Notas iniciais
Hey, babys! Mais uma vez venho aqui me desculpar pela demora, e dessa vez não foi nem bloqueio criativo, foi falta de tempo mesmo :( Espero que gostem desse capítulo e não se importem de ele ter ficado enorrrrme, mas é que eu quis agilizar umas coisinhas, porque no próximo TEM SQ O/ HAHAHA todos comemoram! Enjoy! P.S.: @DarkSchulz O Apolo é obviamente em homenagem à você, meu amor ♥

“- Você está brava? – Regina perguntou, encolhendo-se de medo.

— Muito

Emma estava com mais raiva ainda porque seus sentimentos não tinham nada a ver com Lily. Apertou o roupão no corpo e cruzou o corredor pisando duro. Ouviu os passos de Regina atrás dela na escada.

— Flor — Regina chamou, segurando a porta quando Emma tentou batê-la. Regina a empurrou lentamente e ficou parada na frente de Emma, esperando que ela despejasse toda sua ira.”

— Você se lembra de alguma coisa que me disse ontem à noite?— Emma quis saber.

— Não... Eu fui má com você?— Regina juntou as sobrancelhas.

Os olhos castanhos de Regina estavam carregados de preocupação, o que só servia para aumentar a fúria de Emma.

— Não, você não foi má comigo! Você, nós...

Emma cobriu os olhos com as mãos e soltou um suspiro frustrada. Ficou paralisada quando sentiu a mão de Regina em seus braços.

— De onde vieram aquelas flores?

— A Lily me mandou como um pedido de desculpas por ontem. – Emma disse, cruzando os braços.

— Que merda aquela babaca estava fazendo aqui? Ela dormiu aqui?— Regina disse levantando a voz a cada questão.

— Não, Regina. Ela só mandou entregar.

Regina colocou uma mão na cintura e levou a outra para sua cabeça, enfiando os dedos por entre os fios.

— Não é de se admirar que ela queira pedir desculpas, depois que eu tive de te arrastar pra fora daquele carro, parecia que você estava...— A morena parou de falar, pressionando os lábios e fechando os olhos.

— O quê? Parecia que eu estava o quê?

Regina pressionou o maxilar e respirou fundo, soltando o ar pelo nariz.

— Nada. Só estou brava e ia dizer alguma coisa que eu não queria.

— Isso nunca te impediu antes.

— Eu sei. Estou tentando mudar; vou deixar você se vestir.— Regina disse caminhando até a porta.

Quando a morena segurou o trinco e forçou seu pulso para fazer o movimento giratório, sentiu uma dor latente e olhou sua pele, constatando um roxo em cima de sua mão. Regina ergueu sua mão e fitou fixamente o tecido arroxeado por um instante até que se virou para Emma.

— Eu caí na escada ontem a noite, depois de ter te tirado do carro da Lily. E você me ajudou a ir até o quarto... – Regina forçava a memória enquanto as lembranças passeavam como flashes borrados em sua mente.

— Nós...— Regina começou a dizer dando um passo em direção à Emma, olhando para a entrada do closet e para a cama.

O coração da loira quase saiu pela boca quando ela percebeu que a morena estava se dando conta do que tinha acontecido. Regina estreitou os olhos.

— Não, não aconteceu nada.— Emma disse balançando a cabeça.

Regina se encolheu. Ela obviamente estava se lembrando do que houvera na noite passada.

— Você deixou as janelas do carro da Lily embaçadas, te puxei para fora do carro e depois tentei...— Regina disse balançando a cabeça.

Então a morena se virou, agarrando o trinco da porta.

— Você está me transformando em uma droga de uma psicopata, beija-flor— Regina rosnou por cima de um ombro — Não consigo pensar quando estou perto de você.

— Ah, então a culpa é minha?

Regina se virou. Seus olhos seguiram dos olhos de Emma, para o roupão e depois para a sua boca, voltando novamente para seus olhos.

— Eu não sei... Minha memória está um pouco turva... Mas eu não me lembro de você ter dito “não”.

Emma deu um passo para frente, pronta pra contestar aquele fato insignificante, mas não conseguiu. Regina estava certa.

— O que você quer que eu diga, Regina?

Regina olhou intensamente para Emma, sua expressão acusadora.

— Você esperava que eu não lembrasse?

— Não! Eu estava brava porque você tinha esquecido.

Os olhos castanhos da morena perfuravam Emma.

— Por quê?

— Porque se eu tivesse... Se a gente tivesse... E você não... Eu não sei o motivo, droga! Estava brava e ponto!

Regina caminhou até Emma e segurou seu rosto com as mãos, e sua respiração acelerou enquanto ela examinava a loira cuidadosamente.

— O que estamos fazendo, flor?

Emma olhou para o corpo de Regina, analisou o pijama de seda cinza e soltou um suspiro descompassado quando seus olhos pousaram em uma pequena cicatriz fininha que a morena tinha no cantinho do lábio superior, a marca dava a ela um ar mais sexy do que o normal e se tornava mais visível pelas manhãs quando ela acabava de acordar e estava sem maquiagem.

— Você é quem tem que me dizer.

— Emma?— Zelena apareceu na porta. – A Ruby vai sair pra comprar umas coisas e quer que você vá junto.

Regina não tinha desviado os olhos de Emma.

— Flor?

— Ah sim, diga a ela que eu vou me arrumar e já desço.

— Tudo bem então, ela está te esperando. — Zelena disse e seus passos sumiram no corredor.

— Flor?

— Podemos conversar sobre isso depois? Tenho muita coisa para fazer hoje— Emma respondeu.

— Claro— Regina diz, com um sorriso forçado.

Foi um alívio fugir até o banheiro. Emma entrou e fechou rapidamente a porta. Ainda lhe restava uma semana ali, e não tinha como adiar aquela conversa — pelo menos, não durante tanto tempo assim. A parte lógica de seu cérebro insistia que Lily fazia seu tipo: atraente, inteligente e interessada nela. Ela não conseguia entender por que se importava tanto com Regina. Qualquer que fosse o motivo, isso estava as levando à loucura. Ela se sentia dividida em duas: a pessoa dócil e educada que ela era com Lily, e a pessoa confusa, irritada e frustrada em que se transformava quando estava perto de Regina.

Ela se vestiu com rapidez e foi encontrar Ruby na garagem no seu mais novo carro. A morena contava entre risadinhas sua aventura sexual com a namorada pela manhã, e Emma assentia quando achava que devia. Era difícil se concentrar no assunto com todas as memórias das últimas 12 horas borbulhando em sua mente, fazendo com que ela se lembrasse da escolha diante da qual de repente se encontrava. Regina queria uma resposta, e ela não a tinha.

— Ok, Emms. O que está acontecendo? Você anda quieta.— Ruby disse enquanto virava em uma rua.

— Esse lance com a Regina... É uma confusão.

— Por quê? — Ruby perguntou, e seus óculos de sol se elevaram um pouco quando ela torceu o nariz.

— Ela me perguntou o que estamos fazendo.

— E o que vocês estão fazendo? Você está com a Lily ou não?

— Eu gosto dela, mas faz só duas semanas. Não estamos namorando sério ou algo do tipo.

— Você sente algo pela Regina, não é?

Emma balançou a cabeça em negativa.

— Eu não sei como me sinto em relação a ela. É só que não vejo isso acontecendo, Ruby. Ela não é coisa boa.

— Nenhuma de vocês assume o que sente, esse é o problema. Vocês têm tanto medo do que pode acontecer que estão lutando contra isso com unhas e dentes. Tenho certeza que, se você olhasse nos olhos da Regina e dissesse que a quer, ela nunca mais olharia para outra mulher.

— Você tem certeza disso?

— Sim. Tenho informações privilegiadas, lembra?

Emma parou de falar por um instante. Regina vinha conversando com a irmã sobre ela, mas Zelena não encorajaria algum relacionamento contando coisas para Ruby. Ela sabia que a morena contaria, o que levava a uma única conclusão possível: Ruby tinha ouvido as duas conversarem. Emma queria perguntar o que elas tinham dito, mas achou melhor não fazer isso.

— Mais cedo ou mais tarde haverá um coração partido nessa história— Emma falou, balançando a cabeça. — Não acho que ela seja capaz de ser fiel.

— Ela não era capaz de ser amiga de uma mulher também, e olha só onde vocês estão.

Emma passou a mão pelos cachos loiros e suspirou.

— Eu não sei. Não me incomodo com a forma como as coisas estão agora. Podemos ser apenas amigas.

Ruby balançou a cabeça.

— Só que vocês não são apenas amigas — ela suspirou. — Quer saber de uma coisa? Estou cheia dessa conversa. Vamos arrumar o cabelo e fazer maquiagem. Também estamos precisando de umas comprinhas básicas.

— Acho que é exatamente disso que eu preciso— Emma falou.

Depois de horas de manicure, pedicure, escova, depilação e maquiagem, Emma colocou seus brilhantes sapatos de salto alto e seu novo vestido cinza.

— Agora sim! Essa é a Emma que eu conheço e adoro!— Ruby disse, rindo e balançando a cabeça em aprovação para o visual da loira.

O celular na bolsa de Emma tocou e ela o levou ao ouvido.

— Alô?

— Está na hora do jantar! Para onde vocês duas fugiram?— Regina disse com a voz rouca, do outro lado da linha.

— Nos demos ao luxo de ser mimadas hoje. Você e a Zelena não precisam se preocupar, pois já estamos voltando.

— Não brinca! A gente se preocupa com vocês, sabia?

Emma olhou para Ruby e sorriu.

— Estamos bem.

— Diga a ela que eu devolvo você em breve. Tenho que parar no The Planet para pegar uns documentos com a Helena, e depois vamos pra casa.

— Ouviu?

— Ouvi. A gente se vê depois então, flor.

Elas foram em silêncio até chegarem ao seu antigo trabalho. Ruby desligou o motor do carro e ficou encarando o prédio à sua frente.

— Eu estou orgulhosa de nós, Emms. – Ruby disse apertando a mão da amiga.

— Eu também estou.— Emma disse oferecendo-lhe um sorriso. – Obrigada por existir.

— Bom, chega de melodrama. Vamos comigo, quero conversar umas coisas com a Helena e talvez demore.

As duas desceram e foram andando de mãos dadas até a entrada do bar. Ruby usou suas velhas chaves e destrancou a porta dos fundos, descobrindo o local totalmente vazio. Elas andaram até a entrada principal, onde ficava o café e também não encontraram ninguém.

— Ué, ela me disse que estaria aqui...— Ruby disse olhando a tela do celular. – Vamos dar uma olhada no clube, ela deve estar lá com o Kill. – Ruby forçou a porta e pegou novamente o celular. – Tenta abrir aí, Emma. Eu vou ligar pra ela.

Emma forçou a porta até que ela de repente se abriu:

— FELIZ ANIVERSÁRIO, BEIJA-FLOR!— Um mar de vozes gritou.

O salão estava todo enfeitado de bexigas fluorescentes e na pista um DJ começou a tocar uma música conhecida. Ao longe, Emma conseguiu ver uma mesa posta com um enorme bolo e várias comidinhas espalhadas.

As pessoas começaram a se dispersar e Regina surgiu andando em direção à Emma. Ela parou em frente a loira e sorriu, segurando seu rosto e depositando um beijo em sua testa.

— Feliz aniversário, flor!

— Mas é só no domingo!— Emma disse.

— Sim, mas como te contaram, tivemos que fazer algumas alterações de última hora para surpreender você. Gostou?— Regina disse.

— Muito!— Emma enroscou seus braços no pescoço da morena e deu um beijo em sua bochecha.

— Posso roubar a loira um pouquinho?— Killian apareceu passando um braço pela cintura de Emma e depositando um selinho em seus lábios. — Fico feliz que o plano tenha dado certo, você merece tudo isso, honey.— Ele deu uma piscadinha galanteadora para a loira e se distanciou pegando uma taça de champagne e dando um tapinha na bunda do garçom mais próximo.

— Ainda bem que eu consegui te arrastar comigo hoje, senão você estaria com uma cara horrível, Emms. – Ruby comenta rindo.

— Você está linda. – Regina disse analisando o vestido de Emma e entregando uma taça à loira.

Emma respondeu com um sorriso de orelha à orelha.

— Você é maravilhosa, Regina.

A morena deu mais um beijo no rosto da loira e se perdeu no meio das pessoas na pista de dança. Emma foi abraçada por dezenas de pessoas que iam chegando e a cumprimentando. Era algo mágico, ela não conseguia se lembrar de quando havia sido a ultima vez que tivera uma festa de aniversário tão feliz e verdadeira, que não fosse nenhum teatrinho de seus pais para disfarçar reuniões comerciais.

Depois de ter cumprimentado a maioria das pessoas presentes Emma se lembrou que faltava uma pessoa ali:

— Cadê a Lily? – ela perguntou para Ruby.

— Ah, ela vem mais tarde. A Zel só conseguiu avisá-la da mudança de planos hoje a tarde. – Ruby disse no ouvido da amiga, devido ao barulho.

Emma deu de ombros e voltou a dançar com a amiga, até que Shane apareceu e enganchou seus braços nela e em Ruby, as dirigindo até o bar mais próximo.

— Muito bem, Emma! Feliz aniversário, de todo o cast. – Shane ia dizendo enquanto arrumava vários copinhos de tequila em cima do balcão. — Aqui o nosso presente é dado assim, quanto mais desses você vira — ela indicou os copos dispostos cuidadosamente em cima do balcão e foi os enchendo com tequila Patrón — mais dessas você ganha. Mil dólares por dose, achamos justo— Shane balançou um reluzente leque de notas de cem dólares.

— Huuuuum...— Emma deu um sorriso maroto e piscou para Ruby, que ergueu os ombros e riu, balançando a cabeça e soltando um suspiro debochado.

— Bebe tudo, flor!— Regina apareceu sorridente, acompanhada de uma ruiva gatíssima.

Emma olhou a cena e virou os olhos, preferindo não comentar.

— Quer dizer então que vou ganhar mil dólares por cada dose dessa?— Emma perguntou em dúvida.

— Isso mesmo, calculando pelo seu peso, acho que não vamos perder nem dez pratas até o final da noite.

— Não sei não, Shane. – Emma disse pegando o primeiro dos copinhos, encostando o nos lábios e virando a cabeça para trás em um único gole. Emma pegou o copo vazio e o ficou jogando de uma mão para outra.

— Porra! — Regina exclamou.

— Que desperdício, Shane. Lá em casa a gente vira José Cuervo e não Patrón.

O sorriso convencido sumiu do rosto de Shane e ela balançou a cabeça e deu de ombros.

— Vai fundo então, eu tenho várias carteiras milionárias para serem esvaziadas.

Shane indicou um grupinho de mulheres ao fundo, onde Bette, Dana e Helena também estavam e batiam palmas em sinal de aprovação ao desempenho de Emma.

Emma estreitou os olhos.

— O dobro ou nada. Eu consigo virar quinze.

— Uau! — Shane gritou — Só não pode ir pro hospital no dia do aniversário, Emma.

— Ela consegue.— Ruby disse com o olhar fixo em Shane.

— Dois mil dólares por copo virado?— Shane disse sem parecer muito segura.

— Você está com medo?— Emma perguntou.

— Claro que não! Eu te dou mil por copo, se você chegar em quinze eu duplico o total, ok?

— É assim que se comemoram aniversários no Maine! — Emma deu uma piscadinha e virou outra dose, estalando a língua no final.

Uma hora e três copos de tequila depois, Emma estava no centro do salão dançando com Regina. A música era uma balada de rock e Regina ficou falando a letra para Emma, só mexendo os lábios, enquanto dançavam. A morena trouxe Emma para mais próximo de si e a abraçou forte, fazendo a girar no ritmo da música.

— Você não vai poder fazer isso quando eu estiver no décimo copo— Emma disse, dando uma risadinha.

— Já falei que você está incrível?

A loira fez que não e abraçou Regina novamente, repousando a cabeça em seu ombro. A morena a apertou, enterrando o rosto em seu pescoço e fazendo com que ela esquecesse decisões, pedidos de desculpa ou personalidades divididas. Emma estava exatamente onde queria estar. Quando o ritmo da música deu lugar a uma batida mais rápida, a porta se abriu.

Lily! — Emma chamou, correndo para ir abraçá-la. —Você veio!

— Desculpa pelo atraso, Emms -, Disse a morena, dando um selinho em Swan.

— Obrigada— Emma falou, vendo de canto de olho que Regina as encarava.

—Você está... linda.— Lily disse olhando Emma de cima a baixo.

— Obrigada! Quer dançar?

Lily balançou a cabeça em negativa.

— Hum... eu não danço.

— Ah. Então quer me ver virando a sexta dose de tequila?— Emma falou sorriu, exibindo várias notas de cem dólares — Ganho o dobro se conseguir chegar a quinze.

— Isso é meio perigoso, não é?

Emma se inclinou para falar ao ouvido da outra.

— Estou enrolando elas. Eu brincava disso com o meu pai desde os dezesseis anos.

— Ah — Lily disse franzindo a testa em desaprovação. — Você bebia tequila com o seu pai?

Emma deu de ombros.

— Era o jeito dele de se aproximar de mim.

Lily não parecia impressionada quando seu olhar desviou do de Emma para analisar a galera ali reunida.

— Não posso ficar muito tempo. Vou acordar cedo para viajar com a minha mãe, ela tem um evento beneficente em Los Angeles, acho que inclusive a família da Dana vai estar lá.

— Que bom que a minha festa foi hoje então. Se fosse amanhã, você não teria conseguido vir— Emma falou, surpresa ao tomar conhecimento de seus planos.

Lily sorriu e a pegou pela mão.

— Eu teria conseguido voltar a tempo.

Swan puxou Lily até o bar, pegou outro copo de tequila e o virou, baixando-o no balcão com a boca virada para baixo, como tinha feito com os cinco anteriores. Shane a entregou mais dez notas de cem, e ela foi dançando até a pista. Regina a puxou e elas dançaram com Dana e Alice.

Duas músicas depois, Helena subiu no palco e pediu para o DJ parar a música. A morena de olhos claros puxou pelo microfone um coro de “Parabéns pra você...” e Emma morreu de rir quando no final todos gritaram “Beija-flor, beija-flor”. Ela estava se sentindo em casa, numa casa diferente e bem distante da sua casa, mas infinitamente mais feliz do que algum dia já tivera se sentido no Maine. Seu lugar agora ela ali, com aquelas pessoas, aqueles amigos e... Regina. Emma de repente se pegou sorrindo quando viu em meio àquele mar de vozes, luzes e abraços, uma cabeleira ruiva dançante e um sorriso que há muito havia virado parte da sua rotina, e aqueles olhos... Aqueles olhos castanhos cálidos de Regina eram como voltar pra casa... Para uma casa que ela nunca teve. No fundo, Emma já havia feito a sua escolha, não havia necessidade de pensar. De longe ela observava a interação da morena com a irmã, até que foi tirada de seus devaneios por Lily, que arrastou-a para fora do salão.

— Eu preciso me despedir. – Lily disse com as mãos no bolso do blazer que usava.

— Você já vai?

— Tenho que acordar daqui há quatro horas, Emms. Desculpa. – Lily disse chateada.

— Ahn, ok então. A gente se vê. – Emma deu um beijinho no rosto da morena.

— Hey, vem aqui.— Lily puxou Emma pela cintura e tentou dar um beijo na sua boca, mas a loira virou.

— Lily... hum, eu acho melhor não, todos os meus amigos estão lá dentro, não quero ficar de pegação do lado de fora, nós já somos bem grandinhas. A gente se fala depois, tá?— Emma diz se afastando.

— Regina está lá dentro, você quer dizer?— Lily diz erguendo a voz.

— Olha... Ache o que quiser. Depois conversamos. Na verdade, Lily... Quando a aposta terminar, semana que vem, a gente conversa. Eu preciso de um tempo disso tudo. – Emma diz olhando para o chão. Lily apenas balança a cabeça e gesticula algumas vezes com a boca, sem conseguir falar nada, dá as costas para Emma e vai embora.

— A mamãe foi embora, hora de começar a festa!— Regina disse quando viu Emma entrar dançando.

As pessoa vibraram animadas e Regina a puxou para o centro da pista.

— Hey, espera aí, eu tenho um cronograma a seguir.

Emma puxou Regina pela mão e a levou até o balcão. A loira pegou mais um copinho e riu quando a morena pegou o último da ponta. Elas brindaram e viraram as doses.

— Mais sete, Emma.— Disse Shane, enfiando mais dinheiro no sutiã da loira.

Emma limpou a boca enquanto Regina a puxava para a pista novamente. Ela dançou com Helena depois com Bette, mas, quando Marina Ferrer, tentou dançar com ela, Regina entrou no meio das duas e fez que não com a cabeça, dando tchauzinho para a francesa. Marina deu de ombros e se virou, dançando com a primeira garota que viu pela frente.

A décima dose de tequila desceu com dificuldade, e Emma se sentiu meio zonza escorada no balcão do bar, com Ruby de companhia. As duas riam de nada, balançando os braços com a batida da música.

Ela cambaleou, quase caindo da banqueta, mas as mãos de Regina instantaneamente a seguraram para que ela se equilibrasse.

— Você já provou seu argumento— Regina disse. — Já bebeu mais do que qualquer garota que conhecemos. Mais até do que eu em minhas piores fases. Vou cortar seu barato agora.

— Nem ferrando que você vai me impedir!— falou enrolado. — Tenho trinta mil dólares esperando por mim no fundo do último copo de tequila, não vai ser você quem vai me dizer que não posso fazer algo extremo para descolar uma grana.

— Se você está precisando de grana, flor...

—Por favor, né. Regina. Vamos.

Emma arrastou Regina novamente para a pista e mais alguns drinks e músicas depois, começou uma balada lenta. Emma ficou encarando seus cálidos olhos castanhos por um instante, sentindo-se perdida dentro deles. A sala parecia congelada no tempo enquanto se olhavam, tão próximas que Emma podia sentir a respiração de Regina em sua pele.

— Tequila! — gritou, cambaleando até o balcão.

— Você parece detonada, Emma. Acho que está na hora de encerrar a noite. — disse Killian, se aproximando.

— Não sou de desistir— Emma falou. — Quero ver o meu dinheiro.- Killian colocou mais dez notas de cem no balcão e gritou para seus colegas:

— Ela vai beber todos! Preciso de mais!

Eles resmungaram e reviraram os olhos, puxando a carteira para formar uma pilha de notas de cem atrás do último copo de tequila. Regina tinha esvaziado os outros quatro do outro lado das quinze doses de Emma.

— Eu nunca teria acreditado que perderia tanta grana em uma aposta de quinze doses com uma garota — Shane reclamou.

— Acredite, Shane— Emma falou, pegando um copo em cada mão.

Emma virou os dois e esperou que a ânsia que lhe subia à garganta assentasse.

— Beija-Flor?— Regina chamou, dando um passo em sua direção.

Emma ergueu um dedo e Killian sorriu.

— Ela vai perder— ele disse.

— Não vai não— Ruby balançou a cabeça. — Respira fundo, Emms.

A loira fechou os olhos e inspirou, pegando o último copo.

— Minha nossa, Emma! Você vai morrer de coma alcoólico! — gritou Zelena.

— Ela tem a manha— garantiu Ruby.

Emma inclinou a cabeça para trás e deixou a tequila fluir garganta abaixo. Seus dentes e lábios estavam amortecidos desde a dose número oito, e o efeito do álcool já tinha perdido a contundência fazia tempo. O salão inteiro irrompeu em assobios e gritos enquanto Shane a entregava a pilha de dinheiro.

— Valeu — Emma disse com orgulho, enfiando o dinheiro no sutiã dela e no de Ruby.

— Você está incrivelmente sexy— Regina disse ao ouvido da loira enquanto caminhavam em direção à pista.

Elas dançaram até o amanhecer, e a tequila que corria nas veias de Emma a acalmou até ela se esquecer de tudo.

***

Quando os olhos de Emma finalmente se abriram, viu que seu travesseiro era um par de pernas de shorts de cetim. Regina estava sentada com as costas apoiadas na banheira e a cabeça na parede, desmaiada. Ela parecia tão mal quanto Emma. A loira afastou o cobertor e se levantou, assustada ao ver seu horrível reflexo no espelho em cima da pia.

Emma parecia à morte.

Rímel escorrido, manchas negras descendo pelo rosto, batom borrado na boca e cabelos parecendo um ninho de rato.

Lençóis, toalhas e cobertores cercavam Regina. Ela tinha feito um montinho para dormir em cima enquanto Emma expelia as quinze doses de tequila que havia consumido na noite anterior. Regina tinha segurado seus cabelos para não caírem na privada e ficou sentada com Emma ali a noite toda.

A loira abriu a torneira, colocando a mão debaixo da água até que a temperatura estivesse como ela queria e começou a limpar a sujeira do rosto até que ouviu um gemido vindo do chão. Regina se mexeu, esfregou os olhos e se espreguiçou. Depois olhou para o lado e fez um movimento assustado.

— Estou aqui— Emma falou. — Por que você não vai para a cama? Dormir um pouco?

— Você está bem?— Regina perguntou, limpando os olhos mais uma vez.

— Estou. Quer dizer, o máximo que posso estar. Vou me sentir melhor assim que tomar um banho.

Regina se levantou.

— Você tirou meu título na noite passada, só pra você saber. Não sei de onde veio aquilo, mas não quero que faça isso de novo.

— Cresci acostumada com isso, Regina. Não é nada de mais.

Regina pegou o queixo de Emma nas mãos e limpou com os polegares o que sobrou de rímel borrado sob seus olhos.

— Foi muita coisa, sério.

— Tudo bem, não vou fazer isso novamente. Satisfeita?

— Sim. Mas preciso te contar uma coisa, se você prometer que não vai ter um treco.

— Ai, meu Deus, o que foi que eu fiz?

— Nada, mas você precisa conversar com a Ruby.

— Onde ela está?

—Na sacada, chorando. Ela e a Zel brigaram.

Emma tomou um banho correndo e enfiou as roupas que Regina tinha deixado para ela na pia. Quando saiu do banheiro, viu Zelena deitada no colo de Regina, na cama.

— O que você fez com ela?— Emma exigiu saber de Zelena.

A expressão da ruiva ficou triste e ela voltou a choramingar.

— Ela está muito brava comigo.

— O que houve?

— Fiquei louca por ela ter encorajado você a beber tanto. Achei que acabaríamos tendo que te levar pro hospital. Uma coisa levou à outra e, quando vi, estávamos gritando uma com a outra. Nós duas estávamos bêbadas, Emma. Eu disse algumas coisas e agora não tenho como voltar atrás.— disse a ruiva, balançando a cabeça e cobrindo o rosto com as mãos.

— Tipo o quê?— Emma perguntou, com raiva.

— Eu xinguei a Ruby de algumas coisas que nem posso repetir e agora ela quer ir embora. Conversa com ela, Emma. Eu não queria dizer nada daquilo, pelos deuses, eu amo ela.

— Vocês brigaram por minha causa? Porque todo mundo acha que tem que ser minha babá nesse lugar?— falou com raiva.

— Pega leve, Flor, ela já está se sentindo mal o bastante— Regina comentou.

Emma bufou e desceu as escadas, indo encontrar a amiga debruçada no apoio da sacada, chorando.

— Acabei de saber o que houve— Emma soltou um suspiro. — Você está bem?

— Estou bem. Ela é uma babaca.

As palavras de Ruby eram ríspidas, mas Emma podia ouvir a mágoa em sua voz. Ruby tinha virado mestre na arte de esconder as emoções, e poderia tê-las escondido de todo mundo, menos de Emma.

— Desculpa por ter causado tudo isso.

— Você não tem culpa, Emma. — Ruby disse indiferente.

— Não, é sério. Me desculpa. — Emma falou.

Ruby balançou a cabeça e correu em direção ao abraço da amiga. Ela gritava e chorava, depois gritava um pouco mais. Às vezes ela tinha rompantes que pareciam dirigidos à Zelena, como se fosse ela quem estivesse em pé na sua frente. Emma ficou quieta, deixando que Ruby lidasse com as coisas do jeito que só ela conseguia fazer.

— Ela me chamou de irresponsável! Eu! Como se eu não te conhecesse! Como se eu não tivesse visto você ganhar centenas de dólares do seu pai bebendo o dobro daquilo. Ela nem sabe do que está falando! Ela nem sabe como era a sua vida! Ela não sabe o que eu sei, e age como se eu fosse filha dela, não namorada!

Emma segurou a mão de Ruby, mas ela a puxou.

— Ela achou que você seria o motivo pelo qual a gente não daria certo, mas acabou estragando tudo por conta própria. E, falando em você, que diabos foi aquilo na noite passada com a Lily?

A mudança repentina de assunto pegou Emma de surpresa.

— Oi?

— A Regina fez aquela festa pra você, Emma, aí você sai pra dar uns amassos com a Lily. E ainda fica se perguntando por que todo mundo está falando de você!

— Espera aí! Eu nem fiquei com a Lily. Além do mais, o que importa se a Regina fez a festa pra mim ou não? Eu não estou com ela!

Ruby olhou para frente, soprando ar pelo nariz.

— Tudo bem, Ruby. Que foi? Está brava comigo agora?

— Não estou brava com você. Só não gosto de me juntar a completos imbecis.

Emma balançou a cabeça e olhou pela porta de vidro, onde podia ver Zelena observando as duas aos prantos, de longe, antes que dissesse algo de que se arrependesse. Ruby sempre teve a capacidade de fazê-la sentir-se uma merda quando queria.

— Você não percebe o que está acontecendo?— Ruby perguntou. – A Regina mudou. Ele não sai sem você, não trouxe mais nenhuma mulher pra casa desde aquelas duas, tem vontade de matar a Lily, e você está preocupada com o fato de as pessoas estarem dizendo que você está jogando com as duas. Sabe por que isso, Emma? Porque é verdade!

Emma se virou lentamente na direção de Ruby, tentando desferir lhe o olhar mais raivoso que podia.

— Que merda há de errado com você?

— Se você está namorando a Lily, e está tão feliz— disse ela em tom jocoso -, então por que não está no Brooklin? Por causa de uma aposta? Ah, dá um tempo, Emma! Você fica falando como a Lily é perfeita, vai nesses encontros incríveis com ela, fala durante horas com ela ao telefone, e depois deita ao lado da Regina todas as noites! Você não percebe que tem algo errado nessa situação? Se você realmente gostasse da Lily, suas coisas estariam no Brooklin agorinha mesmo!

Emma cerrou os dentes.

— Você sabe que nunca dei pra trás numa aposta, Ruby.

— Foi isso que pensei. Você quer a Regina, mas acha que precisa da Lily.

— Há uma semana você queria que eu fizesse as malas e nunca mais deixasse a Regina chegar perto de mim! Agora você está defendendo ela?

— Emma Swan! Não estou defendendo a Regina, sua imbecil! Me preocupo com você! Vocês são loucas uma pela outra! Façam alguma coisa a respeito!

— Como eu posso pensar em ficar com ela?— Emma lamentou. —Você devia tentar me manter longe de pessoas como ela!

Ruby pressionou os lábios, claramente perdendo a paciência.

— Você se esforçou tanto para se separar da sua mãe. Esse é o único motivo pelo qual você está considerando ficar com a Lily! Porque ela é o oposto da Mary, e você acha que a Regina vai te levar de volta para aquela vida. Ela não é como a sua mãe, Emma.

— Eu não disse que era. Olha, Ruby. Me escuta agora, ok?— Emma ergueu um dedo — ontem, quando a Lily me puxou pra fora, ela tentou me beijar e eu recusei e dei um tempo com ela, e sabe porque eu recusei? Porque eu percebi que tudo o que eu queria estava lá dentro, tudo o que eu precisava estava lá com vocês. Já está sendo difícil o suficiente admitir isso, então, por favor, será que dá pra você parar de me julgar, ir lá dentro, perdoar a Zelena, porque, Ruby, ela ama você mais do que tudo, e poxa, todo mundo erra, sabe? Ela só estava preocupada.

Seus olhos se encheram de lágrimas e seu lábio inferior tremeu.

— Não me importo.

— Se importa sim.

— Eu sei— Ruby falou, choramingando e se apoiando no ombro da amiga.

Ela chorou copiosamente até sua respiração ficar mais calma, então Emma a beijou.

— Pronta?

Ruby se endireitou e limpou o nariz.

— Fui muito má com ela durante a noite. Acho que ela não vai falar comigo depois disso.

— Ela vai falar com você sim. Ela sabe que você estava brava.

Ruby limpou o rosto e começou a andar para dentro do apartamento. Mas antes que pudessem abrir a porta, Zelena irrompeu na sacada e apareceu correndo parando em frente à Ruby.

— Me desculpe, baby. Eu não devia ter me intrometido, eu... Por favor, não vá embora. Eu não sei o que faria sem você.

Ruby segurou o rosto dela com as mãos e sorriu.

— Você é uma idiota arrogante, mas eu ainda te amo.

Zelena a beijou repetidas vezes, como se não a visse há meses, e Emma sorriu ao ver aquele final feliz. Regina estava parada na porta com um largo sorriso no rosto, observando a cena.

— E elas viveram felizes para sempre — Regina disse, fechando a porta atrás de Emma.

A loira se jogou no sofá e Regina se sentou ao seu lado puxando as pernas de Emma para o seu colo.

— O que você quer fazer hoje, Flor?

— Dormir. Ou descansar... Ou dormir.

— Posso te dar seu presente antes?

Emma deu um empurrão no ombro dela.

— Fala sério! Depois da festa de ontem, tem mais algum presente pra mim?

A boca da morena se curvou em um sorriso nervoso.

— Bem... sim. Acho que você vai gostar.

— Vou amar, mesmo sem ver o que é.

Regina tirou as pernas de Emma de seu colo e sumiu escada acima. Emma ergueu uma sobrancelha quando a ouviu murmurando, e então Regina surgiu com uma caixa, que colocou no chão, aos pés de Emma, agachando-se atrás do objeto.

— Anda logo, quero ver sua cara de surpresa— Regina sorriu.

O queixo de Emma caiu quando um grande par de olhos negros se ergueram para ela.

—Um cachorrinho?— falou num gritinho agudo, enfiando a mão dentro da caixa. Emma ergueu o filhotinho peludo e fofinho até perto do rosto e ele lambeu sua boca.

Regina tinha um sorriso iluminado no rosto, triunfante.

— Gostou?

—Se gostei? Amei! Você me deu um cachorrinho! E ele tem uma gravatinha azul! Ai que coisinha mais fofa!— Emma disse sorrindo bobamente.

— É um pug. E acho que ele precisa de um nome, flor.

— Ah meu deus! Ele é muito gostoso!— Emma disse beijando o bichinho entre pulos e lambidas. — Um nome, ok.— A loira ergueu o cachorrinho no nível de seus olhos e o encarou por alguns segundos, até levar mais uma lambida na cara que a fez gargalhar. – Hum... O que você acha de Apolo? Eu amo mitologia grega e amo o Apolo. Olha pra ele, ele não tem cara de Apolo?

— Apolo me parece ótimo! — Regina riu sentando-se ao lado de Emma, brincando com o mais novo integrante da casa.

***

— Emma, acorda, acorda, acorda. – Ruby pulava em cima da cama, tentando acordar a amiga. – Estamos atrasadas, acorda!

Era segunda-feira da última semana da aposta. Naquele dia elas não teriam aula, então aproveitaram para ir mais tarde para os estúdios. Um peso se instalara no estômago de Emma, como se ela pressentisse algo errado.

Quando chegaram ao estúdio, Alice estava esperando as duas do lado de fora. Ela veio andando rapidamente em direção às duas, impedindo-as de entrar.

— Oi, Al. Tá tudo bem?— Ruby questionou.

— Bem, sim... Quer dizer, não. Sim, sim. Ah, depende do ponto de vista...— Alice disse se distraindo.

— O que tá rolando?— Emma disse.

— Hum, bem. Eu só quero avisar, para que você não seja a última a saber. Está rolando um boato que, hum, você transou com a Lily na festa e depois foi embora com a Regina e...— Alice disse cuidadosamente.

— Ah, que ótimo. Eu sou a vadia dos camarins.

— E, bem, a Lily veio aqui hoje mais cedo e ela e a Regina discutiram e a Regina está trancada no camarim há algumas horas, e não abre nem pra Bette.

— Merda. Eu vou falar com ela. — Emma saiu andando antes que Alice pudesse falar mais alguma coisa. Ao chegar na porta do trailer de Regina respirou fundo e deu três batidinhas.

— Que inferno, vão embora. – Regina gritou de dentro.

— Regina, sou eu. Por favor. Abre.

— Vai embora, flor.— Regina disse baixinho.

— Não, eu não vou. Abre. – Emma se apoiou na porta – Por favor.

Do outro lado, Regina estava sentada no chão, abraçando os joelhos. Mais alguns segundos de silêncio e ela decidiu então se levantar e destravar a porta. Emma entrou no trailer e Regina estava de costas, sem coragem de encará-la de frente.

— O que houve?— Emma indagou, fechando a porta atrás de si.

Regina retraiu as sobrancelhas e se virou lentamente, ainda olhando para o chão.

— Muitas vezes fico te observando enquanto você está dormindo. Você sempre parece tão em paz. Eu não tenho esse tipo de calma. Tenho essa ansiedade e essa angústia fervendo dentro de mim... Menos quando te observo dormindo. Era isso que eu estava fazendo quando a Lily entrou, ela ouviu algo na Columbia e veio direto pra nossa casa.

Emma sentiu um frio na espinha ao ouvir “Nossa casa”

— Eu estava acordada, e ela entrou no quarto e simplesmente ficou parada, com um olhar chocado no rosto, eu sabia o que ela estava pensando, mas não esclareci as coisas. Não expliquei, porque eu queria que ela achasse que tinha acontecido algo entre a gente. Agora todo mundo acha que você transou com nós duas na mesma noite...— Regina soltou um suspiro triste.

— Desculpa, eu devia ter explicado pra ela.

Emma deu de ombros.

— Eu falei que a gente precisava de um tempo, ela não tinha o direito de entrar lá sem avisar antes.

—Você... Você não está mais com ela?— Regina disse surpresa.

— Não importa.

— Você não está brava? - Regina perguntou,

— É com isso que você está tão preocupada? Você achou que eu ficaria brava?

— Mas você devia ficar! Se alguém acabasse com a minha reputação, ficaria com raiva.

— Você não está nem aí para a sua reputação. O que aconteceu com a Regina que não liga a mínima para o que qualquer pessoa pensa?— Emma provocou, cutucando-a de leve.

— Isso foi antes de eu imaginar a expressão na sua cara quando soubesse o que todos estavam falando de você, por minha causa.

— Você nunca faria nada para me magoar.

— Eu preferia cortar um braço — Regina suspirou.

Então Regina relaxou os músculos da face e olhou novamente para o chão, aborrecida. Emma não tinha nenhuma resposta para lhe dar, e Regina parecia ter dito tudo que precisava dizer, então as duas sentaram em um sofázinho que tinha ali, em silêncio. De vez em quando, Regina a apertava um pouco mais forte para o lado dela. Emma agarrou sua jaqueta, sem saber o que fazer para que Regina se sentisse melhor, então simplesmente deixou que ela a abraçasse.

***

Aquela semana passou voando e apesar dos boatos Emma sentia-se leve. Lily não falava com ela desde domingo e ela não fez questão de ir atrás para se explicar. Ela saiu com Regina todas as noites, foram jantar fora, jogar boliche e dançar. Passaram a maior parte do tempo juntas, seja no trabalho, em programas juntas, ou em casa brincando com Apolo. Regina limpou toda a sua agenda e recusou todas as garotas que se ofereceram para ela. Todos comentavam sobre a nova Regina Mills. O último dia havia chegado, com cheiro de tristeza e pesar no ar. Emma acordou excepcionalmente cedo naquela sexta-feira e sorriu ao perceber como sempre, uma Regina toda descoberta, com o edredom inteiro na parte superior de seu corpo. A loira a cobriu carinhosamente e velou seu sono por alguns minutos, até que decidiu tomar um banho e sair.

Emma não estava com cabeça para faculdade e boatos naquela manhã, então começou a andar sem rumo até que se pegou sentada em uma mesinha do The Planet. Aquela mesma mesinha, onde ela conheceu Regina, onde seu mundo começou a mudar para sempre.

— Está na hora de você parar de fingir— Emma não percebeu Dana chegar.

— O que você quer dizer?— Emma disse enquanto a morena de olhos azuis sentava a sua frente.

— Meu bem, você está falando com alguém que viveu a maior parte da vida fingindo. Ok, talvez ainda viva.— Dana comentou pra si mesma — Saquei você a quilômetros de distância.

— O que você está tentando dizer, Dana? Que sou uma terrorista?

— Não. Estou dizendo que você está escondendo alguma coisa. Todo esse mistério, essa coisa de boa moça, esses encontros em restaurantes chiques com Lilith Page... Essa não é você. Ou você era uma stripper de cidade pequena, ou foi parar numa clínica de reabilitação. Aposto no último.

Emma riu alto.

— Você é uma péssima adivinha!

— Então qual é o seu segredo?

— Se eu te contasse, não seria segredo, seria?

Suas feições se aguçaram, e ela deu um sorriso travesso.

— Eu mostrei o meu, agora você me mostra o seu.

— Odeio ser portadora de más notícias, Dana, mas sua orientação sexual não é exatamente um segredo.

— Merda! E eu achei que tinha um lance misterioso e sensual rolando pra cima de mim— disse Dana, sorrindo de lado.

Emma se encolheu antes de falar.

— Você tinha uma vida boa em casa, Dana?

— Minha mãe é a pessoa mais controladora que eu conheço... Eu sempre fui um fantoche para ela. E meu pai e meu irmão... Bem, ela controla eles também.

— Eu tive Mary Margareth Blanchard como mãe.

— Quem é essa? O nome não me é estranho... E, porque então seu sobrenome é Swan?

Emma deu uma risadinha.

— Na verdade eu tenho o sobrenome dela e do meu pai, mas resolvi adotar o Swan da minha avó, quando vim pra Nova York. E viu? Meu segredo não é tão grande coisa se você não sabe quem ela é.

— E quem ela é?

— Uma mulher muito zoada. Esse lance de jogar, encher a cara, ter um gênio filho da mãe... É hereditário na minha família. Eu e a Ruby viemos pra cá para que eu pudesse começar uma vida nova, sem o estigma de ser a filha de bêbados decadentes e viciados em jogos.

— Dois viciados em jogos decadente do Maine?

— Sim. Eu nasci numa cidadezinha chamada Storybrooke . Tudo que eles tocavam virava ouro na época. Sempre foram envolvidos com a máfia, conhecem metade dos donos de cassino de Vegas, e me ensinaram tudo, eu fui obrigada a levar essa vida desde que me conheço por gente. Porém, quando fiz treze anos, a sorte deles mudou.

— E eles culpam você. — Dana disse, compreensiva.

— A Ruby desistiu de muita coisa para vir pra cá comigo, para que eu pudesse cair fora, mas daí eu chego e a primeira coisa que me acontece é dar de cara com a Regina.

— E quando você olha para a Regina...

— É tudo muito familiar.

Dana assentiu, alcançando a mão de Emma.

— Que merda, Emma. Isso é um saco.

A loira estreitou os olhos.

— Se você contar para alguém o que acabei de te falar, vou chamar a máfia. Conheço muitos deles, sabia?

— Conhece nada.

Emma deu de ombros.

— Acredite no que quiser.

Dana olhou para Emma estreitando os olhos e depois abriu um sorriso.

— Você é oficialmente a pessoa mais maneira que eu conheço.

— Isso é triste, Dana. Você devia sair mais— Emma disse rindo.

Dana apertou a mão de Emma.

— Vai dar tudo certo. Acredito muito nesse lance de que as coisas sempre acontecem por um motivo. Você veio até aqui, a Ruby conheceu a Zel, você arrumou um jeito de entrar no círculo, algo em você virou o mundo de Regina Mills de cabeça pra baixo. Pense nisso— disse Dana, oferecendo um sorriso amigo.

— Sim. Eu acho que sim... Hoje é o ultimo dia da aposta e amanhã as coisas meio que voltam ao normal, de qualquer maneira. Mas enfim, me conte, e quanto à você e a Alice, está tudo bem?

Dana de repente se encolheu e fez uma cara triste.

— Está tudo bem, Emma. Eu só não sei até quando...— Ela suspirou.

— Por quê?— Emma arregalou os olhos.

— Eu sou uma farsa, Emma. Uma farsa. E a Alice não merece isso. Eu... Eu não quero falar sobre isso, não aqui, não agora. Olha só, eu tenho treino daqui a pouco e realmente preciso ir. Mas podemos nos encontrar para conversar qualquer dia? Seu segredo está a salvo comigo, não se preocupe, tá?— Dana deu a volta e depositou um beijo no rosto de Emma. – E... Emma, dê uma chance a si mesma e ao que você sente. Você e a Regina merecem isso. Não deixe que o medo de dar errado a impeça de tentar.— Ela deu uma piscadinha e se afastou, deixando uma Emma pensativa para trás.

Naquele dia, Emma e Regina mal se cruzaram pelos estúdios, e seus horários não bateram na hora de ir embora, Regina aparentemente teve algum imprevisto e saiu antes. No final da tarde, ao chegar no apartamento, Emma percebeu que Ruby e Zelena inexplicavelmente estavam fora e Regina havia se dado ao trabalho de preparar um jantar especial, cozinhando ela mesma. Ao caminhar um pouco mais, viu a mesa que elas nunca haviam usado cuidadosamente arrumada para dois na sacada da cobertura, pratos, taças, talheres e uma garrafa de vinho estavam dispostos de maneira elegante.

Ao ouvir os passos da loira, Regina que estava no fogão, se virou. Exibindo um sorriso iluminado.

— Vem, flor. Eu fiz tudo isso pra gente. Quero que essa noite seja especial pra você.

"Uma colisão frontal numa highway seria menos trágica que nós"— l-ethargic|Tumblr

Notas finais
E aí, o que acharam? Emma está virando gente, finalmente, né? Acho que já está na hora de ela parar de lutar contra o que sente, nénom? Conseguiram entender um pouco da história dela? E o que será que está rolando com a Dana, eim? Nos ultimos caps eu foquei totalmente em SQ e deixei as outras personagens de lado, mas agora vamos voltar a contar mais sobre Dana, Alice, Bette, Helena e Zelena! Todas tem um cantinho especial aqui no meu coração e nessa história. Estou pensando em fazer algumas ones, pra contar coisas do tipo: Por que a Zelena teve que voltar para o país às pressas para cuidar da Regina alguns anos atrás? aí dá pra entender muita coisa pelas ones, já que existem dois livros: Eu me inspiro em Belo Desastre, onde a história é toda contada em primeira pessoa, pela Abby (Emma aqui na fic). Mas também tem Desastre Iminente, onde aparece só o ponto de vista do Travis (Regina aqui) e nos ajuda a entender tudo o que ele sente e porque por tanto tempo ele foi uma pessoa tão reclusa em relação à sentimentos. Enfim, me falem o que acharam do capítulo e o que acham dessa ideia. Não demoro com o próximo (vou fazer o possível) xoxo!