
— De novo!— Emma disse animada.
A campainha do elevador soou e Emma passou correndo por Regina para ir atender sua acompanhante.
— Você alguma vez está menos do que maravilhosa?— Lily disse quando Emma chegou ao primeiro andar.
— Tomando como base a primeira vez que ela veio aqui, vou dizer que sim.— Regina passou por Emma, entrando na cozinha e pegando uma garrafa de whiskey que estava num canto do balcão.
Emma virou os olhos e sorriu, erguendo um dedo para que Lily esperasse. Então se virou e jogou os braços em volta de Regina, que ficou rígida e surpresa, mas depois relaxou, abraçando a loira.
Emma olhou nos olhos dela e sorriu.
— Obrigada por organizar a minha festa de aniversário. Podemos deixar o jantar para outro dia?
Diversas emoções se passaram pelo rosto da morena, então os cantos de sua boca se inclinaram para cima.
— Amanhã?
Emma deu um apertãozinho na morena e sorriu.
— Amanhã parece ótimo!
Emma se despediu de Regina com uma piscadinha.
— O que foi isso?— Lily perguntou quando as portas do elevador se fecharam.
— Não estamos nos dando bem nos últimos tempos, essa é a minha versão de uma bandeira branca.
— Preciso ficar preocupada?
— Relaxa.— Emma ofereceu à morena um sorriso cordial.
Durante o jantar elas falaram sobre as primeiras semanas de aula, os planos para o futuro e sobre Lily estar atrás de um apartamento. As sobrancelhas da morena se juntaram e ela perguntou:
— A Regina vai acompanhar você na sua festa de aniversário?
— Não sei, ela não me disse nada sobre isso.
— Se ela não se importar, eu gostaria de te levar.— Lily segurou a mão de Emma e beijou seus dedos.
— Vou perguntar a ela, a festa foi ideia dela, então...
— Tudo bem, qualquer coisa te encontro lá.— Lily sorriu.
Lily levou Emma até o prédio, diminuindo a marcha e parando um pouco afastada da entrada. Quando deram seu beijo de despedida, os lábios dela se demoraram sobre os de Emma. A morena puxou o freio de mão e sua boca viajou pela linha do maxilar da loira até sua orelha, depois foi descendo até o meio de seu pescoço, o que pegou Emma de guarda baixa. Em resposta, a loira suspirou baixinho.
— Você é tão linda — Lily. — Fiquei distraída a noite toda, com seus cabelos assim, presos, deixando seu pescoço à mostra. Ela encheu o pescoço da loira de beijos.
— Por que demorou tanto? — Emma sorriu, erguendo o queixo para que ela tivesse mais acesso ao seu pescoço.
Lily se concentrou nos lábios da loira. Pegou cada lado de seu rosto e a beijou com um pouco mais de firmeza que de costume. Não tinham muito espaço dentro do carro, mas se viraram como puderam. Ela se curvou sobre Emma, que dobrou os joelhos enquanto apoiava as costas na janela. Sua língua deslizou na boca da loira, e sua mão segurou seu tornozelo e subiu até sua coxa. As janelas ficaram embaçadas em poucos minutos, por causa das suas respirações ofegantes. lily passou os lábios na clavícula de Emma, então ergueu rápido a cabeça quando a janela vibrou com pancadas ocas e altas.
Lily se sentou rapidamente e Emma se endireitou, arrumando o vestido. A loira deu um pulo quando a porta se abriu. Regina e Ruby estavam paradas ao lado do carro. Ruby estava com a testa franzida, mas solidária à situação, já Regina... Parecia faltar muito pouco para que ela tivesse um acesso de fúria.
— Que é isso, Regina?! — Lily gritou.
A situação era ridícula, Lily estava se controlando ao máximo, mas já tinha erguido a voz, e Regina fechava o maxilar de forma rígida, parecia que ia fulminar Lily com o olhar em 2 segundos — e Emma estava entre as duas-. A mão de Ruby vacilou quando ela a colocou no braço de Regina, balançando a cabeça para Lily em um aviso silencioso.
— Vem, Emma. Preciso conversar com você — disse ela.
— Sobre o quê?
— Vem logo! — Ruby exclamou.
Emma olhou para Lily e viu irritação em seus olhos.
— Desculpe, tenho que ir.
— Não, tudo bem. Vai em frente.
Regina a ajudou a sair da BMW e fechou a porta com um chute. Emma se virou e ficou entre ela e o carro, empurrando-a pelo ombro.
— Qual é o problema com você? Para com isso!
Ruby parecia nervosa. Emma não levou muito tempo para descobrir o motivo. Regina fedia a uísque; Ruby havia insistido em acompanhá-la até ali, ou Regina tinha pedido que Ruby fosse com ela. De uma forma ou de outra, Ruby estava ali para que que Regina não fizesse mais bobagem.
As rodas da BMW reluzente de Lily guincharam quando ela saiu do estacionamento, e Regina acendeu um cigarro.
— Pode entrar agora, Ruby.
Ruby deu um puxão no vestido de Emma.
— Vamos, Emms.
— Por que você não fica, Emma? — Regina falou, borbulhando de raiva.
Emma fez um sinal com a cabeça para que Ruby seguisse em frente e, relutante, ela se foi. Emma cruzou os braços pronta para brigar, se preparando para explodir depois do inevitável sermão. Regina deu várias tragadas no cigarro, e, quando ficou claro que ela não explicaria nada, a paciência de Emma se esgotou.
— Por que você fez isso? — perguntou.
— Por quê? Porque ela estava atacando você na frente da porra do meu prédio! — Regina gritou.
Seus olhos não tinham foco, e Emma pode ver que ela não estava em condições de ter uma conversa racional. Manteve a voz calma.
— Posso estar ficando no seu apartamento, mas o que eu faço, e com quem, é da minha conta.— Emma coloca ênfase no minha.
Regina jogou o cigarro no chão.
— Você é tão melhor que isso, Flor. Não deixe a garota te comer no carro como se você fosse uma dessas minas fáceis.
— Eu não ia transar com ela.
Ela fez um gesto indicando o espaço onde antes estava o carro de Lily.
— Então, o que vocês estavam fazendo?
— Você nunca ficou de amasso com alguém, Regina? Nunca ficou só brincando, sem deixar as coisas chegarem a esse ponto?
Regina franziu a testa e balançou a cabeça, como se Emma estivesse falando bobagem.
— Qual o propósito disso?
— Para um monte de gente, existe esse conceito... Especialmente para aqueles que namoram.— Emma fala a última palavra cheia de ironia.
— As janelas estavam embaçadas, o carro estava balançando... Como eu ia adivinhar? — Regina disse, movendo os braços na direção da vaga vazia no estacionamento.
— Talvez você não devesse ficar me espionando!
A morena levou as duas mãos à nuca, puxando seus cabelos enquanto balançava a cabeça.
— Não aguento isso, Beija-Flor. Sinto que estou ficando louca.
Emma sentiu seu estômago se contrair com dezenas de possibilidades do que aquilo podia significar. Mas pelos deuses, porque Regina deixava tudo sempre nas entrelinhas? E se Emma é que estivesse ficando maluca? E se Regina só estivesse falado aqui por estar bêbada? Emma abriu os braços em um gesto desesperado de não entendimento e depois os deixou cair e bateu as mãos nas coxas.
— Você não aguenta o quê?
— Se você for pra cama com ela, não quero ficar sabendo. Eu vou, nossa, se eu descobrir que, porra!... Só não me conte nada.
— Regina— Emma falou com raiva —, não acredito no que você acabou de falar. Isso seria um grande passo para mim!
— É o que todas as garotas dizem!
— Não estou me referindo às vadias com quem você anda. Estou falando de mim!— Emma disse com a mão no peito. — Eu nunca... argh! Não importa.
A loira saiu andando, mas Regina a agarrou pelo braço e a fez girar para ficar de frente para ela.
— Você nunca o quê?— Regina perguntou.
Emma não respondeu, mas também não precisava. Podia ver que Regina tinha entendido pela expressão em seu rosto, então deu risada.
— Você é virgem?
— E daí?— Emma falou, com o sangue fervendo no rosto.
Regina desviou os olhos da loira, enquanto tentava refletir em meio a todo aquele uísque que tinha bebido.
— Por isso a Ruby tinha tanta certeza que aquilo não ia longe demais.
— Tive alguns namorados, e... Já fiz algumas coisas, por N motivos, mas nunca cheguei aos finalmentes. – Emma disse andando, sendo seguida logo atrás por Regina. A expressão de raiva havia sumido do rosto da morena, era visível em seu olhar.
Emma estava desesperada para mudar de assunto. A diversão nos olhos de Regina era humilhante o bastante, e ela não queria deixar que a morena escavasse ainda mais o seu passado. Quando as portas do elevador se fecharam, Regina deu um passo à frente e segurou cada lado do rosto de Emma.
— Virgem — disse, balançando a cabeça. — Eu nunca teria imaginado depois do jeito como você dançou comigo naquele final de semana no chalé.
— Muito engraçado— Emma falou adentrando o apartamento, subindo as escadas e pisando duro.
Regina tentou segui-la, mas tropeçou no primeiro degrau, sentou na escada e começou a rir de um jeito histérico.
— O que você está fazendo? Droga, Regina! Levanta daí. – Emma exclamou, puxando- a e a obrigando a ficar de pé.
Regina enganchou o braço em seu pescoço e a loira a ajudou a subir as escadas. Zelena e Ruby já estavam na cama, então, sem nenhuma ajuda à vista, Emma chutou os sapatos de salto para não torcer o pé enquanto levava Regina até o quarto. Ela caiu de costas na cama, puxando Emma junto. Quando aterrissaram, seus rostos ficaram a poucos centímetros de distância e a expressão da morena de repente ficou séria. Ela se inclinou para cima de Emma, quase a beijando, mas a loira a afastou. As sobrancelhas de Regina se retraíram.
— Para com isso, Regina.— Emma falou.
A morena a apertou forte contra si, até que Emma parou de tentar se soltar. Então Regina abaixou a alça do vestido da loira, fazendo com que ela ficasse pendurada em seu ombro.
— Desde que a palavra “virgem” saiu dessa sua boca linda... Sinto uma necessidade irresistível de ajudar você a tirar esse vestido.
— Bom, que pena. Você estava preparada para matar a Lily pelo mesmo motivo faz vinte minutos, então não seja hipócrita.
— Foda-se a Lily. Ele não conhece você como eu.
— Regi, para com isso. Tira a roupa e deita na cama.
— É disso que estou falando— ela disse, rindo.
— Quanto você bebeu?— Emma perguntou, conseguindo finalmente um apoio para os pés entre as pernas da morena.
— O suficiente — Regina respondeu, sorrindo e puxando a bainha do vestido da loira.
— Tenho certeza que já passou do suficiente há um bom tempo— Emma falou, dando um tapa na mão de Regina para afastá-la.
Emma apoiou o joelho no colchão e puxou a regata de Regina pela cabeça. Regina tentou encostar na loira novamente, mas ela segurou a morena pelo pulso, sentindo o cheiro pungente no ar.
— Meu Deus, Regina. Você está fedendo a Jack Daniels.
— Hoje é Jim Beam— A morena corrigiu, com um aceno bêbado.
— Tem cheiro de madeira queimada e outras substâncias químicas.
— E gosto também— Regina riu.
Emma soltou os botões da calça da morena e a puxou pelos pés. Regina riu com o movimento e ergueu a cabeça para olhar para a loira.
— É melhor guardar sua virgindade, Flor. Você sabe que eu gosto de sexo selvagem.
— Cala a boca— Emma falou, erguendo a blusa da morena e puxando-a por seus braços.
Emma jogou as roupas no chão e ficou em pé, com as mãos na cintura, respirando com dificuldade. As pernas de Regina pendiam da ponta da cama, os olhos estavam fechados, e a respiração, profunda e pesada. Ela tinha apagado. Ela foi andando até o closet, balançando a cabeça enquanto remexia no meio das roupas. Abriu o zíper do vestido e foi empurrando-o pelo quadril, deixando que caísse nos tornozelos. Chutou-o num canto e desfez o rabo de cavalo, balançando os cabelos. O closet estava lotado de roupas dela e de Regina, Emma soltou o ar, soprando os cabelos da frente do rosto enquanto procurava por uma camiseta em meio à bagunça. Quando puxei uma do cabide, Regina veio com tudo pelas suas costas, envolvendo sua cintura com os braços.
— Você quase me mata de susto! — Emma reclamou.
Regina percorreu a pele da loira com as mãos. Elas estavam diferentes, lentas e decididas. Emma fechou os olhos quando a morena a puxou de encontro ao seu corpo, enterrando o rosto em seus cabelos e roçando o nariz em seu pescoço. Ao sentir a pele nua de Regina encostar na sua, Emma precisou de um tempinho para protestar.
— Regina...
A morena puxou os cabelos de Emma para o lado e deslizou os lábios de um ombro ao outro, abrindo o fecho de seu sutiã. Beijou a pele desnuda na base de seu pescoço, e Emma fechou os olhos — a maciez da boca de Regina era boa demais para fazer com que ela parasse. Um gemido baixinho escapou da garganta de Regina quando ela pressionou sua pélvis contra a da loira, e através da respiração descompassada da morena, Emma podia ver o quanto ela a desejava. Emma prendeu a respiração, sabendo que a única coisa que as impedia de dar o grande passo ao qual ela estava tão relutante alguns instantes antes eram apenas dois finos pedaços de tecido. Regina virou Emma para que ficassem frente a frente e pressionou seu corpo contra o dela, apoiando a loira na parede. Verde esmeralda e castanho cálido encontraram-se, e Emma viu o desejo na expressão de Regina enquanto ela examinava detalhadamente as partes nuas de seu corpo. Emma já a tinha visto analisar mulheres com os olhos antes, mas aquilo era diferente. Ela não queria a conquistar, queria apenas que Emma dissesse “sim”. Regina se inclinou para a beijar, parando a uns dois centímetros de distância. Emma podia sentir o calor irradiando de sua pele e vindo de encontro aos seus lábios, e teve de se segurar para não puxá-la para si. Os dedos da morena se afundavam em sua pele enquanto ela ponderava, e então suas mãos deslizaram das suas costas para a borda da sua calcinha. Os dedos indicadores desceram pelos seus quadris, entre a pele e o tecido de renda, e, no momento em que estava prestes a escorregar as faixas delicadas da calcinha pelas suas pernas, ela hesitou. Quando Emma abriu a boca para dizer “sim”, Regina fechou os olhos.
— Assim não— Regina sussurrou com a voz rouca, roçando nos lábios de Emma. — Eu quero você, mas não assim.
Regina foi cambaleando para trás até cair de costas na cama, e Emma ficou parada um instante, com os braços cruzados sobre a barriga. Quando a respiração da morena ficou regular, Emma enfiou os braços nas mangas da camiseta que ainda tinha nas mãos e a vestiu. Regina não se mexeu, e Emma expirou lentamente sabendo que não seria capaz de refrear nenhuma das duas se a morena acordasse com intenções menos honradas.
Emma foi correndo até a poltrona reclinável e ali se jogou, cobrindo o rosto com as mãos. Sentiu ondas de frustração se debatendo dentro de si. Lily havia ido embora se sentindo afrontada, Regina esperou até que ela estivesse saindo com alguém — alguém de quem ela realmente gostava — para demonstrar interesse, e ela parecia ser a única garota com quem Regina Mills não conseguia fazer sexo, nem mesmo quando estava caindo de bêbada.
Na manhã seguinte, Emma colocou suco de laranja em um copo alto e tomou um gole enquanto mexia a cabeça ao som da música em seu iPod. Acordou antes de o sol nascer e ficou se revirando na cadeira reclinável até as oito. Depois decidiu ler qualquer coisa para matar o tempo, até que seus colegas de apartamento acordassem. Um tempo depois, ficou entediada e subiu para o quarto de Regina, colocou seu livro na mesinha de cabeceira e abafou um riso quando viu que Regina, como sempre, tinha todo o edredom na parte de cima do seu corpo. A loira puxou o pano e o esticou sobre o corpo da morena bem a tempo de ouvir um resmungo rouco:
— Olha, beija-flor. – Regina disse, murmurando algo inaudível antes de sua respiração voltar a ficar lenta e profunda.
Emma não conseguiu evitar e ficou observando a morena dormir. Saber que Regina estava sonhando com ela a fez sentir uma excitação que ela não sabia explicar. A morena parecia ter voltado a um sono silencioso, então Emma decidiu tomar um banho. Ela estava penteando os cabelos quando ouviu a campainha do elevador tocar; se enrolou em um roupão e desceu as escadas correndo, para receber um moço da floricultura. Ele tinha nas mãos um buquê de rosas brancas com um bilhetinho dizendo:
“Eu não gostei da forma como nos despedimos na noite passada. Me desculpe por ter saído de forma tão rude... Espero que goste de rosas brancas, a beleza e delicadeza delas me lembram você. Beijos, Lily.”
Emma olhava para o cartão em sua mão sorrindo, quando Ruby e Zelena desceram as escadas entre beijos e risadinhas.
— Bom dia, beija-flor. – Zelena disse dando um beijo no rosto de Emma e se dirigindo para a cozinha, para preparar seus famosos waffles.
— Uau, que flores são essas? — Ruby disse pegando o cartão da mão da amiga.
— São da Lily! Não são lindas?— Emma disse sorrindo.
— Se eu não soubesse das coisas diria que você tem um triangulo magico no meio das pernas, Emms. – Ruby riu.
Regina surgiu no topo da escada meio cambaleante, parecendo detonada.
— Caramba, como vocês falam alto. Isso são horas, gente?— A morena resmunga, segurando nos corrimãos e descendo lentamente degrau por degrau.
Flashes da noite anterior e do momento de quase sexo surgiram na mente de Emma e ela não conseguiu encarar Regina.
— Quem me deixou beber daquele jeito?
— Regina, o que eu preciso fazer com você, eim? Te internar?— Zelena disse parando na frente da irmã e colocando a mão em sua testa e puxando a pele do rosto para baixo, para ver dentro dos olhos da morena, com um instinto maternal. – Você me prometeu que não ia mais fazer essas merdas, mas que droga!— A ruiva diz pegando um copo de água do filtro e dois comprimidos, enfiando-os na boca da morena. — Beba.
— Ai que saco, Zelena. Sermão logo cedo não, por favor. E eu estou limpa, ok? Foi só uma recaída.
— Ninguém te deixou beber, Regina. Você que foi comprar uma garrafa de uísque quando a Emma saiu com a Lily e já tinha matado ela inteira, antes dela voltar.— Ruby diz lixando as unhas.
— Porra!— Regina exclamou balançando a cabeça. – Você se divertiu, flor? — Regina diz colocando um saco de gelo dado por Zelena na cabeça, se virando para Emma.
— Você tá brincando? — Emma disse demonstrando sua raiva antes de pensar.
— O quê?
Ruby deu risada.
— Você arrancou a Emma do carro da Lily, enlouquecida de raiva, quando pegou as duas dando uns amassos que nem colegiais. As janelas estavam embaçadas e tudo!
Os olhos de Regina ficaram sem foco, enquanto ela fazia uma varredura nas lembranças da noite anterior. Emma fez força para conter o mau humor. Se Regina não se lembrava de tê-la arrancado do carro, não se lembraria de como Emma chegou perto de lhe entregar de bandeja sua virgindade.
— Você está brava?— Regina perguntou, encolhendo-se de medo.
— Muito
Emma estava com mais raiva ainda porque seus sentimentos não tinham nada a ver com Lily. Apertou o roupão no corpo e cruzou o corredor pisando duro. Ouviu os passos de Regina atrás dela na escada.
— Flor— Regina chamou, segurando a porta quando Emma tentou batê-la. Regina a empurrou lentamente e ficou parada na frente de Emma, esperando que ela despejasse toda sua ira.
"Fiquei chocada
Sem fala
Apavorada, descompassada
Perdida
No momento em que fitei os teus olhos cor de mel." l-ethagic|Tumblr
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